Questões de Concurso
Sobre teoria literária em literatura
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I. O eu lírico demonstra profundo sofrimento por não conseguir encontrar verdades absolutas através das palavras.
II. O poema prega que nada existe e que o mundo físico é uma ilusão da qual devemos duvidar constantemente.
III. Para o eu lírico, a única verdade legítima e irrefutável reside na imanência do ser.
Está CORRETO o que se afirma em:
Leia o texto II e responda à questão.

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)
Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.
“Somos como duas línguas estrangeiras [...] movendo-se como placas tectônicas com suas camadas de sedimento antigo e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no [caminho” (versos 1 e 23-25)
Nos versos citados acima, que aspecto dessas línguas é enfatizado?
Assinale a alternativa correta sobre a literatura brasileira.
Considerando essa definição e a leitura integral do poema, a relação entre o título e o texto estabelece-se principalmente porque:
(__) A teoria da literatura constitui um conjunto de princípios sistemáticos voltados à compreensão do funcionamento da linguagem literária e à identificação de seus elementos constitutivos.
(__)A especificidade da linguagem literária reside na centralidade da função poética, que enfatiza a forma da mensagem e a inseparabilidade entre o que se diz e como se diz.
(__)A literatura, embora ficcional, pode revelar aspectos profundos da condição humana, funcionando como uma forma de conhecimento que ultrapassa a mera transmissão de informações.
(__)A teoria da literatura caracteriza-se por produzir textos de natureza literária, uma vez que mobiliza recursos expressivos semelhantes aos utilizados nas obras ficcionais.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo.
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Texto 1
Receita
ingredientes
2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles
modo de preparar
dissolva os sonhos eróticos nos dois litros de sangue fervido e deixe gelar seu coração.
leve a mistura ao fogo, adicionando dois conflitos de gerações às esperanças perdidas.
corte tudo em pedacinhos e repita com as canções dos beatles o mesmo processo usado com os sonhos eróticos, mas desta vez deixe ferver um pouco mais e mexa até dissolver.
parte do sangue pode ser substituído por suco de groselha, mas os resultados não serão os mesmos. sirva o poema simples ou com ilusões.
BEHR, Nicolas. Receita. In: 50 POEMAS de revolta. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 73-74.
Texto 6

“Capitu era dissimulada, de olhos de ressaca, capazes de arrastar para dentro deles quem os contemplasse. Sua inteligência e firmeza contrastavam com o comportamento mais inseguro de Bentinho.”
No trecho, é possível identificar a construção de perfis psicológicos dos personagens. A caracterização de Capitu como “dissimulada” contribui para:
( ) Pelo fato de o narrador ser defunto, nós temos, de certa forma, uma situação sobrenatural. Tal situação quebra a possibilidade de expectativa e tensão, pois já sabemos de início o desfecho da narrativa. Contando a causa de sua morte, Brás Cubas relata a tentativa de inventar um emplasto anti-hipocondríaco, o que resulta num efeito humorístico e irônico.
( ) Brás Cubas relata um delírio no qual é conduzido por um hipopótamo até a origem dos séculos. Ali, ele encontra Natureza ou Pandora, que diz ser sua mãe e sua inimiga. Apesar dos apelos de Brás, que quer viver mais um pouco, Natureza faz-lhe ver que ele já cumprira sua função, portanto, não precisava mais dele. Dessa maneira, a morte de Brás Cubas era uma questão de egoísmo da Natureza, mas isso seria um estatuto universal.
( ) Brás Cubas sente-se dominado por forças superiores, cujas intenções ele não pode explicar direito, do mesmo modo como ele fizera, no capítulo XXXI, com uma borboleta que havia entrado 5 em seu quarto.
( ) Tal ideia é também exposta pelo personagem-filósofo Quincas Borba, que criara um sistema denominado Humanitismo. Tal sistema propunha a inexistência da dor, pois todo sofrimento humano seria apenas uma infração à lei de Humanitas que ela imediatamente corrige.
( ) Daí advém a noção de que o homem é devorado por excelência, ficando justificada a sobrevivência apenas do mais forte. De certo modo, seria essa a prática de vida de Brás Cubas, cuja falta de ética e de moral ficaria legitimada pelo exemplo que lhe dá a Natureza em “O delírio” e pelo sistema filosófico, o Humanitismo, criado pelo personagem Quincas Borba.
Texto 2
Metamorfose
Luís Fernando Veríssimo
Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!
Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.
[...]
Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.
Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026.
Texto 1
Quarto de Despejo: Diário de uma favelada
“20 DE JULHO
Deixei o leito as 4 horas para escrever. Abri a porta e contemplei o céu estrelado. Quando o astro-rei começou despontar eu fui buscar agua. Tive sorte! As mulheres não estavam na torneira. Enchi minha lata e zarpei. (...) Fui no Arnaldo buscar o leite e o pão. Quando retornava encontrei o senhor Ismael com uma faca de 30 centimetros mais ou menos. Disse-me que estava a espera do Binidito e do Miguel para matá-los, que eles lhe expancaram quando ele estava embriagado.
Lhe aconselhei a não brigar, que o crime não trás vantagens a ninguém, apenas deturpa a vida. Senti o cheiro de álcool, disisti. Sei que os ebrios não atende. O senhor Ismael quando não está alcoolizado demonstra sua sapiência. Já foi telegrafista. E do Circulo Exoterico. Tem conhecimentos biblicos, gosta de dar conselhos. Mas não tem valor. Deixou o álcool lhe dominar, embora seus conselho seja util para os que gostam de levar vida decente.
Preparei a refeição matinal. Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco. E eu, mingau de aveia. Já que não posso dar aos meus filhos uma casa decente para residir, procuro lhe dar uma refeição condigna.
Terminaram a refeição. Lavei os utensílios. Depois fui lavar roupas. Eu não tenho homem em casa. E só eu e meus filhos. Mas eu não pretendo relaxar. O meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto preço, residir numa casa confortável, mas não é possível. Eu não estou descontente com a profissão que exerço. Já habituei-me andar suja. Já faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho é residir em favela.
...Durante o dia, os jovens de 15 e 18 anos sentam na grama e falam de roubo. E já tentaram assaltar o emporio do senhor Raymundo Guello. E um ficou carimbado com uma bala. O assalto teve inicio as 4 horas. Quando o dia clareou as crianças catava dinheiro na rua e no capinzal. Teve criança que catou vinte cruzeiros em moeda. E sorria exibindo o dinheiro. Mas o juiz foi severo. Castigou impiedosamente.
Fui no rio lavar as roupas e encontrei D. Mariana. Uma mulher agradavel e decente. [...] Estendi as roupas rapidamente e fui catar papel. Que suplicio catar papel atualmente! Tenho que levar a minha filha Vera Eunice. Ela está com dois anos, e não gosta de ficar em casa. Eu ponho o saco na cabeça e levo-a nos braços. Suporto o peso do saco na cabeça e suporto o peso da Vera Eunice nos braços. Tem hora que revolto-me. Depois domino-me. Ela não tem culpa de estar no mundo”.
[...]
Adaptado de: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2020.
I.A obra de menor qualidade também atua na formação do leitor e em sua humanização, uma vez que o movimento literário é constituído tanto por textos de qualidade alta, quanto por textos de qualidade modesta, formando um conjunto de significados que influi na construção dos conhecimentos do leitor.
II.No processo de formação do leitor, espera-se que o(a) estudante perceba as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários do cânone brasileiro. Nesse sentido, o(a) professor(a) deve evitar, em sua curadoria literária, a indicação de obras consideradas de cultura popular, como literatura marginal, periférica, de massa, folclóricas, entre outras, pois, ainda que sejam importantes e nobres, elas não são suficientes para o contexto escolar.
III.A literatura possibilita ao leitor, por exemplo, o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso de beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor.
É correto o que se afirma em:
(__)O poeta, nascido na cidade de Desterro, atual Florianópolis, faz da sua prosa um importante instrumento de libertação, sobretudo da subjetividade que não encontrava espaço no parnasianismo, mas que se torna um dos principais elementos do simbolismo, à época muito influente na Europa. Cercado pela opressão escravista, ainda que alforriado, Cruz e Sousa lança um grito que está além da cor da pele, mas que encontra força na agonia dos afrodescendentes.
(__)Cruz e Sousa foi o responsável por marcar o simbolismo no Brasil com traços singulares em relação à escola francesa, introduzindo a etnicidade em sua prosa poética. Disfarçada na individualidade do poeta, encontra-se a voz coletiva, o clamor de um povo cercado e acuado. Povo que, ao vencer um obstáculo, encontra outro e outro continuamente. A voz do eu enunciador carrega, em sua lírica, o lamento e o sonho de um dia alcançar plenamente a liberdade.
(__)O "Emparedado" traz à tona as reflexões de um artista marcado por formas diversas de exclusão, tais como raça e poder social, legitimadas por discursos científicos e estético-culturais vigentes no século XIX. Dessa forma, o eu-enunciador do texto é emparedado pelo preconceito, pela ignorância e por esses discursos legitimadores de uma sociedade branca que não aceita as diferenças.
(__)Apesar de a leitura crítica do leitor relacionar o discurso de Cruz e Sousa à luta antirracista que se instaura no contexto da coletividade negra, em "Emparedado", o poeta apresenta um discurso de rememoração biográfica, em que o eu do texto é apenas um eu biográfico, retratando a experiência de vida do autor e criticando o racialismo que o condenou ao lugar da ignorância eterna "por uma questão banal da química biológica do pigmento". Essa condenação, porém, será rompida após sua morte, com o reconhecimento de Cruz e Sousa como grande poeta da literatura brasileira e um dos maiores representantes do Simbolismo no Brasil, o que conferirá ao texto um viés coletivo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
A respeito da leitura do texto literário no contexto da escola, analise as sentenças a seguir:
I.No Ensino Médio, a leitura do texto literário deve continuar nuclear, evitando simplificações didáticas, seja das biografias dos autores, seja das obras literárias. Nesse sentido, é possível e desejável que se trabalhe com HQs, filmes, animações, entre outras produções, baseadas em obras literárias, incluindo análises sobre seus processos de produção e recepção, evitando-se, porém, a simples substituição dos textos literários por essas produções.
II.No Ensino Médio, devem ser introduzidas para fruição e conhecimento, ao lado da literatura africana, afro-brasileira, indígena e da literatura contemporânea, obras da tradição literária brasileira e de língua portuguesa, de um modo mais sistematizado, em que sejam aprofundadas as relações com os períodos históricos, artísticos e culturais.
III.A partir do trabalho com a leitura literária, espera-se que os leitores/fruidores possam também reconhecer na arte formas de crítica cultural e política, uma vez que toda obra expressa, inevitavelmente, uma visão de mundo e uma forma de conhecimento, por meio de sua construção estética.
IV.No processo de organização e progressão curricular, o(a) docente deve propor a leitura de obras significativas da literatura brasileira, contextualizando sua época, suas condições de produção, circulação e recepção, tanto no eixo diacrônico quanto sincrônico, ficando a critério local estabelecer ou não a abordagem do conjunto de movimentos estéticos, obras e autores, de forma linear, crescente ou decrescente, desde que a leitura efetiva de obras selecionadas não seja prejudicada.
É correto o que se afirma em:
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.