Questões de Concurso Para agente comunitário de saúde - médio

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Q3746883 Saúde Pública
A informação, a educação e a comunicação são dimensões fundamentais no processo de promoção da saúde e fazem parte das atribuições cotidianas do Agente Comunitário de Saúde (ACS).
Apesar de interligadas, cada uma possui características específicas. Considerando esse tema, analise as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746882 Pedagogia
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) estabelece o princípio da proteção integral e define responsabilidades para a família, a sociedade e o poder público na garantia dos direitos infantojuvenis. No âmbito da Atenção Primária à Saúde, o Agente Comunitário de Saúde (ACS) tem papel fundamental na identificação e notificação de situações que ameaçam esses direitos. 
Sobre a atuação do Agente Comunitário de Saúde (ACS)no papel de resguardar os direitos e garantias previstas no ECA, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Alternativas
Q3746881 Saúde Pública
 Politica Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem (PNAISH) propõe a ampliação do acesso masculino aos serviços de saúde e a promoção de cuidados integrais, considerando as especificidades socioculturais dessa população.
A respeitada atuação do Agente Comunitário de Saúde (ACS) nesse contexto, analise as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746880 Saúde Pública
O Agente Comunitário de Saúde (ACS) desempenha papel estratégico na atenção integral à saúde da mulher, especialmente na Atenção Primária à Saúde. Entre suas atribuições, destacam-se ações educativas, o estímulo à adesão aos programas preventivos e o acompanhamento de situações de vulnerabilidade.
Sobre o papel do Agente Comunitário de Saúde nas situações acima especificadas, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Alternativas
Q3746879 Saúde Pública
O processo saúde-doença é compreendido, atualmente, como o resultado dinâmico da interação entre fatores biológicos, sociais, econômicos, ambientais e culturais que interferem no bem-estar dos indivíduos e coletividades.

Nessa perspectiva, considere as seguintes afirmações:

I O modelo biomédico explica o adoecimento principalmente a partir de alterações orgânicas, com pouca ênfase nos aspectos sociais e psicológicos.

II. O modelo da determinação social da saúde entende o processo saúde-doença como reflexo das condições de vida e de trabalho impostas pelas estruturas socioeconômicas.

III. A perspectiva ecológica considera que o ambiente físico é o principal determinante da saúde, ainda que as condições sociais exerçam pouca ou nenhuma influência.

IV. O modelo biopsicossocial busca integrar dimensões biológicas, psicológicas e sociais para compreender o processo saúde-doença.


Assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3746878 Saúde Pública
Sobre o conceito de Epidemiologia, analise os itens a seguir:

I. Epidemiologia pode ser definida como a “ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças, e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde.

II. A epidemiologia congrega métodos e técnicas de três áreas principais de conhecimento: Estatística, Ciências da Saúde e Ciências Sociais. Sua área de atuação compreende ensino e pesquisa em saúde, avaliação de procedimentos e serviços de saúde, vigilância epidemiológica e diagnóstico e acompanhamento da situação de saúde das populações.

III. A epidemiologia tem como princípio básico o entendimento de que os eventos relacionados à saúde, como doenças, seus determinantes e o uso de serviços de saúde não se distribuem ao acaso entre as pessoas. Há grupos populacionais que apresentam mais casos de certo agravo, por exemplo, e outros que morrem mais por determinada doença.

Está(ão) CORRETO(S):
Alternativas
Q3746876 Administração Pública
De acordo com o Art. 22. da Lei nº 14.129/21, que dispõe sobre os princípios, regras e instrumentos para o Governo Digital e para o aumento da eficiência pública), o painel de monitoramento do desempenho dos serviços públicos de prestação digital de cada ente federativo, deverá conter, no mínimo, as seguintes informações, para cada serviço público ofertado, EXCETO:
Alternativas
Q3746875 Direito Sanitário
Com base na Resolução CNS nº 553, de 9 de agosto de 2017, que dispõe sobre a carta dos direitos e deveres da pessoa usuária da saúde) a Primeira diretriz, que determina que toda pessoa tem direito, em tempo hábil, ao acesso a bens e serviços ordenados e organizados para garantia da promoção, prevenção, proteção, tratamento e recuperação da saúde, analise os itens a seguir:

I. O acesso se dará preferencialmente nos serviços de Atenção Básica.
II. Nas situações de urgência e emergência, qualquer serviço de saúde deve receber e cuidar da pessoa bem como encaminhá-la para outro serviço no caso de necessidade.
III. Em caso de risco de vida ou lesão grave, deverá ser assegurada a remoção do usuário, em tempo hábil e em condições seguras para um serviço de saúde com capacidade para resolver seu tipo de problema.
IV. O encaminhamento às especialidades e aos hospitais, pela Atenção Básica, será estabelecido em função da necessidade de saúde e indicação clínica, levando-se em conta a gravidade do problema a ser analisado pelas centrais de regulação, com transparência.
V. Quando houver alguma dificuldade temporária para atender as pessoas, e a equipe de serviço não apresentar estrutura compatível com o caso, para acolher, a família está apta para imediatamente tomar as devidas providências e decidir por outra opção para o melhor atendimento.

