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Ano: 2025
Banca:
EDUCA
Órgão:
Prefeitura de Brejo do Cruz - PB
Provas:
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Agente Administrativo
|
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Agente de Endemias |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Agente Comunitário de Saúde – UBS – 1.2.3. |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Agente de Fiscal Ambiental |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Artesã CAPS |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Auxiliar de Desenvolvimento Infantil |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Auxiliar de Serviços Odontológicos |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Cuidador Escolar Alunos Especiais |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Maestro |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Recepcionista |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Socorrista do SAMU |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Técnico Agropecuária |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Técnico de Enfermagem |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Técnico de Raio X |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Técnico de Tecnologia da Informação |
EDUCA - 2025 - Prefeitura de Brejo do Cruz - PB - Técnico em Edificações |
Q3746658
Português
Texto associado
TEXTO 2
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
Em “os ferozes padeiros do mal”, a palavra “ferozes”
exerce função de: