Questões de Concurso Militar CBM-MG 2026 para Soldado Bombeiro Militar
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Texto para a questão.
Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.
Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”
Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?
Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.
Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.
A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.
O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.
Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.
Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.
As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.
O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.
Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.
O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.
Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.
O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.
No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.
NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.
Texto para a questão.
Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.
Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”
Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?
Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.
Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.
A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.
O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.
Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.
Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.
As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.
O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.
Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.
O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.
Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.
O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.
No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.
NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.
Texto para a questão.
Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.
Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”
Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?
Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.
Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.
A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.
O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.
Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.
Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.
As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.
O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.
Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.
O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.
Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.
O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.
No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.
NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.
Texto para a questão.
Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.
Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”
Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?
Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.
Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.
A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.
O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.
Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.
Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.
As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.
O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.
Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.
O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.
Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.
O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.
No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.
NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.
Texto para a questão.
Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.
Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”
Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?
Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.
Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.
A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.
O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.
Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.
Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.
As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.
O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.
Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.
O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.
Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.
O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.
No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.
NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.
Texto para a questão.
Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.
Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”
Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?
Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.
Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.
A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.
O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.
Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.
Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.
As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.
O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.
Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.
O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.
Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.
O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.
No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.
NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.
“Embora os alunos que se dedicaram intensamente ao estudo tenham alcançado bom desempenho, é necessário que se reconheça que a complexidade do conteúdo, cuja abordagem exige domínio teórico aprofundado, impõe dificuldades que nem sempre podem ser superadas apenas com esforço individual.”
Texto para a questão.
“A Inteligência Artificial não é, como supõem os entusiastas do Vale do Silício, uma entidade dotada de consciência; é, antes, um sofisticado simulacro estatístico. No âmago de seus algoritmos, reside a tentativa de mimetizar a cognição humana — tarefa que, se por um lado fascina a ciência, por outro, suscita temores éticos profundos. Aos programadores, cabe o código; à máquina, o processamento; aos filósofos, contudo, resta a árdua missão de definir os limites entre o silício e o espírito.”
Texto para a questão.
“A Inteligência Artificial não é, como supõem os entusiastas do Vale do Silício, uma entidade dotada de consciência; é, antes, um sofisticado simulacro estatístico. No âmago de seus algoritmos, reside a tentativa de mimetizar a cognição humana — tarefa que, se por um lado fascina a ciência, por outro, suscita temores éticos profundos. Aos programadores, cabe o código; à máquina, o processamento; aos filósofos, contudo, resta a árdua missão de definir os limites entre o silício e o espírito.”
- 280 utilizaram o Pix (P). - 200 utilizaram Cartão de Crédito (C). - 150 utilizaram Carteiras Digitais (D). - 120 utilizaram Pix e Cartão de Crédito. - 80 utilizaram Cartão de Crédito e Carteira Digital. - 90 utilizaram Pix e Carteira Digital. - 50 utilizaram as três formas de pagamento.
O total desses consumidores que participaram dessa pesquisa que não utilizaram nenhuma das três tecnologias mencionadas é igual a:
A sequência a seguir segue um padrão:
2, 6, 5, 15, 14, 42, 41, ...
O próximo termo dessa sequência é:
Observe a matriz abaixo:

O valor dos elementos da terceira coluna segue um padrão associado aos elementos da primeira coluna. A partir do padrão observado, temos que o valor numérico de y é igual a:
- O livro está à direita da chave; - O celular está à esquerda do relógio; - A chave não está na primeira posição; - O relógio está na última posição.
O objeto que está na segunda posição da esquerda para a direita é:
À luz da CADH, identifique a alternativa que expressa corretamente o alcance da proteção judicial prevista no tratado.