Questões de Concurso
Sobre história da arte e educação em educação artística
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A asserção que completa corretamente o texto é:
Leia o trecho de O Manifesto ciborgue - ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, ensaio de 1985, elaborado pela bióloga e filósofa Donna Haraway:
No final do século XX, neste nosso tempo, somos todos ciborgues, híbridos de máquina e organismo. O ciborgue é nossa ontologia e ele determina nossa política. Nas tradições da ciência e da política ocidentais (a tradição do capitalismo racista, dominado pelos homens; a tradição do progresso; a tradição da apropriação da natureza como matéria para a produção da cultura; a tradição da reprodução do eu a partir dos reflexos do outro), a relação entre organismo e máquina tem sido uma guerra de fronteiras. As coisas que estão em jogo nessa guerra de fronteiras são os territórios da produção, da reprodução e da imaginação. Este ensaio é um argumento em favor do prazer da confusão de fronteiras, bem como em favor da responsabilidade em sua construção.
Adaptado de Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
Leia o trecho de uma pesquisadora em dança a respeito do Congado na Zona da Mata mineira:
Por meio dos significados lidos no ritual, criaram-se interconexões híbridas com a dança, o canto, os símbolos e signos do Congado e suas relações com o inconsciente e a produção em artes na contemporaneidade, permitindo a performance transcender o Congado real, porque não pretende reproduzi-lo ou sê-lo, mas sim relê-lo, absorvendo seus sentidos e articulando-os às temáticas atuais dos processos criativos em dança contemporânea.
ÁVILA, Carla Cristina de. Itinerâncias e Inter-heranças. Mestrado, Instituto de Artes da Unicamp, 2007, pág. 26.
Com base no depoimento, assinale a afirmativa que descreve
corretamente a posição da pesquisadora a respeito da relação
entre danças folclóricas e dança contemporânea no Brasil.
A pergunta “Por que não houve grandes mulheres artistas?” foi
formulada em 1973, pela historiadora da arte Linda Nochlin, em
artigo homônimo no qual ela adverte a respeito do seu caráter
enganoso:
Essa pergunta esconde um pressuposto insidioso, que está na base
de sua formulação. Até onde sabemos, nunca houve grandes
mulheres artistas, como não houve também nenhum grande
pianista de jazz lituano ou um grande tenista esquimó, e não
importa o quanto queríamos que tivesse existido. Por trás da
maioria das pesquisas sobre grandes artistas, há a aceitação da
ideia do gênio na arte em primeiro plano e apenas
secundariamente há a consideração das estruturas sociais e
institucionais nas quais ele tenha vivido e trabalhado, como mero
pano de fundo. Partindo desse princípio, a falta de êxito das
mulheres pode ser formulada como silogismo: se as mulheres
possuíssem talento para arte este se revelaria espontaneamente.
Mas este talento nunca se revelou. Portanto, chegamos à
conclusão de que as mulheres não possuem talento para a arte.
Adaptado de NOCHLIN, Linda. Por que não houve grandes mulheres artistas? São Paulo: Edições Aurora, 2016.
As afirmativas a seguir interpretam corretamente o posicionamento de Linda Nochlin sobre quais questões são (ou não são) pertinentes para a história da arte, à exceção de uma. Assinale-a.
Um texto que busca esboçar o quadro da arte indígena brasileira não pode senão começar com um paradoxo: trata-se de povos que não partilham nossa noção de arte. Mas, se objetos indígenas cristalizam ações, valores e ideias, como na arte conceitual, ou provocam apreciações valorativas da categoria dos tradicionais conceitos de beleza e perfeição formal como entre nós, por que sustentar que conceitualmente esses povos desconhecem o que nós conhecemos como “arte”?
LAGROU, Els. Arte indígena no Brasil: agência, alteridade e relação. Belo Horizonte: Editora C/Arte, 2009, p. 11-13.
Com base no trecho, é correto afirmar que, na arte indígena,
A convergência entre a harmonia musical e a dissonância ruidosa foi explorada desde o início do século XX por artistas de diferentes áreas, eliminando as distinções tradicionais entre música, ruído e barulho.
As afirmativas a seguir exemplificam corretamente essa
convergência, à exceção de uma. Assinale-a:
A música indígena é descrita desde os primeiros relatos sobre o Brasil, como o do padre Fernão Cardim, durante uma visitação em 1583, quando o jesuíta observa uma celebração coletiva da guerra:
Não se lhes entende o que cantam, mas disseram-me os padres que cantavam em trova quantas façanhas e mortes tinham feito os seus antepassados. Arremedam pássaros, cobras, e outros animais, tudo trovado por comparações, para se incitarem a pelejar.
CARDIM, F. Tratados da Terra e Gente do Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia, 1980, p. 243.
Com base no testemunho do cronista do século XVI, pode-se afirmar que a música produzida pelos nativos
Nelson Rodrigues é considerado o pioneiro da moderna dramaturgia brasileira e a sua peça “O beijo no asfalto” gerou forte impacto no público brasileiro nos anos 1960. A trama parte da morte de um homem desconhecido atropelado por um ônibus. Agonizando no asfalto, ele pede um beijo a um bancário que está no local (Arandir). O pedido é atendido e o gesto torna-se manchete na imprensa sensacionalista, além de fundamentar a hipótese policial de assassinato passional.
As afirmativas a seguir caracterizam corretamente o impacto da
peça “O beijo no asfalto”, à exceção de uma. Assinale-a.
A partir da segunda metade do século XVIII, a presença da burguesia em cena é cada vez maior, como resultado de seu estabelecimento enquanto classe social e de sua expansão econômica. O teatro é impactado por essa mudança social e apresenta novos gêneros, aptos a retratar uma nova sociedade que emergia da era das revoluções.
A respeito dos gêneros teatrais dos séculos XVIII e XIX, analise as
afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a
falsa.
( ) O drama burguês é a forma dramática séria em que os personagens representavam o ser humano como alguém bom por natureza, mas corrompido pelo meio.
( ) O teatro romântico traz para a cena as categorias estéticas do sublime e do grotesco, objetivando despertar as paixões humanas, do deleite ao assombro.
( ) O Realismo parte da constatação que a dramaturgia deve tratar de temas contemporâneos da sociedade com base na lei formal das três unidades: tempo, lugar e ação.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
Gênero dramático medieval que se caracteriza por apresentar situações cômicas do cotidiano de forma direta, exagerada, grosseira e maliciosa, por meio da sucessão rápida de equívocos, provocando o riso amplo e direto no público que a assiste.
O trecho se refere à forma do teatro medieval denominada
É, pois, a Tragédia imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes do drama, imitação que se efetua não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções
Adaptado de ARISTÓTELES, Poética. SP: Ars Poética, 1993, p. 37.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre as características da tragédia para Aristóteles.
I. Representa uma ação que, depois do seu início, requer que ela se complete no seu interregno, ou seja, no intervalo de tempo que vai do seu início ao seu fim.
II. O fim funesto da ação é preanunciado desde o início, e a encenação de uma catástrofe inescapável visa a gerar comoção pela identificação dos espectadores com os personagens, produzindo uma catarse.
III. Encena ações realizadas por indivíduos de caráter inferior, com o objetivo de apresentar uma sátira ao comportamento de homens viciosos e provocar a indignação do público.
Está correto o que se afirma em
Os artistas desse movimento abandonaram a perspectiva linear utilizada desde o renascimento para representar profundidade e distância. Em suas pinturas, representavam objetos e pessoas a partir de vários pontos de vista ao mesmo tempo, pois acreditavam que, desse modo, ofereceriam ao espectador visões de mundo mais precisas do que as representações tridimensionais.
O trecho descreve o movimento de arte moderna que se desenvolveu na primeira metade do século XX conhecido como:

Caspar David Friedrich, O errante sobre o mar de névoa, 1818.
Os artistas românticos do século XIX representaram as manifestações das forças da natureza como expressão do sublime.
Para o romantismo, o sublime era
No início do século XX, Heinrich Wölfflin usou o termo barroco como categoria estética positiva. Em sua obra Conceitos Fundamentais para a História da Arte, propôs uma metodologia objetiva para identificar se uma obra de arte é barroca, baseando-se em cinco pares de conceitos comparativos e opostos ao classicismo renascentista.
A respeito da classificação estilística elaborada por Wölfflin,
assinale a afirmativa que identifica corretamente um preceito do
barroco.
A Abordagem Triangular transformou o ensino das artes e das culturas visuais no Brasil a partir do final da década de 1980. A respeito dessa abordagem, analise as afirmativas a seguir.
I. A contextualização remete à História da Arte e à História Geral, para compreender o sentido da obra em seu próprio tempo e também no momento atual.
II. O ato de apreciar diz respeito à capacidade de reconhecer e estimar o valor de uma obra de arte, independente da temporalidade na qual está inserida.
III. O fazer baseia-se em estimular a produção artística, trabalhando a capacidade mimética a partir de modelos e a fidelidade em relação ao original.
Está correto o que se afirma em: