Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé
Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo.
[...]
Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.
Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]
KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficar-parado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)
I. O texto contrapõe a percepção cotidiana de que ficar em pé é tarefa automática à constatação de que a explicação científica desse ato é complexa, e o advérbio "talvez" atenua o caráter paradoxal atribuído a esse contraste.
II. O texto sustenta que a rigidez passiva de músculos e tendões é, em regra, suficiente para garantir o equilíbrio, desde que o sujeito esteja sobre uma superfície plana, rígida e imóvel.
III. A postura a 90 graus é apresentada como aparentemente vantajosa do ponto de vista energético, mas o autor indica que a posição inclinada favorece a sinalização sensorial de pequenas alterações de posição.
IV. A inclinação do corpo para a frente é descrita como uma falha do controle postural, tolerada pelo organismo porque reduz o gasto energético em relação à posição a 90 graus.
É CORRETO o que se afirma em:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé
Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo.
[...]
Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.
Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]
KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficar-parado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)
(__) Em “demais regiões do corpo”, “demais” é pronome indefinido equivalente a “outras”, e não advérbio de intensidade, como ocorre em “cansado demais”.
(__) Em “Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer”, o demonstrativo “Esta” retoma a hipótese de o corpo ficar a 90 graus, mencionada no início do parágrafo.
(__) Em “Uma razão que explica isto”, o demonstrativo “isto” retoma a hipótese de o corpo ficar a 90 graus, apresentada no parágrafo anterior como aparentemente ideal.
(__) Em “Mas não é isso o que ocorre”, o pronome “isso” retoma a hipótese de o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta.
(__) Em “algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus”, o indefinido “algo” resume o conteúdo da oração anterior, e não retoma um substantivo específico.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé
Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo.
[...]
Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.
Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]
KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficar-parado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)
I. O texto contrapõe a percepção cotidiana de que ficar em pé é tarefa automática à constatação de que a explicação científica desse ato é complexa, e o advérbio "talvez" atenua o caráter paradoxal atribuído a esse contraste.
II. O texto sustenta que a rigidez passiva de músculos e tendões é, em regra, suficiente para garantir o equilíbrio, desde que o sujeito esteja sobre uma superfície plana, rígida e imóvel.
III. A postura a 90 graus é apresentada como aparentemente vantajosa do ponto de vista energético, mas o autor indica que a posição inclinada favorece a sinalização sensorial de pequenas alterações de posição.
IV. A inclinação do corpo para a frente é descrita como uma falha do controle postural, tolerada pelo organismo porque reduz o gasto energético em relação à posição a 90 graus.
É CORRETO o que se afirma em:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé
Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo.
[...]
Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.
Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]
KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficar-parado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)
(__) Em “demais regiões do corpo”, “demais” é pronome indefinido equivalente a “outras”, e não advérbio de intensidade, como ocorre em “cansado demais”.
(__) Em “Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer”, o demonstrativo “Esta” retoma a hipótese de o corpo ficar a 90 graus, mencionada no início do parágrafo.
(__) Em “Uma razão que explica isto”, o demonstrativo “isto” retoma a hipótese de o corpo ficar a 90 graus, apresentada no parágrafo anterior como aparentemente ideal.
(__) Em “Mas não é isso o que ocorre”, o pronome “isso” retoma a hipótese de o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta.
(__) Em “algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus”, o indefinido “algo” resume o conteúdo da oração anterior, e não retoma um substantivo específico.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
Leia a tira para responder à questão.

Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Ideia Perigosa
O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.
Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.
Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.
Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.
Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.
No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.
(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão.
“Não complique sua vida”. Eu gostaria que alguém tivesse me dito isso aos 18 anos. Alguém possivelmente me falou aos 28, mas demorei para escutar. Então, agilize-se. Repita em voz alta, escreva no espelho do banheiro ou deixe um recado na porta da geladeira: não complique sua vida.
Você tem noção da rapidez com que a vida escorre pelos dedos? Mesmo que você morra bem velhinho, ainda assim, passa muito rápido. Você terá desilusões amorosas, dívidas a pagar e sonhos inalcançáveis. É a nossa mochila de pedras. Cada um tem a sua e dá conta dela — ou já deu, e sabe como foi difícil. Não coloque nem mais uma pedrinha sequer.
Amores confusos são tentadores. Quem é que não estufa o peito diante de um desafio? Quem resiste à tentação de mergulhar no redemoinho dos quereres? Quem não se sente um super-herói ao conquistar uma declaração de amor que parecia impossível? Quando vê, está viciado nessas batalhas, correndo atrás de mais adrenalina. Ah, querido sofredor, entendo que você insista neste drama até a metade do livro, mas não fique para ver o final. Abandone a leitura pela metade. Abandone suas complicações pela metade.
