Questões de Vestibular Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Conhecimentos Específicos e Redação - Grupo II |
Q3407682 Português
Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

— Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

— Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

— Agora não posso.

— Não pode por quê?

— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

— Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

— Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

(Ciranda de pedra, 2009.)
No romance, a personagem Luciana é
Alternativas
Q3407286 Português
Considere o texto “Serial lover”, escrito por Carpinejar, para responder à questão.

    Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual.
    É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro. É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais.
    É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito.
Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças.
    É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas.
    Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos. Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir.
    Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script.
    É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem.
  Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários.     Experimenta locações contaminadas por juras velhas.
   Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios.
    Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória.
    Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis.
   Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga.
    O que vive está longe de ser amor, é obsessão.
(Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.)
Em “porém a consciência não é boba e um dia se vinga” (13º parágrafo), o autor recorre, sobretudo,
Alternativas
Q3407281 Português
Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.

    Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.
    — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora. Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.
    — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!
    — Agora não posso.
    — Não pode por quê?
    — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.
   Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.
    — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?
   Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:
    — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.
(Ciranda de pedra, 2009.)
No trecho “— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente” (7º parágrafo), a palavra “evasivamente” indica que a resposta foi
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406313 Português
    A região Amazônica reúne desafios complexos, tanto relacionados à infraestrutura quanto ao seu acesso pela população local. Não só questões de saneamento, transporte e desenvolvimento social, como também desafios relacionados às questões tecnológicas como o acesso à internet com qualidade. Para muitos especialistas, somente a atribuição de valor econômico à floresta em pé permitirá a ela competir com outros usos que pressupõem sua derrubada ou degradação, e somente a Ciência, a Tecnologia e a Inovação poderão mostrar o caminho de como utilizar o patrimônio natural sem destruí-lo.
(Academia Brasileira de Ciências. Amazônia: desafio brasileiro do século XXI, 2008. Adaptado.)
Uma estratégia que vem sendo adotada no estado do Amazonas para superar esses desafios ocorre por meio de iniciativas __________________, que alinha os conhecimentos das comunidades tradicionais à valorização econômica da floresta, e cria novas oportunidades de negócio fundamentadas no princípio _________________.
As lacunas do texto são preenchidas, respectivamente, por:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406300 Português
    À medida que as mudanças tecnológicas progridem de uma forma cada vez mais rápida, produzindo novas formas de risco, somos obrigados a ajustar-nos e a responder constantemente a essas mudanças. A sociedade de risco não se limita apenas aos riscos ambientais e de saúde — inclui toda uma série de mudanças na vida social contemporânea: transformações nos padrões de emprego, um nível cada vez maior de insegurança laboral, influência decrescente da tradição e dos hábitos enraizados na identidade pessoal, erosão dos padrões familiares tradicionais, e democratização dos relacionamentos pessoais. Uma vez que o nosso futuro pessoal é hoje em dia muito menos previsível em relação ao que se passava nas sociedades tradicionais, todo o tipo de decisões implica riscos para os indivíduos. (Anthony Giddens. Sociologia, 2008. Adaptado.)
A sociedade de risco descrita no excerto possui caráter
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406296 Português
    A propaganda do movimento totalitário serve também para libertar o pensamento da experiência e da realidade; procura sempre injetar um significado secreto em cada evento público tangível e farejar intenções secretas atrás de cada ato político público. Quando chegam ao poder, os movimentos passam a alterar a realidade segundo as suas afirmações ideológicas. O conceito de inimizade é substituído pelo conceito de conspiração, e isso produz uma mentalidade na qual já não se experimenta e se compreende a realidade em seus próprios termos — a verdadeira inimizade ou a verdadeira amizade — mas automaticamente se presume que ela significa outra coisa. (Hannah Arendt. Origens do totalitarismo, 2012.)
De acordo com o excerto, o movimento totalitário utiliza a propaganda para
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406288 Português
Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

    Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
    A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
(Capitães da areia, 2008.)

1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
Na frase “E acima de tudo não queria que o pegassem” (1º parágrafo), a expressão sublinhada indica que a ação pretendida pelo personagem é
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406287 Português
Leia o trecho do romance Capitães da areia, de Jorge Amado, para responder à questão.

    Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
    A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
(Capitães da areia, 2008.)

1picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega.
Esse conhecido episódio, que culmina no ato extremo de Sem-Pernas, faz referências ao episódio
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406285 Português
Leia o texto de Debora Pazetto Ferreira para responder à questão.

