O trabalho de Kopenawa e Albert (2010), por eles qualificad...

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Q3877818 Literatura
O trabalho de Kopenawa e Albert (2010), por eles qualificado como um pacto etnográfico, tem alcançado grande repercussão no cenário literário do Brasil e do exterior nos últimos tempos.
Em linhas gerais, é correto afirmar que a obra pode ser caracterizada como  
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O decisivo era identificar, entre as alternativas, a que preserva simultaneamente cosmologia indígena, testemunho/autobiografia e militância política, em vez de tratar a obra como etnografia tradicional, lirismo ou memorialismo.

Tema central: Pacto etnográfico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque reclassifica a obra como relato etnográfico produzido segundo parâmetros científicos tradicionais da antropologia ocidental. A base afirma justamente o contrário: o pacto etnográfico não corresponde a um produto antropológico convencional, mas a um testemunho indígena mediado.
B
Certa
A letra B está correta porque caracteriza a obra como um testemunho que articula cosmologia indígena, autobiografia e defesa política dos povos indígenas. Esse é o núcleo indicado pela base para a obra de Kopenawa e Albert, e o que a distingue das alternativas que a enquadram em gêneros ou efeitos incompatíveis com sua configuração central.
C
Errada
Está errada porque diz que a metáfora fundante sublima práticas políticas e reivindicações coletivas. Pela base, a dimensão política não é neutralizada nem apagada: ela é explícita, assumida e estruturante na obra.
D
Errada
Está errada por dois motivos concretos: reduz a obra a registro memorial de ode à tradição oral e afirma circulação contingencial. A base reconhece a valorização da oralidade, mas nega que a obra se limite a memorialismo; além disso, sua repercussão editorial e acadêmica foi ampla, não contingencial.
E
Errada
Está errada porque desloca a obra para o campo lírico ao falar em eu-lírico, alegoria e prioridade da experiência subjetiva. A base define a obra como testemunho e intervenção, não como expressão de um eu-poético voltada ao engrandecimento de um arquétipo subjetivo indígena.
Pegadinha da questão
A confusão real era tomar “pacto etnográfico” como sinônimo de etnografia acadêmica tradicional ou, em sentido oposto, deslocar a obra para categorias líricas e subjetivistas, apagando sua dimensão testemunhal e política explícita.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a obra é apresentada como pacto etnográfico, verifique se a classificação respeita a mediação entre fala indígena e registro textual, sem reduzi-la à etnografia científica tradicional.
  • Em questões de caracterização de gênero ou forma, procure os traços que aparecem simultaneamente como estruturantes; aqui, cosmologia, autobiografia/testemunho e intervenção política.
  • Se a base da obra inclui denúncia e defesa de um coletivo, descarte alternativas que transformem essa dimensão política em efeito sublimado, ornamental ou secundário.
  • A presença de oralidade e memória, sozinha, não autoriza classificar a obra apenas como memorialismo ou ode à tradição oral.

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