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Ano: 2025 Banca: COMVEST - UNICAMP Órgão: UNICAMP Prova: COMVEST - UNICAMP - 2025 - UNICAMP - Vestibular Indígena |
Q3157197 Português
Somos muitas, somos múltiplas, somos mil-lheres, cacicas, parteiras, benzedeiras, pajés, agricultoras, professoras, advogadas, enfermeiras e médicas nas múltiplas Ciências do Território e da Universidade. Somos antropólogas, deputadas e psicólogas. Somos muitas transitando do chão da aldeia para o chão do mundo. Mulheres terra, mulheres água, mulheres biomas, mulheres espiritualidade, mulheres árvores, mulheres raízes, mulheres sementes e não somente mulheres, guerreiras da ancestralidade.

(Adaptado de ANMIGA. “Manifesto das primeiras brasileiras”. Disponível em https://anmiga.org/manifesto/. Acesso em 10/09/2024.)

O uso da expressão de “mil-lheres” no texto indica
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Comentário da Questão – Interpretação e Figuras de Linguagem

A questão exige uma análise interpretativa e de recursos linguísticos utilizados no texto, especificamente o neologismo “mil-lheres”. Aqui, é fundamental compreender, conforme reforçam Bechara e Cunha & Cintra, os efeitos de sentido que uma palavra criada pode produzir no discurso.

Tema central: Interpretação de textoneologismo e figura de linguagem (metáfora).

Explicação: O termo “mil-lheres” foi criado intencionalmente, por junção de “mil” e “mulheres”, o que amplia expressivamente o significado da palavra original. De acordo com Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), neologismos são criados para designar novas realidades ou aspectos relevantes à especificidade do texto. Neste caso, “mil-lheres” vai além de indicar “muitas mulheres”: evoca diversidade, multiplicidade de identidades, vivências e papéis femininos. Trata-se de uma metáfora: cada mulher representa muitas, e muitas representa a complexidade dessas presenças, reforçando o sentido de pluralidade identitária.

Justificativa da alternativa CORRETA:
C) a pluralidade identitária das mulheres que participam da ANMIGA.
A criação do termo ressalta justamente o valor da pluralidade e da identidade múltipla dessas mulheres, que atuam em diferentes funções e inserções culturais. O texto cita múltiplas ocupações, lugares e relações com a natureza e a ancestralidade, caracterizando-as como sujeitos plurais.

Por que as alternativas erradas NÃO se aplicam?

A) Fala em “quantidade de profissões”, mas o foco está na variedade de mulheres e não apenas nas profissões.
B) “Diferença social” não é o centro: o termo trata de pluralidade, não de desigualdade social.
D) “Aceitação profissional” restringe-se ao âmbito do trabalho, e “mil-lheres” ultrapassa isso, abrangendo raízes, espiritualidade e ancestralidade.

Dica de concurso: Fique atento a neologismos e metáforas, pois costumam deslocar o significado literal para um sentido ampliado, exigindo interpretação baseada no contexto do texto.

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O uso da expressão de “mil-lheres” no texto indica

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a *[pluralidade identitária]* das mulheres que participam da ANMIGA.

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Somos muitas, somos múltiplas, somos mil-lheres, cacicas, parteiras, benzedeiras, pajés, agricultoras, professoras, advogadas, enfermeiras e médicas nas múltiplas Ciências do Território e da Universidade. Somos antropólogas, deputadas e psicólogas. Somos muitas transitando do chão da aldeia para o chão do mundo.

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