Danto1 introduz o problema da interpretação de obras de arte propondo, como de costume, um experimento mental: imaginar duas obras de arte que sejam sensorialmente indiscerníveis, mas que foram produzidas em épocas e lugares diferentes. Esse experimento tem o objetivo de mostrar que, embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes. Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana2 de que nem tudo é possível em qualquer época, ou seja, os significados artísticos são condicionados pelo seu contexto histórico. Desse modo, o problema da interpretação está inserido no cerne da definição de arte.
(Revista Kriterion, 2018. Adaptado.)

1Arthur Danto (1924-2013): filósofo e crítico de arte estadunidense.

2Heinrich Wölfflin (1864-1945): filósofo e crítico de arte suíço.
“Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana de que nem tudo é possível em qualquer época”
Mantendo o sentido original e a correção gramatical, a palavra sublinhada pode ser substituída por:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406284 Português
Leia o texto de Debora Pazetto Ferreira para responder à questão.

Danto1 introduz o problema da interpretação de obras de arte propondo, como de costume, um experimento mental: imaginar duas obras de arte que sejam sensorialmente indiscerníveis, mas que foram produzidas em épocas e lugares diferentes. Esse experimento tem o objetivo de mostrar que, embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes. Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana2 de que nem tudo é possível em qualquer época, ou seja, os significados artísticos são condicionados pelo seu contexto histórico. Desse modo, o problema da interpretação está inserido no cerne da definição de arte.
(Revista Kriterion, 2018. Adaptado.)

1Arthur Danto (1924-2013): filósofo e crítico de arte estadunidense.

2Heinrich Wölfflin (1864-1945): filósofo e crítico de arte suíço.
“embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes.”
Ao falar dos objetos e seus significados, a autora estabelece uma oposição entre
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406283 Português
Leia o texto de Debora Pazetto Ferreira para responder à questão.

Danto1 introduz o problema da interpretação de obras de arte propondo, como de costume, um experimento mental: imaginar duas obras de arte que sejam sensorialmente indiscerníveis, mas que foram produzidas em épocas e lugares diferentes. Esse experimento tem o objetivo de mostrar que, embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes. Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana2 de que nem tudo é possível em qualquer época, ou seja, os significados artísticos são condicionados pelo seu contexto histórico. Desse modo, o problema da interpretação está inserido no cerne da definição de arte.
(Revista Kriterion, 2018. Adaptado.)

1Arthur Danto (1924-2013): filósofo e crítico de arte estadunidense.

2Heinrich Wölfflin (1864-1945): filósofo e crítico de arte suíço.
Segundo o texto, o experimento proposto por Danto serviria para mostrar que o significado de um objeto de arte depende
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q3406282 Português
Considere o quadrinho publicado no perfil @alma_de_plastico do Instagram.
Imagem associada para resolução da questão
Depreende-se da resposta do gato que, em sua opinião, o sentimento expresso pela moça é
Alternativas
Ano: 2024 Banca: ACAFE Órgão: ACAFE Prova: ACAFE - 2024 - ACAFE - Vestibular - Verão - Medicina |
Q3389970 Português
Considere a reflexão de Conceição Evaristo no início de sua obra Insubmissas lágrimas de mulheres no Texto 3.

Texto 3
        “Gosto de ouvir, mas não sei se sou a hábil conselheira. Ouço muito. Da voz outra, faço a minha, as histórias também. E no quase gozo da escuta, seco os olhos. Não os meus, mas de quem conta. E, quando de mim uma lágrima se faz mais rápida do que o gesto de minha mão a correr sobre o meu próprio rosto, deixo o choro viver. E, depois, confesso a quem me conta, que emocionada estou por uma história que nunca ouvi e nunca imaginei para nenhuma personagem encarnar. Portanto estas histórias não são totalmente minhas, mas quase que me pertencem, na medida em que, às vezes, se (con)fundem com as minhas.”
        EVARISTO, Conceição. Insubmissas lágrimas de mulheres. Rio de Janeiro: Malê, 2020.

Em relação ao texto 3, analise as afirmativas que se apresentam sobre o conceito de escrevivência.

I. A escrevivência não separa a escrita da vida. Para Evaristo, a palavra escrita é uma extensão das vivências da autora e de sua comunidade, trazendo à tona as dores, alegrias, opressões e resistências do cotidiano.
II. A escrevivência está fortemente conectada com a memória e a ancestralidade. Conceição Evaristo resgata histórias que foram apagadas ou silenciadas, dando voz a narrativas que carregam a força das tradições e das experiências vividas por gerações de mulheres negras.
III.As histórias de Evaristo partem de experiências individuais, de mulheres negras. A escrevivência reafirma a subjetividade e a individualidade do "eu" narrador que se destaca do grupo marginalizado e historicamente silenciado.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: ACAFE Órgão: ACAFE Prova: ACAFE - 2024 - ACAFE - Vestibular - Verão - Medicina |
Q3389969 Português
Leia o fragmento do texto extraído do livro de memórias O exercício da incerteza de Drauzio Varella.

Texto 2
        “A arte da medicina é abstrata, não obedece aos critérios daquela exibida nas obras-primas da pintura e das artes plásticas.         [...] Em que texto didático a interferência da dúvida no relacionamento afetivo será apresentada como em Dom Casmurro, de Machado de Assis? Quem pretende estudar os efeitos disruptivos das paixões humanas vai encontrar mais densidade nas obras-primas da literatura ou nos tratados de psiquiatria?”
VARELLA, Drauzio. A ciência e a arte. In: O exercício da incerteza. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

Em relação ao Texto 2, analise as afirmativas.

I. A medicina, por sua natureza técnica, não consegue abordar adequadamente as emoções e os dilemas humanos como a literatura consegue.
II. A medicina deveria abandonar o rigor científico e adotar a subjetividade da arte para entender melhor o ser humano.
III. A arte da medicina se destaca por sua capacidade de utilizar a precisão científica para compreender as dores e aflições humanas.
IV. A arte da medicina é abstrata e lida com incertezas, diferentemente das artes plásticas, que seguem regras bem definidas.

É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 1 - Dia 2 |
Q3386665 Português

TEXTO I



A primeira referência a quilombo que surge em documento oficial português data de 1559, mas somente em 1740 (...) as autoridades portuguesas definem, ao seu modo, o que significa quilombo: “toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte desprovida, ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles”.


Disponível em: https://tinyurl.com/bsj4s9y9 Acesso em: 18/06/2024



TEXTO II



“Quilombismo não significa escravo fugido. Quilombo quer dizer reunião fraterna e livre, solidariedade, convivência, comunhão existencial”. “(...) “o quilombismo é um movimento político dos negros brasileiros”.


Disponível em: https://kn.org.br/oq/2019/02/14/um-pouco-dehistoria-o-quilombismo/ Acesso em: 18/06/24.

Após a leitura, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 1 - Dia 2 |
Q3386652 Português
TEXTO V


Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo


Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregues aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. 

Fonte: EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza, 2003, p. 33.

A Escritora Conceição Evaristo compreende que, em seus poemas e em suas narrativas, as vozes e experiências da população negra brasileira e, principalmente, das mulheres negras, são evocadas, configurando um conceito de escrita que ela nomeara de “Escrevivências”, que diz respeito `a escrita das “vivências” e “experiências” de pessoas negras. A partir dessa informação, e considerando o trecho do romance ”Ponciá Vicêncio”(Texto V), focado na vida da personagem negra homônima ao título, assinale a alternativa correta:
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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 1 - Dia 2 |
Q3386651 Português
TEXTO IV


O Canto dos Escravizados
Paulina Chiziane


Acorrentado vim, cruzando o mar
Atormentado fui no negrume do porão
Aqui estou na América
Chorando de dor, ó mãe África!


Escravizado sou, como animal
Comprado fui por quem só me fez mal
Aqui estou na América
Chorando de dor, ó mãe África!


Estou lutando para me libertar
E bem depressa regressar ao lar
Aqui estou na América
Chorando de dor, ó mãe Africa

Fonte: CHIZIANE, Paulina. O canto dos escravizados. Belo Horizonte: Nandyala, 2018, p. 29.

No poema da moçambicana Paulina Chiziane, é possível observar a seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 1 - Dia 2 |
Q3386650 Português
TEXTO II


As Caravanas
Chico Buarque de Hollanda


E um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
Um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá, o comboio da Penha
Não há barreira que retenha esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá
É o bicho, é o buchicho, é a charanga


(...)


Com negros torsos nus deixam em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné


Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão


E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar


Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará
Não há, não há


Fonte: HOLLANDA, Chico Buarque de. AS CARAVANAS. In: CARAVANAS. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2017. CD, (2:47).



TEXTO III


Luísa Mahin
Jarid Arraes


No século 19
Luísa Mahin nasceu
Com origem africana
Sua história aconteceu
E com incessante gana
Seu nome prevaleceu.


Vinda da Costa da Mina
Afirmava ser princesa
Mas vendida como escrava
Teve na luta a certeza
Depois de alforriada
Demonstrou sua proeza.


Viveu como quituteira
E morou em Salvador
Usou com inteligência
Seus talentos de sabor
Pois usava o tabuleiro
De mensagens portador.
(...)
Importante mencionar
Que foi mãe de Luís Gama
Poeta e abolicionista
De imensurável chama
E por ele foi citada
Respeitando sua fama.
(...)
O pai branco de Luís
O vendeu quando criança
Separando de sua mãe
Na racista podre herança
De ser branco dominante
Indigno de confiança.


Mas Luísa era guerreira
A rebelde sem igual
Fez ainda de sua casa
Como um quartel general
Onde eram planejadas
As revoltas sem igual.


Apesar de tudo isso
E de tudo que lutou
Essa mulher imponente
Muito se silenciou
Pois ainda não se conta
Tudo que realizou.


Mas apenas sua memória
E forte o suficiente
Pra mexer na estrutura
Dessa gente incoerente
Que não fala a verdade
Sobre o negro insurgente. (...)


Fonte: ARRAES, Jarid. Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis. São Paulo: Pólen, 2017.



O poema de Jarid Arraes conta um pouco da história de Luísa Mahin, uma princesa oriunda do Golfo da Guiné, na África Ocidental. Ela foi capturada no continente africano e, tendo sido escravizada, enviada ao Brasil. Posteriormente alforriada, integrou o grupo da Insurreiçãoo dos Malês, formado, principalmente, por africanos e afrodescendentes de religião islâmica. A luta dos Malês em prol da abolição da escravatura foi importante para as lutas que vieram depois, mas a insurreição não foi vitoriosa naquele momento da história (1835). O fim da escravatura no Brasil ocorreu, legalmente, apenas em 1888.

A partir dessa informação, tendo como base o poema de Jarid Arraes e a canção de Chico Buarque (Texto II), marque a opção cujos versos, de ambos os textos, melhor indiquem a representação da expressão do racismo na sociedade brasileira:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 1 - Dia 2 |
Q3386649 Português
TEXTO I


(...)


‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...


Donde vem? Onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.


Bem feliz quem ali pode nest’hora
Sentir deste painel a majestade!...
Embaixo – o mar... em cima – o firmamento...
E no mar e no céu – a imensidade!


Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que mésica suave ao longe soa!
Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!


(...)


Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...


Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs! (...)


Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri! (...)


Fonte: ALVES, Castro. “O navio negreiro”. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download /texto/bv000068.pdf. Acesso em: 17 jun. 2024.


GLOSSÁRIO:
Tombadilho: Parte do navio.
Luzerna: Conjunto de luzes. 



TEXTO II


As Caravanas
Chico Buarque de Hollanda


E um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turquesa à la Istambul enchendo os olhos
Um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará, do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá, o comboio da Penha
Não há barreira que retenha esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá
É o bicho, é o buchicho, é a charanga


(...)


Com negros torsos nus deixam em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné


Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão


E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar


Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará
Não há, não há


Fonte: HOLLANDA, Chico Buarque de. AS CARAVANAS. In: CARAVANAS. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2017. CD, (2:47).
Em relação ao Texto I, de Castro Alves, e a canção de Chico Buarque, texto II, marque a única alternativa que não se adequa a uma interpretação pertinente.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 1 - Dia 2 |
Q3386648 Português
TEXTO I


(...)


‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...


Donde vem? Onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.


Bem feliz quem ali pode nest’hora
Sentir deste painel a majestade!...
Embaixo – o mar... em cima – o firmamento...
E no mar e no céu – a imensidade!


Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que mésica suave ao longe soa!
Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!


(...)


Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...


Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs! (...)


Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri! (...)


Fonte: ALVES, Castro. “O navio negreiro”. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download /texto/bv000068.pdf. Acesso em: 17 jun. 2024.


GLOSSÁRIO:
Tombadilho: Parte do navio.
Luzerna: Conjunto de luzes. 
O fragmento ao lado (Texto I) apresenta dois importantes momentos em relação ao estado de espírito do sujeito poético. Sobre isso, considerando o que ele observa e o que demonstra sentir, leia atentamente as sentenças abaixo e marque a alternativa que melhor indique esse estado psicológico:
Alternativas
Respostas
161: C
162: D
163: D
164: A
165: E
166: B
167: B
168: C
169: E
170: A
171: C
172: D
173: B
174: A
175: D
176: E
177: B
178: B
179: E
180: B