Para responder à questão, leia o capítulo IV do
romance Quincas Borba, de Machado de Assis.
Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler
as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo
náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro
inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em
Barbacena. [...]
Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe?
Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia,
certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes,
mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por
herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo
do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou
para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a
algumas empresas, que foram a pique. [...]
A opinião ostensiva do médico era que a doença do
Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião,
acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe
qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando.
Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?
— Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos,
não sei que negócio de filosofia...
— Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade
é outra; adeus.
(Quincas Borba, 2012.)
“Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as
Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena.” (1° parágrafo)
Observa-se nesse parágrafo o seguinte procedimento estilístico que caracteriza a prosa madura de Machado de Assis:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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