Questões de Concurso Para professor - educação básica i

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Q3290106 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Sexta-feira

    Eram onze horas da noite de Sexta-feira da Paixão e eu caminhava sozinho por uma rua deserta de Ipanema, quando tive a gélida sensação de que alguém me seguia. Voltei-me e não vi ninguém. Prossegui a caminhada e foi como se a pessoa ou a coisa que me seguia tivesse se detido também, agarrada à minha sombra, e logo se pusesse comigo a caminhar.
   Tornei a olhar para trás, e desta vez confirmei o pressentimento que tivera, descobrindo meu silencioso seguidor. Era um cão.
    A poucos passos de mim, sentado sobre as patas junto à parede de uma casa, ele esperava que eu prosseguisse no meu caminho, fitando-me com olhos grandes de cão. Não sei há quanto tempo se esgueirava atrás de mim, e nem se trocaria o rumo de meus passos pelos de outro que comigo cruzasse. O certo é que me seguia como a um novo dono e me olhava toda vez que me detinha, como se buscasse no meu olhar assentimento para a sua ousadia de querer-me. No entanto, era um cão.
    Associei a tristeza que pesava no luto da noite ao silêncio daquele bicho a seguir-me, insidioso, para onde eu fosse, e tive medo – medo do meu destino empenhado ao destino de um mundo responsável naquele dia pela morte de um Deus ainda não ressuscitado. Senti que acompanhava o rumo de meus pés no asfalto o remorso na forma de um cão, e o cansaço de ser homem, bicho miserável, entregue à própria sorte de ter assassinado Deus e Homem Verdadeiro. Era como se aquele cão obstinado à minha cola denunciasse em mim o anátema que pesava na noite sobre a humanidade inteira pelo crime ainda não resgatado – e meu desamparo de órfão, e a consciência torturada pelas contradições desta vida, e todo o mistério que do bojo da noite escorria como sangue derramado, para acompanhar-me os passos, configurado em cão. E não passava de um cão.
    Um cão humilde e manso, terrível na sua pertinácia de tentar-me, medonho na sua insistência em incorporar-se ao meu destino – mas não podia ser o demônio: perseverava apenas em oferecer-me a simples fidelidade própria dos cães e nada esperava em troca senão correspondência à sua fome de afeição. Uma fome de cão.
    Antes seria talvez algum amigo nele reencarnado e que desta maneira buscava olhar-me de um outro mundo, tendo escolhido para transmitir-me a sua mensagem de amor justamente a noite em que a morte oferecia ao mundo a salvação pelo amor. E a simples lembrança do amor já me salvava da morte, levando-me à inspiração menos tenebrosa: larguei o pensamento a distrair-se com a ideia da metempsicose, pus-me a percorrer lentamente a lista de amigos mortos, para descobrir o que me poderia estar falando pelo olhar daquele cão. Mas era apenas um cão.
    E tanto era um cão que, ao atingir a esquina, deixou-se ficar para trás, subitamente cauteloso, tenso ante a presença, do lado oposto da rua, de dois outros cães.
    Detive-me à distância, para assistir à cena. Os dois outros cães também o haviam descoberto e vinham se aproximando. Ele aguardava, na expectativa, já esquecido de mim. Os três cães agora se cheiravam mutuamente, sem cerimônia, naquela intimidade primitiva em que o instinto prevalece e o mais forte impõe tacitamente o seu domínio. Depois me olharam em desafio até que eu me afastasse, e meu breve companheiro se deixou ficar por ali, dominado pela presença dos outros dois, na fatalidade atávica que fazia dele, desde o princípio dos tempos, um cão entre cães.
    E agora era eu que, animal sozinho na noite, tinha de prosseguir sozinho no meu confuso itinerário de homem, sozinho, à espera da ressureição do Deus morto e sem merecê-lo, e sem rumo certo, e sem ao menos um cão.


Fonte: SABINO, Fernando. As melhores crônicas de Fernando Sabino. São Paulo: Record, 1986, p. 151-153.
Avalie as assertivas que seguem acerca do fragmento “Era como se aquele cão obstinado à minha cola denunciasse em mim o anátema que pesava na noite sobre a humanidade inteira pelo crime ainda não resgatado” (5º§).

I- No fragmento, o autor da crônica retrata um sentimento coletivo sobre um crime praticado por um indivíduo.
II- No fragmento, o autor da crônica retrata um sentimento individual do narrador-personagem sobre um crime que pesa sobre toda a humanidade.
III- No contexto, o termo “cola” assume valor polissêmico, pois pode significar “perseguir” e pode significar “substância adesiva usada para unir uma superfície a outra”.
IV- No fragmento, a palavra “cola” significa um tipo de substância adesiva, indicando que o cão estava grudado fisicamente ao narrador-personagem.
V- No contexto, o termo “anátema” pode significar “condenação”, mas não pode significar “benção”.

É CORRETO o que se afirma apenas em: 
Alternativas
Q3290105 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Sexta-feira

    Eram onze horas da noite de Sexta-feira da Paixão e eu caminhava sozinho por uma rua deserta de Ipanema, quando tive a gélida sensação de que alguém me seguia. Voltei-me e não vi ninguém. Prossegui a caminhada e foi como se a pessoa ou a coisa que me seguia tivesse se detido também, agarrada à minha sombra, e logo se pusesse comigo a caminhar.
   Tornei a olhar para trás, e desta vez confirmei o pressentimento que tivera, descobrindo meu silencioso seguidor. Era um cão.
    A poucos passos de mim, sentado sobre as patas junto à parede de uma casa, ele esperava que eu prosseguisse no meu caminho, fitando-me com olhos grandes de cão. Não sei há quanto tempo se esgueirava atrás de mim, e nem se trocaria o rumo de meus passos pelos de outro que comigo cruzasse. O certo é que me seguia como a um novo dono e me olhava toda vez que me detinha, como se buscasse no meu olhar assentimento para a sua ousadia de querer-me. No entanto, era um cão.
    Associei a tristeza que pesava no luto da noite ao silêncio daquele bicho a seguir-me, insidioso, para onde eu fosse, e tive medo – medo do meu destino empenhado ao destino de um mundo responsável naquele dia pela morte de um Deus ainda não ressuscitado. Senti que acompanhava o rumo de meus pés no asfalto o remorso na forma de um cão, e o cansaço de ser homem, bicho miserável, entregue à própria sorte de ter assassinado Deus e Homem Verdadeiro. Era como se aquele cão obstinado à minha cola denunciasse em mim o anátema que pesava na noite sobre a humanidade inteira pelo crime ainda não resgatado – e meu desamparo de órfão, e a consciência torturada pelas contradições desta vida, e todo o mistério que do bojo da noite escorria como sangue derramado, para acompanhar-me os passos, configurado em cão. E não passava de um cão.
    Um cão humilde e manso, terrível na sua pertinácia de tentar-me, medonho na sua insistência em incorporar-se ao meu destino – mas não podia ser o demônio: perseverava apenas em oferecer-me a simples fidelidade própria dos cães e nada esperava em troca senão correspondência à sua fome de afeição. Uma fome de cão.
    Antes seria talvez algum amigo nele reencarnado e que desta maneira buscava olhar-me de um outro mundo, tendo escolhido para transmitir-me a sua mensagem de amor justamente a noite em que a morte oferecia ao mundo a salvação pelo amor. E a simples lembrança do amor já me salvava da morte, levando-me à inspiração menos tenebrosa: larguei o pensamento a distrair-se com a ideia da metempsicose, pus-me a percorrer lentamente a lista de amigos mortos, para descobrir o que me poderia estar falando pelo olhar daquele cão. Mas era apenas um cão.
    E tanto era um cão que, ao atingir a esquina, deixou-se ficar para trás, subitamente cauteloso, tenso ante a presença, do lado oposto da rua, de dois outros cães.
    Detive-me à distância, para assistir à cena. Os dois outros cães também o haviam descoberto e vinham se aproximando. Ele aguardava, na expectativa, já esquecido de mim. Os três cães agora se cheiravam mutuamente, sem cerimônia, naquela intimidade primitiva em que o instinto prevalece e o mais forte impõe tacitamente o seu domínio. Depois me olharam em desafio até que eu me afastasse, e meu breve companheiro se deixou ficar por ali, dominado pela presença dos outros dois, na fatalidade atávica que fazia dele, desde o princípio dos tempos, um cão entre cães.
    E agora era eu que, animal sozinho na noite, tinha de prosseguir sozinho no meu confuso itinerário de homem, sozinho, à espera da ressureição do Deus morto e sem merecê-lo, e sem rumo certo, e sem ao menos um cão.


Fonte: SABINO, Fernando. As melhores crônicas de Fernando Sabino. São Paulo: Record, 1986, p. 151-153.
Analise as assertivas que seguem com base na leitura do Texto I e na sua relação com o contexto sócio histórico de produção e circulação do gênero crônica.

I- Por ser um gênero predominantemente ficcional e desvinculado do contexto histórico e social, a crônica não sofre influências das transformações culturais ou ideológicas do período em que é escrita.
II- O texto possui uma linguagem subjetiva, na qual o narrador transmite suas emoções e pensamentos, dando um caráter pessoal e introspectivo à narrativa.
III- O texto I narra, de forma objetiva, o encontro entre o narrador-personagem e um cão.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3290104 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Sexta-feira

    Eram onze horas da noite de Sexta-feira da Paixão e eu caminhava sozinho por uma rua deserta de Ipanema, quando tive a gélida sensação de que alguém me seguia. Voltei-me e não vi ninguém. Prossegui a caminhada e foi como se a pessoa ou a coisa que me seguia tivesse se detido também, agarrada à minha sombra, e logo se pusesse comigo a caminhar.
   Tornei a olhar para trás, e desta vez confirmei o pressentimento que tivera, descobrindo meu silencioso seguidor. Era um cão.
    A poucos passos de mim, sentado sobre as patas junto à parede de uma casa, ele esperava que eu prosseguisse no meu caminho, fitando-me com olhos grandes de cão. Não sei há quanto tempo se esgueirava atrás de mim, e nem se trocaria o rumo de meus passos pelos de outro que comigo cruzasse. O certo é que me seguia como a um novo dono e me olhava toda vez que me detinha, como se buscasse no meu olhar assentimento para a sua ousadia de querer-me. No entanto, era um cão.
    Associei a tristeza que pesava no luto da noite ao silêncio daquele bicho a seguir-me, insidioso, para onde eu fosse, e tive medo – medo do meu destino empenhado ao destino de um mundo responsável naquele dia pela morte de um Deus ainda não ressuscitado. Senti que acompanhava o rumo de meus pés no asfalto o remorso na forma de um cão, e o cansaço de ser homem, bicho miserável, entregue à própria sorte de ter assassinado Deus e Homem Verdadeiro. Era como se aquele cão obstinado à minha cola denunciasse em mim o anátema que pesava na noite sobre a humanidade inteira pelo crime ainda não resgatado – e meu desamparo de órfão, e a consciência torturada pelas contradições desta vida, e todo o mistério que do bojo da noite escorria como sangue derramado, para acompanhar-me os passos, configurado em cão. E não passava de um cão.
    Um cão humilde e manso, terrível na sua pertinácia de tentar-me, medonho na sua insistência em incorporar-se ao meu destino – mas não podia ser o demônio: perseverava apenas em oferecer-me a simples fidelidade própria dos cães e nada esperava em troca senão correspondência à sua fome de afeição. Uma fome de cão.
    Antes seria talvez algum amigo nele reencarnado e que desta maneira buscava olhar-me de um outro mundo, tendo escolhido para transmitir-me a sua mensagem de amor justamente a noite em que a morte oferecia ao mundo a salvação pelo amor. E a simples lembrança do amor já me salvava da morte, levando-me à inspiração menos tenebrosa: larguei o pensamento a distrair-se com a ideia da metempsicose, pus-me a percorrer lentamente a lista de amigos mortos, para descobrir o que me poderia estar falando pelo olhar daquele cão. Mas era apenas um cão.
    E tanto era um cão que, ao atingir a esquina, deixou-se ficar para trás, subitamente cauteloso, tenso ante a presença, do lado oposto da rua, de dois outros cães.
    Detive-me à distância, para assistir à cena. Os dois outros cães também o haviam descoberto e vinham se aproximando. Ele aguardava, na expectativa, já esquecido de mim. Os três cães agora se cheiravam mutuamente, sem cerimônia, naquela intimidade primitiva em que o instinto prevalece e o mais forte impõe tacitamente o seu domínio. Depois me olharam em desafio até que eu me afastasse, e meu breve companheiro se deixou ficar por ali, dominado pela presença dos outros dois, na fatalidade atávica que fazia dele, desde o princípio dos tempos, um cão entre cães.
    E agora era eu que, animal sozinho na noite, tinha de prosseguir sozinho no meu confuso itinerário de homem, sozinho, à espera da ressureição do Deus morto e sem merecê-lo, e sem rumo certo, e sem ao menos um cão.


Fonte: SABINO, Fernando. As melhores crônicas de Fernando Sabino. São Paulo: Record, 1986, p. 151-153.
Assinale a alternativa CORRETAconsoante às ideias apresentadas e aos sentidos autorizados no Texto I.
Alternativas
Q3287288 Pedagogia
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, é falso o que se afirma em:
Alternativas
Q3287287 Pedagogia
Quais dos gêneros discursivos a seguir são considerados adequados para o trabalho com a linguagem oral, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais?
Alternativas
Q3287286 Pedagogia
A importância dos jogos e das brincadeiras no desenvolvimento da criança está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente como um aspecto do direito:
Alternativas
Q3287285 Pedagogia
Para fortalecer a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, o Ministério da Educação definiu quatro eixos, descritos abaixo. Assinale a alternativa que não condiz com um desses eixos.
Alternativas
Q3287284 Pedagogia
Conforme a Lei n.º 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:
Alternativas
Q3287283 Pedagogia
A seguir foram apresentados alguns princípios que regem o ensino, de acordo com o artigo 3.º da LDB. No entanto, uma das alternativas NÃO corresponde literalmente com o instrumento legal, assinale-a:
Alternativas
Q3287282 Pedagogia
A seguir, foram elencadas algumas das diretrizes do Plano Nacional de Educação. No entanto, uma das alternativas NÃO corresponde corretamente ao referido plano, assinale-a:
Alternativas
Q3287281 Pedagogia
De quem é a responsabilidade pela formulação das Diretrizes Curriculares da Educação Básica?
Alternativas
Q3287280 Pedagogia
De acordo com o artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de:
Alternativas
Q3287279 Pedagogia
Sobre a organização do espaço escolar, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, assinale a alternativa que traz uma informação INCORRETA.
Alternativas
Q3287278 Pedagogia
De acordo com o artigo 22 da LDB, “a educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”. Nesse sentido, como são consideradas a alfabetização plena e a formação de leitores?
Alternativas
Q3287277 Pedagogia
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, a educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola.
A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos, a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada, implicando um determinado tipo de mudança.

Assim, destaque a alternativa que melhor define o tipo de mudança que deve ser implementada.
Alternativas
Q3287276 Pedagogia
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, observa-se que o “movimento mundial pela inclusão é uma ação [...] desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação”.

Qual alternativa NÃO completa corretamente o excerto acima?
Alternativas
Q3287275 Pedagogia
Segundo a LDB, como o currículo do ensino fundamental deverá incluir os direitos das crianças e dos adolescentes?
Alternativas
Q3287274 Pedagogia
São características da avaliação qualitativa, EXCETO:
Alternativas
Q3287273 Pedagogia
Assinale a alternativa que descreve corretamente algumas das principais áreas propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental:
Alternativas
Q3287272 Pedagogia
Leia o trecho do artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/1996), e complete-o com a alternativa correta:

“Art. 26. Os currículos do ensino fundamental devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.
§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo_______________, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil.”
Alternativas
Respostas
1381: C
1382: E
1383: A
1384: E
1385: C
1386: A
1387: D
1388: B
1389: D
1390: E
1391: A
1392: B
1393: D
1394: B
1395: C
1396: B
1397: A
1398: C
1399: A
1400: A