Questões de Concurso
Sobre história geral em história
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A Constituição Federal e a legislação arquivística brasileira reconhecem que documentos públicos de valor permanente constituem parte do patrimônio cultural do país. Esses registros possuem relevância histórica, administrativa, jurídica e social, sendo essenciais para a preservação da memória institucional e coletiva. Por isso, normas arquivísticas orientam que tais documentos recebam tratamento adequado, incluindo condições específicas de armazenamento, preservação e acesso.
Considerando essas orientações legais, marque a alternativa correta:
Entre os séculos XVII e XVIII, a Europa passou por transformações intelectuais profundas que modificaram a relação entre conhecimento, sociedade e poder. A Revolução Científica introduziu novos métodos de investigação baseados na observação, na experimentação e no raciocínio matemático, rompendo com explicações tradicionais sustentadas pela autoridade religiosa. Posteriormente, o Iluminismo retomou e ampliou esses princípios, propondo que o uso da razão poderia não apenas explicar os fenômenos naturais, mas também orientar a organização política e social.
Com base nesses processos históricos, marque a alternativa que expressa corretamente a relação entre Revolução Científica e Iluminismo:
O desenvolvimento da historiografia ao longo do século XX ampliou os campos temáticos e metodológicos da pesquisa histórica. A partir da renovação promovida por movimentos como a Escola dos Annales, surgiram novas áreas de investigação que dialogam com outras ciências, exploram temas antes considerados secundários e problematizam os limites entre fontes, narrativas e objetos de estudo. Nesse contexto, a diversidade historiográfica contemporânea evidencia múltiplas especializações, interações disciplinares e abordagens culturais, sociais e materiais do passado. Considerando esse cenário e o enunciado, analise as afirmativas abaixo e, em seguida, marque a alternativa correta:
I. A História das Mentalidades, a História do Imaginário e a História Antropológica são vertentes que, ao longo do século XX, se desenvolveram a partir e para além da História Cultural.
II. Algumas abordagens historiográficas surgem do diálogo com outros campos disciplinares, como no caso da Geohistória, resultante da interface entre História e Geografia.
III. A historiografia contemporânea mantém o foco predominante nas fontes oficiais e narrativas tradicionais, pois busca compreender o passado sem ampliar o repertório de testemunhos ou perspectivas sociais.
IV. A História da Cultura Material originou-se parcialmente da História Econômica voltada ao consumo, conectando-se mais tarde aos interesses da História Cultural e às discussões sobre vida cotidiana.
Durante muito tempo, os estudos sobre a Pré-História foram guiados por modelos interpretativos que buscavam explicar a trajetória humana como uma evolução linear e universal, baseada em etapas fixas como caça, agricultura e domesticação de animais. No entanto, pesquisas arqueológicas recentes, aliadas a áreas como genética, antropologia e paleoclimatologia, têm demonstrado que os processos culturais e tecnológicos foram diversos, complexos e nem sempre ocorreram da mesma forma em diferentes regiões do planeta.
Considerando essas novas abordagens interpretativas, qual afirmação expressa uma perspectiva contemporânea sobre a compreensão das culturas pré-históricas?
Nas últimas décadas, novas abordagens historiográficas renovaram os modos de produzir conhecimento histórico, questionando modelos explicativos amplos e privilegiando perspectivas mais sensíveis às experiências individuais, às subjetividades e às narrativas fragmentadas. No texto apresentado, Carlo Ginzburg é citado como um dos principais responsáveis pela formulação de um paradigma interpretativo baseado na análise de vestígios, sinais e indícios, aproximando o trabalho do historiador do método investigativo.
Essa metodologia, que se consolidou especialmente na Itália a partir da década de 1970 e influenciou fortemente a produção historiográfica no Brasil e na América Latina, ficou conhecida como:
“São os homens que fazem a história; mas, evidentemente, dentro das condições reais que encontramos já estabelecidas, e não dentro das condições ideais que sonhamos. Eis aí a razão de ser, a justificativa da história, em seu segundo sentido: o conhecimento histórico serve para nos fazer entender, junto com outras formas de conhecimento, as condições de nossa realidade, tendo em vista o delineamento de nossa atuação na história” (Borges, Vavy Pacheco. O que é História? São Paulo: Brasiliense, 1993, p. 48).
Com base nas reflexões apresentadas pela citação acima e nos seus conhecimentos históricos, leia as afirmativas e marque a alternativa correspondente:
I. A história, enquanto discurso, procura representar o real passado, mesmo sabendo que ele já não existe mais como experiência direta.
II. A ficção pode dialogar com o real, mas não assume compromisso com sua representação factual ou com validações documentais.
III. História e ficção operam como discursos equivalentes, sem distinções quanto aos seus objetivos e métodos.
IV. A escrita da história depende da interpretação dos vestígios documentais e das mediações culturais que moldam o olhar do historiador.
V. A história garante uma transparência total entre o acontecimento passado e sua narrativa, eliminando qualquer possibilidade de subjetividade.
VI. Tanto a história quanto a ficção lidam com linguagem e construção narrativa, mas diferem em relação aos seus critérios de prova, método e compromisso com evidências.
A atribuição explicitada no texto acima evidencia que essas sociedades valorizavam:
Qual das alternativas preenche corretamente as lacunas do texto?
“Nós, o Führer e chanceler alemão e o primeiro-ministro britânico, tivemos hoje mais um encontro e concordamos em reconhecer que a questão das relações anglo-germânicas é de primordial importância para os dois países e para a Europa. Consideramos que o acordo assinado na noite passada e o Acordo Naval Anglo-Germânico simbolizam os desejos de ambos os povos de nunca mais guerrearem entre si. Estamos convictos de que o método de consulta será o método adotado para lidar com quaisquer questões concernentes a nossos dois países, e estamos determinados a continuar com nossos esforços para remover possíveis fontes de divergência e, assim, contribuir para assegurar a paz na Europa.”
ENDERS, A.; MORAES, M. & FRANCO, R. História em curso: da antiguidade à globalização. São Paulo: Editora do Brasil; Rio de Janeiro: FGV, 2008. p.313.
A estratégia apresentada ficou conhecida como:
AQUINO, Rubim. História das sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 2003. p.165-6.
Assim como a maioria dos grandes temas na História, também a Revolução Francesa tem a sua historiografia marcada por influências ideológicas, exposição a novos olhares e diversidade de fontes e métodos. O trecho destacado aponta para uma concepção central de uma vertente historiográfica, talvez ainda dominante nas obras didáticas no Brasil, sobre a grandiosa e longeva sequência de eventos que caracteriza esse processo. Todavia, é também bastante reconhecida uma proposta revisionista desta perspectiva expressa no trecho, que se funda no seguinte autor e argumento:
SOUZA, Marina de Melo e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2007. p.21
O excerto destacado faz referência a um conjunto de povos, integrantes de um mesmo grupo linguístico, que posteriormente relacionou-se com os europeus, impactando os idiomas dos colonizadores da América, especialmente a língua portuguesa. Este grupo é conhecido como: