Questões Militares Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3514091 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:


Caros leitores, digníssimas leitoras,


Quando falamos do mercado automotivo brasileiro, independentemente do setor, sempre temos que ter em mente a existência de vários “brasis” dentro do Brasil. Num país continental como o nosso, não temos aquela verdade absoluta.



(Raphael Galante, “Os vários ‘brasis’ dentro do Brasil”, InfoMoney. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/colunistas/o-mundo-sobre- -muitas-rodas/os-varios-brasis-dentro-do-brasil/. Adaptado) 

Com base na obra de Koch e Elias (Ler e compreender: os sentidos do texto, 2011), é correto afirmar que o substantivo “Brasil”, quando considerado em relação ao substantivo “país”, corresponde a um
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Q3514090 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:


Caros leitores, digníssimas leitoras,


Quando falamos do mercado automotivo brasileiro, independentemente do setor, sempre temos que ter em mente a existência de vários “brasis” dentro do Brasil. Num país continental como o nosso, não temos aquela verdade absoluta.



(Raphael Galante, “Os vários ‘brasis’ dentro do Brasil”, InfoMoney. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/colunistas/o-mundo-sobre- -muitas-rodas/os-varios-brasis-dentro-do-brasil/. Adaptado) 

De acordo com Nilce Sant’Anna Martins (Introdução à estilística, 2008), “também os nomes geográficos aparecem pluralizados com valor expressivo”.

No caso do termo destacado no texto, a sua pluralização remete à ideia de
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Q3514084 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Os calções verdes do Bruno


   Até a camarada professora ficou espantada e interrompeu a aula quando o Bruno entrou na sala. Não era só o que se via na mudança das roupas, mas também o que se podia cheirar com a chegada daquele Bruno tão lavadinho.

   No intervalo, em vez de irmos todos brincar a correr, cada um ficou só espantado a passar perto do Bruno, mesmo a fingir que ia lá fazer outra coisa qualquer. A antiga blusa vermelha tinha sido substituída por uma camisa de manga curta esverdeada e flores brancas tipo Hawai. Mas o mais espantoso era o Bruno não trazer os calções dele verdes justos com duas barras brancas de lado. A pele cheirava a sabonete azul limpo, as orelhas não tinham cera, as unhas cortadas e limpas, o cabelo lavado e cheio de gel. Até os óculos estavam limpos. Tortos mas limpos.

   Fiquei no fundo da sala. Eu era grande amigo do Bruno e mesmo assim não consegui entender aquela transformação. Olhei o pátio onde as meninas brincavam “35 vitórias”. Na porta, uma contraluz do meio-dia iluminava a cara espantada da Romina. Eu olhava a Romina, o sol na porta e o Bruno também.

  O mujimbo* já tinha circulado lá fora e eu nem sabia. Havia uma explicação para tanto banho e perfumaria. Parece que o Bruno estava apaixonado pela Ró. A mãe do Bruno tinha contado à mãe do Helder todos os acontecimentos incríveis da tarde anterior: a procura dum bom perfume, o gel no cabelo, os sapatos limpos e brilhantes, a camisa de botões. A mãe do Bruno disse à mãe do Helder, “foi ele mesmo que me chamou para eu lhe esfregar as costas”.

    Depois do intervalo o Bruno passou-me secretamente a carta.

   A carta continuava bonita como eu nunca soube que o Bruno sabia escrever assim. Ele tinha a cara afundada nos braços, parecia adormecido, eu lia a carta sem acreditar que o Bruno tinha escrito aquilo mas os erros de português eram muito dele mesmo.

   A camarada professora era muito má. Veio a correr e riu- -se porque eu tinha lágrimas nos olhos. Pegou na carta e rasgou tudo em pedacinhos tão pequenos como as minhas lágrimas e as do Bruno. A Romina desconfiou de alguma coisa, porque também tinha os olhos molhados.

   O sino tocou. Saímos. Era o último tempo.

   No dia seguinte, com um riso que era também de tristeza e uma espécie de saudade, o Bruno apareceu com a blusa dele vermelha e os calções verdes justos com duas riscas brancas de lado. Deu a gargalhada dele que incomodava a escola toda e veio brincar conosco.

   Na porta da sala, uma contraluz amarela do meio-dia iluminava a cara bonita da Romina e os olhos dela molhados com lágrimas de ternura. E o Bruno também.


* Mujimbo: boato.

(Ondjaki, Os da minha rua. Adaptado)
Ao relatar a situação de transformação de Bruno, o narrador deixa evidente que
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Q3514078 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


     Alguns cuidados não custam nada. Corrija sua coluna. Tenha a postura ereta. Respire fundo, use toda a capacidade dos pulmões. Ande uma hora por dia. Beba litros de água diariamente. Cuide-se. Ame-se. Mais, muito mais do que a seu próximo. Nem todos têm a sorte de nascer deslumbrantes, com mãos e pés perfeitos etc. Mas temos a obrigação de mantê-los sempre bem cuidados. Para ser gentil com os outros, para com você mesma. Há paixões que acabam quando a gente vê o pé do namorado pela primeira vez. Ouviram, rapazes?


(Danuza Leão, Na sala com Danuza. Adaptado)
Com a frase final do texto, fica subentendido que
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Q3514077 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


     Alguns cuidados não custam nada. Corrija sua coluna. Tenha a postura ereta. Respire fundo, use toda a capacidade dos pulmões. Ande uma hora por dia. Beba litros de água diariamente. Cuide-se. Ame-se. Mais, muito mais do que a seu próximo. Nem todos têm a sorte de nascer deslumbrantes, com mãos e pés perfeitos etc. Mas temos a obrigação de mantê-los sempre bem cuidados. Para ser gentil com os outros, para com você mesma. Há paixões que acabam quando a gente vê o pé do namorado pela primeira vez. Ouviram, rapazes?


(Danuza Leão, Na sala com Danuza. Adaptado)
Com base em Schneuwly e Dolz (Gêneros orais e escritos na escola, 2004), conclui-se que a capacidade de linguagem dominante no texto é
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Q3513995 Português
Leia o texto, para responder à questão.


    “Depósito”: o modo como uma casa de repouso para idosos é chamada em um novo livro de ficção pretende denunciar as incongruências de nossa relação com a velhice e com os idosos ao nosso redor. Em Jasmins, publicado pela editora Maralto, Claudia Nina retrata a dura relação entre a cuidadora Yasmin e a idosa Wanda, num momento da história em que o fenômeno da longevidade interpela a nossa atenção à população idosa.

    “Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas, seja para a realização de atividades básicas da vida diária e econômica ou emocionalmente, principalmente aqueles com déficits cognitivos ou limitações naturais do próprio envelhecimento”, explica a psicóloga Allana Moraes. “Por essas razões, lamentavelmente, o idoso também se encontra mais suscetível a ser vítima de violências nos mais variados âmbitos, seja familiar, institucional ou social”. 

    De acordo com Allana, é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado como o espaço de maior incidência de abandono e maus-tratos acometidos contra o idoso, com episódios de violência psicológica, física, moral e patrimonial perpetrados por filhos ou cônjuges. Diversos fatores desempenham um papel nesse tipo de cenário, entre os quais o que pode ser chamado de transmissão transgeracional da violência e do abandono.

    “O fato de os idosos se transformarem em vítimas igualmente se relaciona às raízes familiares, à violência ou abandono por eles perpetrados no passado, assim como terem apresentado comportamentos disruptivos, agressividade e atitudes provocativas em relação aos familiares”, explica a psicóloga. “Portanto, para analisar os motivos que levam um familiar a agir com violência em relação a um idoso, há que se levar em conta não só características dos idosos ou da família, já que se trata de um fenômeno multideterminado e que deve ser analisado em sua complexidade”. 

    Entre os fatores em jogo, há também aquilo que o gerontólogo Robert N. Butler chamou já em 1969 de “ageísmo” ou “idadismo”, ou seja, a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas. “Butler descreveu três aspectos deste tipo de preconceito: atitudes negativas em relação aos idosos, à velhice e ao processo de envelhecimento; práticas discriminatórias contra idosos; e práticas e políticas institucionais que perpetuam estereótipos e atitudes negativas sobre os idosos”, pontua Allana.

    A saúde dos vínculos afetivos entre o idoso e os seus cuidadores é um fator de proteção contra a violência muito significativo. Com a atenção à saúde mental dos profissionais cuidadores e com a proximidade da família, casas de repouso deixariam de ser “depósitos” e se tornariam pontos de apoio fundamentais em uma sociedade cada vez mais idosa.


(Disponível em: https://www.semprefamilia.com.br. Acesso em: 08.04.2025. Adaptado)
No segmento “Embora não seja regra” (2° parágrafo), o termo destacado garante a coesão textual introduzindo um argumento
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Q3513487 Português
Leia o texto, para responder à questão.


    “Depósito”: o modo como uma casa de repouso para idosos é chamada em um novo livro de ficção pretende denunciar as incongruências de nossa relação com a velhice e com os idosos ao nosso redor. Em Jasmins, publicado pela editora Maralto, Claudia Nina retrata a dura relação entre a cuidadora Yasmin e a idosa Wanda, num momento da história em que o fenômeno da longevidade interpela a nossa atenção à população idosa.

    “Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas, seja para a realização de atividades básicas da vida diária e econômica ou emocionalmente, principalmente aqueles com déficits cognitivos ou limitações naturais do próprio envelhecimento”, explica a psicóloga Allana Moraes. “Por essas razões, lamentavelmente, o idoso também se encontra mais suscetível a ser vítima de violências nos mais variados âmbitos, seja familiar, institucional ou social”.

    De acordo com Allana, é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado como o espaço de maior incidência de abandono e maus-tratos acometidos contra o idoso, com episódios de violência psicológica, física, moral e patrimonial perpetrados por filhos ou cônjuges. Diversos fatores desempenham um papel nesse tipo de cenário, entre os quais o que pode ser chamado de transmissão transgeracional da violência e do abandono.

    “O fato de os idosos se transformarem em vítimas igualmente se relaciona às raízes familiares, à violência ou abandono por eles perpetrados no passado, assim como terem apresentado comportamentos disruptivos, agressividade e atitudes provocativas em relação aos familiares”, explica a psicóloga. “Portanto, para analisar os motivos que levam um familiar a agir com violência em relação a um idoso, há que se levar em conta não só características dos idosos ou da família, já que se trata de um fenômeno multideterminado e que deve ser analisado em sua complexidade”.

    Entre os fatores em jogo, há também aquilo que o gerontólogo Robert N. Butler chamou já em 1969 de “ageísmo” ou “idadismo”, ou seja, a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas. “Butler descreveu três aspectos deste tipo de preconceito: atitudes negativas em relação aos idosos, à velhice e ao processo de envelhecimento; práticas discriminatórias contra idosos; e práticas e políticas institucionais que perpetuam estereótipos e atitudes negativas sobre os idosos”, pontua Allana.

    A saúde dos vínculos afetivos entre o idoso e os seus cuidadores é um fator de proteção contra a violência muito significativo. Com a atenção à saúde mental dos profissionais cuidadores e com a proximidade da família, casas de repouso deixariam de ser “depósitos” e se tornariam pontos de apoio fundamentais em uma sociedade cada vez mais idosa.


(Disponível em: https://www.semprefamilia.com.br. Acesso em: 08.04.2025. Adaptado)
Considerando-se a sequenciação textual, é correto afirmar que o quarto parágrafo representa, em relação ao terceiro,
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Q3503329 Português
As frases a seguir trazem nomes de especialidades médicas. Assinale a frase cuja especialidade tem seu objeto corretamente definido.
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Q3503318 Português
Assinale a frase que se estrutura por meio de antônimos.
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Q3503317 Português
Um código indiano de leis registra o seguinte:
Toda vez que o homem reconhece e confessa ter pecado, libera-se do próprio pecado como uma serpente, da pele velha.
Sobre o significado e a estruturação desse segmento textual, é correto afirmar que
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Q3503315 Português

As frases a seguir mostram comparações.

Assinale a opção em que a comparação realizada não é explicada.

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Q3503314 Português

As frases a seguir mostram comparações.

Assinale a opção em que a comparação utiliza linguagem lógica (não figurada).

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Q3503313 Português

Observe a seguinte frase:

Por melhor que se fale, quando se fala muito, finaliza-se sempre por dizer tolices.

