Em “para apagar as potenciais marcas na língua, gestualidade...
Gabarito comentado
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Tema da questão: interpretação textual com foco em operadores discursivos e efeito de sentido da locução “até mesmo”.
Estratégia para resolver: ao ler enunciados que pedem o “emprego” de uma expressão, identifique-a como marcador discursivo. Palavras como “até”, “até mesmo”, “inclusive” costumam
— adicionar um item ao final de uma enumeração;
— intensificar o argumento, por incluir um elemento menos esperado ou mais sensível.
Logo, o efeito de “até mesmo” geralmente é de ênfase, não de oposição nem de consequência.
Referência normativa:
— Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) classifica “até” como advérbio/operador de inclusão, com valor intensificador, frequentemente ocorrendo em locuções como “até mesmo”.
— Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo) apontam “até”, “mesmo”, “inclusive” como partículas de realce e inclusão, que reforçam o escopo semântico do enunciado.
— Ortografia (VOLP/ABL): “até” (com acento agudo), “étnico-racial” (com hífen, conforme o Acordo Ortográfico), “gestualidade”, “espiritualidade” — grafias corretas.
Leitura guiada do trecho: há uma enumeração — “marcas na língua, gestualidade e até mesmo do cultivo da espiritualidade”. O acréscimo final com “até mesmo” expande e intensifica a lista, indicando que a tentativa de apagamento alcança inclusive as marcas decorrentes do cultivo da espiritualidade, um aspecto especialmente sensível da identidade.
Alternativa correta: D
Justificativa: a locução “até mesmo” tem valor aditivo-intensificador. No contexto, ela enfatiza que o esforço de “apagar marcas do pertencimento indígena” se estende inclusive às marcas do cultivo da espiritualidade. Trata-se, portanto, de um recurso de ênfase na amplitude da tentativa de apagamento, e não de oposição, consequência ou exclusão.
Por que as demais estão incorretas?
A — Fala em “consequência do sofrimento”. “Até mesmo” não expressa relação causal, e sim inclusão com ênfase. A alternativa troca o tipo de relação semântica.
B — Menciona “exclusão social”. Não há, no trecho, marca linguística de exclusão; a construção aponta para o esforço de apagamento de marcas identitárias, com ênfase, por meio de “até mesmo”.
C — Fala em “contraposição”. “Até mesmo” não é conjunção adversativa (como “mas”, “porém”); é um operador de inclusão/intensificação. Logo, não há oposição entre os elementos.
Dica de prova: ao ver “até”, “até mesmo”, “inclusive”, pense em ampliação + ênfase. Ex.: “Ele cortou gastos com lazer, alimentação e até mesmo com saúde” — o último item intensifica a ideia do enunciado.
Gabarito: D
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