Questões de Vestibular Sobre português
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Leia o trecho abaixo, retirado da crônica “de volta ao campus”, de José Falero. Considere-o no contexto do livro Mas em que mundo tu vive?.
Quando o galpão finalmente ficou pronto, eu dei graças a Deus. Creia-me, leitor: não existe ambiente mais hostil para um pé-rapado do que um ambiente acadêmico. É impossível ficar à vontade. Nada ao redor traz sensação de conforto, nada ao redor lembra minimamente as vielas e os barracos que estamos acostumados a ver à nossa volta, ninguém ao redor nos desperta a mínima sensação de identificação ou nos inspira empatia, é todo mundo pálido demais, é todo mundo civilizado demais, é todo mundo bem-vestido demais, é todo mundo sem ginga, é todo mundo sem suingue, é todo mundo tão diferente de nós, e em tantos sentidos! Eu dei graças a Deus quando o galpão finalmente ficou pronto e eu soube que não precisaria mais ir comprar refrigerante no meio dos universitários. Fiz uma promessa boba para mim mesmo naquele dia: quando eu voltasse àquele ambiente, seria como estudante de letras. Jurei para mim mesmo, tendo como testemunha o matagal que circunda aqueles prédios: em nenhuma circunstância eu voltaria ali, exceto como estudante de letras. Ou bem eu voltava como estudante de letras, ou bem não voltava jamais.
Considere as afirmações abaixo, sobre o segmento.
I - O narrador indica que voltou à universidade como estudante de Letras depois de pronto o galpão.
II - O narrador dialoga diretamente com o leitor – um procedimento típico desta e de outras crônicas do livro.
III - O ponto de vista periférico caracteriza o olhar lançado pelo narrador sobre os acadêmicos que circulam no campus da universidade.
Quais estão corretas?
Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado do capítulo 40, de Niketche, de Paulina Chiziane.
— Diz-me, Tony para quê enganar mulheres e deixá-las com filhos nos braços? O querias tu com elas?
— Nada de sério, confesso. Orgulho, simples orgulho. Ter uma mulher aqui, um filho acolá, dá vaidade a qualquer macho. Não sou o único. Muitos homens fazem isso.
Ele mergulha as mãos no meu peito e me destrói o coração como quem arranca uma planta do chão. Sinto uma dor imensa, ele mata-me, eu morro, quantas vezes me matam por dia, neste lar, eu, que sou a primeira esposa?
— Não me culpes, Rami. Não fui eu quem inventou o mundo e as suas tradições. Muito antes de eu nascer os homens já eram assim.
Como ele tem razão, meu Deus! Esta situação nasce do ventre do passado e desde sempre que as mulheres são peixe na banca do mercado: um quilo deste, dois quilos daquele, fico com este, largo aquele, gosto deste, agora pego, agora pago, agora uso, agora asso, agora como.
— A ideia de juntar essas mulheres foi tua, Rami. Surpreendeste-me. Superaste-me. Conduziste todo esse rebanho com uma mestria incrível. Eu só iria usar e largar sem pensar sequer nas consequências. De vendedeiras de rua conseguiste transformá-las em empresárias.
— Meu Tony cansaste-te de mim e amaste a elas. Cansaste-te delas e agora voltas para mim. Daqui a pouco te cansas de mim outra vez. Não acredito em ti.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra Niketche.
( ) Tony, depois do doloroso aprendizado, mostra-se arrependido e assume a responsabilidade por tudo que ocorreu.
( ) Rami, quando diz que as mulheres são peixes, percebe que elas são como mercadorias a serem compradas, eventualmente largadas e usadas ao bel-prazer do cliente.
( ) Rami, de fato, organizou um sistema poligâmico com ela e as demais amantes. ( ) Rami não acredita nas declarações de Tony, movidas pela perda de poder sobre as mulheres.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre algumas canções de Lupicínio Rodrigues.
( ) “Vingança” expressa a dor e o ressentimento decorrentes do término de uma relação amorosa, em que o eu lírico sugere ter sido traído pela mulher amada e, em um tom de desabafo e de amargura, revela o desejo de vingança.
( ) “Se acaso você chegasse” apresenta uma situação de traição, cantada em primeira pessoa, em que o eu lírico se dirige à pessoa traída, exigindo que não se aproxime mais dele e da mulher causadora da discórdia entre os ex-amigos. ( ) “Nervos de aço” apresenta o eu lírico que se dirige a um “meu senhor”, revelando-lhe que tem um amor, mas que a mulher amada já pertence a outro homem e, conformado com essa situação, ele abençoa o enlace do casal.
( ) “Castigo” apresenta referência às plantas que permanecem eretas até o fim e indica a tentativa da mulher, que outrora preteriu o eu lírico, de manter a dignidade, mesmo diante do declínio inevitável.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados, respectivamente, da canção “Identidade”, de Jorge Aragão, e da obra O avesso da pele, de Jeferson Tenório, considerando, também, a leitura integral desse livro.
Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai
Quem cede a vez não quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história
Se preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade
Vocês estavam juntos desafiando a sociedade hipócrita. Quando você entrava sozinho numa loja e recebia um tratamento frio e desconfiado por ser negro, se dava conta de que, quando Juliana estrava e te beijava, os vendedores te tratavam melhor. Uma mulher branca com um negro, ele deve ser um bom homem. E por algum tempo você começou a gostar disso também. A presença de Juliana te dava uma espécie de salvo-conduto em certos ambientes. Porque, quando você estava com ela, você não era qualquer negro diante dos outros. Você era especial.
A partir da leitura dos excertos, considere as seguintes afirmações.
I - Na canção, o preconceito racial é percebido na proibição do uso do elevador social por pessoas negras, que devem usar o de serviço, e a dignidade preta é alcançada ao se aproximar dos valores dos brancos, uma visão crítica que distancia pessoas negras de sua identidade.
II - No fragmento da obra, o estigma sofrido pela população preta, representada pelo pai do narrador, é suavizado quando ele é reconhecido por estar acompanhado de uma pessoa branca, fato que, em determinadas situações, conferia-lhe segurança e algum tipo de privilégio.
III - No fragmento da obra, Pedro, em um fluxo de consciência, revela ao leitor como se sentiu constrangido em uma situação específica de racismo, e o texto grafado em itálico representa a fala dos vendedores da loja.
Quais estão corretas?
No bloco superior abaixo, estão listados os títulos dos livros de Jeferson Tenório, de José Falero e de Ruth Guimarães; no inferior, trechos de alguns desses livros. Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 – O avesso da pele
2 – Mas em que mundo tu vive?
3 – Água funda
( ) Há cadernos e papéis, Há pastas com provas e redações dos seus alunos. Teu caos me comove. Olho para tudo isso e percebo que serão esses objetos que vão me ajudar a narrar o que você era antes de partir. Os mesmos utensílios que te derrotavam e que agora me contam sobre você. Os objetos serão o teu fantasma a me visitar.
( ) O que Sinhá devia fazer era chamar Sinhazinha e falar direto com ela. Isso, caso tivesse alguma razão para não consentir no casamento, melhor do que por ser o moço filho do capataz. Devia fazer. Mas fez? Que esperança! Sinhá tinha queixo duro que nem mula velha. De qualquer jeito, não adiantava, porque ninguém ia passar, em seu lugar, o que lhe estava destinado.
( ) Choro de gente enganada, gente de boafé, que caiu no logro, chama atraso. O que a água deu, a água leva. Não pode ser que não lhe tenha acontecido nada. O inferno é aqui mesmo, moço. Quem faz a Deus, paga ao Diabo. Quem rouba, é roubado. Quem fica devendo, sofre calote do outro. Ninguém faça que não pague. ( ) O Bruno foi meu colega por dois anos no Rio de Janeiro. Não o estado do Rio de Janeiro nem a cidade do Rio de Janeiro, claro: me refiro ao colégio que fica aqui em Porto Alegre mesmo, na Lima e Silva. É que morei um tempo na Cidade Baixa antes de o meu pai morrer. Não foi tanto tempo assim, mas foi o tempo suficiente para me matricular no Rio de Janeiro (...).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados, respectivamente, da canção “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque, e da peça Lisístrata, de Aristófanes, considerando, também, a leitura integral da peça de teatro.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
LISÍSTRATA – Aí está nossa dificuldade. Mas nosso dever é esse. Se resistirmos eles não resistirão. E teremos a paz.
LAMPITO – Dizem que isso aconteceu a Menelau. Quando viu os seios de Helena percebeu que tinha que escolher entre duas espadas. Largou a guerra e empunhou a da paz.
CLEONICE – Uma última hipótese. Se nos pegarem à força? LISÍSTRATA – Segurem-se nas portas, garrem-se nas camas, encolham o corpo em posição fetal.
CLEONICE – E se nos baterem?
LISÍSTRATA – Cedam então, mas não se mexam, não colaborem, sejam cadáveres frios diante da potência e da prepotência até a pospotência. Eles têm pouco prazer quando sentem que não correspondemos. Sobretudo se nossas mãos permanecerem inertes, eles logo se cansarão a brincadeira. No amor as mãos são preciosas.
A partir da leitura dos excertos, considere as seguintes afirmações.
I - No excerto da canção, a mulher é tida como propriedade, existindo, sobretudo, à satisfação dos desejos do homem, cuja realização sexual é percebida somente a partir do lado masculino, que pouco se empenha em satisfazer os desejos e os impulsos femininos.
II - No fragmento da peça teatral, a mulher problematiza o fato de não se submeter aos caprichos sexuais do marido e sofre com a violência física do homem sobre ela, prática socialmente comum à época em que ocorre a proposição da greve de sexo.
III- Nos dois trechos, embora escritos em épocas bastante distintas e com contextos históricos igualmente próprios, a submissão feminina é latente, principalmente no caso de Lisístrata, porque as decisões políticas e sociais estavam a cargo dos homens.
Quais estão corretas?
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Considere a passagem entre as linhas 27 e 32 e as possibilidades de paráfrase.
I - Há perguntas mais diretamente ligadas – ao lado dessas questões políticas preocupantes – ao que a diversidade linguística pode mostrar, tanto sobre a nossa capacidade para adquirir e operar com línguas, quanto sobre as demais faculdades intelecutais humanas.
II - Tanto sobre a nossa capacidade para adquirir e operar com línguas, quanto sobre as demais faculdades intelecutais humanas, há preocupantes questões políticas ligadas mais diretamente ao que a diversidade linguística pode mostrar.
III- Ao lado dessas preocupantes questões políticas, seja sobre a nossa capacidade para adquirir e operar com línguas, seja sobre as demais faculdades há perguntas, mais diretamente ligadas ao que a diversidade linguística pode mostrar.
Quais dessas sugestões poderiam ser efetuadas sem alterar o sentido original da frase, mantendo a correção gramatical?
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Considere as seguintes afirmações sobre palavras e expressões do texto.
I - A palavra hecatombe (l. 19) expressa a ideia de “catástrofe”.
II - A expressão uma janela (l. 41) funciona como uma metáfora para a ideia de “abertura”.
III - A expressão essa dificuldade (l. 56) estabelece uma relação coesiva referencial com a expressão não é nada fácil responder essa questão (l. 54-55).
Quais estão corretas?
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Considere as seguintes sugestões de alterações na pontuação do texto.
I - Inserção de vírgulas depois de línguas (l. 08) e depois de existem (l. 09).
II - Supressão da vírgula na linha 20.
III- Substituição da vírgula na linha 56 por dois-pontos.
Quais sugestões poderiam ser efetuadas sem alterar o sentido original da frase, mantendo a correção gramatical?
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Considere as seguintes afirmações sobre palavras e expressões do texto.
I - No texto, há um predomínio do uso do pretérito imperfeito. Por meio desse predomínio, o narrador assinala modos de agir rotineiros do personagem Rodrigo para caracterizá-lo ao leitor.
II - No texto, os usos do presente, nos murmúrios de Rodrigo Cambará, atualizados nos verbos Preciso (l. 39), tenho (l. 45) e quero (l. 46) revelam o “agora” em que o personagem falava consigo mesmo.
III - No texto, a relação entre a expressão Um dia (l. 37) e o verbo contemplou (l. 38) apresenta o sentido de ação pontual na narrativa, semelhante ao sentido expresso pela relação entre Às vezes (l. 55) e perguntava-se (l. 55).
Quais estão corretas?
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir.
( ) A expressão apanhava no ar as coisas que outros diziam (l. 18-19) expressa a ideia de que o personagem Rodrigo apreendia algo de maneira rápida nas conversas.
( ) A expressão “cultura de oitiva” (l. 24-25) carrega a ideia de que o correto é ouvir pelo menos oito vezes sobre um tema para tirar conclusões.
( ) A expressão um tênue verniz de ilustração (l. 29) evoca a ideia de que escritores, artistas e políticos brasileiros procuravam aparentar um saber cultural.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


No bloco superior abaixo, estão indicadas classes gramaticais; no inferior, partículas que retiradas do texto.
Associe corretamente o bloco inferior ao superior.
1. Pronome relativo.
2. Conjunção integrante.
3. Pronome interrogativo.
( ) que (l. 18).
( ) que (l. 22).
( ) que (l. 24).
( ) que (l. 32).
( ) que (l. 42).
( ) que (l. 50).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir.
( ) A oração quem não considerasse um privilégio (l. 06) está elíptica antes da forma verbal provar (l. 09).
( ) O pronome você pode ser subentendido antes de Já (l. 12).
( ) O sujeito elíptico da locução verbal tivesse penetrado (l. 17) é Rodrigo (l. 13).
( ) O sujeito elíptico da forma verbal afirmava (l. 28) é Rodrigo (l. 24).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.


Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.

