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Ano: 2026 Banca: SELECON Órgão: EMGEPRON Prova: SELECON - 2026 - EMGEPRON - Contador |
Q3973741 Ética na Administração Pública
Os princípios, valores e missão da empresa estatal, além de orientações sobre a prevenção de conflito de interesses e vedação de atos de corrupção e fraude, são temas que devem ser normatizados, de acordo com o Decreto n.º 8945/2016, no documento denominado: 
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Ano: 2026 Banca: SELECON Órgão: EMGEPRON Prova: SELECON - 2026 - EMGEPRON - Contador |
Q3973740 Direito Administrativo
O Conselho de Administração das empresas públicas é auxiliado por órgão que deve constar na sua estrutura societária. Esse órgão é o:  
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Ano: 2026 Banca: SELECON Órgão: EMGEPRON Prova: SELECON - 2026 - EMGEPRON - Contador |
Q3973739 Auditoria
Aferir a adequação do controle interno, a efetividade do gerenciamento dos riscos e dos processos de governança e a confiabilidade do processo de coleta, mensuração, classificação, acumulação, registro e divulgação de eventos e transações, visando ao preparo de demonstrações financeiras, são atribuições que a Lei n.º 13.303/2016 confere ao(à)
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Ano: 2026 Banca: SELECON Órgão: EMGEPRON Prova: SELECON - 2026 - EMGEPRON - Contador |
Q3973738 Administração Pública
O controle interno das empresas públicas deverá, conforme estabelecido na Lei n.º 13.303/2016, ser vinculado ao(à): 
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Q3970354 Arquitetura de Computadores
Durante a análise de um problema de inicialização, um técnico de suporte percebe que o computador realiza testes de hardware, reconhece dispositivos conectados e somente depois inicia o carregamento do sistema operacional instalado no disco. Essas rotinas são executadas mesmo quando não há sistema operacional funcional instalado. É correto afirmar que as instruções responsáveis por esse processo inicial de verificação e inicialização do hardware encontram-se armazenadas em: 
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Q3970353 Noções de Informática
Em uma planilha utilizada para acompanhamento de resultados financeiros, o responsável pelo controle precisa que deter minados valores sejam destacados automaticamente conforme critérios definidos, permitindo identificar rapidamente situ ações críticas sem alterar manualmente a formatação das células. No LibreOffice Calc (Configuração Padrão – Idioma Português-Brasil), o recurso que permite aplicar automaticamente estilos visuais diferentes às células com base em regras ou condições previamente definidas é:
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Q3970352 Noções de Informática
Durante a utilização de um computador com Windows 10 Pro (Configuração Padrão – Idioma Português-Brasil), um usuário percebe lentidão progressiva no sistema ao executar múltiplas aplicações simultaneamente. Para identificar a possível causa do problema, ele decide utilizar uma ferramenta administrativa nativa do sistema operacional. Trata-se da ferramenta mais adequada para diagnosticar, de forma imediata, o impacto das aplicações em execução no desempenho do sistema: 
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Q3970351 Sistemas Operacionais
Durante a organização de arquivos em um computador que utiliza MS-DOS, considere que um técnico executou o seguinte comando:

C:\RELATORIOS>ATTRIB +R +H dados.txt

Após a execução, outro usuário afirmou que não conseguia visualizar nem editar o arquivo ao listar o diretório normalmente. Considerando o funcionamento do comando utilizado, assinale a afirmativa correta. 
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Q3970350 Noções de Informática
Durante a revisão de um documento institucional, um servidor percebe desalinhamentos inesperados entre parágrafos e espaçamentos inconsistentes. Para identificar possíveis quebras de linha, espaços extras e tabulações inseridas manualmente, ele decide visualizar elementos normalmente ocultos no texto. No LibreOffice Writer (Configuração Padrão – Idioma Português- -Brasil), o recurso que permite exibir ou ocultar caracteres não imprimíveis, como espaços, tabulações e marcas de parágrafo, é:
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Q3970349 Raciocínio Lógico
Em determinado dia, cinco servidores – Paulo, Mariana, Eduardo, Fernanda e Lucas – compareceram à sede administrativa em horários distintos ao longo da manhã, permanecendo no local até as 18h. Sabe-se que Paulo não foi o primeiro a chegar. Além disso, Mariana não foi a última. Por fim, no momento em que Eduardo chegou, Paulo e Fernanda já tinham chegado, enquanto Mariana ainda não havia chegado. Com base nessas informações, analise as afirmativas a seguir. 