Largue o namorado encostado, a parceira confusa e o emprego (se aquele escritório é um hospício). Porém, a não ser em casos de polícia, não brigue feio com seus pais e mantenha os amigos de infância por perto; é sempre divertido ouvir quem conheceu você na juventude. Junte dinheiro para viajar. Lá fora você encontrará o paraíso e a solidão.
O amanhã jamais vai deixar de ser uma página em branco. Então, celebre a cada vez que o dia terminar bem. Você nem imagina a turbulência que poderia ter surgido. Ora, você imagina sim, você sabe.
(Martha Medeiros. Não complique sua vida. Disponível em: https://oglobo.globo.com, 26.07.2026. Adaptado)
Desaprender é vital
Para o CEO do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, as empresas não devam ter medo de errar ao adotarem ferramentas de IA em seus processos.
Inteligência Artificial é a expressão da moda em diversos setores, mas será que as companhias brasileiras estão prontas para a implantação de automação por meio dessa tecnologia em suas práticas do dia a dia? O CEO do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, usou o seu conhecimento na área para escrever o livro “Mindset de IA” (Ed. Gente), no qual aponta que, mais do que mudanças operacionais, as empresas precisam mudar de mentalidade para não ficarem para trás e obterem sucesso quando o assunto é automação e o uso das IAs generativas. Para ele, as corporações precisam se permitir errar com a IA.
“Os profissionais precisarão desaprender muitas das práticas que utilizaram até hoje e reaprender a extrair o verdadeiro potencial da tecnologia, entendendo como pode gerar valor contínuo para os processos e para o conhecimento da organização. A IA pensa, mas a decisão final e a responsabilidade continuam sendo humanas. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa”, afirma Horn.
O que o seu livro traz de diferente do que vem sendo debatido sobre IA nas empresas?
O grande diferencial está em focar no modelo mental (mindset) necessário para a implementação da IA, em vez de tratar o tema apenas como a adoção de uma nova ferramenta técnica. Em vez de se concentrar na simples operação de plataformas, o debate deve ser o que os líderes, executivos e empreendedores precisam desaprender de suas vivências passadas e o que devem reaprender para lidar com essa inovação.
O principal objetivo do livro é ensinar como compreender o verdadeiro potencial da tecnologia para gerar valor real para o negócio, para os processos internos e para o conhecimento acumulado da organização. O sucesso com a IA não se resume a implementar ou adotar um sistema tecnológico, mas sim a uma necessidade profunda de transformar todo o negócio por meio da adoção de uma mentalidade adequada para usufruir de verdade de tudo o que essa tecnologia tem a oferecer.
Muitos empresários e executivos ainda temem o uso de IA em processos mais elaborados nas empresas. O que você diria para essas pessoas?
Executivos e empresários devem encarar o erro nessa implementação como uma parte absolutamente essencial do processo de experimentação com a Inteligência Artificial. Não devem ter medo de estimular ao máximo que as equipes experimentem a tecnologia. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa. O próprio Elon Musk [fundador da Tesla e da Space X, entre outros negócios, e primeiro financiador da OpenAI] comemorou a explosão de um de seus foguetes justamente pelo conhecimento valioso extraído daquele evento.
À medida que a empresa treina e aprende com os próprios erros, ela adquire um ganho muito grande de maturidade. Os líderes precisam aceitar esse trade-off e entender que é natural testar diversas abordagens que talvez não tragam retorno financeiro imediato ou que acabem sendo descartadas mais tarde, mas apenas passando por essa fase prática é possível descobrir se realmente vale a pena usar a IA em determinados processos. Cultivar a experimentação contínua e a tolerância à falha é o conselho central para criar o modelo mental adequado e bem-sucedido na adoção dessa tecnologia. Mas claro que o elemento humano vai continuar sendo muito importante, porque a IA pensa, mas é o ser humano que decide. Assim como uma pessoa não deve seguir um aplicativo de rotas cegamente para dentro de uma área perigosa da cidade, as empresas precisam manter o controle final e a responsabilidade de avaliar as decisões da máquina. Essa habilidade é muito mais permanente do que as ferramentas em si.
Disponível em: https://revista.istoe.com.br/wp-content/uploads/sites/30/2026/05/IstoE-Edicao-36.pdf. Acesso em 16 ago. 2026.
No trecho “À medida que a empresa treina e aprende com os próprios erros, ela adquire um ganho muito grande de maturidade”, a expressão destacada, além de funcionar como elemento de coesão, estabelecendo relação de conexão com o período anterior, organiza as ideias do texto, atribuindo valores semânticos.
A expressão destacada “à medida que”:
À esquerda do Rio Doce, 11 de setembro de 2020.
Amigos,
Percebi, antes de começar a escrever essas palavras, que se aproxima a primavera. Estamos chegando ao momento do esteio do céu. Decidi, então, escrever esta carta para falar com vocês sobre o Bem Viver, para quem acredita que cantando é possível suspender o céu, para quem acredita que o modo como vivemos e o mundo onde vivemos é recriado a toda hora. Para além da nossa capacidade de descrever a vida, quero aqui falar da vida como um evento que acontece de dentro de tudo, o tempo todo.
Escrevo, então, para nosso Taru, nosso céu, e para quem acredita que pode suspendê-lo nesse tempo primaveril de proximidade com a terra.
Nossos ancestrais cantavam para suspender o céu. Com esse canto, a cura também chega. Esse é um dos poderes que nossos ancestrais nos passaram: uma prática de comunhão da terra com o céu, por isso a terra é a nossa mãe.
Disponível em: https://cartasindigenasaobrasil.com.br Acesso em: 17 ago. 2026
Leia o período abaixo:
“A escola desenvolveu um projeto de leitura envolvendo diferentes turmas. A iniciativa despertou o interesse dos estudantes e também aproximou as famílias das atividades realizadas pela instituição.”
No segundo período, a expressão “A iniciativa” retoma uma informação anteriormente apresentada e contribui para evitar a repetição desnecessária de palavras. Considerando os mecanismos de coesão textual, assinale a alternativa em que a substituição dessa expressão mantém adequadamente o sentido e a relação entre as ideias
Texto para a questão.
A pressa como modo de viver
É comum atribuir à falta de tempo a responsabilidade pela dificuldade de manter relações sociais mais próximas, cultivar hábitos saudáveis ou simplesmente contemplar aquilo que acontece ao redor. Entretanto, talvez o problema não resida propriamente na escassez de horas disponíveis, mas na forma como a sociedade passou a compreender o próprio tempo. A produtividade transformou-se em critério de sucesso, enquanto a contemplação, o silêncio e a convivência passaram, muitas vezes, a ser interpretados como desperdício.
Esse modo de viver produz consequências que ultrapassam o âmbito individual. Pessoas que compartilham os mesmos espaços raramente estabelecem vínculos duradouros, ainda que convivam diariamente. Ambientes públicos tornam-se locais de passagem, e não de permanência; conversas são substituídas por mensagens instantâneas; experiências coletivas cedem espaço ao isolamento silencioso provocado pelo uso contínuo de dispositivos eletrônicos.
Paradoxalmente, quanto recursos tecnológicos aproximam indivíduos geograficamente distantes, maior parece ser a dificuldade de estabelecer conexões significativas com aqueles que ocupam o mesmo ambiente físico. Não se trata, evidentemente, de rejeitar os avanços tecnológicos, mas de reconhecer que nenhuma ferramenta digital substitui integralmente a riqueza das interações presenciais.
Resgatar o valor da convivência cotidiana exige mais do que reduzir o tempo diante das telas. Exige uma mudança de atitude capaz de transformar pequenos gestos — como ouvir atentamente, dialogar sem pressa ou ocupar conscientemente os espaços públicos — em práticas permanentes de cidadania. Afinal, comunidades fortalecem-se menos pela quantidade de pessoas que as compõem do que pela qualidade das relações construídas entre elas.
No período final do texto, o autor afirma:
"Afinal, comunidades fortalecem-se menos pela quantidade de pessoas que as compõem do que pela qualidade das relações construídas entre elas."
Sob o ponto de vista da organização argumentativa e da progressão textual, a palavra "Afinal" estabelece uma relação específica entre esse período e os argumentos anteriormente desenvolvidos. Assinale a alternativa que identifica corretamente essa relação discursiva.
Texto para a questão.
A pressa como modo de viver
É comum atribuir à falta de tempo a responsabilidade pela dificuldade de manter relações sociais mais próximas, cultivar hábitos saudáveis ou simplesmente contemplar aquilo que acontece ao redor. Entretanto, talvez o problema não resida propriamente na escassez de horas disponíveis, mas na forma como a sociedade passou a compreender o próprio tempo. A produtividade transformou-se em critério de sucesso, enquanto a contemplação, o silêncio e a convivência passaram, muitas vezes, a ser interpretados como desperdício.
Esse modo de viver produz consequências que ultrapassam o âmbito individual. Pessoas que compartilham os mesmos espaços raramente estabelecem vínculos duradouros, ainda que convivam diariamente. Ambientes públicos tornam-se locais de passagem, e não de permanência; conversas são substituídas por mensagens instantâneas; experiências coletivas cedem espaço ao isolamento silencioso provocado pelo uso contínuo de dispositivos eletrônicos.
