Questões de Concurso Sobre literatura
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“Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego, como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, — a filha, um líriodo-vale, — e…tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática… um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.”
Em relação à escola literária a qual pertence o texto, é correto afirmar que:
No contexto do ensino de Língua Portuguesa, a presença de diferentes gêneros literários tem sido considerada essencial para o desenvolvimento das competências leitora e escritora dos estudantes.
Considerando as diretrizes curriculares atuais e os pressupostos teóricos do letramento literário, analise as afirmativas a seguir relacionadas à utilização dos gêneros literários no processo de ensino-aprendizagem:
I. A diversidade de gêneros literários — como contos, poemas, crônicas, romances e peças teatrais — amplia o repertório linguístico dos alunos, favorecendo a compreensão de distintos modos de organização textual e discursiva.
II. O trabalho com gêneros literários deve restringir-se a textos clássicos consagrados pela tradição escolar, pois são esses que garantem a formação estética e cultural do estudante.
III. A literatura deve ser tratada como um componente autônomo, desvinculado das demais esferas do ensino da língua, como a gramática normativa e os estudos de coesão e coerência.
IV. A leitura e análise de textos literários, quando integradas a práticas de escrita e reescrita, colaboram significativamente para o desenvolvimento da competência textual, promovendo reflexões sobre a linguagem em uso.
Das assertivas, NÃO se pode afirmar que:
Antonio Candido. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Belo Horizonte; Rio de Janeiro: Editora Itatiaia, 1997, p. 66-67.
Considerando-se os quatro grandes temas que, de acordo com o texto, balizam a atividade literária no Brasil entre os séculos XVIII e XIX, é possível concluir que os poetas e romancistas a que o autor se refere vinculam-se aos períodos literários do

Acerca do texto Para sempre Amazônias, julgue o próximo item.
Pelo vocabulário simples empregado no texto, conclui-se que ele se desenvolve em prosa.
O termo “Associado”, no início do texto, diz respeito ao indígena e introduz trecho que indica as condições históricas que o levaram a se tornar um personagem central para a literatura, especialmente durante o Romantismo.
O Indianismo romântico, mencionado no texto, foi peça fundamental para o desenvolvimento da literatura brasileira e incentivou, em seus principais poetas e romancistas, a noção de que a sua produção literária era efetivamente nacional, e não apenas reflexo da literatura europeia.
Considerando essas informações, julgue o item a seguir, referente ao texto de Machado de Assis.
No texto, a designação “patrício da minha alma” refere-se ao escritor Voltaire, a quem o narrador devotava evidente preferência em relação ao escritor brasileiro, considerado por ele alguém sem efetivo talento, o que se evidencia na frase “Pobre José Basílio!”
Observa-se nesse parágrafo o seguinte procedimento estilístico que caracteriza a prosa madura de Machado de Assis:


O termo sublinhado refere-se a


Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.
E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]
Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?
E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.
(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)
1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.
2feracidade: fertilidade.
3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).