Questões de Concurso Sobre teoria literária em literatura

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Q3953693 Literatura
A literatura portuguesa desenvolveu-se em estreita relação com os processos históricos, sociais e culturais de sua formação, reunindo obras e autores de diferentes épocas e estilos. Ao longo do tempo, consolidou-se como um sistema literário marcado pela diversidade formal e temática, refletindo transformações estéticas e culturais sem perder continuidade histórica (SARAIVA; LOPES, 2015).
Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3946977 Literatura
Considere a descrição da capa de Menino de Engenho , de José Lins do Rêgo, bem como a imagem dela, a seguir.

Em uma de suas edições mais conhecidas, a capa apresenta uma figura infantil em meio ao espaço rural e elementos que sugerem o ambiente açucareiro, como canaviais ou estruturas relacionadas ao engenho.

Imagem7: Capa do livro Menino de Engenho, de José Lins do Rêgo. 
Imagem associada para resolução da questão
Sabendo que Menino de Engenho (1932) pertence ao ciclo da cana-de açúcar do autor e integra o movimento do Regionalismo da 2ª fase do Modernismo brasileiro, avalie as afirmativas abaixo.
I - A capa, ao representar um cenário rural associado ao ciclo da cana-de-açúcar, dialoga diretamente com o conteúdo do romance, que retrata a infância do narrador no ambiente do engenho nordestino. Essa relação entre imagem e narrativa está coerente com o teor memorialístico da obra.
II - O estilo artístico da capa — que tende ao figurativismo simples, com foco em elementos da vida rural — contrasta com o estilo literário de José Lins do Rêgo, cuja escrita pertence ao movimento simbolista, caracterizado pela subjetividade e pelo uso intenso de metáforas herméticas.
III - O romance, pertencente ao Regionalismo de 1930, apresenta forte crítica social ao sistema patriarcal e ao coronelismo do Nordeste. Esse conteúdo não é explicitado pela capa, que se concentra mais na dimensão da infância do protagonista do que nos conflitos sociais que permeiam a obra.

IV - A narrativa de Menino de Engenho combina elementos autobiográficos com observações sociológicas sobre a economia açucareira e seus impactos sociais, o que está alinhado ao projeto estético dos autores do Regionalismo nordestino, como Graciliano Ramos e Raquel de Queiroz.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3942298 Literatura

No campo dos estudos narrativos, o conceito de “epifania” é recorrente na análise de textos breves, especialmente em determinadas formas literárias modernas.


Considerando esse conceito, assinale a alternativa que caracteriza corretamente o conceito no âmbito da narrativa literária.

Alternativas
Q3942288 Literatura
A originalidade histórica e literária da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis não reside apenas em sua posição cronológica no debate abolicionista, mas sobretudo na forma como o romance reorganiza os regimes de voz e de autoridade narrativa.

Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa que expressa corretamente esse deslocamento discursivo promovido pela obra.
Alternativas
Q3942287 Literatura
Em O Ateneu, romance de Raul Pompeia, a representação da escola-internato ultrapassa a função de simples cenário narrativo. Considerando a relação entre literatura, poder e instituições, assinale a alternativa que expressa corretamente essa função simbólica do espaço escolar. 
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Q3929954 Literatura

A costureira das fadas

 

Depois do jantar, o príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.

– Dona Aranha – disse o príncipe – quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.

Disse e retirou-se. Dona Aranha tomou da fita métrica e, ajudada por seis aranhinhas muito espertas, principiou a tomar as medidas. Depois teceu depressa, depressa, uma fazenda cor-de-rosa com estrelinhas douradas, a coisa mais linda que se possa imaginar. Teceu também peças de fita e peças de renda e de entremeio – até carretéis de linha fabricou.

 

Monteiro Lobato. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1973.

O texto em análise – A costureira das fadas - constitui exemplo de: 
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Q3928798 Literatura
Amor

    Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem.
    No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.
        (...)
      O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu ao seu rosto um ar de mulher. O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.
     A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.
    O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.
     Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio.

Clarice Lispector. Todos os contos. Benjamin Moser (org.).
Rio de Janeiro: Rocco, 2016, p. 145-7 (com adaptações).

