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Questões de Vestibular Sobre modernismo em literatura

Questões Discursivas

Foram encontradas 608 questões

Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2025 - UEA - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4144905 Literatura
Leia o trecho a seguir, retirado do romance Macunaíma, de Mário de Andrade, para responder à questão.


Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando, na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que nem a marca dum pé gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco loiro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.

Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:

— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.

(Macunaíma, 2013.)
O episódio narrado neste trecho exemplifica uma característica marcante da personagem Macunaíma:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2025 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4129394 Literatura
Instrução: Para responder a questão, leia o poema abaixo, retirado de Pau-Brasil, de Oswald de Andrade.


o capoeira

— Qué apanhá sordado?

— O quê?

— Qué apanhá?

Pernas e cabeças na calçada
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o poema de Oswald de Andrade.

( ) A linguagem sintética está relacionada à poética Pau-Brasil.
( ) O poema reconstrói, com apenas quatro versos, uma cena do passado colonial brasileiro.
( ) A presença do eu poético se mostra na indignação com que condena a escravidão brasileira.
( ) O poema recupera nostalgicamente uma cena do passado colonial brasileiro.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Alternativas
Q4115792 Literatura
O __________ lançou-se contra o passado e sonhou uma superliteratura no século da “velocidade”; o __________ via a destruição do mundo, mas sabendo que do caos se organizaria uma estrutura superior, que era a verdadeira beleza. Para o __________ , entretanto, não havia passado, nem futuro: o que havia era a guerra, o nada; e a única coisa que restava ao artista era produzir uma antiarte, uma antiliteratura.
(Gilberto Mendonça Telles. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro, 2022. Adaptado.)
Os movimentos de vanguarda, com suas propostas de rompimento com o academicismo e busca por novas experiências artísticas, foram essenciais para a consolidação do Modernismo no Brasil.
As lacunas do excerto são preenchidas, respectivamente, por:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UEMG Órgão: UEMG Prova: UEMG - 2025 - UEMG - Vestibular - Inglês |
Q3158641 Literatura
Leia o trecho de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto e marque a alternativa que represente como este trecho reflete os procedimentos estéticos e o contexto histórico do Modernismo, no século XX.
"Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas." 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2024 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V1 |
Q4211663 Literatura
No texto intitulado Tarsila, a pesquisadora Aracy Amaral transcreve um trecho das impressões de Tarsila do Amaral sobre a viagem às cidades históricas coloniais mineiras, que realizara em 1924 com o grupo modernista, liderado por Mário de Andrade: “(...) As decorações murais de um modesto corredor de hotel; o forro das salas, feito de taquarinhas coloridas e trançadas; as pinturas das igrejas, simples e comoventes, executadas com amor e devoção por artistas anônimos; o Aleijadinho, nas suas estátuas e nas linhas geniais da sua arquitetura religiosa, tudo era motivo para as nossas exclamações admirativas. Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado... Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para as minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que a adaptava à época moderna.”


Imagem associada para resolução da questão


Considerando a obra O Mamoeiro, de Tarsila do Amaral, qual é o principal elemento que caracteriza a influência do movimento modernista brasileiro na pintura?  
Alternativas
Ano: 2024 Banca: FUVEST Órgão: USP Prova: FUVEST - 2024 - USP - Vestibular - Conhecimentos Gerais V1 |
Q4211620 Literatura
Carlos Drummond de Andrade foi o criador de uma obra lírica que, ao mesmo tempo, se aproxima e se afasta do Modernismo de 1922, propondo, a partir de traços desse movimento, uma poética original. Com base no exposto, em Alguma poesia (1930), 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: ACAFE Órgão: ACAFE Prova: ACAFE - 2024 - ACAFE - Vestibular - Verão - Medicina |
Q3389971 Literatura
Considere o movimento da Catequese Poética, criado pelo poeta catarinense Lindolf Bell, na década de 1960, juntamente com a simbologia das águas como eixo norteador da leitura do poema VI.

VI
A linha do horizonte atravessa meus olhos
Meus olhos que a linha final da morte atravessará
A linha do horizonte viverá de horizonte a horizonte
Sem meus olhos E sem a minha vida
BELL, Lindolf. O Código das Águas. Global: 1984.

A partir da leitura, assinale a alternativa CORRETA
Alternativas
Ano: 2023 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2023 - UFRGS - Vestibular 2024 - 1º Dia |
Q4164040 Literatura
No bloco superior abaixo, estão listadas algumas personagens emblemáticas da literatura sul-rio-grandense; no inferior, um breve trecho em que há referência a elas.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.

1 - Blau Nunes 2 - Naziazeno Barbosa 3 - Rodrigo Terra Cambará 4 - Camilo Mortágua 5 - Mayer Guinzburg

( ) – O sr. pensa que eu tenho alguma fábrica de dinheiro? (O diretor diz essas coisas a ele, mas olha para todos, como que a dar uma explicação a todos. Todas as caras sorriem.) Quando o seu filho esteve doente, eu o ajudei como pude. Não me peça mais nada.
( ) Era o retrato de alguém que amava intensamente a vida, que tinha ânsias de abraçá-la, de gozá-la totalmente e com pressa. Sim, ele se reconhecia naquela imagem: a tela mostrava não apenas sua aparência física, as suas roupas, o seu "ar", mas também seus pensamentos, seus desejos, sua alma.
( ) O guasca sadio, a um tempo leal e ingênuo, impulsivo na alegria e na temeridade, precavido, perspicaz, sóbrio e infatigável; e dotado de uma memória de rara nitidez brilhando através de imaginosa e encantadora loquacidade servida e floreada pelo vivo e pitoresco dialeto gauchesco.
( ) Birobidjan. Um dia os judeus do Bom Fim reconheceriam a importância deste nome. Birobidjan: a redenção do povo judeu, o fim das peregrinações.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2023 - UFRGS - Vestibular 2024 - 1º Dia |
Q4164029 Literatura
No bloco superior abaixo, estão listados títulos de algumas obras do Romance de 30; no inferior, algumas informações sobre o enredo desses romances.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.

1 - Fogo morto 2 - Incidente em Antares 3 - Os ratos 4 - Terras do sem fim 5 - Vidas secas

( ) A trama centra-se, sobretudo, na história de uma família de retirantes nordestinos, e as personagens principais que povoam a narrativa são: o vaqueiro Fabiano, sua esposa Sinha Vitória, seus dois filhos, a cachorra Baleia.
( ) O enredo é dividido em três partes que se relacionam e se complementam: “O mestre José Amaro”, “O Engenho do Seu Lula” e “O Capitão Vitorino”; a fundação e a decadência do Engenho Santa Fé e das famílias que lá moram são temas centrais narrados.
( ) A ação do romance ocorre em intervalo de 24 horas; o relato, em linguagem simples e objetiva, está concentrado na angústia da personagem central – um funcionário público – em resolver um problema financeiro: reunir uma soma em dinheiro para quitar a dívida contraída com o leiteiro.
( ) A história, caracterizada pelo realismo mágico, aborda acontecimentos de uma sexta-feira 13, em 1963, quando sete pessoas morrem e são privadas de serem enterradas, porque os coveiros estão em greve; os defuntos insepultos, então, denunciam a podridão moral dos vivos da cidade.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Alternativas
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2023 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4144325 Literatura
Nós somos as Juvenilidades Auriverdes! As franjadas flâmulas das bananeiras, as esmeraldas das araras, os rubis dos colibris, os lirismos dos sabiás e das jandaias, os abacaxis, as mangas, os cajus almejam localizar-se triunfantemente, na fremente celebração do Universal!...
(Mário de Andrade. Poesias completas, 2013.)
Os versos do poema de Mário de Andrade, originalmente publicado em 1922, apresentam como uma das principais características da Semana de Arte Moderna
Alternativas
Ano: 2023 Banca: UEMA Órgão: UEMA Prova: UEMA - 2023 - UEMA - Vestibular |
Q3728682 Literatura
Em Mar morto, ambiente predominantemente masculino, as personagens femininas adquirem vida própria. Considerando as características de bravura e de persistência, destaca-se a seguinte personagem:
Alternativas
Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: UNB Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - UNB - Prova de Conhecimentos II - 1° dia |
Q3111439 Literatura
               SONETO II


 Leia a posteridade, ó pátrio Rio,
 Em meus versos teu nome celebrado;
 Por que vejas uma hora despertado
 O sono vil do esquecimento frio:


 Não vês nas tuas margens o sombrio,
 Fresco assento de um álamo copado;
 Não vês ninfa cantar, pastar o gado
 Na tarde clara do calmoso estio.


 Turvo banhando as pálidas areias
 Nas porções do riquíssimo tesouro
 O vasto campo da ambição recreias.


 Que de seus raios o planeta louro
 Enriquecendo o influxo em tuas veias,
 Quanto em chamas fecunda, brota em ouro. 


Cláudio Manuel da Costa. SONETO II. In: Obras poéticas.
Rio de Janeiro: Garnier, 1903, pp. 104 e 105. 




           HINO NACIONAL


 Precisamos descobrir o Brasil!
 Escondido atrás das florestas,
 Com água dos rios no meio,
 O Brasil está dormindo, coitado
 Precisamos colonizar o Brasil.


 O que faremos importando francesas
 muito louras, de pele macia,
 alemãs gordas, russas nostálgicas para
 garçonetes dos restaurantes noturnos.
 E virão sírias fidelíssimas.
 Não convém desprezar as japonesas...


 Precisamos educar o Brasil.
 Compraremos professores e livros,
 assimilaremos finas culturas,
 abriremos dancings e subvencionaremos as elites.


 Cada brasileiro terá sua casa
 com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
 salão para conferências científicas.
 E cuidaremos do Estado Técnico.


 Precisamos louvar o Brasil.
 Não é só um país sem igual.
 Nossas revoluções são bem maiores
 do que quaisquer outras; nossos erros também.
 E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
 os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...


 Precisamos adorar o Brasil!
 Se bem que seja difícil compreender o que querem esses
 homens, 
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão
 de seus sofrimentos.


 Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
 Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
 ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
 O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
 Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
 Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros? 



Carlos Drummond de Andrade. HINO NACIONAL.
In: Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983, pp. 108 e 109.
A respeito das diferenças e semelhanças entre os textos dos poetas mineiros Cláudio Manuel da Costa e Carlos Drummond de Andrade, julgue o item a seguir.

Os dois poemas têm uma dimensão épica, entretanto, no texto árcade, o caráter épico, embora crítico, é levado a sério, enquanto, no texto modernista, esse caráter é guiado por uma perspectiva satírica.
Alternativas
Q2092760 Literatura
O ano de 1922 é marcado no Brasil por dois grandes eventos: as comemorações do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro; e a Semana de Arte Moderna realizada no Theatro Municipal, em São Paulo.
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Capa do Catálogo da Semana de Arte Moderna feita por Di Cavalcanti https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/ ruptura-na-semana-arte-moderna-1922.htm Acesso em 29 abril 2022.
Em relação à Semana de Arte Moderna no Brasil, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q2092754 Literatura
Sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, são feitas as seguintes afirmações:
I. A Semana reuniu representantes de diversas manifestações artísticas, tais como Guiomar Novaes e Heitor Villa-Lobos (música), Victor Brecheret (escultura), Di Cavalcanti e Anita Malfatti (pintura). II. Apesar de Mário de Andrade e Oswald de Andrade terem sido dois dos principais idealizadores da Semana, a conferência de abertura, intitulada “A emoção estética na arte moderna”, foi proferida pelo escritor Graça Aranha, autor de Canaã (1902). III. O poema “Os Sapos”, escrito por Manuel Bandeira especialmente para a Semana e declamado pelo próprio autor, recebeu vaias da plateia presente no Teatro Municipal de São Paulo, configurando um dos momentos mais marcantes do evento. IV. Uma das primeiras reações negativas a aparecer na imprensa escrita veio de Monteiro Lobato, em seu artigo “Paranoia ou mistificação?”, no qual o autor faz uma crítica contundente aos princípios estéticos apresentados durante a Semana.
Estão corretas apenas as afirmativas
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2022 - UNESP - Vestibular |
Q4204732 Literatura
Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


    Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

    — Mãe, venha ouvir: está a bater!

    A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

    Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

    — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

    A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

    Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

— Agora não sonha, filha?

— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

    Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

    — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

    O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

— Morta, a minha menina? Mas, assim...?

— Esta é a sua maneira de estar morta.

    A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

    A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

    — Então, minha querida não escutou nada?

    Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

    Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

    E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
A linguagem poética, o emprego de neologismos e as marcas de oralidade, que podem ser identificados no texto de Mia Couto, caracterizam também a prosa do seguinte escritor brasileiro:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4163312 Literatura

Considere as seguintes afirmações sobre Construção, álbum de Chico Buarque.



I - A canção “Construção” vale-se de proparoxítonas no fim dos versos para narrar um dia na vida de um trabalhador que tem um desfecho trágico; a sequência da narrativa é reconstruída em três estrofes muito elaboradas que aludem à exploração desse trabalhador.


II - “Deus lhe pague”, um agradecimento sarcástico ao autoritarismo; “Construção”, com seu trabalhador embrutecido e explorado; e “Samba de Orly”, que pede perdão pela omissão forçada de quem está fora do Brasil, formam um conjunto que remete à experiência do país sob a ditadura civil militar.


III- “Desalento” e “Valsinha” são canções amorosas em que o eu lírico apela à amada para que aceite retomar a relação interrompida pelo ciúme e pelas acusações mútuas; em “Desalento”, porém, as investidas resultam em fracasso emocional de quem fala, enquanto em “Valsinha”, o casal retoma a vida suburbana e estável.



Quais estão corretas? 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4163309 Literatura
Assinale a alternativa correta em relação à Semana de Arte Moderna, de 1922.
Alternativas
Q2093157 Literatura
(URCA/2022.2) Em que romance Clarice Lispector explora o modo como um escritor de classe média busca compreender a trajetória de uma jovem migrante nordestina:
Alternativas
Q2093156 Literatura
(URCA/2022.2) Assinale a obra do Século XIX cujo enredo é dominado por uma sátira aos riscos da incompreensão dos métodos da ciência:
Alternativas
Q2093155 Literatura
(URCA/2022.2) Sobre o Pré-Modernismo brasileiro, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Respostas
1: A
2: B
3: C
4: B
5: B
6: C
7: A
8: D
9: E
10: C
11: E
12: C
13: B
14: A
15: A
16: D
17: D
18: D
19: C
20: A