O conflito entre o barbeiro Porfírio e Simão Bacamarte simb...

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Q3974704 Literatura
“O Alienista”


    No vilarejo de Itaguaí, o renomado Dr. Simão Bacamarte decide construir a Casa Verde, um espaço dedicado ao estudo da mente humana. Sua intenção é diagnosticar e acolher os chamados "loucos", buscando delimitar os domínios da razão e da loucura.
    Inicialmente, são internados indivíduos com comportamentos realmente anômalos, mas logo o alienista amplia os critérios, incluindo sutis excêntricas. Isso provoca estranhamento na comunidade, que passa a questionar sua sanidade e autoridade científica.
    A Casa Verde logo se enche, e a população local começa a temer o poder arbitrário do médico. O barbeiro Porfirio, figura influente na vila, lidera manifestações contra aqueles que são internados sem justificativa clara.
    Em resposta, Bacamarte reafima seu compromisso com a ciência e a seriedade de seus atos, recusando justificações a leigos. Isso intensifica o atrito entre a prática científica e a sensibilidade social dos moradores.
    As tensões culminam na chamada "Revolta dos Canijicas", organizada por Porfirio, que deseja destruir a Casa Verde para retomar o controle cívico do vilarejo. No entanto, o conflito expõe a fragilidade da racionalidade em meio à mobilização popular.
    Curiosamente, Bacamarte não recua, e sua dedicação extrema reforça tanto a crítica ao cientificismo quanto o questionamento da própria sanidade do alienista — afinal, quem define o padrão da normalidade?
   Em seguida, a maioria da população é acometida por critérios diagnósticos flexíveis e internada, demonstrando o absurdo do método. A Casa Verde se torna símbolo de controle e opressão travestida de ciência.
      Por fim, Bacamarte conclui que a sanidade é praticamente impossível — ele decide internar a si mesmo, isolando-se, até o fim de seus dias. O leitor é deixado a refletir sobre os limites do saber humano e seu potencial opressivo.



(Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Alienista. In: Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Adaptado.) 
O conflito entre o barbeiro Porfírio e Simão Bacamarte simboliza, principalmente,  
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