Questões de Concurso
Sobre teoria literária em literatura
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Em relação às funções da Literatura Infantil no desenvolvimento da criança, assinale a alternativa que descreva, corretamente, uma dessas funções.
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
— Me ajuda a olhar!
(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: Editora L&PM, 2021, p.15)
A partir da leitura do texto, considerando o título atribuído pelo autor e sua intencionalidade, é correto afirmar que a narrativa:
Assinale a alternativa correta com base na importância da leitura individual.
Leia com atenção o trecho abaixo:
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto-autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
No fragmento acima, a construção da voz que relata a história introduz uma instigante variação no que diz respeito aos tipos de narrador.
Assinale a alternativa correta com base no trecho e na teoria do foco narrativo.
"Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure."
A partir da leitura do trecho, é possível inferir que o eu lírico:
Com base na leitura crítica da obra apresentada acima, julgue as proposições a seguir:
I.O trecho apresentado integra a obra Macunaíma, de Oswald de Andrade, um dos expoentes da primeira fase do Modernismo brasileiro, movimento marcado pela valorização da linguagem coloquial e pela ruptura com os padrões estéticos anteriores.
II.A enumeração das perdas físicas do herói constrói, por acumulação, a imagem de um corpo fragmentado, reforçando o caráter antiépico da narrativa.
III.O episódio da mancha amarela no rosto de Vei, a Sol, exemplifica o caráter de rapsódia da obra, que incorpora explicações de natureza mítica a fenômenos da natureza.
IV. A obra da qual o trecho foi extraído integra a primeira fase do Modernismo brasileiro, também chamada de fase heroica, marcada pela influência das vanguardas europeias.
Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.
Ao elaborar seu plano de aula, ela registra a seguinte hipótese: "Os alunos podem tomar a versão do narrador como verdadeira e perder o efeito literário". Em seguida, anota duas perguntas para fazer caso isso aconteça.
A ação da professora evidencia a prática de
( ) Entre Sofia e Rubião, há uma curiosa concepção do adultério no romance, porque nunca se concretiza o adultério no plano físico. Mas pode-se dizer que ele se concretiza no plano moral.
( ) A única companhia de Rubião na loucura e no fim foi o Cão Quincas Borba. Poderia estabelecer aqui um relacionamento com o início da obra, ela termina como começou. Isto pode ser explicado pela retomada que o narrador faz da mesma situação: a loucura de Rubião é também uma herança que Quincas Borba lhe legou. O cão é o elemento que substitui Quincas Borba, tem até o seu nome. Assim, a obra termina como começou, isto é, a morte como elemento de harmonia para a vida-morte de alguns para a sobrevivência de outros.
( ) Terminada a leitura da obra, poder-se-ia dizer que Humanitas é o princípio do equilíbrio, mesmo que para isso alguns paguem preços altos. A presença do cão tão humanamente encarnada é um sinal de alerta para Rubião. Porém, este não chega a perceber a advertência. O cão encarna o Humanitismo como filosofia, portanto, a advertência se refere à exploração humana pelo interesse. É importante perceber que o amor do cão pelo seu dono é o único amor desinteressado.
( ) O cão amava Rubião desinteressadamente, fielmente, Rubião amou Sofia também verdadeiramente. Outro elemento é semelhante neste relacionamento amoroso entre cão Rubião e Rubião-Sofia: tanto o cão como Rubião aceitam as situações tais como se apresentam, isto é, quando é possível demonstrar o amor, demonstra-se, quando não, conforma-se.
Para responder à questão, leia o texto abaixо.

Autor: Fernando Pessoa.
“O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso primeiro encontro, o redator do Cruzeiro apresentou-me dois capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: — Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode? perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.”
Pode-se inferir da discussão entre o narrador e Azevedo Gondim que
1.300 graus à sombra dos telheiros retos 1
2.000 cavalos invisíveis pensando
40.000 toneladas de níquel amarelo
Para sair do nível das águas esponjosas
E uma estrada de ferro nascendo do solo
Os fornos entroncados
Dão o gusa e a escória
A refinação planta barras
E lá embaixo os operários
Forjam as primeiras lascas de aço.
Anuário de Literatura, ISSNe: 2175‑7917, vol. 15, n. 1, 2010 (com adaptações).
A respeito da estrutura e dos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.
Diante do exposto, assinale a alternativa correta.
Assinale a alternativa correta.
Coluna 1
1. Rubem Braga. 2. Nelson Rodrigues. 3. Ferreira Gullar.
Coluna 2
( ) Poeta engajado política e socialmente que, por vezes, revela certa tendência panfletária e eventuais quedas no prosaísmo. É autor de “Poema sujo”, que apresenta interrogações contínuas do poeta a respeito da permanência e da transitoriedade das coisas.
( ) Um dos grandes cronistas brasileiros, foi aquele que deixou uma obra singular e permanente. Partindo de fatos triviais do cotidiano, ele conseguiu ultrapassar os limites formais da crônica (compromisso excessivo com acontecimentos quase sempre corriqueiros e linguagem pouco elaborada) e alcançou um patamar artístico apreciável.
( ) Renomado autor teatral, conseguiu, na crônica esportiva, capturar outras nuances de uma partida de futebol, vendo-a como uma metáfora vital de paixões e tragédias que movem a existência humana. Seus escritos apresentam um estilo personalíssimo, marcado por uma capacidade quase inesgotável de criar frases de efeito.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Leia o poema a seguir, de Conceição Evaristo.
Meu rosário
Meu rosário é feito de contas negras e mágicas.
Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo
padres-nossos, ave-marias.
Do meu rosário eu ouço os longínquos batuques
Do meu povo
e encontro na memória mal adormecida
as rezas dos meses de maio de minha infância.
As coroações da Senhora, onde as meninas negras,
apesar do desejo de coroar a Rainha,
tinham de se contentar em ficar ao pé do altar
lançando flores.
As contas do meu rosário fizeram calos
nas minhas mãos,
pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas,
nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo.
As contas do meu rosário são contas vivas.
(Alguém disse um dia que a vida é uma oração,
eu diria, porém, que há vidas-blasfemas).
Nas contas de meu rosário eu teço intumescidos
sonhos de esperanças.
Nas contas do meu rosário eu vejo rostos escondidos
por visíveis e invisíveis grades
e embalo a dor da luta perdida nas contas
do meu rosário.
Nas contas de meu rosário eu canto, eu grito, eu calo.
Do meu rosário eu sinto o borbulhar da fome
no estômago, no coração e nas cabeças vazias.
Quando debulho as contas de meu rosário,
eu falo de mim mesma em outro nome.
E sonho nas contas de meu rosário lugares, pessoas,
vidas que pouco a pouco descubro reais.
Vou e volto por entre as contas de meu rosário,
que são pedras marcando-me o corpo-caminho.
E neste andar de contas-pedras,
o meu rosário se transmuda em tinta,
me guia o dedo,
me insinua a poesia.
E depois de macerar conta por conta do meu rosário,
me acho aqui eu mesma
e descubro que ainda me chamo Maria.
Sobre o texto, analise as assertivas a seguir:
I. O poema traz uma questão que marcou profundamente a religiosidade dos escravizados: o sincretismo religioso, que ainda marca os ritos de matriz africana no Brasil.
II. Ao longo do poema, pode-se perceber trechos que comprovam a teoria da “escrevivência”, termo cunhado pela própria Conceição e que define a escrita de autoria negra como uma voz que ecoa ancestralidade e experiências partilhadas.
III. Ao trazer para o poema a experiência memorialística da infância, a poeta aproxima-se da visão saudosista e pueril de autores clássicos e consagrados pelo cânone, como Casemiro de Abreu, inclusive na questão formal.
Quais estão corretas?
(1a parte): O texto lírico é marcado pela abertura interpretativa, permitindo que uma mesma construção poética gere múltiplos efeitos de sentido e leituras distintas.
(2a parte): Para garantir que o leitor compreenda o sentimento exato do poeta, o gênero lírico exige o uso rigoroso da linguagem denotativa e factual.
(3a parte): Ao contrário do gênero narrativo, o lírico foca na suspensão do tempo e na intensidade de um momento ou sentimento, não possuindo como eixo central uma progressão cronológica de ações.
Pode-se afirmar que