Questões de Concurso
Sobre fundamentos da linguística em linguística
Foram encontradas 667 questões
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) A concepção interacionista da linguagem é capaz de aprimorar o processo de ensino-aprendizagem de língua portuguesa, especialmente no que tange à variação linguística e à norma-padrão.
( ) O pensamento, produzido no âmbito psíquico do indivíduo, correlaciona-se à capacidade do homem de organizar seus pensamentos, o que exclui os fatores extralinguísticos do processo de enunciação. Essa é a concepção de linguagem como expressão do pensamento.
( ) A concepção de linguagem como forma de interação resultou de uma visão monológica da língua, isto é, afastou o falante do processo de produção, do que é histórico e social da língua. Nela a língua é vista como código a ser compreendido por quem fala e quem escuta.
( ) De acordo com concepção da linguagem como instrumento de comunicação, o objetivo do ensino de LP é pragmático e utilitário, ou seja, trata de desenvolver e aperfeiçoar os comportamentos linguísticos do aluno como emissor e receptor de mensagens usando códigos diversos – verbais e não verbais.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) de acordo com a Teoria Histórico-Cultural.
( ) Ao problematizar a relação do desenvolvimento dos conceitos cotidianos e científicos, Vigotski destaca a verdadeira natureza dessas duas linhas opostas, qual seja, a conexão entre a zona de desenvolvimento proximal e o nível do desenvolvimento atual da criança.
( ) De acordo com Vigotski, os conceitos científicos, de caráter social, são constituídos no dinâmico e complexo processo que envolve o ensino escolar. Processo este que integra a cooperação sistemática do professor com a criança. Segundo o autor, no curso da ação cooperativa, que abarca a participação do adulto, as funções psíquicas superiores da criança se desenvolvem.
( ) Para a Teoria Histórico-Cultural, a palavra, seu significado, aparece inicialmente com uma função referencial, nominativa, com o objetivo de agir em direção ao outro e, aos poucos, incorpora outras funções relativas à natureza da consciência humana. Essa forma de organização da consciência, do psiquismo, que caminha em direção à formação do pensamento intelectual, mediada sempre pela palavra, recebe o nome de elaboração conceitual.
( ) Para a Teoria Histórico-Cultural, os processos tipicamente humanos, tais como o pensamento, a fala, a memória, a atenção voluntária, a imaginação, o desenvolvimento da vontade, a capacidade de planejar, de tomar decisões, de estabelecer relações, de elaborar conceitos, de desenvolver o raciocínio dedutivo e o pensamento abstrato são chamados de funções psicológicas inferiores.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Floresça, fale, cante, ouça-se, e viva
A Portuguesa língua, e já onde for
Senhora vá de si soberba, e altiva.
(Antônio Ferreira, séc. XVI.)
O uso da língua envolve aspectos diversos como fonética, morfologia, sintaxe, semântica, além de elementos históricos e sociais. Alguns conceitos como sistema, uso e norma da linguagem – relacionados à língua – podem ser definidos, respectivamente, da seguinte forma:
I. A língua como estrutura abstrata, uma espécie de denominador comum de todos os seus usos.
II. O ato de escrever ou ler a língua excetuando -se sua manifestação oral devido às variadas possibilidades linguísticas.
III. Os variados usos históricos e sociais adotados coletivamente como padrão que se repete.
Está(ão) associado(s) corretamente apenas o(s) conceito(s)
( ) o produtor precisa reconhecer a estrutura formal e composicional das práticas comunicativas configuradas em textos, considerando elementos que os compõem como conteúdo, estilo, função e suporte de veiculação. ( ) a escrita é um trabalho no qual o sujeito tem algo a dizer e o faz sempre em relação a um interlocutor/leitor, com um certo propósito, preservando os princípios sociointeracionistas da linguagem. ( ) um texto impecável é aquele cuja escrita revela perfeição no domínio das regras gramaticais.