O conselho implícito que está nessa frase, é:

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Q3503300 Português
O termo “bioética” surgiu no início da década de 1970 como parte de uma tentativa de integrar a perspectiva humanista à atividade científica. Parte dessa preocupação era a de superar a dicotomia entre aquilo que é e aquilo que deve ser.
Essa dicotomia tende a manter separados
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Q3494786 Português
"O amor é a ponte entre dois corações que se encontram em lados opostos de um rio tempestuoso."
(Khalil Gibran)

No trecho acima, Khalil Gibran emprega um recurso linguístico para descrever a natureza do amor, comparando-o a uma estrutura física. Com base nessa construção, identifique o efeito de sentido promovido pela expressão "O amor é a ponte" e o recurso coesivo empregado para produzi-lo.
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Q3494783 Português
No Provérbio popular “A justiça tarda, mas não falha”, qual é o sentido mais adequado para o termo “justiça” no contexto?
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Q3494779 Português
"O Sentinela" (Trecho adaptado)

Autor: Olavo Bilac (Domínio Público)


"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!

A natureza aqui perpetuamente em festa

É um seio de mãe a transbordar carinho.

Vê que vida há no chão! Vê que luz há no ar!

Teus livros, teus brinquedos deixa um pouco… Vem!

Que o amor se aprende amando… Vem! Ama o Brasil

também!" 
No poema de Olavo Bilac, a relação entre o eu lírico e a criança tem como função principal
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Q3494778 Português
"O Sentinela" (Trecho adaptado)

Autor: Olavo Bilac (Domínio Público)


"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!

A natureza aqui perpetuamente em festa

É um seio de mãe a transbordar carinho.

Vê que vida há no chão! Vê que luz há no ar!

Teus livros, teus brinquedos deixa um pouco… Vem!

Que o amor se aprende amando… Vem! Ama o Brasil

também!" 
A exortação do eu lírico no trecho de "O Sentinela" configura uma pedagogia do sentimento patriótico que se alicerça, predominantemente, na
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Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493412 Português
Analise o texto abaixo para responder à questão.


Juventude apática “Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge”


(Martha Medeiros) 


    Espero estar enganada, mas meu senso de observação, aliado a algumas matérias que andei lendo, tem me induzido a pensar que pessoas maduras, também conhecidas como velhas, continuam empolgadas com a vida, fazendo planos para o futuro e transando bem, obrigada, enquanto os jovens, que eram os que detinham o monopólio da vitalidade, estão entediados, apáticos, achando graça em nada. Alguém aí confirma?


    Outro dia, estava conversando com amigos da minha faixa etária, todos entrados nos 60 e com filhos na casa dos 30, e a impressão deles era a mesma. A nova geração tem passado os dias com cara de paisagem. Eles trabalham desesperançados, não se apaixonam perdidamente e seus entusiasmos mal duram um fim de semana, logo esfriam. Não que tivéssemos muitas certezas na idade deles, mas a gente ia em frente com dúvida e tudo, o pulso latejava. Um dia de sol na praia era um acontecimento. Um beijo roubado nos deixava insones. Abraçávamos nossas causas com inocência e ardor, nunca com ódio. Vibrávamos numa frequência positiva. Sorriso não era uma raridade em nosso rosto e não falávamos por monossílabos: palestrávamos em mesa de bar. Melancolia? De vez em quando, sucumbíamos a ela, claro. Éramos poetas, alguns trágicos, cortesia da arte e de suas consequências na alma, mas tudo era visto como privilégio da existência. Não havia zumbis atrás de telas, buscávamos excitação de verdade.


    Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge? São pouco afirmativos e não lutam por seus sonhos — nem mesmo sonham. Falta propósito. E o fracasso apavora. Contentam-se em ser uma eterna promessa e não estão entendendo que o tempo irá cobrar caro, um dia, pela postura blasé do “tanto faz”.


    O excesso é cúmplice do vazio, uma dupla bandida. Excesso de informações, poucos empregos. Excesso de bocas, pouca intimidade. Os cardápios são fartos de “felicidade”: quanto mais é oferecido, mais confusos eles ficam, que caminho seguir? Nós também tivemos que fazer escolhas e as renúncias faziam parte do jogo, não paralisavam ninguém. Agora o rolê tonteia. Escolher só uma alternativa entre um milhão? Não conseguem. Nada se destaca, nada é especial. A banalidade dá o tom da conversa, que leva ao fastio, claro. Um minuto de atenção (se tanto) e já se trocou de desejo.


