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Q4091926 Pedagogia
Segundo a Abordagem Crítico-Social dos Conteúdos, assinale a alternativa CORRETA quanto ao papel que deve ser desempenhado pelo professor no processo educativo.
Alternativas
Q4091925 Pedagogia
De acordo com a Abordagem Crítico-Social dos Conteúdos, desenvolvida por Dermeval Saviani, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4091924 Pedagogia
De acordo com o excerto abaixo, referente à obra de Libâneo (2005) que trata sobre as correntes pedagógicas, assinale a alternativa CORRETA que completa as lacunas.

“São modernas a___________, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a_______________, a pedagogia crítico-social”.
Alternativas
Q4091923 Pedagogia
Sobre a avaliação escolar, na ótica de Cipriano Luckesi (2014), analise as sentenças a seguir:

I- A prática da avaliação escolar, dentro do modelo liberal conservador, terá de, obrigatoriamente, ser autoritária, pois esse caráter pertence à essência dessa perspectiva de sociedade, que exige controle e enquadramento dos indivíduos nos parâmetros previamente estabelecidos de equilíbrio social, seja pela utilização de coações explícitas seja pelos meios sub-reptícios das diversas modalidades de propaganda ideológica. A avaliação Educacional será, assim, um instrumento disciplinador não só das condutas cognitivas como também das sociais, no contexto da escola.
II- A avaliação não poderá ser uma ação mecânica e sim uma atividade racionalmente definida, dentro de um encaminhamento político e decisório a favor da competência de todos para a participação da vida social.
III- A avaliação educacional, em geral e a avaliação da aprendizagem escolar, em particular, são meios e não fins em si mesmas, estando assim delimitadas pela teoria e pela prática que as circunstancializam. Desse modo, entendemos que a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico de mundo e de educação, traduzido em prática pedagógica.

Está(ão) CORRETA(S) a(s) sentença(s):
Alternativas
Q4091922 Pedagogia
Assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE o conceito de avaliação escolar proposto por Libâneo (1996). 
Alternativas
Q4091921 Pedagogia
Considerando que a avaliação escolar deve ser um processo contínuo e reflexivo, segundo José Carlos Libâneo (1990), ela tem função:

I- Pedagógico-didática.
II- Diagnóstica.
III- Didática.
IV- De gerenciamento.
V- De controle.

Estão CORRETAS as funções:
Alternativas
Q4091920 Pedagogia
Antes da década de 1980, a Educação Infantil no Brasil era chamada de Pré-escolar, tendo em vista que era uma etapa anterior à escolarização, que seria iniciada apenas após a entrada no Ensino Fundamental.
A respeito da História da Educação Infantil no Brasil, analise as seguintes sentenças:

I- A partir da Constituição Federal de 1988, o atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a 6 anos de idade tornou-se dever do Estado.
II- Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1996, a Educação Infantil deixou de integrar a Educação Básica, situando-se como uma etapa pré-escolar que existe antes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
III- Com as modificações na LDB em 2006, que anteciparam o acesso ao Ensino Fundamental para os 6 anos de idade, a Educação Infantil passou a atender a faixa etária de zero a 5 anos.
IV- Embora reconhecida como direito de todas as crianças e dever do Estado, a Educação Infantil passou a ser obrigatória para as crianças de 4 e 5 anos apenas com a Emenda Constitucional n.º 59/2009, que determina a obrigatoriedade da Educação Básica dos 4 aos 17 anos.
V- Embora a Educação Infantil faça parte da Educação Básica, a partir das modificações feitas na LDB em 2006, ela ainda não possui um capítulo na BNCC; no entanto, já faz parte do Documento Referencial Curricular da maioria dos Estados e Municípios Brasileiros.

Estão CORRETAS as sentenças:
Alternativas
Q4091919 Pedagogia
Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Ensino Fundamental está organizado em cinco áreas do conhecimento.
Cada área do conhecimento estabelece competências específicas de área, cujo desenvolvimento deve ser promovido ao longo dos nove anos. Essas competências explicitam como as dez competências gerais se expressam nessas áreas. Nas áreas que abrigam mais de um componente curricular, também são definidas competências específicas do componente a ser desenvolvidas pelos alunos ao longo dessa etapa de escolarização. Para garantir o desenvolvimento das competências específicas ao longo do curso do Ensino Fundamental, cada componente curricular apresenta um conjunto de:
Alternativas
Q4091918 Pedagogia
O artigo 214 da Constituição Federal Brasileira de 1988 estabelece o que deve ser garantido através das ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas. Nesse sentido, analise as sentenças a seguir.

I- Diminuição massiva do analfabetismo.
II- Universalização do atendimento escolar.
III- Melhoria da qualidade do ensino.
IV- Formação para o trabalho e a vida doméstica.
V- Promoção humanística, científica e tecnológica do país.
VI- Integralização do ensino.
VII- Estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto.

De acordo com o artigo 214, estão CORRETAS as sentenças:
Alternativas
Q4091829 História e Geografia de Estados e Municípios
Na década de 1950, foram criadas diversas instituições e serviços públicos no município de Limoeiro do Norte (CE). Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE uma instituição surgida no período descrito. 
Alternativas
Q4091828 Legislação dos Municípios do Estado do Ceará
Conforme o Art.109 da Lei Orgânica do município de Limoeiro do Norte (CE), é dever do Município garantir o Ensino Fundamental e Pré-Escolar a todos quantos dele necessitarem obedecendo a alguns princípios. Sobre esse assunto, analise as sentenças a seguir.

I- Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, inclusive para aqueles não tiveram acesso ao Ensino Fundamental na idade própria.
II- Gratuidade, sendo permitida a cobrança de taxa ou contribuição para custeio de material escolar e manutenção predial.
III- Valorização dos profissionais de ensino, garantindo-se o plano de cargos e carreiras.
IV- Gestão democrática do ensino público na forma da lei.

Com base no artigo mencionado, assinale a alternativa que contém apenas sentenças CORRETAS.
Alternativas
Q4091825 Direito Administrativo
A respeito do princípio constitucional da legalidade, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4091824 Direito Administrativo
Heráclito, secretário de saúde do município de Tebas do Oeste, utiliza, na reforma de sua residência particular, maquinário da Secretaria Municipal de Obras, bem como a mão de obra de servidores vinculados àquela secretaria. Isso acontece com a ciência e consentimento de Aquiles, secretário de obras do município. Nesse contexto, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4091823 Direito Administrativo
Sobre abuso de poder na Administração Pública, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q4091822 Noções de Informática
No sistema operacional Windows 11, quando o usuário pressiona as teclas de atalho “Windows + V” abre-se:
Alternativas
Q4091821 Segurança da Informação
Em relação aos principais tipos de softwares maliciosos, analise as sentenças a seguir.

I- Os vírus são códigos maliciosos que se anexam a arquivos legítimos e dependem da ação do usuário para se propagar.
II- Os worms são malwares que se replicam automaticamente por redes, sem a necessidade de intervenção humana.
III- Os trojans, ou cavalos de Troia, são malwares que se replicam por conta própria e infectam dispositivos via rede.

Está(ão) CORRETA(S):
Alternativas
Q4091820 Redes de Computadores
Sobre os conceitos fundamentais de redes de computadores, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4091819 Português
TEXTO

HANS STADEN, O AVENTUREIRO QUE APRESENTOU O BRASIL À EUROPA


   Era um tempo em que o lado americano do mundo era um universo misterioso, novo e instigante para o povo europeu. Então foi publicado um livro em que o autor-protagonista não só conta sobre fauna, flora e geografia dessas terras desconhecidas como ainda descreve o dia a dia, os costumes e as tradições de pessoas canibais, relatando ele próprio ter sido prisioneiro delas por nove meses.

  Não é à toa que o aventureiro mercenário alemão Hans Staden (1525-1576) se tornou tão importante. “Seu livro se tornou a única fonte de informação sobre esta parte do mundo”, diz a tradutora e editora Vanete Santana-Dezmann, pesquisadora colaboradora do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

   Isto porque, embora o escrivão Pero Vaz de Caminha (1450-1500) tenha registrado as primeiras impressões portuguesas no hoje território brasileiro, seus escritos ficaram por muito tempo restritos, sem terem sido publicados ao público em geral. Isso, aliás, torna a obra do aventureiro alemão ainda mais original. Conforme pontua o brasilianista alemão Franz Obermeier, em artigo acadêmico publicado em 2011, “o acesso de Staden a manuscritos sobre o Brasil é improvável”.

   A Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Ferozes Devoradores de Homens, Encontrados no Novo Mundo, a América – também conhecida como Duas Viagens Ao Brasil – foi publicada em 1557 na antiga versão da Feira do Livro de Frankfurt e logo despertou a atenção do incipiente mercado editorial europeu.

  Esses “selvagens, nus e ferozes” antropófagos eram os tupinambás, também chamados de tamoios, grupo indígena que acabou completamente exterminado pelos colonizadores. Assim como a carta de Caminha, o relato de Staden traz a “marca de um relato inaugural, de notícia primeira, de abertura de um mundo de novas e até então inimagináveis possibilidades”, define a historiadora Miriam Elvira Junghans, doutora pela Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz.

  “As leituras feitas atualmente [da obra] procuram entendê-la a partir do contexto em que foi produzida: tratava-se de um homem do século 16, envolvido na empresa de expansão dos horizontes geográficos e do conhecimento sobre o mundo na qual o Ocidente se empenhou [na época]”, contextualiza a pesquisadora. “As expectativas sobre esse ‘novo mundo’ se traduziam, em especial, em formas de diferenciação, de estranhamento muito fortes.”

    É por isso que, explica ela, a narração dos “rituais de canibalismo praticados pelos tupinambás […] ressoaram intensamente no mundo europeu”.

   “O livro tornou-se um best-seller. No primeiro ano já teve uma segunda edição, lembrando que a impressão de livros em grande escala ainda era uma novidade na época”, afirma a historiadora Daniela Rothfuss, coordenadora cultural do Instituto Martius-Staden. “É preciso lembrar que as experiências vividas por Staden eram, até então, completamente desconhecidas na Europa do século 16.”

    De acordo com Rothfuss, entre 1625 e 1736, o relato do aventureiro foi publicado 16 vezes, “com traduções para várias línguas europeias”. Em português, a primeira tradução só foi publicada no século 19. “Este relato era interessante não só para dirigentes de nações europeias que tinham interesse comercial e econômico nessa parte do mundo, mas também a qualquer pessoa que tivesse curiosidade em saber sobre esse local então desconhecido”, diz Santana-Dezmann.

   Nascido há 500 anos em Homberg, hoje Alemanha – a data exata é desconhecida; sabe-se apenas o ano –, Staden esteve na então América portuguesa duas vezes entre 1548 e 1555. Na primeira, lutou junto a portugueses contra indígenas no Nordeste e, em seguida, contra franceses a bordo de um navio.

    Na outra viagem, o plano era chegar ao Rio da Prata, mas dois naufrágios sucessivos alteraram o destino. O primeiro fez com que Staden e o grupo ficassem por dois anos no atual litoral catarinense. De lá, embarcou com destino a São Vicente – um novo naufrágio ocorreu na região de Itanhaém.

   Staden acabou contratado pelos colonos portugueses para atuar como guarda artilheiro no Forte de São Filipe da Bertioga. “Ele manobrava canhão”, conta a pesquisadora Santana-Dezmann. Foi por conta desse trabalho de defesa que o aventureiro acabou capturado e aprisionado por indígenas tupinambás, que pretendiam devorá-lo em um ritual antropofágico.

   Durante nove meses foi prisioneiro dos nativos, que o preparavam para o ato canibal. Depois de diversas tentativas infrutíferas ao longo de mais de nove meses, conseguiu escapar: foi resgatado por um navio pirata francês. “Além de Hans Staden, ninguém nunca coletou informações tão precisas sobre os hábitos de uma tribo canibal”, afirma Santana-Dezmann.

    Na interpretação da pesquisadora, Staden só conseguiu escapar porque durante o período em que esteve preso demonstrou que não tinha as características desejadas pelos tupinambás – que acreditavam que a antropofagia era uma maneira de absorver qualidades do inimigo. Ele chorava quando rezava pedindo ajuda de Deus e em diversos episódios deu demonstrações de covardia, medo e fraquezas morais como o exercício da mentira. “Os tupinambás simplesmente perderam o interesse pela carne e pelas características de Staden”, resume ela.

  Suas experiências, únicas sob a perspectiva europeia da época, acabaram dando origem ao impressionante relato. Que, segundo o professor Augusto Rodrigues, arquivista e pesquisador no Instituto Martius-Staden, se tornou “importante referência da época” porque conta com “informações antropológicas, sociológicas, linguísticas, culturais e biológicas sobre indígenas da costa do Brasil, assim como dados geográficos da região, e foram relatos pioneiros, por assim dizer”.

   Curiosamente, a ideia inicial de Staden não era vir para o Brasil colonial. “Foi completamente por acaso. Ele queria aventura, mas estava pensando nas Índias Orientais, encantado pelas histórias daquela civilização milenar”, conta Santana-Dezmann. Mas quando ele soube que naquele ano todas as expedições para esse lugar já tinham partido, acabou embarcando na primeira oportunidade que lhe parecesse interessante o suficiente.

   “O relato de Staden não é visto em termos de verdadeiro ou falso, mas sim de significados. Dos significados do que descreveu para o mundo no qual vivia e para o mundo no qual vivemos agora”, pondera Junghans.

   O fascínio despertado pelo livro de Staden acabou criando no imaginário uma ideia de Brasil. O que precisa ser entendido com muitas ressalvas, é verdade. Primeiro porque o Brasil nem existia como nação – Staden esteve na colônia portuguesa localizada na América, um embrião do Brasil. Além disso, suas experiências foram localizadas, não compreendendo a diversidade dos povos indígenas que viviam no território. Por fim, era uma perspectiva que partia exclusivamente do ponto de vista de um homem branco europeu.

   Na avaliação de Rothfuss, a obra se popularizou justamente por falar “sobre um mundo novo e desconhecido para eles [europeus], tão exótico e primitivo, por isso fascinante”. No contexto da contrarreforma religiosa, também pesou o apelo protestante da obra – Staden atribui à ajuda de Deus a sua sobrevivência e, sendo ele um luterano, seu discurso não deixava de funcionar como uma propaganda cristã não-católica. “São descrições em primeira mão sobre a vida, as crenças e os costumes dos indígenas da época, feitas por um europeu eurocentrista. Isto, entre outras coisas, suscita uma análise crítica do discurso ‘europeu civilizado vs. indígena selvagem’”, comenta Rodrigues.

   O legado está presente até hoje, o que justifica Staden ser lembrado cinco séculos após seu nascimento. Além de diversos estudos acadêmicos, a obra foi adaptada para o público infanto-juvenil pelo escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Junghans lembra ainda que essa narrativa ecoou em movimentos como o modernismo e o tropicalismo.

   “O livro traz Brasil no nome, embora Brasil como nação ainda não existisse. Mas ficou a impressão, no mundo inteiro, de que aquilo que o Hans Staden narrava se referia aos hábitos do Brasil”, analisa Santana-Dezmann. “Historicamente, acabou se tornando referência dos hábitos brasileiros.”

   Em seu doutorado, defendido em 2007 na Universidade Estadual de Campinas, a pesquisadora estudou justamente esse imaginário criado. Para ela, o livro acabou contribuindo para a construção “da identidade nacional brasileira” na perspectiva do europeu. “Até hoje somos vistos como selvagens puros […]. Não é uma definição desejável para a sociedade dita civilizada, porque somos canibais, ainda que hoje só metaforicamente. O brasileiro ainda é visto na Europa como essa coisa carnavalesca, cheia de plumas coloridas na cabeça […], esse ser meio em estado infantil que não tem muita noção das coisas, que não tem muita instrução.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/hans-stadeno-aventureiro-que-apresentou-o-brasil-à-europa/a71617647>. Adaptado. Acesso em: 08 de setembro de
2025.
No trecho “mas também a qualquer pessoa que tivesse curiosidade em saber sobre esse local então desconhecido”, o termo destacado tem valor:
Alternativas
Q4091818 Português
TEXTO

HANS STADEN, O AVENTUREIRO QUE APRESENTOU O BRASIL À EUROPA


   Era um tempo em que o lado americano do mundo era um universo misterioso, novo e instigante para o povo europeu. Então foi publicado um livro em que o autor-protagonista não só conta sobre fauna, flora e geografia dessas terras desconhecidas como ainda descreve o dia a dia, os costumes e as tradições de pessoas canibais, relatando ele próprio ter sido prisioneiro delas por nove meses.

  Não é à toa que o aventureiro mercenário alemão Hans Staden (1525-1576) se tornou tão importante. “Seu livro se tornou a única fonte de informação sobre esta parte do mundo”, diz a tradutora e editora Vanete Santana-Dezmann, pesquisadora colaboradora do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

   Isto porque, embora o escrivão Pero Vaz de Caminha (1450-1500) tenha registrado as primeiras impressões portuguesas no hoje território brasileiro, seus escritos ficaram por muito tempo restritos, sem terem sido publicados ao público em geral. Isso, aliás, torna a obra do aventureiro alemão ainda mais original. Conforme pontua o brasilianista alemão Franz Obermeier, em artigo acadêmico publicado em 2011, “o acesso de Staden a manuscritos sobre o Brasil é improvável”.

   A Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Ferozes Devoradores de Homens, Encontrados no Novo Mundo, a América – também conhecida como Duas Viagens Ao Brasil – foi publicada em 1557 na antiga versão da Feira do Livro de Frankfurt e logo despertou a atenção do incipiente mercado editorial europeu.

  Esses “selvagens, nus e ferozes” antropófagos eram os tupinambás, também chamados de tamoios, grupo indígena que acabou completamente exterminado pelos colonizadores. Assim como a carta de Caminha, o relato de Staden traz a “marca de um relato inaugural, de notícia primeira, de abertura de um mundo de novas e até então inimagináveis possibilidades”, define a historiadora Miriam Elvira Junghans, doutora pela Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz.

  “As leituras feitas atualmente [da obra] procuram entendê-la a partir do contexto em que foi produzida: tratava-se de um homem do século 16, envolvido na empresa de expansão dos horizontes geográficos e do conhecimento sobre o mundo na qual o Ocidente se empenhou [na época]”, contextualiza a pesquisadora. “As expectativas sobre esse ‘novo mundo’ se traduziam, em especial, em formas de diferenciação, de estranhamento muito fortes.”

    É por isso que, explica ela, a narração dos “rituais de canibalismo praticados pelos tupinambás […] ressoaram intensamente no mundo europeu”.

   “O livro tornou-se um best-seller. No primeiro ano já teve uma segunda edição, lembrando que a impressão de livros em grande escala ainda era uma novidade na época”, afirma a historiadora Daniela Rothfuss, coordenadora cultural do Instituto Martius-Staden. “É preciso lembrar que as experiências vividas por Staden eram, até então, completamente desconhecidas na Europa do século 16.”

    De acordo com Rothfuss, entre 1625 e 1736, o relato do aventureiro foi publicado 16 vezes, “com traduções para várias línguas europeias”. Em português, a primeira tradução só foi publicada no século 19. “Este relato era interessante não só para dirigentes de nações europeias que tinham interesse comercial e econômico nessa parte do mundo, mas também a qualquer pessoa que tivesse curiosidade em saber sobre esse local então desconhecido”, diz Santana-Dezmann.

   Nascido há 500 anos em Homberg, hoje Alemanha – a data exata é desconhecida; sabe-se apenas o ano –, Staden esteve na então América portuguesa duas vezes entre 1548 e 1555. Na primeira, lutou junto a portugueses contra indígenas no Nordeste e, em seguida, contra franceses a bordo de um navio.

    Na outra viagem, o plano era chegar ao Rio da Prata, mas dois naufrágios sucessivos alteraram o destino. O primeiro fez com que Staden e o grupo ficassem por dois anos no atual litoral catarinense. De lá, embarcou com destino a São Vicente – um novo naufrágio ocorreu na região de Itanhaém.

   Staden acabou contratado pelos colonos portugueses para atuar como guarda artilheiro no Forte de São Filipe da Bertioga. “Ele manobrava canhão”, conta a pesquisadora Santana-Dezmann. Foi por conta desse trabalho de defesa que o aventureiro acabou capturado e aprisionado por indígenas tupinambás, que pretendiam devorá-lo em um ritual antropofágico.

   Durante nove meses foi prisioneiro dos nativos, que o preparavam para o ato canibal. Depois de diversas tentativas infrutíferas ao longo de mais de nove meses, conseguiu escapar: foi resgatado por um navio pirata francês. “Além de Hans Staden, ninguém nunca coletou informações tão precisas sobre os hábitos de uma tribo canibal”, afirma Santana-Dezmann.

    Na interpretação da pesquisadora, Staden só conseguiu escapar porque durante o período em que esteve preso demonstrou que não tinha as características desejadas pelos tupinambás – que acreditavam que a antropofagia era uma maneira de absorver qualidades do inimigo. Ele chorava quando rezava pedindo ajuda de Deus e em diversos episódios deu demonstrações de covardia, medo e fraquezas morais como o exercício da mentira. “Os tupinambás simplesmente perderam o interesse pela carne e pelas características de Staden”, resume ela.

  Suas experiências, únicas sob a perspectiva europeia da época, acabaram dando origem ao impressionante relato. Que, segundo o professor Augusto Rodrigues, arquivista e pesquisador no Instituto Martius-Staden, se tornou “importante referência da época” porque conta com “informações antropológicas, sociológicas, linguísticas, culturais e biológicas sobre indígenas da costa do Brasil, assim como dados geográficos da região, e foram relatos pioneiros, por assim dizer”.

   Curiosamente, a ideia inicial de Staden não era vir para o Brasil colonial. “Foi completamente por acaso. Ele queria aventura, mas estava pensando nas Índias Orientais, encantado pelas histórias daquela civilização milenar”, conta Santana-Dezmann. Mas quando ele soube que naquele ano todas as expedições para esse lugar já tinham partido, acabou embarcando na primeira oportunidade que lhe parecesse interessante o suficiente.

   “O relato de Staden não é visto em termos de verdadeiro ou falso, mas sim de significados. Dos significados do que descreveu para o mundo no qual vivia e para o mundo no qual vivemos agora”, pondera Junghans.

   O fascínio despertado pelo livro de Staden acabou criando no imaginário uma ideia de Brasil. O que precisa ser entendido com muitas ressalvas, é verdade. Primeiro porque o Brasil nem existia como nação – Staden esteve na colônia portuguesa localizada na América, um embrião do Brasil. Além disso, suas experiências foram localizadas, não compreendendo a diversidade dos povos indígenas que viviam no território. Por fim, era uma perspectiva que partia exclusivamente do ponto de vista de um homem branco europeu.

   Na avaliação de Rothfuss, a obra se popularizou justamente por falar “sobre um mundo novo e desconhecido para eles [europeus], tão exótico e primitivo, por isso fascinante”. No contexto da contrarreforma religiosa, também pesou o apelo protestante da obra – Staden atribui à ajuda de Deus a sua sobrevivência e, sendo ele um luterano, seu discurso não deixava de funcionar como uma propaganda cristã não-católica. “São descrições em primeira mão sobre a vida, as crenças e os costumes dos indígenas da época, feitas por um europeu eurocentrista. Isto, entre outras coisas, suscita uma análise crítica do discurso ‘europeu civilizado vs. indígena selvagem’”, comenta Rodrigues.

   O legado está presente até hoje, o que justifica Staden ser lembrado cinco séculos após seu nascimento. Além de diversos estudos acadêmicos, a obra foi adaptada para o público infanto-juvenil pelo escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Junghans lembra ainda que essa narrativa ecoou em movimentos como o modernismo e o tropicalismo.

   “O livro traz Brasil no nome, embora Brasil como nação ainda não existisse. Mas ficou a impressão, no mundo inteiro, de que aquilo que o Hans Staden narrava se referia aos hábitos do Brasil”, analisa Santana-Dezmann. “Historicamente, acabou se tornando referência dos hábitos brasileiros.”

   Em seu doutorado, defendido em 2007 na Universidade Estadual de Campinas, a pesquisadora estudou justamente esse imaginário criado. Para ela, o livro acabou contribuindo para a construção “da identidade nacional brasileira” na perspectiva do europeu. “Até hoje somos vistos como selvagens puros […]. Não é uma definição desejável para a sociedade dita civilizada, porque somos canibais, ainda que hoje só metaforicamente. O brasileiro ainda é visto na Europa como essa coisa carnavalesca, cheia de plumas coloridas na cabeça […], esse ser meio em estado infantil que não tem muita noção das coisas, que não tem muita instrução.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/hans-stadeno-aventureiro-que-apresentou-o-brasil-à-europa/a71617647>. Adaptado. Acesso em: 08 de setembro de
2025.
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra formada APENAS por derivação sufixal.
Alternativas
Q4091817 Português
TEXTO

HANS STADEN, O AVENTUREIRO QUE APRESENTOU O BRASIL À EUROPA


   Era um tempo em que o lado americano do mundo era um universo misterioso, novo e instigante para o povo europeu. Então foi publicado um livro em que o autor-protagonista não só conta sobre fauna, flora e geografia dessas terras desconhecidas como ainda descreve o dia a dia, os costumes e as tradições de pessoas canibais, relatando ele próprio ter sido prisioneiro delas por nove meses.

  Não é à toa que o aventureiro mercenário alemão Hans Staden (1525-1576) se tornou tão importante. “Seu livro se tornou a única fonte de informação sobre esta parte do mundo”, diz a tradutora e editora Vanete Santana-Dezmann, pesquisadora colaboradora do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

   Isto porque, embora o escrivão Pero Vaz de Caminha (1450-1500) tenha registrado as primeiras impressões portuguesas no hoje território brasileiro, seus escritos ficaram por muito tempo restritos, sem terem sido publicados ao público em geral. Isso, aliás, torna a obra do aventureiro alemão ainda mais original. Conforme pontua o brasilianista alemão Franz Obermeier, em artigo acadêmico publicado em 2011, “o acesso de Staden a manuscritos sobre o Brasil é improvável”.

   A Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Ferozes Devoradores de Homens, Encontrados no Novo Mundo, a América – também conhecida como Duas Viagens Ao Brasil – foi publicada em 1557 na antiga versão da Feira do Livro de Frankfurt e logo despertou a atenção do incipiente mercado editorial europeu.

  Esses “selvagens, nus e ferozes” antropófagos eram os tupinambás, também chamados de tamoios, grupo indígena que acabou completamente exterminado pelos colonizadores. Assim como a carta de Caminha, o relato de Staden traz a “marca de um relato inaugural, de notícia primeira, de abertura de um mundo de novas e até então inimagináveis possibilidades”, define a historiadora Miriam Elvira Junghans, doutora pela Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz.

  “As leituras feitas atualmente [da obra] procuram entendê-la a partir do contexto em que foi produzida: tratava-se de um homem do século 16, envolvido na empresa de expansão dos horizontes geográficos e do conhecimento sobre o mundo na qual o Ocidente se empenhou [na época]”, contextualiza a pesquisadora. “As expectativas sobre esse ‘novo mundo’ se traduziam, em especial, em formas de diferenciação, de estranhamento muito fortes.”

    É por isso que, explica ela, a narração dos “rituais de canibalismo praticados pelos tupinambás […] ressoaram intensamente no mundo europeu”.

   “O livro tornou-se um best-seller. No primeiro ano já teve uma segunda edição, lembrando que a impressão de livros em grande escala ainda era uma novidade na época”, afirma a historiadora Daniela Rothfuss, coordenadora cultural do Instituto Martius-Staden. “É preciso lembrar que as experiências vividas por Staden eram, até então, completamente desconhecidas na Europa do século 16.”

    De acordo com Rothfuss, entre 1625 e 1736, o relato do aventureiro foi publicado 16 vezes, “com traduções para várias línguas europeias”. Em português, a primeira tradução só foi publicada no século 19. “Este relato era interessante não só para dirigentes de nações europeias que tinham interesse comercial e econômico nessa parte do mundo, mas também a qualquer pessoa que tivesse curiosidade em saber sobre esse local então desconhecido”, diz Santana-Dezmann.

   Nascido há 500 anos em Homberg, hoje Alemanha – a data exata é desconhecida; sabe-se apenas o ano –, Staden esteve na então América portuguesa duas vezes entre 1548 e 1555. Na primeira, lutou junto a portugueses contra indígenas no Nordeste e, em seguida, contra franceses a bordo de um navio.

    Na outra viagem, o plano era chegar ao Rio da Prata, mas dois naufrágios sucessivos alteraram o destino. O primeiro fez com que Staden e o grupo ficassem por dois anos no atual litoral catarinense. De lá, embarcou com destino a São Vicente – um novo naufrágio ocorreu na região de Itanhaém.

   Staden acabou contratado pelos colonos portugueses para atuar como guarda artilheiro no Forte de São Filipe da Bertioga. “Ele manobrava canhão”, conta a pesquisadora Santana-Dezmann. Foi por conta desse trabalho de defesa que o aventureiro acabou capturado e aprisionado por indígenas tupinambás, que pretendiam devorá-lo em um ritual antropofágico.

   Durante nove meses foi prisioneiro dos nativos, que o preparavam para o ato canibal. Depois de diversas tentativas infrutíferas ao longo de mais de nove meses, conseguiu escapar: foi resgatado por um navio pirata francês. “Além de Hans Staden, ninguém nunca coletou informações tão precisas sobre os hábitos de uma tribo canibal”, afirma Santana-Dezmann.