A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é:
I- Ao nos apropriarmos da língua, tomamos posse do conteúdo ideológico e da história que construímos, em um movimento que faz a língua circular entre sujeitos interdiscursivos, entre linguagens sociais e estilos. II- Por meio da linguagem, ampliamos nossas interações, negociamos sentidos, trocamos conhecimento nos aproximamos dos discursos dos outros e produzimos, também, nossos discursos. III- A partir de um horizonte dialógico é convincente centrar nosso olhar sobre as práticas discursivas que se instauram como um fio dialógico/ideológico que se interconecta em aspectos sociais, históricos e culturais.
A alternativa CORRETA é:
Leia o excerto a seguir e responda à questão.
“... o dialogismo é o modo de funcionamento real da linguagem, é o princípio constitutivo do enunciado. Todo enunciado constitui-se a partir de outro enunciado, é uma réplica a outro enunciado. Portanto, nele ouvem-se sempre, ao menos, duas vozes. Mesmo que elas não se manifestem no fio do discurso, estão aí presentes. Um enunciado é sempre heterogêneo, pois ele revela duas posições, a sua e aquela em oposição à qual ele se constrói.”
(FIORIN, 2011, p.16)
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
(ANDRADE, O. de. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972)
Para definir o que é ou não adequado para o uso da língua, a prescrição da linguagem e a gramática tradicional estabelecem normas que definem a estética ideal para a escrita, taxando como “erro” as demais convenções. Diante disso, a escola age como disseminadora do “falso uso da língua”, como evidenciado no poema, unificando a gramática.
Diante do texto poético apresentado, aponte como o professor de Língua Portuguesa
pode trabalhar o ensino de gramática em sala de aula.
Analise a correlação entre as concepções de língua abaixo e a palavra ou expressão que as representa.
1. Concepção estruturalista – oralidade
2. Concepção instrumental – código
3. Concepção cognitivista – gramática normativa
4. Concepção sociointeracionista – interlocução
A correlação está CORRETA em:
TEXTO 1
De acordo com as diferentes posições existentes, pode-se ver a língua:
a) como forma ou estrutura – um sistema de regras que defende a autonomia do sistema diante das condições de produção
(posição assumida pela visão formalista);
b) como instrumento – transmissor de informações, sistema de codificação (posição assumida pela teoria da comunicação);
c) como atividade cognitiva – ato de criação e expressão do pensamento, típica da espécie humana (representada pelo cognitivismo);
d) como atividade sociointerativa situada – a perspectiva sociointeracionista relaciona os aspectos históricos e discursivos.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008, p.59. Excerto adaptado
No Texto 1, Marcuschi apresenta diferentes concepções de língua. Acerca dessas concepções, assinale a alternativa
CORRETA..
A língua que nos separa
(01) Dia desses, no Facebook, o linguista português Fernando Venâncio desabafou: “Poucas coisas me irritam tanto como o antibrasileirismo primário e militante que encontro por estas paragens”. Referia-se ao antibrasileirismo linguístico, marca bandeirosa da cultura lusitana.
(02) Qualquer escritor brasileiro que tenha lançado livros em Portugal nas últimas décadas (sou um desses) sabe o que Venâncio quer dizer. As portas que Jorge Amado escancarou de par em par no século passado se fecharam em algum momento sobre corredores cada vez mais estreitos e labirínticos.
(03) Sim, é claro que muitos editores, críticos, jornalistas e outros portugueses esclarecidos insistem em furar com brio
essas defesas. Infiltrando-se nas brechas, porém, os brasileiros que se expressam por escrito logo se veem escalados pelos
leitores comuns d’além-mar como representantes de uma versão menor, tosca e corrompida da língua “deles”.
(04) Nas palavras de Venâncio, há em Portugal uma “desavergonhada altanaria perante os pretensos ‘erros’ de que o português brasileiro estaria inçado”. O linguista vê esse sentimento integrado ao senso comum, cultivado por “gente visivelmente de poucas letras, e poucas luzes”. Refere-se a ele como “assustador”.
(05) Eu prefiro o adjetivo “triste”. Assustador é constatar que um antibrasileirismo tão pimpão e ignorante quanto o luso viceja aqui também. Como reclamar do insulto de nos negarem em terra estrangeira o direito de gozar livremente de algo tão pessoal e profundo quanto a língua materna, sem ouvir sermões abestalhados sobre algum ideal platônico de gramática? Negamos a mesma coisa por conta própria, o que é bem pior.
(06) Parte dessa dissonância é comum às línguas imperiais. A relação de amor e ódio entre o inglês britânico e o americano é tema do recém-lançado “The Prodigal Tongue” (A língua pródiga), de Lynne Murphy, linguista americana que mora e leciona na Inglaterra. Ela identifica em seus compatriotas um “complexo de inferioridade verbal” e, nos britânicos, o que chama de “amerilexofobia”, a versão esnobe a americanismos.
(07) Nada tão diferente assim do que se vê no universo da língua portuguesa ou da espanhola. Ex-colônias crescidinhas e ex-impérios em queda vão sempre se emaranhar em teias complicadas de amor e ódio, admiração e desprezo. Contudo, vale atentar para a diferença que Venâncio, repetindo no post-desabafo o que já defendeu em livros, aponta entre os projetos linguístico-coloniais de Lisboa e de Madri.
(08) “No Brasil, Portugal abandonou a língua portuguesa à sua sorte. E ainda bem! Pense-se na uniformidade lexical,
gramatical e ortográfica que a Espanha impõe como ideal à América de fala espanhola”, escreve o linguista, concluindo que
“o Português Brasileiro pôde desenvolver em invejável liberdade a sua norma, e vive bem nela”.
(09) O texto termina exigindo, ainda que de forma jocosa, gratidão: “E venha daí um ‘obrigadinho’ a este Portugal que, oh felicidade, nunca teve um projecto linguístico, nem cultural, para o seu Império”.
(10) Muito bem, mas não estou tão certo de que o deus-dará cultural seja algo que devemos agradecer. Seria necessário
investigar primeiro até que ponto se funda nele a ridícula autoestima linguística que leva o brasileiro médio a situar nosso
português três degraus abaixo do português europeu, e este, pelo menos sete palmos abaixo do inglês.
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
COMENTÁRIOS
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
1. O brasileiro está cada vez mais distante da língua portuguesa (ou do português brasileiro); basta ler o que se escreve
nos jornais, revistas e em qualquer outro meio que se utiliza da língua escrita. Lê-se pouco, fala-se muito e agride-se
demais a Última Flor do Lácio. (José Pucci)
2. Como defender o idioma português usando termos como "fake news"? (Jose Campos)
3. Recentemente vi o Paul McCartney num vídeo dizendo da reação de seu pai, ao ouvir o refrão ie, ie, ie em uma de
suas músicas, quando ainda iniciava sua carreira. O velho achou que havia muitos "americanismos" desse tipo e
aconselhou mudar para yes, yes, yes, pronunciando bem o "s". Nunca saberemos o que seriam dos Beatles se o
conselho tivesse sido obedecido.
(José Cláudio)
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2018/07/a-lingua-que-nos-separa.shtml Acesso em:
10/11/2018. Adaptado.
Nas palavras de Venâncio, há em Portugal uma “desavergonhada altanaria perante os pretensos ‘erros’ de que o portuguêsbrasileiro estaria inçado”. O linguista vê esse sentimento integrado ao senso comum, cultivado por “gente visivelmente depoucas letras, e poucas luzes”. Refere-se a ele como “assustador”.
No referido trecho, o discurso de um brasileiro se entrelaça ao de um português. Para distinguir um discurso do outro, oleitor tem a sua disposição as seguintes marcas linguísticas:
1. expressão introdutora do discurso alheio: Nas palavras de Venâncio;
2. aspas que separam o discurso citante do discurso citado;
3. vocabulário ‘diferente’ do comumente empregado no Brasil: altanaria ➜ soberba; inçado ➜ coberto;
4. flexão do termo “pouco”: poucas letras, poucas luzes.
São marcas linguísticas que distinguem um discurso do outro: