Questões de Concurso
Sobre teoria literária em literatura
Foram encontradas 580 questões
A questão é baseada nos textos 1, 2 e 3.
TEXTO 1
Fios de ouro
Quando Halima, a suave, desembarcou nas águas marítimas brasileiras, em 1852, a idade dela era de 12 anos. Da aldeia dela parece que só Halima sobreviveu em um tempo de viagem que durou quase dois meses. Das lembranças da travessia, Halima conseguia falar pouco. Séculos depois, pedaços de relatos viriam compor uma memória esgarçada, que seus descendentes recontam como histórias de família. E eu que chamo Halima, trago em meu nome, a lembrança daquela que na linhagem familiar materna, foi a mãe de minha tataravó.
Assim reconto a história de Halima:
Halima em solo africano, lugar impreciso por falta de informações históricas, portanto vazios de nossa história e de nossa memória, pertencia a um clã, em que um dos signos de beleza de um corpo era o cabelo. A arte de tecer cabelos era exercida por mulheres mais velhas que imprimiam aos penteados as regras sociais do grupo. [...]
EVARISTO, Conceição. Histórias de leves enganos e parecenças. Rio de Janeiro: Malê, 2017. p.49.
TEXTO 2
Contadora de histórias
Venha, minha avó
Traga sua memória
Vamos relembrar
Pegadas de nossa história
Solte a fumaça da cultura
Pelo cachimbo do saber
Fale para nossas crianças
Das lutas que tivemos que viver
Sentimos o genocídio
Atravessadas
Pela espada da opressão
Estupro, morte, invasão
Tem sangue das parentas pelo chão
Estamos em guerra
Mas nossa caminhada não se encerra
Porque sempre terá quem conte uma história
Narrando cenas de dor e de glória
Sob a fumaça da memória
KAMBEBA, Márcia Wayna. De almas e águas kunhãs. São Paulo: Jandaíra, 2023. p.157.
TEXTO 3
Leia o Poema:
“A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.”
Os versos citados são da escritora brasileira:
( )Nasceu em Minas Gerais, negra e catadora de papelão.
( )Apesar de semianalfabeta, tornou-se escritora e ficou nacionalmente conhecida.
( )No seu livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, relatou o seu dia a dia na favela do Canindé, na cidade de São Paulo.
( )Gravou um disco com composições próprias.
A sequência CORRETA é:
Nos trechos abaixo, observe o conteúdo e a forma das três estrofes;
I
“Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”
II
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
III
- Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;
Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua.
Analisando-se os trechos, marque a alternativa
correta quanto ao estilo literário.
A respeito de Úrsula, romance de Maria Firmina dos Reis, escrito em 1858, julgue (C ou E) o item a seguir.
O romance de Maria Firmina dos Reis possui um eu enunciador consciente de sua identidade que se constitui por meio de marcas textuais.
Não é mais novidade que a literatura não abrange somente o que se apresenta por meio da palavra escrita, uma vez que a expressão poética precede o alfabeto, a escrita. Na escola, no entanto, ainda hoje o ensino de literatura (e de leitura) privilegia a produção impressa e, sobretudo, o livro impresso. Mesmo com o respaldo dos documentos oficiais, o livro ainda é o veículo de comunicação mais valorizado nas escolas. Nos livros didáticos, por exemplo, muitas editoras já possuem coleções que trazem exercícios, jogos e textos em meio digital, mas como material complementar, cujo formato normalmente reproduz modelos do livro impresso. Dessa maneira, é recorrente, nos meios virtuais utilizados pela escola, a reprodução do texto escrito, bem como a alusão à escrita por meio de imagens que representam este universo.
ALCÂNTARA, Simone Silveira de. Ensinar Literatura – histórias em quadros e quadrinhos. In: Leituras Literárias: mito, gênero e ancestralidade
São Cristóvão: Editora UFS, 2014, p. 120
No que se refere aos sentidos do texto a respeito do ensino de literatura, julgue (C ou E) o item a seguir.
A concepção interdisciplinar do ensino de literatura passa pelo reconhecimento do processo de leitura como uma prática cultural de formação do leitor. Nesse processo, em que leitura e sociedade não podem ser desvinculadas, o gosto pela leitura é despertado como uma prática de reflexão social. Assim, o ensino de literatura pode ser explorado como um convite à leitura de diferentes coleções de textos que debatam temas voltados para os direitos humanos, como o fim do preconceito racial e de gênero/sexo e da violência doméstica, entre tantos outros. Nesse sentido, ao preparar uma aula ou um curso, devemos selecionar uma coleção de textos para compor nossas intertextualidades culturais, priorizando a questão dos direitos humanos e as representações identitárias com suas especificidades.
GOMES, Carlos Magno. Ensino de Literatura e Cultura.
Jundiaí: Paco Editorial, 2014, p. 25-26.
Em relação aos sentidos do texto acerca do ensino de literatura, julgue (C ou E) o item a seguir.
Texto para a questão.

Na leiteria a tarde se reparte
em iogurtes, coalhadas, copos de leite
e no meu espelho meu rosto. São
quatro horas da tarde, em maio
Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo a vida
que é cheia de crianças, de flores
e mulheres, a vidaesse direito de estar no mundo,
ter dois pés e mãos, uma cara
e a fome de tudo, a esperança.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José . Rio de Janeiro: José Olympio, 1987. p. 341. (Fragmento).
Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto afirmar que o poeta
Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.
- "É conveniente escrever um artigo, seu Luís". Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...
RAMOS, Graciliano. Angústia. 59.ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.
Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.
I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.
II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.
III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.
IV. No trecho: "Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?", é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.
verifica-se que está/ão correta/s apenas