Questões de Concurso Para enfermeiro

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Q4036689 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
Na frase "Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto", os termos "que" e "se" exercem funções morfossintáticas distintas. Com base na norma-padrão da gramática da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que apresenta a classificação correta desses termos. 
Alternativas
Q4036688 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
No trecho "Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto", a pontuação desempenha papel essencial na construção do sentido e na organização sintática e estilística da frase. Assinale a alternativa que apresenta a análise correta quanto ao uso dos dois-pontos e das vírgulas.
Alternativas
Q4036687 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
Assinale a alternativa cuja palavra em destaque foi acentuada pela mesma regra que a palavra "resíduos" em "A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar".
Alternativas
Q4036685 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
A construção simbólica da personagem no texto aponta para uma experiência de dissolução subjetiva que transcende os efeitos imediatos da pandemia. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação coerente com os recursos metafóricos e o percurso narrativo da personagem.
Alternativas
Q4036684 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
A construção narrativa do texto "A velha" transcende a descrição de uma experiência individual e propõe uma crítica simbólica a transformações sociais profundas. 
Nesse contexto, assinale a alternativa que expressa a mensagem central da narrativa.
Alternativas
Q4036683 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
No trecho "A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos...", o emprego da forma verbal "se via" apresenta uma construção específica da regência do verbo "ver". Com base na norma culta e na classificação dos verbos quanto à predicação e ao uso pronominal, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4036682 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A velha

A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.

Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.

Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.

Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto.

Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.

Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir.

Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.

O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.

Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.

Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?

BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso
No trecho "Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta", a escolha lexical contribui para a construção da atmosfera do texto. Considerando o campo semântico, o sentido contextual e a relação entre os vocábulos, assinale a alternativa que apresenta a análise correta da significação da palavra "narrativa" nesse contexto.
Alternativas
Q4036051 Enfermagem
O tratamento farmacológico do DM2 deve ser individualizado, considerando o risco cardiovascular, a função renal e o perfil do paciente. A combinação de fármacos com diferentes mecanismos de ação é fundamental para alcançar o controle glicêmico e prevenir complicações crônicas. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A metformina é considerado o medicamento de primeira escolha para a maioria dos pacientes com DM2, salvo contraindicações, podendo ser associada precocemente a outros agentes para melhor controle glicêmico.

(__)Pacientes com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida devem priorizar o uso de agonistas do receptor de GLP-1 ou inibidores de SGLT2, que apresentam benefícios cardiovasculares comprovados.

(__)O uso de iSGLT2 é contraindicado em pacientes com insuficiência cardíaca, uma vez que pode aumentar o risco de descompensação hemodinâmica devido à diurese osmótica.

(__)A intensificação do tratamento, com adição de novas classes terapêuticas, deve ser considerada quando a meta glicêmica não for alcançada em três meses de acompanhamento, mesmo com adesão adequada à terapia e mudanças no estilo de vida.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036050 Saúde Pública
Durante uma reunião de planejamento em uma Unidade Básica de Saúde de uma comunidade rural, a equipe de enfermagem observou baixa adesão da população às ações educativas e às atividades de controle de doenças crônicas. Diante disso, a enfermeira propôs uma estratégia de mobilização social, envolvendo lideranças locais, associações comunitárias e grupos religiosos, a fim de fortalecer o vínculo entre os serviços de saúde e os moradores. Considerando o papel da organização social e comunitária na efetivação das ações de saúde coletiva, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4036049 Saúde Pública
A Vigilância em Saúde constitui um conjunto de ações integradas destinadas a promover, proteger e prevenir agravos à saúde da população, articulando diferentes áreas e políticas públicas. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A Vigilância em Saúde atua exclusivamente no monitoramento de doenças transmissíveis, sendo sua principal função identificar surtos e epidemias para intervenção imediata.

(__)A Vigilância Ambiental em Saúde compreende o monitoramento de fatores físicos, químicos e biológicos do meio ambiente que possam interferir na saúde humana.

(__)A Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Sanitária são instâncias independentes, sem interface técnica ou administrativa no âmbito do SUS.

(__)A Vigilância em Saúde deve ser desenvolvida de forma integrada às demais ações de atenção e promoção da saúde, considerando o território e o perfil epidemiológico da população.



Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036048 Enfermagem
Os distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos, como as alterações de sódio, potássio e glicose sérica, exigem da equipe de enfermagem avaliação clínica imediata, monitorização contínua e intervenções seguras que previnam complicações neurológicas e cardiovasculares. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)Na hiponatremia grave com sintomas neurológicos, a correção do sódio deve ser rápida, visando normalizar os valores séricos nas primeiras 6 horas, para prevenir o risco de edema cerebral.

(__)A hipercalemia pode causar arritmias cardíacas fatais; a administração intravenosa de gluconato de cálcio é uma das medidas de emergência para estabilizar a membrana miocárdica.

(__)Na hipoglicemia grave, quando não há acesso venoso disponível, a administração de glicose a 50% por via oral é indicada, desde que o paciente esteja consciente e consiga deglutir.

(__)Na cetoacidose diabética, a reposição de insulina deve ser iniciada somente após a normalização completa do potássio sérico, independentemente de sua concentração inicial.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036047 Enfermagem
Os fundamentos da enfermagem envolvem princípios teóricos que orientam a prática profissional, a tomada de decisão clínica e o cuidado centrado no paciente. A compreensão do metaparadigma e das teorias de enfermagem é essencial para aplicar o conhecimento científico na assistência e fortalecer a identidade da profissão. Sobre os fundamentos de enfermagem, analise as alternativas abaixo e assinale a correta. 
Alternativas
Q4036046 Enfermagem
Um agricultor de 42 anos chega à unidade básica de saúde relatando dor e inchaço progressivo na perna direita após pisar em um animal rastejante durante o trabalho. Observa-se edema, equimose e presença de duas marcas puntiformes no terço inferior da perna. O paciente não apresenta sinais de choque, mas refere parestesia local. O enfermeiro realiza o acolhimento e prepara o atendimento inicial, com vistas à identificação do acidente e à administração de soroterapia, conforme a suspeita clínica. Considerando as condutas de enfermagem frente aos acidentes por animais peçonhentos e a profilaxia por meio de soros e vacinas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4036045 Enfermagem
A atenção de enfermagem em urgências ginecológicas e obstétricas exige avaliação rápida, estabilização (ABCs), triagem obstétrica, comunicação imediata com a equipe multiprofissional e execução de intervenções prioritárias protocolizadas para reduzir morbimortalidade materna e perinatal. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)Na hemorragia pós-parto grave, as intervenções imediatas de enfermagem incluem: massagem uterina ativa, solicitação de ajuda, garantia de acesso venoso calibroso para reposição volêmica, monitorização hemodinâmica contínua e preparo para administração de uterotônicos conforme protocolo.

(__)Em caso de suspeita de placenta prévia com sangramento ativo, é recomendado realizar toque vaginal imediato para localizar a fonte do sangramento e avaliar dilatação cervical antes de qualquer transferência.

(__)Em casos de pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia, o sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha. Durante sua administração, a equipe de enfermagem deve realizar monitorização rigorosa da função respiratória, dos reflexos tendíneos profundos e da diurese.

(__)Diante de suspeita de gravidez ectópica em paciente hemodinamicamente estável, a conduta de enfermagem inclui monitorização de sinais vitais, preparo para exames (US transvaginal, beta-hCG), avaliação rápida para sinais de instabilidade e organização do fluxo para tratamento médico (p. ex., metotrexato) ou cirúrgico conforme decisão médica.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036044 Enfermagem
 A Atenção Domiciliar integra a Rede de Atenção à Saúde, ampliando o cuidado prestado pela Atenção Primária e favorecendo a continuidade do tratamento, a humanização e a desospitalização segura dos usuários. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)O atendimento domiciliar substitui o acompanhamento regular realizado na unidade básica de saúde, sendo indicado para todos os usuários com doenças crônicas que apresentam limitação funcional.

(__)A Atenção Domiciliar no âmbito do SUS é estruturada em diferentes modalidades (AD1, AD2 e AD3), definidas conforme a complexidade do cuidado e a necessidade de recursos humanos e tecnológicos para a assistência.

(__)A visita domiciliar é uma ferramenta estratégica para o cuidado longitudinal, permitindo à equipe da ESF avaliar o ambiente familiar, as condições de autocuidado, adesão terapêutica e fatores de vulnerabilidade social.

(__)A equipe multiprofissional do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) deve atuar de forma articulada com a ESF e demais pontos da Rede de Atenção à Saúde, garantindo integralidade e continuidade do cuidado.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4036043 Direito Sanitário
O Sistema Único de Saúde (SUS) é o modelo de atenção à saúde adotado no Brasil, fundamentado nos preceitos constitucionais e regulamentado pelas Leis nº 8.080/1990 e nº 8.142/1990. Sua estrutura está baseada em princípios e diretrizes que visam à universalidade do acesso, integralidade da atenção e equidade na oferta dos serviços. Esses princípios orientam a organização das ações e serviços públicos de saúde em todos os níveis de governo. Considerando os fundamentos legais e conceituais do SUS, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4036042 Enfermagem
A vacinação é uma das estratégias mais efetivas na prevenção de doenças transmissíveis. O enfermeiro, como membro essencial das equipes de Atenção Primária à Saúde, deve conhecer os esquemas, intervalos e contraindicações específicas de cada imunobiológico. Considerando a vacinação contra as doenças imunopreveníveis e o papel do enfermeiro no Programa Nacional de Imunizações (PNI), analise as afirmativas a seguir.

I.A vacina dT (dupla adulto), indicada para reforço da proteção contra difteria e tétano, deve ser aplicada a cada 10 anos ao longo da vida, podendo ser antecipada em casos de ferimentos de risco se a última dose tiver sido administrada há mais de 5 anos.

II.A vacina contra hepatite B é recomendada em três doses para indivíduos não vacinados, seguindo o esquema 0−1− 6 meses, e pode ser aplicada simultaneamente com outras vacinas, em locais anatômicos diferentes.

III.A vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, deve ser administrada em duas doses para indivíduos de 12 meses a 29 anos de idade, sendo considerada válida mesmo se aplicada com intervalo mínimo de 15 dias entre as doses.


Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4036041 Saúde Pública
O gerenciamento eficiente dos Serviços de Saúde requer planejamento, avaliação contínua e articulação entre as esferas de governo e os diferentes níveis de atenção à saúde. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)A regionalização e a hierarquização dos serviços de saúde têm como objetivo garantir a integralidade da atenção, organizando o acesso do usuário por níveis de complexidade crescente e respeitando a capacidade resolutiva de cada ponto de atenção.

(__)A descentralização da gestão do SUS significa a concentração das decisões administrativas e financeiras na esfera federal, que coordena diretamente todas as ações de saúde nos estados e municípios.

(__)O controle social na saúde é exercido apenas por profissionais da área, por meio de reuniões técnicas internas, não envolvendo a participação de usuários ou representantes da sociedade civil organizada.

(__)O planejamento em saúde é um processo contínuo que envolve diagnóstico situacional, definição de prioridades, estabelecimento de metas e avaliação dos resultados, sendo essencial para o uso racional dos recursos e melhoria da qualidade assistencial.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4036040 Enfermagem
A desinfecção e a esterilização são etapas fundamentais no controle de infecções relacionadas à assistência à saúde, garantindo a segurança do paciente e a qualidade do cuidado por meio do processamento adequado de artigos e instrumentais. Considerando os meios de desinfecção e esterilização utilizados nos serviços de saúde, analise as afirmativas a seguir.

I.A desinfecção de alto nível, realizada com glutaraldeído a 2% ou ácido peracético, garante a eliminação de todos os tipos de microrganismos, incluindo esporos bacterianos, sendo equivalente à esterilização.

II.A esterilização por vapor saturado sob pressão (autoclave) é eficaz contra todos os tipos de microrganismos, incluindo esporos bacterianos, e deve ser o método de escolha para materiais termorresistentes e compatíveis com umidade.

III.A escolha do método de desinfecção ou esterilização deve considerar o grau de criticidade do artigo, conforme a classificação de Spaulding, que divide os artigos em críticos, semicríticos e não críticos.


Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4036039 Enfermagem
A Política Nacional de Humanização (PNH) busca fortalecer a produção de saúde por meio da valorização dos sujeitos envolvidos no processo de cuidado, da gestão participativa e da corresponsabilidade entre usuários, trabalhadores e gestores, orientando-se pelos princípios do SUS e pela indissociabilidade entre atenção e gestão. Sobre os princípios e diretrizes da PNH, analise as afirmativas a seguir.

I.A PNH propõe a padronização dos processos de trabalho em saúde, com foco na uniformização das condutas assistenciais, de modo a garantir a equidade do atendimento e reduzir a autonomia das equipes.

II.A PNH preconiza a verticalização das decisões institucionais, nas quais a gestão define as ações e os trabalhadores apenas executam, evitando a fragmentação do processo de trabalho e fortalecendo a hierarquia técnico-administrativa.

III.A PNH reconhece que o cuidado em saúde deve ser centrado na escuta qualificada, no acolhimento e na construção de vínculos entre profissionais e usuários, estimulando a corresponsabilidade e o protagonismo dos sujeitos.


Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Respostas
5101: B
5102: A
5103: C
5104: B
5105: A
5106: B
5107: A
5108: C
5109: D
5110: A
5111: A
5112: B
5113: A
5114: A
5115: A
5116: D
5117: D
5118: C
5119: D
5120: D