I. Paulo foi o segundo a chegar.

II. Lucas chegou antes de Mariana.

III. Eduardo foi o quarto a chegar.

Está correto o que se afirma apenas em 
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Q3970348 Matemática
A prefeitura de determinado município mantém um restaurante municipal responsável pela produção da mesma quantidade de refeições diárias destinadas aos programas de segurança alimentar. Para essa atividade, o restaurante conta com duas cozinhas independentes – identificadas como A e B – que podem operar separadamente ou de forma simultânea. A cozinha A é capaz de preparar todos os pratos de cada dia em seis horas, enquanto a cozinha B, realizando o mesmo serviço sozinha, leva doze horas. Na situação em que ambas as cozinhas funcionam ao mesmo tempo, em quanto tempo todos os pratos de cada dia serão preparados?
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Q3970347 Matemática
A prefeitura de determinado município, por meio da secretaria de tecnologia, lançou um aplicativo oficial para facilitar o acesso da população a serviços públicos, como agendamentos, consultas e solicitações administrativas. Nos seis primeiros meses de funcionamento de 2023, observou-se que os números mensais de downloads do aplicativo formaram uma sequência regida por uma progressão aritmética. Em janeiro, foram registrados 4.000 downloads e, em fevereiro, a quantidade de downloads dobrou. De acordo com o exposto, qual a quantidade de downloads registrados no mês de abril?
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Q3970346 Raciocínio Lógico
Determinado município promoveu um torneio de futsal com a participação de 18 equipes, representando diferentes distritos. O campeonato foi disputado no sistema de pontos corridos, em que cada equipe enfrentou todas as outras exatamente uma vez. Ao final da competição, não houve empates, de modo que todas as equipes puderam ser ordenadas de forma única na classificação final. Nessas condições, de quantas maneiras diferentes podem ser definidos o 16º, o 17º e o 18º colocados do torneio?
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Q3970345 Raciocínio Lógico
Em uma secretaria de educação, três servidores – Leandro, Paulo e Joaquim – estavam organizando arquivos. Em determi nado momento, apenas um deles cometeu um erro e perdeu todos os documentos. Após questionamento do secretário, eles deram as seguintes declarações: 
– Leandro: “Foi Joaquim”;
– Paulo: “Fui eu”; e
– Joaquim: “Foi Paulo”.

Sabe-se que Paulo e mais um servidor mentiram, enquanto o servidor restante disse uma verdade. Com base nessas informações, é correto afirmar que: 
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Q3970344 Português

Texto para responder à questão.


Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

– Em que espelho ficou perdida

a minha face?


(MEIRELES, Cecília. Obra Poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.) 

Analise o emprego das classes de palavras no poema de Cecília Meireles e assinale a afirmativa correta.


Alternativas
Q3970343 Português

Texto para responder à questão.


Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

– Em que espelho ficou perdida

a minha face?


(MEIRELES, Cecília. Obra Poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.) 

Considerando a estrutura e os recursos linguísticos utilizados pela autora no texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3970342 Português

Texto para responder à questão.


Para que a existência valha a pena



    Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.


    Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.


    Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.


    Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui.


    Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”.


    O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador.


    Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente para pra pensar.


    Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas.


    Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.


    Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.


    Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas.


    Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.


    Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.


    Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.


    Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.


    Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.


    Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.


    Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.


    Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.


    Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.


    Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.


    Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. 


    E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.


 (LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.)

Analise a concordância (verbal e nominal), baseada na estrutura do texto: “Para a autora, não ____________ de escolhas fáceis; ______________ audácia e persistência para que ____________ as transformações necessárias na alma”. Considerando a norma padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior. 
Alternativas
Q3970341 Português

Texto para responder à questão.


Para que a existência valha a pena



    Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.


    Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.


    Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.


    Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui.


    Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”.


    O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador.


    Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente para pra pensar.


    Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas.


    Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.


    Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.


    Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas.


    Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.


    Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.


    Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.


    Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.


    Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.


    Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.


    Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.


    Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.


    Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.


    Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.


    Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. 


    E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.


 (LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.)

Analise o trecho a seguir, inspirado no texto: “Viver – e não apenas transcorrer os dias – exige de nós uma disposição para o espanto”. Sobre o uso dos travessões nesse fragmento, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q3970340 Português

Texto para responder à questão.


Para que a existência valha a pena



    Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.


    Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.


    Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.


    Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui.


    Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”.


    O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador.


    Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente para pra pensar.


    Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas.


    Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.


    Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.


    Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas.


    Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.


    Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.


    Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.


    Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.


    Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.


    Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.


    Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.


    Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.


    Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.


    Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.


    Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. 


    E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.


 (LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.)

Analise o trecho a seguir, adaptado do texto: “Para que a existência valha a pena, não podemos ceder ____ pressões da superficialidade nem renunciar ____ busca por uma vida autêntica, aspirando ____ plenitude.” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior. 
Alternativas
Q3970339 Português

Texto para responder à questão.


Para que a existência valha a pena



    Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.


    Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.


    Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.


    Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui.


    Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”.


    O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador.


    Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente para pra pensar.


    Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas.


    Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.


    Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.


    Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas.


    Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.


    Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.


    Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.


    Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.


    Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.


    Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.


    Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.


    Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.


    Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.


    Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.


    Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. 


    E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.


 (LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.)

No trecho “[...] viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.” (1º§), a oração em destaque estabelece com a oração principal uma relação de:

 

Alternativas
Respostas
761: D
762: C
763: A
764: D
765: B
766: E
767: B
768: D
769: D
770: B
771: B
772: A
773: A
774: D
775: E
776: B
777: E
778: D
779: A
780: D