Questões de Concurso
Sobre teoria literária em literatura
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A respeito de Úrsula, romance de Maria Firmina dos Reis, escrito em 1858, julgue (C ou E) o item a seguir.
O romance de Maria Firmina dos Reis possui um eu enunciador consciente de sua identidade que se constitui por meio de marcas textuais.
Não é mais novidade que a literatura não abrange somente o que se apresenta por meio da palavra escrita, uma vez que a expressão poética precede o alfabeto, a escrita. Na escola, no entanto, ainda hoje o ensino de literatura (e de leitura) privilegia a produção impressa e, sobretudo, o livro impresso. Mesmo com o respaldo dos documentos oficiais, o livro ainda é o veículo de comunicação mais valorizado nas escolas. Nos livros didáticos, por exemplo, muitas editoras já possuem coleções que trazem exercícios, jogos e textos em meio digital, mas como material complementar, cujo formato normalmente reproduz modelos do livro impresso. Dessa maneira, é recorrente, nos meios virtuais utilizados pela escola, a reprodução do texto escrito, bem como a alusão à escrita por meio de imagens que representam este universo.
ALCÂNTARA, Simone Silveira de. Ensinar Literatura – histórias em quadros e quadrinhos. In: Leituras Literárias: mito, gênero e ancestralidade
São Cristóvão: Editora UFS, 2014, p. 120
No que se refere aos sentidos do texto a respeito do ensino de literatura, julgue (C ou E) o item a seguir.
A concepção interdisciplinar do ensino de literatura passa pelo reconhecimento do processo de leitura como uma prática cultural de formação do leitor. Nesse processo, em que leitura e sociedade não podem ser desvinculadas, o gosto pela leitura é despertado como uma prática de reflexão social. Assim, o ensino de literatura pode ser explorado como um convite à leitura de diferentes coleções de textos que debatam temas voltados para os direitos humanos, como o fim do preconceito racial e de gênero/sexo e da violência doméstica, entre tantos outros. Nesse sentido, ao preparar uma aula ou um curso, devemos selecionar uma coleção de textos para compor nossas intertextualidades culturais, priorizando a questão dos direitos humanos e as representações identitárias com suas especificidades.
GOMES, Carlos Magno. Ensino de Literatura e Cultura.
Jundiaí: Paco Editorial, 2014, p. 25-26.
Em relação aos sentidos do texto acerca do ensino de literatura, julgue (C ou E) o item a seguir.
Texto para a questão.

Na leiteria a tarde se reparte
em iogurtes, coalhadas, copos de leite
e no meu espelho meu rosto. São
quatro horas da tarde, em maio
Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo a vida
que é cheia de crianças, de flores
e mulheres, a vidaesse direito de estar no mundo,
ter dois pés e mãos, uma cara
e a fome de tudo, a esperança.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José . Rio de Janeiro: José Olympio, 1987. p. 341. (Fragmento).
Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto Analisando a estrutura do poema de Ferreira Gullar, é correto afirmar que o poeta
Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.
- "É conveniente escrever um artigo, seu Luís". Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...
RAMOS, Graciliano. Angústia. 59.ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.
Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.
I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.
II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.
III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.
IV. No trecho: "Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?", é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.
verifica-se que está/ão correta/s apenas
Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.

(Disponível em: CAMARGO, Diones. A mulher arrastada. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. – texto adaptado especialmente para esta prova).
Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes.
( ) A segunda estrofe do poema se debruça sobre o tempo do amor - que vive no presente e também na expectativa de futuro.
( ) Na terceira estrofe , há uma comparação com a natureza animal, o que relembra o leitor do que há de voraz e irracional no sentimento amoroso.
( ) A terceira estrofe reveza a noção de constância ("um desejo maciço e permanente") com uma percepção de que no amor há descontrole ("como um bicho, simplesmente").
( ) No poema, o sujeito poético não deixa de viver o afeto na sua plenitude, extraindo do sentimento toda a beleza que pode.
A sequência correta de cima para baixo é:
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Considerando o texto, analise as proposições abaixo:
I- O primeiro verso localiza o poema temporalmente. E na sequência, é explicado que tempo é esse: um tempo sem deus e sem amor.
II- O tempo que se mostra ao poeta é um tempo de trabalho, de olhos que não chegam a chorar diante de todas as dores do mundo, porque estão cansados de lamentar.
III- No segundo verso, a imagem prevalecente é a da solidão. Entretanto, não há desespero, e sim um desinteresse, inclusive pelos amigos e vida social.
É ou são verdadeira (s):
Em uma obra literária, refere-se a uma curta citação que introduz o que será lido em seguida. Quando presente, encontra-se na página ímpar posterior à página da dedicatória ou no início das seções ou capítulos da obra.
Leia o texto abaixo e, em seguida, responda à questão sobre ele.
O PRIMEIRO BEIJO
Clarice Lispector
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
- Sim, já beijei antes uma mulher.
- Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! Como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes, mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que, mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede, mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia-se intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele... Ele se tornara homem.
(In "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998 Disponível em: https://midiasstoragesec.blob.core.windows.net/001/2017/02/o_primeiro_beij o_clarice_lispector_2.pdf /Acesso em 18.09.2023)
Leia o texto a seguir.

BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 138.
Manuel Bandeira é um dos principais representantes da poesia Modernista. Esse poema dialoga com o projeto estético modernista no que diz respeito:
I. A literatura como instituição nacional e como patrimônio cultural.
II. A literatura como sistema de obras, autores e público.
III. A literatura como disciplina escolar que se confunde com a história literária.
IV. Qualquer texto, mesmo que não consagrado, com intenção literária, visível em um trabalho de linguagem e de imaginação.
Estão CORRETOS: