A maior riqueza do homem A maior riqueza do homem é a sua ...

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Ano: 2012 Banca: IFG Órgão: IF-GO Prova: IFG - 2012 - IF-GO - Vestibular |
Q1273707 Literatura
A maior riqueza do homem A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas. BARROS, Manoel de. Retrato do artista quando coisa. Rio de Janeiro: Record, 2007.
No poema de Manoel de Barros, encontram-se as seguintes características do Modernismo brasileiro:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é identificar, no poema, os dois traços modernistas efetivamente presentes: a tematização do cotidiano, evidenciada pela enumeração de atos banais como “abre portas”, “compra pão às 6 horas da tarde”, “aponta lápis” e “vê a uva”, e a experimentação da linguagem, marcada por formulações inusitadas como “Mas eu preciso ser Outros” e “Eu penso renovar o homem usando borboletas”. Por coincidir com esses elementos, a alternativa B é a correta.

Tema central: Traços modernistas no poema
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto não apresenta formalismo exacerbado: a base aponta forma livre, sem rigidez clássica. Também não há fuga da realidade, já que o poema parte de ações concretas e banais do cotidiano, como “compra pão às 6 horas da tarde” e “aponta lápis”.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o poema reúne dois marcadores centrais cobrados na questão. Primeiro, transforma matéria cotidiana em poesia ao listar ações comuns e concretas, como “abre portas”, “olha o relógio”, “compra pão às 6 horas da tarde” e “aponta lápis”. Segundo, rompe com a linguagem convencional por meio de construções inventivas e imagéticas, como “A maior riqueza do homem é a sua incompletude”, “preciso ser Outros” e “renovar o homem usando borboletas”. Esses elementos correspondem diretamente à tematização do cotidiano e à experimentação da linguagem.
C
Errada
Está errada porque não há enaltecimento do passado no poema, nem valorização identificável de métrica clássica. A base registra justamente o contrário: construção livre, contemporânea e incompatível com culto à forma tradicional.
D
Errada
Está errada porque o texto não é soneto, pois não apresenta forma fixa típica nem organização estrutural regular associada a esse tipo de composição. Além disso, há lirismo na subjetividade e na autorreflexão do eu poético, como em “A maior riqueza do homem é a sua incompletude” e “Mas eu preciso ser Outros”.
E
Errada
Está errada porque a alternativa é incompatível com um elemento textual decisivo: o poema usa fortemente linguagem metafórica, o que fica evidente em “Eu penso renovar o homem usando borboletas”. A afirmação de rejeição aos usos metafóricos da língua é frontalmente desmentida pelo texto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre linguagem inventiva e fuga da realidade, e também induz ao erro por alternativas com traços tradicionais — métrica clássica, soneto, formalismo — que são afastados pela forma livre do poema e pela presença simultânea de cotidiano concreto e metáfora.
Dica para questões semelhantes
  • Confirme se a alternativa coincide com marcas visíveis no texto; aqui, era indispensável localizar tanto ações banais do cotidiano quanto formulações linguísticas inusitadas.
  • Elimine alternativas que atribuem forma fixa, métrica clássica ou soneto quando o poema se apresenta em verso livre e sem organização tradicional identificável.
  • Se a alternativa negar metáfora, confronte com imagens do próprio texto; uma única imagem figurada decisiva já basta para invalidá-la.

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