O texto Amor ilustra um aspecto marcante e inovador da narrativa intimista de Clarice Lispector no contexto da terceira fase do Modernismo brasileiro. Esse aspecto corresponde 
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Q3928788 Literatura
O alienista

    Nisto chegou do Rio de Janeiro D. Evarista, esposa do alienista, a tia, a mulher do Crispim Soares, e toda a mais comitiva — ou quase toda — que algumas semanas antes partira de Itaguaí.
    (...)
    Três horas depois cerca de cinquenta convivas sentavam-se em volta da mesa de Simão Bacamarte; era o jantar das boas-vindas. D. Evarista foi o assunto obrigado dos brindes, discursos, versos de toda a casta, metáforas, amplificações, apólogos. Ela era a esposa do novo Hipócrates, a musa da ciência, anjo, divina, aurora, caridade, vida, consolação; trazia nos olhos duas estrelas segundo a versão modesta de Crispim Soares e dous sóis, no conceito de um vereador. (...) Um dos oradores, por exemplo, Martim Brito, rapaz de vinte e cinco anos, pintalegrete acabado, curtido de namoros e aventuras, declamou um discurso em que o nascimento de D. Evarista era explicado pelo mais singular dos reptos. “Deus”, disse ele, “depois de dar o universo ao homem e à mulher, esse diamante e essa pérola da coroa divina,” (e o orador arrastava triunfalmente esta frase de uma ponta a outra da mesa) “Deus quis vencer a Deus, e criou D. Evarista.” 
    D. Evarista baixou os olhos com exemplar modéstia. Duas senhoras, achando a cortesanice excessiva e audaciosa, interrogaram os olhos do dono da casa; e, na verdade, o gesto do alienista pareceu-lhes nublado de suspeitas, de ameaças e, provavelmente, de sangue. O atrevimento foi grande, pensaram as duas damas. (...) Mas o alienista sorria agora para o Martim Brito e, levantados todos, foi ter com ele e falou-lhe do discurso. Não lhe negou que era um improviso brilhante, cheio de rasgos magníficos. Seria dele mesmo a ideia relativa ao nascimento de D. Evarista ou tê-la-ia encontrado em algum autor que?... Não senhor; era dele mesmo; achou-a naquela ocasião e parecera-lhe adequada a um arroubo oratório. De resto, suas ideias eram antes arrojadas do que ternas ou jocosas. Dava para o épico. (...)
    “Pobre moço!”, pensou o alienista. E continuou consigo: “Trata-se de um caso de lesão cerebral: fenômeno sem gravidade, mas digno de estudo...”
    D. Evarista ficou estupefata quando soube, três dias depois, que o Martim Brito fora alojado na Casa Verde. Um moço que tinha ideias tão bonitas! As duas senhoras atribuíram o ato a ciúmes do alienista. Não podia ser outra cousa; realmente, a declaração do moço fora audaciosa demais.
    Ciúmes? Mas como explicar que, logo em seguida, fossem recolhidos José Borges do Couto Leme, pessoa estimável, o Chico das cambraias, folgazão emérito, o escrivão Fabrício e ainda outros? O terror acentuou-se. Não se sabia já quem estava são, nem quem estava doudo. 

Machado de Assis. O alienista. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p.38; 55-56 (com adaptações).
A estrutura narrativa do trecho reproduzido de O alienista é conduzida
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Q3925238 Literatura

Texto XVI

Ainda estou aqui


Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo. De ele balançar os bracinhos na luz. De eu chorar sem sair lágrimas. Ou de sair lágrimas sem eu chorar. Duvido que me esquecerei de algum detalhe desse dia milagroso. Existir é passar de um estado para outro: tenho fome, como, tenho frio, me agasalho, estou alegre, e agora triste, e depois estarei alegre, penso e chego a conclusões, me lembro de algo que me toca o coração, sinto um cheiro que me lembra alguém, sinto um gosto que me lembra um lugar, me emociono. Emocionar-se é passar de um estado para o outro. Você vê um quadro hoje. Vê o quadro de novo daqui a dez anos, o revê daqui a vinte, trinta, quarenta… É o mesmo quadro com a mesma moldura, na mesma parede do mesmo museu, com a mesma luz, é você, mas cada vez será visto de outra forma. Cada vez ele nos conta uma história. O quadro não mudou. Já nós…


[...]


Se tudo é recriação de algo já inventado, nada é invenção.


Sei que repetirei lá na frente o que narrei antes. Este livro sobre memórias nasce assim. Histórias são recuperadas. Umas puxam outras. As histórias vão e voltam com mais detalhes e referências. Faço uma releitura da vida da minha família. Reescrever o que já escrevi.


Ainda vejo o facho, não quero me afastar. Existem várias formas de contar a história sobre a memória e a falta dela. Procurarei a fogueira no alto quando o mar me puxar. Vou para voltar. Quem nadou em mar aberto sabe: antes de lutar desesperadamente contra a correnteza, é melhor deixar-se levar por instantes; é preciso ter calma e coragem; a correnteza enfraquece, então saímos fora.


PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Alfagura, 2014. p. 27-9.

Considerando-se os documentos oficiais vigentes para o ensino de literatura na Educação Básica e o Texto XVI, que critérios poderiam ser adotados para fundamentar a seleção desse livro de Marcelo Rubens Paiva para o 9o ano do ensino fundamental?
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Q3925232 Literatura

Texto XIII

Mineirinho


É, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.


Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.


Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais.

[...]


LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 18.

Clarice Lispector é situada na história da literatura brasileira na chamada Geração de 1945 ou 3a Geração Modernista.

Em termos de linguagem, essa categorização se justifica no Texto XIII pelo fato de este apresentar um(a)

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Q3925228 Literatura

Texto XII

Morte do leiteiro

A Cyro Novaes 


Há pouco leite no país,

é preciso entregá-lo cedo.

Há muita sede no país,

é preciso entregá-lo cedo.

Há no país uma legenda,

que ladrão se mata com tiro.


Então o moço que é leiteiro

de madrugada com sua lata

sai correndo e distribuindo

leite bom para gente ruim.

Sua lata, suas garrafas

e seus sapatos de borracha

vão dizendo aos homens no sono

que alguém acordou cedinho

e veio do último subúrbio

trazer o leite mais frio

e mais alvo da melhor vaca

para todos criarem força

na luta brava da cidade.


Na mão a garrafa branca

não tem tempo de dizer

as coisas que lhe atribuo

nem o moço leiteiro ignaro,

morador na Rua Namur,

empregado no entreposto,

com 21 anos de idade,

sabe lá o que seja impulso

de humana compreensão.

E já que tem pressa, o corpo

vai deixando à beira das casas

uma apenas mercadoria.


E como a porta dos fundos

também escondesse gente

que aspira ao pouco de leite

disponível em nosso tempo,

avancemos por esse beco,

peguemos o corredor,

depositemos o litro...

Sem fazer barulho, é claro,

que barulho nada resolve.


Meu leiteiro tão sutil

de passo maneiro e leve,

antes desliza que marcha.

É certo que algum rumor

sempre se faz: passo errado,

vaso de flor no caminho,

cão latindo por princípio,

ou um gato quizilento.

E há sempre um senhor que acorda,

resmunga e torna a dormir.


Mas este acordou em pânico

(ladrões infestam o bairro),

não quis saber de mais nada.

O revólver da gaveta

saltou para sua mão.

Ladrão? se pega com tiro.

Os tiros na madrugada

liquidaram meu leiteiro.

Se era noivo, se era virgem,

se era alegre, se era bom,

não sei,

é tarde para saber.


Mas o homem perdeu o sono

de todo, e foge pra rua.

Meu Deus, matei um inocente.

Bala que mata gatuno

também serve pra furtar

a vida de nosso irmão.

Quem quiser que chame médico,

polícia não bota a mão

neste filho de meu pai.

Está salva a propriedade.

A noite geral prossegue,

a manhã custa a chegar,

mas o leiteiro

estatelado, ao relento,

perdeu a pressa que tinha.


Da garrafa estilhaçada,

no ladrilho já sereno

escorre uma coisa espessa

que é leite, sangue... não sei.

Por entre objetos confusos,

mal redimidos da noite,

duas cores se procuram,

suavemente se tocam,

amorosamente se enlaçam,

formando um terceiro tom

a que chamamos aurora.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Record, 2009. p. 178-179.
Publicado no livro Rosa do Povo (1945), o poema de Drummond (Texto XII) apresenta um(a)
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Q3925225 Literatura

Texto VII


Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.


Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar - sozinho, à noite -

Mais prazer encontro eu lá;


Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que volte para lá;


Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.


Coimbra, julho, 1843.


DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. In: DIAS, Gonçalves. Poesias completas. São Paulo: Martin Claret, 2001. p. 53-54.


Texto VIII

O navio negreiro

Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio, Musa... Chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto!...

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança...

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança,

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!...

ALVES, Castro. O navio negreiro e outros poemas. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 16.



Os textos VII e VIII constituem expressão do mesmo projeto estético, o Romantismo.

Entre um e outro, porém, diverge a perspectiva da identidade nacional, uma vez que o primeiro texto

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Q3925220 Literatura

Texto II

Kehinde


A borboleta que esbarra em espinhos rasga as próprias asas.

Provérbio africano


Eu nasci em Savalu, reino de Daomé, África, no ano de um mil oitocentos e dez. Portanto, tinha seis anos, quase sete, quando esta história começou. O que aconteceu antes disso não tem importância, pois a vida corria paralela ao destino. O meu nome é Kehinde porque sou uma ibêji e nasci por último. Minha irmã nasceu primeiro e por isso se chamava Taiwo. Antes tinha nascido o meu irmão Kokumo, e o nome dele significava “não morrerás mais, os deuses te segurarão”. O Kokumo era um abiku, como minha mãe. O nome dela, Dúróoríìke, era o mesmo que “fica, tu serás mimada”. A minha avó Dúrójaiyé tinha esse nome porque também era uma abiku, e o nome dela pedia “fica para gozar a vida, nós imploramos”. Assim são os abikus, espíritos amigos há mais tempo do que qualquer um de nós pode contar, e que, antes de nascer, combinam entre si que logo voltarão a morrer para se encontrarem novamente no mundo dos espíritos. Alguns abikus tentam nascer na mesma família para permanecerem juntos, embora não se lembrem disto quando estão aqui, no ayê, na terra, a não ser quando sabem que são abikus. Eles têm nomes especiais que tentam segurá-los vivos por mais tempo, o que às vezes funciona. Mas ninguém foge ao destino, a não ser que Ele queira, porque, quando Ele quer, até água fria é remédio.


GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2020. p. 19.



Vocabulário

Ibêji: os gêmeos entre os povos iorubá.

Abiku: “criança nascida para morrer”.

No texto literário, nenhuma escolha linguística ocorre impunemente, já que uma obra não se esgota em sua temática, carecendo também da forma como categoria fundante da literariedade.


Nesse sentido, num ensino de literatura consequente, mostra-se relevante, no Texto II, a reflexão sobre o uso do pronome pessoal Ele com maiúscula, a fim de levar o estudante-leitor a 

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Q3924098 Literatura
A literatura brasileira contemporânea tem ampliado a diversidade de vozes e perspectivas, incorporando narrativas que abordam questões de gênero, raça, regionalidade e desigualdade social. Observa-se também a consolidação de autores nordestinos no cenário nacional e internacional, além do crescimento de clubes de leitura, feiras literárias e prêmios que valorizam produções fora do eixo tradicional.

Nesse cenário, é correto afirmar que: 
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Q3923869 Literatura
A literatura frequentemente dialoga com o contexto histórico em que é produzida. Ao longo do século XX, autores brasileiros utilizaram a produção literária como instrumento de crítica social, abordando temas como desigualdade, urbanização e transformações políticas. 
Nesse sentido, é correto afirmar que a relação entre literatura e história: 
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Q3912261 Literatura
Segundo a síntese de Anatol Rosenfeld (2010), quais são os quatro traços fundamentais associados ao gênero lírico? 
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Q3897753 Literatura
As Escolas Literárias correspondem às divisões da literatura segundo as características próprias de cada uma delas, sendo essa classificação influenciada, entre outros fatores, principalmente pelos contextos históricos em que surgiram.

Com base nas características das escolas literárias, relacione corretamente as colunas abaixo, de acordo com a escola e seus contextos históricos. 

1.Parnasianismo
2.Realismo
3.Modernismo
4.Naturalismo

(__)Ao contrário do Romantismo, que fazia uso exagerado da subjetividade, esta escola caracteriza-se pela linguagem direta e objetiva. Seus temas centrais incluem críticas à sociedade da época, especialmente à burguesia, e a representação de cenários urbanos.
(__)Trata-se de uma das escolas da literatura brasileira, iniciada em 1882, caracterizada pelo preciosismo, ou seja, pelo "culto à forma". As poesias desse período são descritivas e detalhadas, evidenciando uma valorização da estrutura estética.
(__)Surgiu no Brasil no final do século XIX e tinha como principal preocupação expressar a realidade e os problemas sociais da época. Suas características incluem linguagem coloquial e determinismo, ou seja, a ideia de que o homem é produto do meio em que vive. Publicada em 1881, a obra "O Cortiço", de Aloísio de Azevedo, é considerada um clássico e a obra-chave dessa escola.
(__)Constitui um dos momentos mais importantes da história da literatura brasileira, caracterizando-se pelo rompimento com as escolas tradicionais e pela busca de liberdade estética. Esse movimento teve grande impulso a partir da Semana de Arte Moderna, em 1922, um evento dedicado à apresentação artístico-cultural.

A sequência numérica que relaciona adequadamente as colunas é:
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Q3877820 Literatura
A atuação de escritores indígenas no Brasil contemporâneo tem se caracterizado por integrar estrategicamente autoria, identidade e ação política.
Reconhecendo o valor dessa articulação, é correto afirmar que a figura do intelectual indígena
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Q3877818 Literatura
O trabalho de Kopenawa e Albert (2010), por eles qualificado como um pacto etnográfico, tem alcançado grande repercussão no cenário literário do Brasil e do exterior nos últimos tempos.
Em linhas gerais, é correto afirmar que a obra pode ser caracterizada como  
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Q3877810 Literatura
No contexto da produção cultural indígena contemporânea no Brasil, a literatura tem assumido um papel que ultrapassa a dimensão estritamente estética.
Nesse sentido, é correto afirmar que a literatura indígena contemporânea
Alternativas
Respostas
61: D
62: E
63: B
64: E
65: B
66: D
67: C
68: B
69: A
70: D
71: D
72: C
73: A
74: D
75: A
76: E
77: D
78: D
79: B
80: C