    Na interpretação da pesquisadora, Staden só conseguiu escapar porque durante o período em que esteve preso demonstrou que não tinha as características desejadas pelos tupinambás – que acreditavam que a antropofagia era uma maneira de absorver qualidades do inimigo. Ele chorava quando rezava pedindo ajuda de Deus e em diversos episódios deu demonstrações de covardia, medo e fraquezas morais como o exercício da mentira. “Os tupinambás simplesmente perderam o interesse pela carne e pelas características de Staden”, resume ela.

  Suas experiências, únicas sob a perspectiva europeia da época, acabaram dando origem ao impressionante relato. Que, segundo o professor Augusto Rodrigues, arquivista e pesquisador no Instituto Martius-Staden, se tornou “importante referência da época” porque conta com “informações antropológicas, sociológicas, linguísticas, culturais e biológicas sobre indígenas da costa do Brasil, assim como dados geográficos da região, e foram relatos pioneiros, por assim dizer”.

   Curiosamente, a ideia inicial de Staden não era vir para o Brasil colonial. “Foi completamente por acaso. Ele queria aventura, mas estava pensando nas Índias Orientais, encantado pelas histórias daquela civilização milenar”, conta Santana-Dezmann. Mas quando ele soube que naquele ano todas as expedições para esse lugar já tinham partido, acabou embarcando na primeira oportunidade que lhe parecesse interessante o suficiente.

   “O relato de Staden não é visto em termos de verdadeiro ou falso, mas sim de significados. Dos significados do que descreveu para o mundo no qual vivia e para o mundo no qual vivemos agora”, pondera Junghans.

   O fascínio despertado pelo livro de Staden acabou criando no imaginário uma ideia de Brasil. O que precisa ser entendido com muitas ressalvas, é verdade. Primeiro porque o Brasil nem existia como nação – Staden esteve na colônia portuguesa localizada na América, um embrião do Brasil. Além disso, suas experiências foram localizadas, não compreendendo a diversidade dos povos indígenas que viviam no território. Por fim, era uma perspectiva que partia exclusivamente do ponto de vista de um homem branco europeu.

   Na avaliação de Rothfuss, a obra se popularizou justamente por falar “sobre um mundo novo e desconhecido para eles [europeus], tão exótico e primitivo, por isso fascinante”. No contexto da contrarreforma religiosa, também pesou o apelo protestante da obra – Staden atribui à ajuda de Deus a sua sobrevivência e, sendo ele um luterano, seu discurso não deixava de funcionar como uma propaganda cristã não-católica. “São descrições em primeira mão sobre a vida, as crenças e os costumes dos indígenas da época, feitas por um europeu eurocentrista. Isto, entre outras coisas, suscita uma análise crítica do discurso ‘europeu civilizado vs. indígena selvagem’”, comenta Rodrigues.

   O legado está presente até hoje, o que justifica Staden ser lembrado cinco séculos após seu nascimento. Além de diversos estudos acadêmicos, a obra foi adaptada para o público infanto-juvenil pelo escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Junghans lembra ainda que essa narrativa ecoou em movimentos como o modernismo e o tropicalismo.

   “O livro traz Brasil no nome, embora Brasil como nação ainda não existisse. Mas ficou a impressão, no mundo inteiro, de que aquilo que o Hans Staden narrava se referia aos hábitos do Brasil”, analisa Santana-Dezmann. “Historicamente, acabou se tornando referência dos hábitos brasileiros.”

   Em seu doutorado, defendido em 2007 na Universidade Estadual de Campinas, a pesquisadora estudou justamente esse imaginário criado. Para ela, o livro acabou contribuindo para a construção “da identidade nacional brasileira” na perspectiva do europeu. “Até hoje somos vistos como selvagens puros […]. Não é uma definição desejável para a sociedade dita civilizada, porque somos canibais, ainda que hoje só metaforicamente. O brasileiro ainda é visto na Europa como essa coisa carnavalesca, cheia de plumas coloridas na cabeça […], esse ser meio em estado infantil que não tem muita noção das coisas, que não tem muita instrução.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/hans-stadeno-aventureiro-que-apresentou-o-brasil-à-europa/a71617647>. Adaptado. Acesso em: 08 de setembro de
2025.
Assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE o termo destacado em “Conforme pontua o brasilianista alemão Franz Obermeier, em artigo acadêmico publicado em 2011 [...]”. 
Alternativas
Respostas
721: C
722: C
723: A
724: B
725: A
726: A
727: B
728: C
729: C
730: B
731: D
732: B
733: B
734: B
735: C
736: D
737: D
738: B
739: C
740: A