Questões de Concurso
Sobre história geral em história
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I. O monopólio nuclear dos Estados Unidos, vigente entre 1945 e 1949, assegurou superioridade militar, mas revelou eficácia política limitada, uma vez que não foi capaz de reverter a consolidação da influência soviética na Europa Oriental.
II. A bomba atômica afirmou-se primordialmente como instrumento de dissuasão estratégica, sobretudo a partir da lógica de equilíbrio de poder emergente, em detrimento de seu emprego direto em conflitos armados.
III. A União Soviética, ao priorizar a reconstrução econômica no pós-guerra, retardou deliberadamente o desenvolvimento de seu programa nuclear, alcançando apenas tardiamente a capacidade de testagem atômica ao final da década de 1940.
Está correto o que se afirma em
O bairro Waldsiedlung é atualmente um local muito desejado para se viver na Alemanha. Mas viver ali também significa lidar com o passado do país: o bairro foi construído no período da Segunda Guerra Mundial como uma comunidade para a guarda de elite do Reich nazista, cujas responsabilidades incluíam executar o Holocausto. O conjunto foi projetado para incorporar a ideologia nazista que exaltava a relação mística dos arianos com sua terra ancestral. A forma como os atuais moradores lidam com esse passado acompanha tendências culturais mais amplas. Durante décadas, o tema foi varrido para debaixo do tapete. Como resultado, alguns moradores desconhecem a história do lugar até serem informados por vizinhos. “Algumas pessoas dizem: ‘Isso foi há 80 anos, não tem nada a ver comigo’”, disse uma moradora que se mudou para lá em 2000. “Para mim, é o contrário. Quero saber o que aconteceu na minha casa. Não é possível avançar com o silêncio.” À medida que o tempo passa e as últimas testemunhas morrem, os lugares físicos tornam-se cada vez mais importantes para a memória do Holocausto. O lugar é uma conexão.
Adaptado de https://www.nytimes.com/2025/05/27/realestate/berlin-holocaustnazis-neighborhood.html
Com base no texto, assinale a opção que analisa corretamente a relação entre espaço e memória.
Serão estabelecidos dois Estados independentes, um árabe e um judeu, enquanto a cidade de Jerusalém será constituída como um corpo separado (corpus separatum), sob um regime internacional especial administrado pelas Nações Unidas.
Resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, 1947, adaptado.
Com base na Resolução 181 da Organização das Nações Unidas (1947), que tratou da partilha da Palestina, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A Resolução previa a criação de dois Estados independentes, com a manutenção de mecanismos de cooperação econômica entre eles, especialmente em áreas de infraestrutura e circulação de recursos.
( ) A cidade de Jerusalém seria incorporada ao Estado árabe, sob administração compartilhada entre as lideranças locais judaicas e árabes.
( ) A implementação da partilha previa a permanência do mandato britânico na Palestina, com poderes ampliados para garantir a transição política entre os dois Estados.
As afirmativas são, respectivamente,
Adaptado de Diário da Assembléia Nacional da Constituinte 31/08/1946. p. 4517
Com base no trecho, é correto afirmar que a Campanha da Borracha decorreu
Com base nesse contexto, é correto afirmar que esse tratado foi relevante para o início da Segunda Guerra Mundial porque
Em 1940, Francisco Franco ordenou a construção de um complexo arquitetônico composto por um centro de estudos, uma basílica e um monastério na Espanha. Celebrava-se um ano de sua vitória na Guerra Civil. A construção do complexo foi realizada principalmente por prisioneiros políticos republicanos, submetidos a duras condições de trabalho. Com a aproximação da conclusão das obras, houve uma ressignificação das finalidades do monumento: de símbolo da vitória e homenagem aos franquistas mortos na Guerra Civil, passou a ser de “todos os caídos”, o que demonstra uma aspiração à reconciliação, fundamentada na ideia de que os dois lados tiveram perdas. Sem a autorização das famílias, os corpos de diversas vítimas do regime foram levados para o complexo, representando uma humilhação serem depositados no monumento de seus inimigos, como troféus de guerra. O complexo pode ser compreendido como monumento, lugar de memória e ponto de partida para problematizar a forma como os regimes democráticos gerenciaram as memórias sobre seus passados traumáticos, na tensão entre a memória e o esquecimento.
Adaptado de BAUER, Caroline. “A eternidade do franquismo: lembranças e esquecimentos na Espanha pós-Franco”, Café História, 23 jun. 2019.
Com base no trecho, assinale a opção que identifica corretamente a gestão da memória histórica pelo governo de Franco associada ao monumento descrito.
A constituição de uma história de gênero e o lugar atribuído à história das mulheres têm gerado controvérsias e debates. Campos distintos, mas complementares? Substituição da história das mulheres pela história de gênero? História de gênero como forma de neutralização do desafio fundador da história das mulheres?
PINTO, Teresa e Teresa Alvarez. Introdução. História, História das mulheres, História do Gênero. Produção e transmissão do conhecimento histórico. ex æquo, nº 30, 2014, p. 14.
