Questões Militares Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q4238788 Português

TEXTO III 


A BOLA

Luís Fernando Veríssimo


    O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar о velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.

    - Como é que liga? - perguntou.

    - Como, como é que liga? Não se liga. O garoto procurou dentro do papel de embrulho.

    - Não tem manual de instrução?

    O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.

    - Não precisa manual de instrução.

    - O que é que ela faz?

    - Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.

    - O quê?

    - Controla, chuta...

    - Ah, então é uma bola.

    - Claro que é uma bola.

    - Uma bola, bola. Uma bola mesmo.

    - Você pensou que fosse o quê?

    - Nada, não.

    O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.

    - Filho, olha.

   O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Seleção e apresentação de Ana Maria Machado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.(Adaptado)

Assinale dentre as opções dadas aquela que nomeia corretamente a figura de linguagem demonstrada pela expressão em destaque no fragmento "Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto." (§16).
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Q4238786 Português

TEXTO III 


A BOLA

Luís Fernando Veríssimo


    O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar о velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.

    - Como é que liga? - perguntou.

    - Como, como é que liga? Não se liga. O garoto procurou dentro do papel de embrulho.

    - Não tem manual de instrução?

    O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.

    - Não precisa manual de instrução.

    - O que é que ela faz?

    - Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.

    - O quê?

    - Controla, chuta...

    - Ah, então é uma bola.

    - Claro que é uma bola.

    - Uma bola, bola. Uma bola mesmo.

    - Você pensou que fosse o quê?

    - Nada, não.

    O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.

    - Filho, olha.

   O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Seleção e apresentação de Ana Maria Machado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.(Adaptado)

Nos fragmentos "Para marcar o tempo de forma precisa..." (Texto 1, §1) e "- Não precisa manual de instrução." (Texto III, §6), as palavras destacadas observam entre si uma relação de:
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Q4238780 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Se fôssemos reescrever coerentemente o fragmento "Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou." (§3) na ordem direta, teríamos:
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Q4238779 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Leia o trecho abaixo e, a seguir, assinale a opção na qual a reescritura do trecho manteve o seu sentido original e obedeceu à modalidade culta da língua:

"O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números." (§7)
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Q4238777 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Assinale a opção que contém o nome da figura de linguagem/sintaxe observada no fragmento "Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.". (§3)
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Q4192538 Português

Para responder a questão, leia o trecho a seguir, extraído das reflexões filosóficas do imperador Marco Aurélio (121– 180 d.C.):


    O homem deve levar em conta que, a cada dia, parte da sua vida se vai e que cada vez menos resta para ele, mas também que, mesmo que ele tenha uma longa vida, não se sabe se sua inteligência será como antes para lidar com seus negócios e para ter um vislumbre do conhecimento que tem como objetivo entender tanto as coisas humanas quanto as divinas. No início da decrepitude, a respiração, a alimentação, a imaginação, o impulso, entre outros atributos, não falharão.

Entretanto, o autocontrole, o cumprimento de suas funções com exatidão, a capacidade de escrutinar que se apossa dos seus sentidos ou até de decidir quando é hora de parar, e enfim, todos os poderes que exigem uma com preensão e um raciocínio bem treinados, serão nele extintos.


    Deixa-o, então, estar ativo, não apenas porque a morte aproxima-se a cada dia, mas porque a compreensão e a inteligência com frequência nos abandonam antes de morrermos.



(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)

Considere as passagens a seguir:


•  “… para ter um vislumbre do conhecimento…” (1o parágrafo)


•  “… a capacidade de escrutinar que se apossa dos seus sentidos…” (1o parágrafo)


Nos contextos em que estão empregados, os termos destacados podem ser substituídos, sem alteração do sentido original, correta e respectivamente, por:

Alternativas
Q4192536 Português

Para responder a questão, leia o trecho a seguir, extraído das reflexões filosóficas do imperador Marco Aurélio (121– 180 d.C.):


    O homem deve levar em conta que, a cada dia, parte da sua vida se vai e que cada vez menos resta para ele, mas também que, mesmo que ele tenha uma longa vida, não se sabe se sua inteligência será como antes para lidar com seus negócios e para ter um vislumbre do conhecimento que tem como objetivo entender tanto as coisas humanas quanto as divinas. No início da decrepitude, a respiração, a alimentação, a imaginação, o impulso, entre outros atributos, não falharão.

Entretanto, o autocontrole, o cumprimento de suas funções com exatidão, a capacidade de escrutinar que se apossa dos seus sentidos ou até de decidir quando é hora de parar, e enfim, todos os poderes que exigem uma com preensão e um raciocínio bem treinados, serão nele extintos.


    Deixa-o, então, estar ativo, não apenas porque a morte aproxima-se a cada dia, mas porque a compreensão e a inteligência com frequência nos abandonam antes de morrermos.



(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta expressões que substituem os termos destacados no texto, com correção e sem prejuízo às relações de sentido que estabelecem nos respectivos contextos.
Alternativas
Q4192177 Português
   O homem deve levar em conta que, a cada dia, parte da sua vida se vai e que cada vez menos resta para ele, mas também que, mesmo que ele tenha uma longa vida, não se sabe se sua inteligência será como antes para lidar com seus negócios e para ter um vislumbre do conhecimento que tem como objetivo entender tanto as coisas humanas quanto as divinas. No início da decrepitude, a respiração, a alimentação, a imaginação, o impulso, entre outros atributos, não falharão. Entretanto, o autocontrole, o cumprimento de suas funções com exatidão, a capacidade de escrutinar que se apossa dos seus sentidos ou até de decidir quando é hora de parar, enfim, todos os poderes que exigem uma compreensão e um raciocínio bem treinados, serão nele extintos.
    Deixa-o, então, estar ativo, não apenas porque a morte aproxima-se a cada dia, mas porque a compreensão e a inteligência com frequência nos abandonam antes de morrermos.

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)
Da leitura do texto, conclui-se que o autor tece considerações acerca
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Q4191444 Português
As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz


      Não é trivial analisar, ao menos a meus olhos míopes, a complexidade do mundo de hoje, e, menos ainda, ter claro como deveríamos lidar com o que há, e com o que o destino nos traz. Uma provocação interessante seria explorar eventuais conexões entre “fato” (aquilo que foi feito), “fado” (destino, aquilo que foi dito, postulado por alguma transcendência) e “fatalidade”, um acontecimento vivido como destino.

      Quando sentimos a serenidade abalada, vem à memória o torturado solilóquio* de Hamlet: o dilema entre sofrer passivamente as flechas da fortuna**, ou postar-se contra o mar de aflições. O célebre trecho não refletiria uma opção entre coragem e covardia, mas entre duas atitudes diante da fatalidade. Hamlet sabe que “o mar” não pode ser derrotado e hesita, não porque teme agir, mas porque sabe que sua ação não resolverá o mundo. A pergunta dele talvez não seja “o que se deve escolher?”, mas “como viver com o que não escolhemos?”.

     Para os estoicos, o destino não é capricho dos deuses, mas uma necessidade racional do cosmos. A ética consistiria em viver de acordo com a natureza, aceitar o que não depende de nós e agir virtuosamente no que depende. O estoico não se queixa, rejeita o ressentimento e mantém a dignidade sem ilusões; o mundo seria, no fundo, compreensível, e a serenidade, possível.

   Uma terceira via, que seguiria sem rebelar-se ao fado, nem tentar sua “domesticação” via razão, seria a adotada por Nietzsche: o “amor fati”, literalmente “amor ao destino”, amor ao mundo como é, sem buscar desculpas. Em Ecce Homo, ele afirma: “Minha receita para a grandeza do ser humano (amor fati) é não querer nada diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, ou justificá-lo, mas amá-lo”. Assumir o destino como fato, e responder por ele, sem a resignação estoica, nem a hesitação hamletiana. Não se questiona se o mundo é justo, racional ou digno; pergunta-se apenas se somos capazes de afirmá-lo. Amor fati – amar o destino – seria a recusa radical ao álibi. Não cabe dizer “tudo acontece por alguma razão”, mas sim afirmar “isto aconteceu – e eu o assumo”. Amar o destino é tratar o fado como se fato fosse, não no sentido de tê-lo causado, mas em responder por ele.

      Amenizando, haveria talvez ainda outra resposta, bem menos rebuscada e muito mais conhecida, que veio de um conjunto musical nos anos 70. Ela nos tranquiliza lembrando-nos que, quando estamos em tempos de tribulação, “… a mãe Maria vem a mim e me diz, com palavras de sabedoria, ‘deixa estar’”… Let it be!


(Demi Getschko, “As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz”,
O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/
economia/demi-getschko/as-dificuldades-para-lidar-como-que-o-destino-nos-traz/. Adaptado)
Desenvolvendo o tema sinalizado no título, o autor se vale de recursos que respondem pela coerência textual, tais como
Alternativas
Q4190791 Português
Leia o texto para responder à questão.


      Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna1 e mais longos que seu talhe de palmeira.

    O favo da jati2 não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

     Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu3 , onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara4 . O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

   Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica5 , mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto.

    Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará6 as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

    A graciosa ará7 , sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru8 de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá9 , as agulhas da juçara10 com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.


(José de Alencar, Iracema. 2020)


Vocabulário:


1 Graúna – É o pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem de guira (pássaro) e una (abreviação de pixuna – preto).

2 Jati – Pequena abelha.

3 Ipu – Certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes coroas ou ilhas no meio dos tabuleiros e sertões. Daí se deriva o nome desse local.

4 Tabajaras – Senhores das aldeias, de taba (aldeia) e jara (senhor). Essa nação dominava o interior da província, especialmente a serra de Ibiapaba.

5 Oiticica – Árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura de sua sombra.

6 Gará – Ave paludal, muito conhecida pelo nome de guará. Também assim chamada pela bela cor vermelha.

Ará – Periquito.

8 Uru – Cestinho que servia de cofre às selvagens para guardar seus objetos de mais preço e estimação.

9 Crautá – Bromélia vulgar, de que se tiram fibras tão ou mais finas que as do linho.

10 Juçara – Palmeira de grandes espinhos.
Releia o 7o parágrafo:

    “A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.”

Com base em Koch & Elias (2011), as expressões destacadas no parágrafo formam
Alternativas
Q4190789 Português
Leia o texto para responder à questão.


      Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna1 e mais longos que seu talhe de palmeira.

    O favo da jati2 não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

     Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu3 , onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara4 . O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

   Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica5 , mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto.

    Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará6 as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

    A graciosa ará7 , sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru8 de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá9 , as agulhas da juçara10 com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.


(José de Alencar, Iracema. 2020)


Vocabulário:


1 Graúna – É o pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem de guira (pássaro) e una (abreviação de pixuna – preto).

2 Jati – Pequena abelha.

3 Ipu – Certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes coroas ou ilhas no meio dos tabuleiros e sertões. Daí se deriva o nome desse local.

4 Tabajaras – Senhores das aldeias, de taba (aldeia) e jara (senhor). Essa nação dominava o interior da província, especialmente a serra de Ibiapaba.

5 Oiticica – Árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura de sua sombra.

6 Gará – Ave paludal, muito conhecida pelo nome de guará. Também assim chamada pela bela cor vermelha.

Ará – Periquito.

8 Uru – Cestinho que servia de cofre às selvagens para guardar seus objetos de mais preço e estimação.

9 Crautá – Bromélia vulgar, de que se tiram fibras tão ou mais finas que as do linho.

10 Juçara – Palmeira de grandes espinhos.
Tendo como referência a teoria de Luiz Antônio Marcuschi (2008) e Koch & Elias (2011) sobre tipos textuais, conclui-se corretamente que o trecho apresentado da obra Iracema é predominantemente 
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Q4190787 Português
Leia o texto para responder à questão.


     A uma abordagem linear, que encara o trabalho sobre textos narrativos como propedêuticos para os textos informativos e argumentativos, opomos um procedimento que concebe a progressão das aprendizagens “em espiral”.


(Schneuwly e Dolz. 2004)
No contexto em que está empregado, o termo “propedêuticos” significa 
Alternativas
Q4190781 Português
Leia o texto para responder à questão.


O Brasil está envelhecendo, mas ainda não sabe onde vai morar


   O Brasil está envelhecendo – e rápido. Em poucas décadas, o País deixou de ser majoritariamente jovem para ingressar numa transição demográfica profunda, que redefine não apenas políticas públicas, mas também a forma como pensamos cidades, moradia e qualidade de vida. Segundo dados do IBGE, atualmente a população entre 60 e 69 anos representa cerca de 16% dos brasileiros (mais de 31 milhões de pessoas). As projeções são ainda mais contundentes: em 2060, o Brasil deverá somar 73,4 milhões de idosos, com crescimento acelerado sobretudo entre aqueles acima dos 90 anos.

    Esse novo desenho etário impõe desafios estruturais. Afinal, não se trata apenas de viver mais, mas de como viver melhor. O envelhecimento da população exige respostas que vão além da saúde e da previdência: passam necessariamente pela moradia. É nesse ponto que surge um debate ainda pouco amadurecido no Brasil, mas central no mundo desenvolvido: o da moradia pensada para o envelhecimento ativo.

    Isso porque envelhecer com dignidade não é apenas um conceito abstrato. É um direito. De um lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o direito à moradia digna como um direito humano fundamental e estabelece princípios específicos para as pessoas idosas, baseados em independência, participação social, cuidado, autorrealização e dignidade.

   De outro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça esse olhar por meio do programa Cidades Amigas do Idoso, que propõe lares e ambientes adaptados às necessidades físicas, sociais e emocionais da população idosa. Ou seja, a premissa é clara: envelhecer não deve significar isolamento, perda de autonomia ou exclusão da vida comunitária.


(Caio Calfat. Em: https://www.estadao.com.br/ opiniao/espaco-aberto/o-brasil-esta-envelhecendo-masainda-nao-sabe-onde-vai-morar/, 16.03.2026. Adaptado)
Considere as passagens:

•  O Brasil está envelhecendo – e rápido. (1o parágrafo)
•  Esse novo desenho etário impõe desafios estruturais. (2o parágrafo)

Com base em Nilce Sant’anna Martins (2008), identificam-se nas passagens, correta e respectivamente, as figuras de linguagem:
Alternativas
Q4190779 Português
Leia o texto para responder à questão.


O Brasil está envelhecendo, mas ainda não sabe onde vai morar


   O Brasil está envelhecendo – e rápido. Em poucas décadas, o País deixou de ser majoritariamente jovem para ingressar numa transição demográfica profunda, que redefine não apenas políticas públicas, mas também a forma como pensamos cidades, moradia e qualidade de vida. Segundo dados do IBGE, atualmente a população entre 60 e 69 anos representa cerca de 16% dos brasileiros (mais de 31 milhões de pessoas). As projeções são ainda mais contundentes: em 2060, o Brasil deverá somar 73,4 milhões de idosos, com crescimento acelerado sobretudo entre aqueles acima dos 90 anos.

    Esse novo desenho etário impõe desafios estruturais. Afinal, não se trata apenas de viver mais, mas de como viver melhor. O envelhecimento da população exige respostas que vão além da saúde e da previdência: passam necessariamente pela moradia. É nesse ponto que surge um debate ainda pouco amadurecido no Brasil, mas central no mundo desenvolvido: o da moradia pensada para o envelhecimento ativo.

    Isso porque envelhecer com dignidade não é apenas um conceito abstrato. É um direito. De um lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o direito à moradia digna como um direito humano fundamental e estabelece princípios específicos para as pessoas idosas, baseados em independência, participação social, cuidado, autorrealização e dignidade.

   De outro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça esse olhar por meio do programa Cidades Amigas do Idoso, que propõe lares e ambientes adaptados às necessidades físicas, sociais e emocionais da população idosa. Ou seja, a premissa é clara: envelhecer não deve significar isolamento, perda de autonomia ou exclusão da vida comunitária.


