Leia o trecho a seguir. Os mongóis não entravam na categori...
Os mongóis não entravam na categoria de quase humanos, de monstros que a cartografia medieval distribuía pelos confins da Ásia, nem se encaixavam nas categorias conhecidas pelos europeus, baseadas na divisão bíblica do gênero humano. Assim, foram classificados de diferentes formas: como flagelos de Deus, como um castigo pelos pecados, como demônios ou bestas. Segundo relatos às vezes contraditórios, seus costumes eram brutais, ladravam como cães e tinham o rosto plano como os macacos. Comiam carne crua e bebiam sangue, isso era verdade, visto que os habitantes da estepe, que não tinham vegetais ao seu alcance, deviam ingerir sangue fresco para obter a dose de aminoácidos para a saúde. Foram acusados inclusive de canibalismo. Mas essa acusação era falsa. Fontes chinesas, tibetanas, mongóis, armênias e georgianas também evidenciam a repulsa em relação aos mongóis, mas não lhes atribuem esse comportamento em particular. Tais acusações não são fruto da observação, mas das leituras, das elucubrações e do medo.
Adaptado de FERNÁNDEZ-ARMESTO, Felipe. Os conquistadores do horizonte: uma história global da exploração. Barcelona: Ariel, 2012.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir acerca das representações europeias sobre os mongóis no período medieval.
I. As classificações dos mongóis feitas pelos europeus revelaram os limites do repertório mental e narrativo disponível para descrever práticas distintas das conhecidas, configurando um desafio conceitual.
II. As descrições europeias dos mongóis foram influenciadas por referenciais religiosos e imaginários, que os associavam a punições divinas e a figuras monstruosas, evidenciando a mediação cultural na construção dessas imagens.
III. A representação europeia dos mongóis como incivilizados, associada ao canibalismo, baseou-se em observações diretas e foi reforçada por fontes extra europeias, legitimando sua escravização pelos europeus.
Está correto o que se afirma em