Com base no trecho, é correto afirmar que a história de gênero, em contraste com a das mulheres,
Observe a imagem a seguir.

Fonte: https://libarchives.unl.edu/project/ww1-posters/
A imagem é uma propaganda da United States Food Administration que circulou durante a Primeira Guerra Mundial. O cartaz recomenda que a população dos Estados Unidos: “Coma mais produtos de milho, aveia e centeio — peixe e aves — frutas, vegetais e batatas — alimentos assados, cozidos e grelhados. Coma menos trigo, carne, açúcar e gorduras para economizar para o exército e para os nossos aliados”.
Com base na imagem, assinale a opção que apresenta corretamente o papel dessa propaganda durante a Primeira Guerra Mundial.
A “segunda escravidão” se desenvolveu não como uma premissa histórica do capital produtivo, mas pressupondo sua existência como condição para sua reprodução.
Adaptado de TOMICH, D. Through the Prism of Slavery. Labor, Capital, and World Economy. Lanham, Rowman & Littlefield, 2004, p. 87.
Com base no trecho, é correto afirmar que a “segunda escravidão” conceituada por Dale Tomich consiste em uma
Eu diria que o historiador está em condições muito melhores do que o participante do presente, pela simples razão de que dispõe de um horizonte ampliado. Se o leitor pensa que o passado é uma paisagem, a história é a maneira como a representamos, e é justamente esse ato de representação que nos eleva acima do familiar para permitir-nos ter experiências substitutivas daquilo que não podemos experimentar diretamente: uma visão mais ampla.
Adaptado de GADDIS, John Lewis. El paisaje de la historia: cómo los historiadores representan el pasado. Anagrama, 2004, pp. 21-22.
Considerando a reflexão de John Lewis Gaddis, é correto afirmar que a representação do passado como paisagem
I. A preparação da guerra, especialmente em grande escala, leva os governantes, inevitavelmente, a extrair recursos da população. Com isso, cria-se uma estrutura de arrecadação, abastecimento e administração que precisa se manter e que muitas vezes cresce mais rápido do que os próprios exércitos e marinhas que sustenta. Os interesses e o poder dessa estrutura acabam limitando de forma significativa o tipo e a intensidade da guerra.
Adaptado de TILLY, Charles. Coerción, capital y los Estados europeos, 990-1990. Madrid: Alianza Editorial, 1992, p. 46.
II. É necessário revisar a ideia de que o desenvolvimento militar na Idade Moderna foi um processo conduzido principalmente pelo Estado, ligado à centralização e ao controle burocrático. Ao analisar as condições relacionadas à prática de fazer guerra por meio de contratantes privados a partir do século XVI, conclui-se que essa forma de organização não foi uma exceção nem resultado de governantes fracos ou irresponsáveis. Pelo contrário, tratava-se de uma solução lógica para mobilizar recursos, considerando as limitações dos governos da Idade Moderna e sua dependência dos recursos e da cooperação das elites.
Adaptado de PARROT, David. “Military Revolution or Military Devolution?” Stud. his., H.ª mod., 35, 2013, p. 33.
Considerando os fragmentos, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação dos autores sobre o desenvolvimento militar na Época Moderna.
Embora durante o período hispânico só tenham ocorrido três reuniões de Cortes no reino (1581, 1583 e 1619), estas, dotadas de grande poder simbólico de evocação de um pacto primordial dos povos com o rei, foram importantes agentes de coesão, ao legitimarem o poder do novo monarca, ao serem palco do juramento de fidelidade dos estados ao monarca e seu descendente (uma inovação de D. Filipe I), ao restabelecerem a harmonia social quebrada pela crise sucessória.
Adaptado de Jean-Frédéric Schaub, Portugal na Monarquia Hispânica (1580-1640). Lisboa, Livros Horizonte, 2001, p. 149.
Com base no trecho e na interpretação historiográfica do período da União Ibérica, assinale a afirmativa correta.
Se dizemos que tem o poder absoluto quem não está sujeito às leis, não se encontrará no mundo nenhum príncipe soberano, já que todos os príncipes da terra estão sujeitos às leis de Deus e da natureza, e a certas leis humanas comuns a todos os povos. É necessário que quem seja soberano não esteja de nenhum modo submetido ao império de outro e possa dar lei aos súditos e anular ou emendar as leis inúteis; isto não pode ser feito por quem esteja sujeito às leis de outra pessoa. Por isso se diz que o príncipe está isento da autoridade das leis. O próprio termo latino “ley” implica o mandato de quem tem a soberania.
Adaptado de BODIN, J. Los seis libros de la república. Madrid: Editorial Tecnos, 1997, pp.52-3.
Com base no trecho e nos fundamentos do absolutismo moderno, assinale a opção correta.
Todo um trabalho de decifração se impõe a partir de indícios frágeis. Escrutinando os ex-votos, o pesquisador medirá pacientemente a superfície, respectivamente do espaço celeste de aparição e da cena terrestre; analisará, também, o gestual e o jogo dos olhares pelo qual se estabelece a ligação entre os dois universos. Analisando as representações do purgatório em sua evolução, sublinhará as mutações características de um panteão de intercessores que, paulatinamente, vai se despovoando do século XVII ao século XVIII.
Adaptado de VOVELLE, Michel. Ideologias e mentalidades. São Paulo: Brasiliense, 1987, p.42.
Com base no trecho, assinale a opção que identifica corretamente a corrente da Nova História a que ele se refere.
Cortar o tempo em períodos é necessário para a história, seja ela entendida como o estudo da evolução das sociedades, como um tipo particular de saber e ensino, ou mesmo como a simples passagem do tempo. No entanto, esse recorte não é um mero fato cronológico, mas também expressa a ideia de transição, de mudança e até de contradição em relação à sociedade e aos valores do período precedente. Os períodos têm, portanto, um significado particular em sua própria sucessão, na continuidade temporal ou nas rupturas que tal sucessão evoca, e constituem um objeto fundamental de reflexão para o historiador.
Adaptado de LE GOFF, Jacques. ¿Realmente es necesario cortar la historia en rebanadas? México: Fondo de Cultura Económica, 2016, pp. 11-12.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação do autor sobre a periodização na história.
O predomínio espiritual da tradição greco-latina no Ocidente medieval fez com que se continuasse a associar, ao longo de todo o período, os livros e a língua latina ao poder e às elites sociais. A atitude da maior parte dos governantes medievais alfabetizados em relação ao livro e às bibliotecas foi reverencial e, em alguns casos, quase “totêmica”. As bibliotecas dos reis da Antiguidade Tardia seguiram um modelo episcopal-monástico, uma vez que o modelo tardo romano de biblioteca palatina semipública ou pública havia caído no esquecimento. Contudo, a maior parte das bibliotecas dos reis da época feudal se enquadra melhor no modelo de biblioteca senhorial do que no de biblioteca monástica ou palatina ou “de Estado”. O chamado renascimento do século XII começaria a alterar essa dinâmica, quando os príncipes do Ocidente latino passariam a se tornar reis clericalizados, possuidores de bibliotecas cada vez maiores.
Adaptado de RODRÍGUEZ DE LA PEÑA, Alejandro. “Los reyes bibliófilos: bibliotecas, cultura escrita y poder en el Occidente medieval”, En la España Medieval, n.º 33, 2010, p. 9.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente aspectos da organização das bibliotecas no Ocidental medieval.
Os mongóis não entravam na categoria de quase humanos, de monstros que a cartografia medieval distribuía pelos confins da Ásia, nem se encaixavam nas categorias conhecidas pelos europeus, baseadas na divisão bíblica do gênero humano. Assim, foram classificados de diferentes formas: como flagelos de Deus, como um castigo pelos pecados, como demônios ou bestas. Segundo relatos às vezes contraditórios, seus costumes eram brutais, ladravam como cães e tinham o rosto plano como os macacos. Comiam carne crua e bebiam sangue, isso era verdade, visto que os habitantes da estepe, que não tinham vegetais ao seu alcance, deviam ingerir sangue fresco para obter a dose de aminoácidos para a saúde. Foram acusados inclusive de canibalismo. Mas essa acusação era falsa. Fontes chinesas, tibetanas, mongóis, armênias e georgianas também evidenciam a repulsa em relação aos mongóis, mas não lhes atribuem esse comportamento em particular. Tais acusações não são fruto da observação, mas das leituras, das elucubrações e do medo.
Adaptado de FERNÁNDEZ-ARMESTO, Felipe. Os conquistadores do horizonte: uma história global da exploração. Barcelona: Ariel, 2012.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir acerca das representações europeias sobre os mongóis no período medieval.
I. As classificações dos mongóis feitas pelos europeus revelaram os limites do repertório mental e narrativo disponível para descrever práticas distintas das conhecidas, configurando um desafio conceitual.
II. As descrições europeias dos mongóis foram influenciadas por referenciais religiosos e imaginários, que os associavam a punições divinas e a figuras monstruosas, evidenciando a mediação cultural na construção dessas imagens.
III. A representação europeia dos mongóis como incivilizados, associada ao canibalismo, baseou-se em observações diretas e foi reforçada por fontes extra europeias, legitimando sua escravização pelos europeus.
Está correto o que se afirma em
Tal é o segredo da pedagogia homérica: o exemplo heroico. Homero foi o educador da Grécia: oferece constantemente ao espírito de seu discípulo modelos idealizados de virtude heroica e põe em evidência a realidade dessa recompensa suprema que é a glória.
Adaptado de MARROU, Henri-Irénée. Historia de la educación en la Antigüedad. Madrid: Akal, 1985, p. 31.
Assinale a opção que apresenta corretamente o papel das epopeias homéricas na educação e formação ética na Grécia Antiga.