(Caio Calfat. Em: https://www.estadao.com.br/ opiniao/espaco-aberto/o-brasil-esta-envelhecendo-masainda-nao-sabe-onde-vai-morar/, 16.03.2026. Adaptado)
De acordo com Luiz Carlos Travaglia (em MARQUESI, Sueli Cristina; Pauliukonis, Aparecida Lino e ELIAS, Vanda Maria [orgs], 2017), “o conhecimento linguístico sobre argumentação se estende hoje a um grande número de tópicos”. Dentre esses tópicos, o autor refere-se aos argumentos, que, no texto, são exemplificados com:
Alternativas
Q4189423 Português
Leia o texto para responder à questão:


Após participar de um ciclo formativo a respeito da aprendizagem baseada em projetos (ABP), a professora Ana decidiu trabalhar a partir dessa abordagem com suas turmas de 7o ano do ensino fundamental ao tematizar o componente curricular relacionado ao corpo humano. Ela tem, agora, o desafio do pré-planejamento da ABP, desenhando a proposta que realizará com os estudantes na intenção de fomentar a alfabetização e o letramento científicos (AC/LC).
Ana tem refletido sobre os propósitos e justificativas de seu trabalho de AC/LC. Lendo o texto de Santos (2007), compreendeu que as definições e propostas de AC/LC são diversas e variam a partir do contexto social em que são pensadas, mas que convergem em dois grandes grupos de categorias.

Coerentemente ao que afirma o texto, Ana deve se atentar ao trabalho em dois domínios: um quanto 
Alternativas
Q4189218 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz


    Não é trivial analisar, ao menos a meus olhos míopes, a complexidade do mundo de hoje, e, menos ainda, ter claro como deveríamos lidar com o que há, e com o que o destino nos traz. Uma provocação interessante seria explorar eventuais conexões entre “fato” (aquilo que foi feito), “fado” (destino, aquilo que foi dito, postulado por alguma transcendência) e “fatalidade”, um acontecimento vivido como destino.


    Quando sentimos a serenidade abalada, vem à memória o torturado solilóquio* de Hamlet: o dilema entre sofrer passivamente as flechas da fortuna**, ou postar-se contra o mar de aflições. O célebre trecho não refletiria uma opção entre coragem e covardia, mas entre duas atitudes diante da fatalidade. Hamlet sabe que “o mar” não pode ser derrotado e hesita, não  porque teme agir, mas porque sabe que sua ação não resolverá o mundo. A pergunta dele talvez não seja “o que se deve  escolher?”, mas “como viver com o que não escolhemos?”.


    Para os estoicos, o destino não é capricho dos deuses, mas uma necessidade racional do cosmos. A ética consistiria em viver de acordo com a natureza, aceitar o que não depende de nós e agir virtuosamente no que depende. O estoico não se queixa, rejeita o ressentimento e mantém a dignidade sem ilusões; o mundo seria, no fundo, compreensível, e a serenidade, possível.


    Uma terceira via, que seguiria sem rebelar-se ao fado, nem tentar sua “domesticação” via razão, seria a adotada por  Nietzsche: o “amor fati”, literalmente “amor ao destino”, amor  ao mundo como é, sem buscar desculpas. Em Ecce Homo, ele afirma: “Minha receita para a grandeza do ser humano  (amor fati) é não querer nada diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, ou justificá-lo, mas amá-lo”. Assumir o destino como fato, e responder por ele, sem a resignação estoica, nem a hesitação hamletiana. Não se questiona se o mundo é justo, racional ou digno; pergunta-se apenas se somos capazes de afirmá-lo. Amor fati – amar o destino – seria a recusa radical ao álibi. Não cabe dizer “tudo acontece por alguma  razão”, mas sim afirmar “isto aconteceu – e eu o assumo”.  Amar o destino é tratar o fado como se fato fosse, não no sentido de tê-lo causado, mas em responder por ele.


    Amenizando, haveria talvez ainda outra resposta, bem menos rebuscada e muito mais conhecida, que veio de um conjunto musical nos anos 70. Ela nos tranquiliza lembrando-nos que, quando estamos em tempos de tribulação, “… a mãe Maria vem a mim e me diz, com palavras de  sabedoria, ‘deixa estar’”… Let it be!


(Demi Getschko, “As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz”,  O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/ economia/demi-getschko/as-dificuldades-para-lidar-com- o-que-o-destino-nos-traz/. Adaptado)


*Solilóquio: monólogo.