Paradoxalmente, quanto recursos tecnológicos aproximam indivíduos geograficamente distantes, maior parece ser a dificuldade de estabelecer conexões significativas com aqueles que ocupam o mesmo ambiente físico. Não se trata, evidentemente, de rejeitar os avanços tecnológicos, mas de reconhecer que nenhuma ferramenta digital substitui integralmente a riqueza das interações presenciais.
Resgatar o valor da convivência cotidiana exige mais do que reduzir o tempo diante das telas. Exige uma mudança de atitude capaz de transformar pequenos gestos — como ouvir atentamente, dialogar sem pressa ou ocupar conscientemente os espaços públicos — em práticas permanentes de cidadania. Afinal, comunidades fortalecem-se menos pela quantidade de pessoas que as compõem do que pela qualidade das relações construídas entre elas.
Texto para a questão.
A pressa como modo de viver
É comum atribuir à falta de tempo a responsabilidade pela dificuldade de manter relações sociais mais próximas, cultivar hábitos saudáveis ou simplesmente contemplar aquilo que acontece ao redor. Entretanto, talvez o problema não resida propriamente na escassez de horas disponíveis, mas na forma como a sociedade passou a compreender o próprio tempo. A produtividade transformou-se em critério de sucesso, enquanto a contemplação, o silêncio e a convivência passaram, muitas vezes, a ser interpretados como desperdício.
Esse modo de viver produz consequências que ultrapassam o âmbito individual. Pessoas que compartilham os mesmos espaços raramente estabelecem vínculos duradouros, ainda que convivam diariamente. Ambientes públicos tornam-se locais de passagem, e não de permanência; conversas são substituídas por mensagens instantâneas; experiências coletivas cedem espaço ao isolamento silencioso provocado pelo uso contínuo de dispositivos eletrônicos.
Paradoxalmente, quanto recursos tecnológicos aproximam indivíduos geograficamente distantes, maior parece ser a dificuldade de estabelecer conexões significativas com aqueles que ocupam o mesmo ambiente físico. Não se trata, evidentemente, de rejeitar os avanços tecnológicos, mas de reconhecer que nenhuma ferramenta digital substitui integralmente a riqueza das interações presenciais.
Resgatar o valor da convivência cotidiana exige mais do que reduzir o tempo diante das telas. Exige uma mudança de atitude capaz de transformar pequenos gestos — como ouvir atentamente, dialogar sem pressa ou ocupar conscientemente os espaços públicos — em práticas permanentes de cidadania. Afinal, comunidades fortalecem-se menos pela quantidade de pessoas que as compõem do que pela qualidade das relações construídas entre elas.
Texto para a questão.
A pressa como modo de viver
É comum atribuir à falta de tempo a responsabilidade pela dificuldade de manter relações sociais mais próximas, cultivar hábitos saudáveis ou simplesmente contemplar aquilo que acontece ao redor. Entretanto, talvez o problema não resida propriamente na escassez de horas disponíveis, mas na forma como a sociedade passou a compreender o próprio tempo. A produtividade transformou-se em critério de sucesso, enquanto a contemplação, o silêncio e a convivência passaram, muitas vezes, a ser interpretados como desperdício.
Esse modo de viver produz consequências que ultrapassam o âmbito individual. Pessoas que compartilham os mesmos espaços raramente estabelecem vínculos duradouros, ainda que convivam diariamente. Ambientes públicos tornam-se locais de passagem, e não de permanência; conversas são substituídas por mensagens instantâneas; experiências coletivas cedem espaço ao isolamento silencioso provocado pelo uso contínuo de dispositivos eletrônicos.
Paradoxalmente, quanto recursos tecnológicos aproximam indivíduos geograficamente distantes, maior parece ser a dificuldade de estabelecer conexões significativas com aqueles que ocupam o mesmo ambiente físico. Não se trata, evidentemente, de rejeitar os avanços tecnológicos, mas de reconhecer que nenhuma ferramenta digital substitui integralmente a riqueza das interações presenciais.
Resgatar o valor da convivência cotidiana exige mais do que reduzir o tempo diante das telas. Exige uma mudança de atitude capaz de transformar pequenos gestos — como ouvir atentamente, dialogar sem pressa ou ocupar conscientemente os espaços públicos — em práticas permanentes de cidadania. Afinal, comunidades fortalecem-se menos pela quantidade de pessoas que as compõem do que pela qualidade das relações construídas entre elas.