Estão CORRETOS:
Alternativas
Q3746668 Noções de Informática
É essencial compreender os tipos de licenciamento de software, seus direitos de uso e limitações.
Sobre os tipos de licenciamento de software, analise as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746667 Noções de Informática
Na utilização eficiente de motores de busca, é importante conhecer operadores booleanos e filtros avangados, que permitem refinar resultados e localizar informações com precisão.
A respeito dessas técnicas, assinale as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746666 Redes de Computadores
Analise as afirmativas a seguir sobre os protocolos da camada de aplicação do modelo TCP/IP (com foco em HTTP/HTTPS, FIP, SMIP e POP3/IMAP), considerando suas funcionalidades, mecanismos de segurança e modelos de interação (cliente-servidor):

I O protocolo HTTPS opera sobre a porta 443 e, ao contrário do HTTP (porta 80), utiliza o encapsulamento TLS/SSL para criptografar o payload da camada de aplicação. Contudo, o cabeçalho IP e o cabeçalho TCP (incluindo endereço IP de origem/destino e portas) permanecem visíveis em tráfego de rede não inspecionado.
II O FTP (File Transfer Protocol) emprega um modelo de controle de conexão out-of-band, estabelecendo uma conexão TCP na porta 21 para comandos (controle) e, tipicamente, uma conexão TCP efémera separada na porta 20 (ou outra porta em modo passivo) para a transferência de dados.
III Os protocolos SMTP, POP3 e IMAP são usados para correio eletrônico. O SMTP é um protocolo push (envio) que move mensagens do cliente para o servidor (ou entre servidores), enquanto POP3 e IMAP são protocolos pull (recebimento), sendo que o IMAP, por padrão, transfere a mensagem do servidor para o cliente e a exclui do servidor remoto.
IV. Uma característica comum a todos os protocolos listados (HTTP/HTTPS, FTP, SMTP, POP3/IMAP) é que eles operam em modo connection-oriented, utilizando o protocolo TCP (Transmission Control Protocol) como seu serviço de transporte subjacente para garantir a entrega confiável e ordenada dos dados da aplicação.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas CORRETAS:
Alternativas
Q3746665 Noções de Informática
No contexto de análise e organização de dados, o Microsoft Excel oferece ferramentas avançadas que permitem automatizar cálculos, gerar relatórios dinâmicos e controlar a integridade das informações.
Considerando —essas funcionalidades, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Alternativas
Q3746664 Segurança da Informação
 A proteção de sistemas e dados depende da adoção de boas práticas, incluindo criação de senhas seguras, autenticação em dois fatores (2FA) e o uso de softwares antivírus e antimalware.
A respeito dessas medidas, analise as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746663 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

No trecho “E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque o dietista acha que preciso perder peso”, o termo “porque” expressa:
Alternativas
Q3746662 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.


Assinale a alternativa em que todas as palavras recebem acento gráfico pela mesma regra de acentuação, conforme a norma padrão.
Alternativas
Q3746661 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Qual das reescrituras abaixo mantém a correção e a colocação pronominal adequada do trecho “Ninguém me perdoaria o vício”?
Alternativas
Q3746660 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

No trecho “Quem estará acordado agora?”, o verbo “estar” exige:
Alternativas
Q3746659 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Segundo a autora, a insônia pode ser considerada um “dom” quando: 
Alternativas
Q3746658 Português
TEXTO 2


A flor e a náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.


Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.


Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.


Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.


Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.


Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.


Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.


Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.


Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Em “os ferozes padeiros do mal”, a palavra “ferozes” exerce função de: 
Alternativas
Q3746657 Português
TEXTO 2


A flor e a náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.


Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.


Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.


Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.


Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.


Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.


Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.


Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.


Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.

E a oração “que rompe o asfalto” é uma oração subordinada adjetiva, que caracteriza a “flor”.

No verso: “É feia. Mas é uma flor.”, a conjunção “mas” tem valor:
Alternativas
Respostas
781: C
782: D
783: B
784: B
785: A
786: B
787: D
788: B
789: A
790: B
791: A
792: B
793: B
794: C
795: B
796: D
797: C
798: B
799: C
800: A