**Fortuna: destino, fado.

Considere as passagens a seguir:


•  “… ter claro como deveríamos lidar com o que há…” (1o parágrafo)


•  “A ética consistiria em viver de acordo com a natureza,  aceitar o que não depende de nós…” (3o parágrafo)


•   “ Assumir o destino como fato, e responder por ele…” (4o parágrafo)



De acordo com a norma-padrão de regência e com o sentido original do texto, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:

Alternativas
Q4188143 Português
Leia o poema a seguir para responder à questão:


Atávica


Minha mãe me dava o peito e eu escutava,

o ouvido colado à fonte dos seus suspiros:

“Ó meu Deus, meu Jesus, misericórdia.”

Comia leite e culpa de estar alegre quando fico.

Se ficasse na roça ia ser carpideira, puxadeira de terço,

cantadeira, o que na vida é beleza sem esfuziamentos,

as tristezas maravilhosas.

Mas eu vim pra cidade fazer versos tão tristes

que dão gosto, meu Jesus misericórdia.

Por prazer da tristeza eu vivo alegre.


(Adélia Prado, Reunião de poesia)
O poema é marcado por combinações de palavras caracterizadas por
Alternativas
Q4188142 Português
Leia o poema a seguir para responder à questão:


Atávica


Minha mãe me dava o peito e eu escutava,

o ouvido colado à fonte dos seus suspiros:

“Ó meu Deus, meu Jesus, misericórdia.”

Comia leite e culpa de estar alegre quando fico.

Se ficasse na roça ia ser carpideira, puxadeira de terço,

cantadeira, o que na vida é beleza sem esfuziamentos,

as tristezas maravilhosas.

Mas eu vim pra cidade fazer versos tão tristes

que dão gosto, meu Jesus misericórdia.

Por prazer da tristeza eu vivo alegre.


(Adélia Prado, Reunião de poesia)
Os elementos textuais do poema permitem deduzir que o eu lírico exprime
Alternativas
Q4188138 Português
Para responder à questão, leia o texto do imperador Marco Aurélio (121 – 180 d.C.) a seguir:


    O próprio Hipócrates, que curou muitas doenças, caiu doente e morreu. Os caldeus* previram as mortes de multidões e, ao final, o destino também ceifou suas vidas. Alexandre Pompeu e Caio César, que destruíram muitas cidades e tiraram a vida de milhares de soldados de cavalaria e infantaria no campo de batalha, também um dia deixaram esta vida. Heráclito, que muito especulou sobre a conflagração do mundo, morreu engolido pela água e coberto de estrume de gado. Demócrito foi destruído por vermes; Sócrates foi morto por outro tipo de verme. Por que tudo isso?

    Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo. A alma é, pois, inteligência e divindade, mas o corpo, pó e corrupção.

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)


*Caldeus: habitantes da Caldeia, país na antiga Mesopotâmia.
No trecho “Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo” (2° parágrafo), as frases com verbo no imperativo, interpelando o leitor, caracterizam estilisticamente a função
Alternativas
Q4188137 Português
Para responder à questão, leia o texto do imperador Marco Aurélio (121 – 180 d.C.) a seguir:


    O próprio Hipócrates, que curou muitas doenças, caiu doente e morreu. Os caldeus* previram as mortes de multidões e, ao final, o destino também ceifou suas vidas. Alexandre Pompeu e Caio César, que destruíram muitas cidades e tiraram a vida de milhares de soldados de cavalaria e infantaria no campo de batalha, também um dia deixaram esta vida. Heráclito, que muito especulou sobre a conflagração do mundo, morreu engolido pela água e coberto de estrume de gado. Demócrito foi destruído por vermes; Sócrates foi morto por outro tipo de verme. Por que tudo isso?

    Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo. A alma é, pois, inteligência e divindade, mas o corpo, pó e corrupção.

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)


*Caldeus: habitantes da Caldeia, país na antiga Mesopotâmia.
Sem que haja prejuízo ao sentido original e de acordo com a norma-padrão, no trecho “… se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo.” (2° parágrafo), as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
Alternativas
Respostas
1: B
2: B
3: D
4: A
5: E
6: D
7: E
8: E
9: D
10: A
11: C
12: C
13: C
14: D
15: E
16: D
17: B
18: D
19: C
20: A