    Não todos eles, amém. Há aqueles que ainda leem livros, o que ajuda a concentrar. Há os que se mantêm confiantes e interessados. E os que ainda param para escutar a nós, os velhos cheios de gás que parecem não se abalar com o planeta derretendo e com políticos dando show de insanidade. Galera, é no caos que a gente reage. Reajam.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/marthamedeiros/coluna/2025/03/juventude-apatica.ghtml. Acesso em 12/04/2025)

Em relação à estratégia argumentativa empregada pela autora para introduzir o terceiro parágrafo do texto, é correto afirmar que: 

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Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: PM-PR Prova: IBFC - 2025 - PM-PR - Soldado da Polícia Militar |
Q3493411 Português
Analise o texto abaixo para responder à questão.


Juventude apática “Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge”


(Martha Medeiros) 


    Espero estar enganada, mas meu senso de observação, aliado a algumas matérias que andei lendo, tem me induzido a pensar que pessoas maduras, também conhecidas como velhas, continuam empolgadas com a vida, fazendo planos para o futuro e transando bem, obrigada, enquanto os jovens, que eram os que detinham o monopólio da vitalidade, estão entediados, apáticos, achando graça em nada. Alguém aí confirma?


    Outro dia, estava conversando com amigos da minha faixa etária, todos entrados nos 60 e com filhos na casa dos 30, e a impressão deles era a mesma. A nova geração tem passado os dias com cara de paisagem. Eles trabalham desesperançados, não se apaixonam perdidamente e seus entusiasmos mal duram um fim de semana, logo esfriam. Não que tivéssemos muitas certezas na idade deles, mas a gente ia em frente com dúvida e tudo, o pulso latejava. Um dia de sol na praia era um acontecimento. Um beijo roubado nos deixava insones. Abraçávamos nossas causas com inocência e ardor, nunca com ódio. Vibrávamos numa frequência positiva. Sorriso não era uma raridade em nosso rosto e não falávamos por monossílabos: palestrávamos em mesa de bar. Melancolia? De vez em quando, sucumbíamos a ela, claro. Éramos poetas, alguns trágicos, cortesia da arte e de suas consequências na alma, mas tudo era visto como privilégio da existência. Não havia zumbis atrás de telas, buscávamos excitação de verdade.


    Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge? São pouco afirmativos e não lutam por seus sonhos — nem mesmo sonham. Falta propósito. E o fracasso apavora. Contentam-se em ser uma eterna promessa e não estão entendendo que o tempo irá cobrar caro, um dia, pela postura blasé do “tanto faz”.


    O excesso é cúmplice do vazio, uma dupla bandida. Excesso de informações, poucos empregos. Excesso de bocas, pouca intimidade. Os cardápios são fartos de “felicidade”: quanto mais é oferecido, mais confusos eles ficam, que caminho seguir? Nós também tivemos que fazer escolhas e as renúncias faziam parte do jogo, não paralisavam ninguém. Agora o rolê tonteia. Escolher só uma alternativa entre um milhão? Não conseguem. Nada se destaca, nada é especial. A banalidade dá o tom da conversa, que leva ao fastio, claro. Um minuto de atenção (se tanto) e já se trocou de desejo.


    Não todos eles, amém. Há aqueles que ainda leem livros, o que ajuda a concentrar. Há os que se mantêm confiantes e interessados. E os que ainda param para escutar a nós, os velhos cheios de gás que parecem não se abalar com o planeta derretendo e com políticos dando show de insanidade. Galera, é no caos que a gente reage. Reajam.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/marthamedeiros/coluna/2025/03/juventude-apatica.ghtml. Acesso em 12/04/2025)
O emprego da construção verbal “deveriam estar”, no subtítulo, demarca que a visão de mundo referida é:
Alternativas
Respostas
141: D
142: D
143: D
144: A
145: B
146: A
147: C
148: B
149: A
150: C
151: D
152: A
153: C
154: C
155: C
156: D
157: B
158: C
159: C
160: A