Leia, a seguir, a transcrição da segunda parte da entrevista...
Parte II
É uma linguagem que trabalha exatamente com as binaridades (...) e divide a existência humana entre duas identidades: o feminino e o masculino, o que é extremamente problemático, porque não leva em conta a complexidade de gêneros (...). É um enorme nó que nós temos que desatar e que mostra que a língua portuguesa não é neutra. É uma língua que traz consigo um exercício do poder, que determina identidades, e que determina quem é “normal” e quem é desviante, e que determina também uma equação que é: quem pode falar e representar a condição humana? O que que significa ser um erro ortográfico na tua própria língua? Que violência é essa quando determinadas identidades não podem existir?
(Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=m-EyJXtlJ0M. Acesso em 26/08/2024.)
Qual alternativa melhor resume os argumentos da autora?
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Tema central: Esta questão aborda interpretação de texto aliada ao conhecimento sobre flexão de gênero e o uso do masculino genérico na Língua Portuguesa. A banca espera que você reconheça a ideia principal defendida pela autora: a crítica à marcação binária de gênero e à falta de neutralidade na nossa língua.
Justificativa da alternativa correta (C): A alternativa C – “O gênero masculino, na língua portuguesa, prevalece no uso do plural. Assim, outros gêneros são invisibilizados.” – sintetiza com exatidão o argumento da autora. No trecho, Grada Kilomba evidencia que a língua portuguesa divide identidades entre feminino e masculino, atribuindo ao masculino o papel predominante e genérico. Tal prática resulta na invisibilização de outros gêneros e reforça relações de poder linguístico.
Essa visão está alinhada à norma-padrão descrita em gramáticas como a de Evanildo Bechara: “O masculino plural serve para referir-se a grupos mistos, funcionando como forma não marcada.” Entretanto, a autora denuncia o caráter excludente desse padrão.
Análise das alternativas incorretas:
A) Afirma que a língua é problemática por abranger as complexidades necessárias para a neutralidade. Porém, o texto sustenta justamente o oposto: a língua não abrange tais complexidades.
B) Diz que a língua permite ocultar as marcas das relações de poder, mas a autora destaca que essas marcas são explícitas, determinando identidades e limites de pertencimento.
D) Sustenta que as identidades são expressas de maneira inclusiva. Tal afirmação é incoerente com o texto, já que a autora critica a não neutralidade e a exclusão de identidades.
Dicas de interpretação: Atenção para expressões do texto como: “equação que determina quem pode falar”, “enorme nó a desatar”, “a língua portuguesa não é neutra”. Elas sinalizam crítica ao padrão tradicional e ao uso do masculino.
Estratégia de prova: Sempre destaque palavras-chave e reflita: a alternativa resume a posição central do texto? Evite distrações como generalizações ou oposições não presentes na fala da autora.
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Comentários
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Resposta correta: O gênero masculino, na língua portuguesa, prevalece no uso do plural. Assim, outros gêneros são invisibilizados.
Errei, pois pensei que só existia dois genêros (masculino e feminino), assim, pensei que a resposta não deveria estar no plural e sim, no singular. Assim: "O gênero masculino, na língua portuguesa, prevalece no uso do plural. Assim, o outro genêro é inviabilizado (feminino)."
A alternativa C é interpretativa, mas de acordo com a crítica da autora à estrutura binária e hierárquica da língua portuguesa na qual o gênero masculino é normativo (forma-padrão). E isso constitui uma forma de dominação simbólica, que ela chama de "exercício do poder".
Portanto, a ideia está implícita e pode ser inferida com base em conhecimentos linguísticos e sociais amplamente aceitos.
Historicamente, na gramática da língua portuguesa, o gênero masculino é usado como forma dominante — especialmente no plural (exemplo: “os alunos” inclui meninos e meninas).
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