Questões de Vestibular
Sobre modernismo em literatura
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1) Das estrias que a mão
esculpe
só o que brilha
sobrevive.
Nômade a manhã
despe o sol
à flor
da carne,
múltipla,
à vertigem da linguagem.
2) Nem o acre sabor das uvas
nos aplaca. Nem a chuva
nos olhos incendiados
devolve o que é vivido.
3) E no entanto lume
no verbo encarnado
sob a cesura que se esgarça
ao indefinível.
E no entanto é nome,
persona,
hologramas no vácuo
que são sem o Ser.
4) A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de comer às estátuas,
Dá de comer aos poetas.
5) Se diz a palo seco
O cante sem guitarra;
O cante sem; o cante;
O cante em mais nada
São do poeta maranhense os excertos:
As rubricas ou indicações cênicas são “textos que não se destinam a ser pronunciados no palco, mas que ajudam o leitor a compreender e a imaginar a ação e as personagens. Esses textos são igualmente úteis ao diretor e aos atores durante os ensaios, mesmo que eles não os respeitem.” (RYNGAERT, Jean-Pierre. Introdução à análise do teatro. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 44)
Entre as indicações cênicas a seguir – extraídas de O Anjo Negro, de Nelson Rodrigues – assinale a que se destina à leitura e interpretação do texto e não à sua encenação.
“A duzentos anos de distância, embora ainda velados muitos pormenores desse fantástico enredo, sente-se a imprescindibilidade daqueles encontros, de raças e homens; do nascimento do ouro; da grandeza e decadência das Minas; desses gráficos tão bem traçados de ambição que cresce e da humanidade que declina; a imprescindibilidade das lágrimas e exílios, da humilhação do abandono amargo, da morte afrontosa – a imprescindibilidade das vítimas, para a definitiva execração dos tiranos.” (Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)
O fragmento transcrito faz parte da conferência “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, proferida por Cecília Meireles em 1955. Com base na leitura do Romanceiro e nos conhecimentos sobre a literatura do período, assinale a alternativa correta.
“Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável, pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto — uivaram os lobos, e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.” (trecho do conto “Os desastres de Sofia”, de Clarice Lispector, em Felicidade clandestina)
Considerando os contos de Felicidade clandestina, de Clarice Lispector, assinale a alternativa correta.
A obra Sagarana, de Guimarães Rosa, cinde uma das mais belas coletâneas de contos/novelas da Literatura contemporânea do Brasil, segundo a crítica. Uma de suas narrativas mais densas tem com enredo a vida de um valentão arrependido que, depois de ter sido deixado quase morto pelos capangas do adversário, levou anos a restaurar a saúde do corpo e amansar o espírito sedento de vingança.
Assinale a alternativa que indica o título a que se refere o texto.
Leia o poema “Mãos dadas”, de Carlos Drummond de Andrade.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes
esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma
História
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem
vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de
suicidas,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por
serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes,
a vida presente.
Assinale a alternativa correta
“...sal derramado; padre viajando com a gente no trem; não falar em raio: quando muito, e se o tempo está bom, “faísca”; nem dizer lepra; só o “mal”; passo de entrada com o pé esquerdo; ave do pescoço pelado; risada renga de suindara, cachorro, bode e galo, pretos; e, no principal, mulher feiosa, encontro sobre todos fatídico; – porque, já então, como ia dizendo, eu poderia confessar, num recenseio aproximado: doze tabus de não-uso próprio; oito regrinhas ortodoxas preventivas; vinte péssimos presságios; dezesseis casos de batida obrigatória na madeira; dez outros exigindo a figa digital napolitana, mas da legítima, ocultando bem a cabeça do polegar; e cinco ou seis indicações de rituais mais complicados; total: setenta e dois – nove fora, nada”.
Assinale a alternativa correta.
“Eu queria usar palavras de ave para escrever Onde a gente morava era um lugar imensamente e sem nomeação Ali a gente brincava de brincar com as palavras Tipo assim: hoje eu vi uma formiga ajoelhada na pedra! Já vem você com as sua visões! Porque formigas não tem joelhos ajoelháveis E nem há pedras de sacristia por aqui Isto é traquinagem de sua imaginação”.
Assinale a alternativa correta.