Questões de Vestibular
Sobre modernismo em literatura
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Texto para as questão.
Poema
Encontrado por Thiago de Mello
No Itinerário de Pasárgada
Vênus luzia sobre nós tão grande,
Tão intensa, tão bela, que chegava
A parecer escandalosa, e dava
Vontade de morrer.
Manuel Bandeira
Nesse breve poema de Bandeira, manifesta-se um aspecto que alguns de seus principais estudiosos consideram central e decisivo na obra do poeta, a saber,
Clara passeava no jardim com as crianças. O céu era verde sobre o gramado, a água era dourada sob as pontes, outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados, o guarda-civil sorria, passavam bicicletas, a menina pisou a relva para pegar um pássaro, o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo em redor de Clara. As crianças olhavam para o céu: não era proibido. A boca, o nariz, os olhos estavam abertos.Não havia perigo. Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos. Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas, esperava cartas que custavam a chegar, nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!! Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!
- Está vendo aquele umbu, lá embaixo, à direita do coxilhão? Pois ali é a tapera do Mariano. Nunca vi pêssegos mais bonitos que os que amadurecem naquele abandono; ainda hoje os marmeleiros carregam, que é uma temeridade! Mais para baixo, como umas três quadras, há uns olhos-d'água, minando as pedras, e logo adiante uns coqueiros; depois pega um cordão de araçazeiros. Diziam os antigos que ali encostado havia um lagoão mui fundo onde até jacaré se criava. Eu, desde guri conheci o lagoão já tapado pelos capins, mas o lugar sempre respeitado como um tremedal perigoso: até contavam de um mascate que aí atolou-se e sumiu-se com duas mulas cargueiras e canastras e tudo... Mais de uma rês magra ajudei a tirar de lá; iam à grama verde e atolavam-se logo, até a papada. Só cruzam ali por cima as perdizes e algum cusco leviano. Com certeza que as raízes do pasto e dos aguapés foram trançando uma enrediça fechada, e o barro e as folhas mortas foram-se amontoando e, pouco a pouco, capeando, fazendo a tampa do sumidouro. E depois nunca deram desgoto na ponta do lagoão, porque, se dessem, a água corria e não se formaria o mundéu... Mas, onde quero chegar: vou mostrar-lhe, lá, bem no meio do manantial, uma cousa que vancê nunca pensou ver; é uma roseira, e sempre carregada de rosas... Gente vivente não apanha as flores porque quem plantou a roseira foi um defunto... e era até agouro um cristão enfeitar-se com uma rosa daquelas!...
Leia o fragmento do poema e marque a resposta correta.
É difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão de uma vida severina.
I– O fragmento é do poema Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 30, que cantou o amor e a saudade da terra natal.
II – Nesse auto de Natal pernambucano, o poeta expressa a miserável condição humana de um povo subdesenvolvido.
III – Severino, retirante, no caminho, rumo ao litoral, encontra a morte em cada parada.
IV – No último pouso, Severino recebe a notícia do nascimento de um menino; metáfora da resistência à constante negação da vida.
Está (ão) correta (s):
João Cabral de Melo Neto é autor inserido no Modernismo brasileiro; sua obra revela a busca de novos recursos de expressão, como, a exemplo do poema, a mistura de elementos da prosa na poesia.
I. Em Libertinagem, Bandeira marca a ruptura definitiva com os modelos parnasianos. II. A partir de Ritmo dissoluto, começam a ficar mais frequentes os traços que caracterizariam sua obra: o cotidiano, expresso numa linguagem simples, acessível, e o emprego do verso livre. III. O poeta também evidencia, em alguns poemas, outro importante aspecto de sua obra: a presença do dado autobiográfico.
A sequência correta é
I. Carlos Drummond de Andrade, em sua vasta obra, fala frequentemente sobre a nostalgia do passado, os obstáculos que a vida oferece, a angústia diante da morte, a monotonia da vida, a preocupação social e política, a própria poesia e a falta de perspectiva do homem. II. João Cabral de Melo Neto, em Morte e vida severina, revela a preocupação social, pois retrata os problemas do homem nordestino ante o seu meio. III. Cruz e Sousa é considerado um importante escritor simbolista brasileiro, porque produziu uma obra que transcende os limites da escola romântica, realista e da parnasiana, enfocando os problemas sociais, principalmente o do negro escravo, a partir de suas vivências pessoais.
No poema de Manoel de Barros, encontram-se as seguintes características do Modernismo brasileiro:
O coloquialismo e o verso livre, presentes no fragmento, marcaram a produção poética de João Cabr de Melo Neto dando continuidade às propostas lançadas pelos autores da primeira fase do Modernismo brasileiro.
Todo o universo poético de João Cabral de Melo Neto é nordestino. Sua poesia ora remete o leitor às cidades litorâneas, mares, rios e aos canaviais da zona da mata pernambucana, ora à vegetação escassa da caatinga e do agreste do sertão.
João Cabral de Melo Neto é autor inserido no Modernismo brasileiro; sua obra revela a busca de novos recursos de expressão, como, a exemplo do poema, a mistura de elementos da prosa na poesia.
O lirismo do texto evidencia-se, sobretudo, na abordagem introspectiva e emocionada do tema da pobreza do homem ribeirinho.
Da leitura do fragmento poético, é correto inferir o pessimismo do autor diante da pobreza do homem nordestino e da consequente destruição da beleza natural da região em foco.
Na quarta estrofe, considerando que “voz” é o aspecto que caracteriza o pássaro e “raízes”, a árvore, percebe-se uma transposição que realça o sentido de perda de identidade, que também vale para o cão e para o homem ribeirinho.
(...) Não acho mais graça nenhuma nisso da gente submeter comoções a um leito de Procusto(1) para que obtenham, em ritmo convencional, número convencional de sílabas. Já, primeiro livro, usei indiferentemente, sem obrigação de retorno periódico, os diversos metros pares. Agora liberto-me também desse preconceito.
(...) Marinetti (2) foi grande quando redescobriu o poder sugestivo, associativo, simbólico, universal, musical da palavra em liberdade. Aliás: velha como Adão. Marinetti errou: fez dela sistema. É apenas auxiliar poderosíssimo. Uso palavras em liberdade.
(...) (1) Na mitologia grega, Procusto era um bandido que tinha, em sua casa, uma cama (leito) de ferro na qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Se os hóspedes fossem muito altos, ele amputava o excesso de comprimento do corpo desses viajantes para ajustá-los à cama e, se tinham pequena estatura, eram esticados até atingirem o comprimento determinado. (2) Fillipo Tommaso Marinetti.
I O texto I e o texto II representam, respectivamente, a produção poética do Modernismo e a prosa realista brasileira.
II O texto I apresenta versos marcados e uso de vocabulário rebuscado, por se tratar de um poema parnasiano; já o texto II é um exemplo de prosa literária.
III Ambos os textos são exemplos de narrativas incoerentes, por lhes faltar unidade e encadeamento lógico.
IV O texto I tem sua unidade e coerência assegurada pelo título, enquanto, no texto II, é o período final que atribui sentido coerente às notas.
V O texto I e o texto II representam a prosa modernista no Brasil do começo do século XX.
corretas as afirmativas:



