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A ÂNSIA DE TER E O TÉDIO DE POSSUIR: UMA REFLEXÃO PSICOLÓGICA À LUZ DO PÊNDULO DE SCHOPENHAUER
A vida humana, em muitos momentos, parece girar em torno da busca por algo que ainda não temos. Seja um novo relacionamento, um bem material, uma conquista profissional ou um reconhecimento social, parece que estamos constantemente impulsionados a preencher um vazio interno com algo externo. Porém, curiosamente, após a conquista, aquilo que antes nos inflamava de desejo pode rapidamente se transformar em indiferença ou até mesmo em tédio.
Essa dinâmica — a ânsia de ter e o tédio de possuir — é um fenômeno psíquico profundo e recorrente, que merece uma análise cuidadosa, tanto sob a perspectiva filosófica quanto psicológica.
Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX, trouxe uma contribuição fundamental para essa compreensão através da metáfora do pêndulo. Segundo ele, a vida oscila incessantemente entre a dor e o tédio: a dor do desejo não satisfeito e o tédio que sucede a satisfação. Em suas palavras:
“A vida oscila como um pêndulo, para trás e para frente, entre a dor e o tédio, esses dois elementos que, em última instância, a constituem.” (Schopenhauer, 1818/2005, O Mundo como Vontade e Representação)
No campo da psicologia, especialmente nas abordagens cognitivas e emocionais, podemos interpretar essa oscilação como uma manifestação do funcionamento da mente diante da expectativa e da frustração.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entendemos que as crenças centrais moldam os desejos e expectativas das pessoas. A ideia de que “preciso ter para ser feliz” é uma distorção cognitiva muito comum. Quando internalizamos que nossa realização pessoal depende da obtenção de algo externo, criamos uma condição para que a ânsia surja com força.
Essa ânsia, por vezes, é confundida com motivação, mas, na prática clínica, percebemos que ela tende a gerar um ciclo de frustração e descontentamento. O problema não está no desejo em si — que é natural —, mas na expectativa irrealista de que o objeto desejado poderá suprir necessidades emocionais profundas e permanentes.
Após a conquista, o sistema de recompensa do cérebro (especialmente associado à dopamina) rapidamente se acomoda. Aquilo que antes era excitante perde a novidade e, com ela, a capacidade de gerar prazer sustentado. Surge então o tédio, que pode ser interpretado como a percepção de um vazio interno não preenchido, agora mais evidente porque o “preenchimento” que idealizamos não se mostrou suficiente.
Em Terapia do Esquema (Young, 2003), o tédio pode ser associado a esquemas de privação emocional, onde o indivíduo sente que suas necessidades básicas de conexão, estabilidade e significado não são atendidas — independentemente das conquistas externas.
Não há nada de “errado” em desejar ou buscar objetivos. A ânsia e o tédio apenas nos sinalizam que precisamos olhar com mais profundidade para dentro de nós mesmos. Muitas vezes, a busca externa é uma tentativa de compensar necessidades internas não reconhecidas.
Uma abordagem baseada na Terapia Focada nas Emoções (Greenberg, 2010) sugeriria acolher essas emoções sem julgamento. O tédio, por exemplo, pode ser um convite para refletirmos sobre nossos valores mais autênticos — aquilo que realmente dá sentido às nossas vidas, para além do ter.
Aprender a tolerar o vazio, a desacelerar o pêndulo, é um processo terapêutico de grande valor. Significa ensinar nossos pacientes (e a nós mesmos) a viver mais em contato com a experiência presente, aceitando as emoções transitórias, e buscando uma vida orientada por significado e propósito, em vez de apenas pela obtenção.
Schopenhauer nos oferece um olhar cru sobre a condição humana — e, paradoxalmente, essa crueza pode nos libertar. Compreender que a ânsia e o tédio são movimentos naturais da existência pode nos ajudar a viver com mais leveza, sem expectativas ilusórias. A psicologia moderna, com suas diversas abordagens, nos convida a acolher esses movimentos internos com mais consciência, compaixão e responsabilidade.
A vida continuará a oscilar, como um pêndulo. Mas a forma como nos relacionamos com esse movimento pode fazer toda a diferença.
(ADAPTADO. Autor: LEANDRO MARQUES DA ROCHA. Publicado em 18/06/2025. Disponível em https://mrochapsico.com.br/blog/a-ansia-de-ter-e-o-tedio-de-possuir-uma-reflexaopsicologica-a-luz-do-pendulo-de-schopenhauer/)
( ) O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
( ) Os fatos e atos verificados na conduta do dia a dia da vida privada do servidor público não podem acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.
( ) Toda ausência do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas.
( ) O elemento ético sempre deve ser prezado pelo servidor público em sua conduta funcional.
Assinale a alternativa correta.
A educação permanente:
I – A ausência de Conselho de Saúde pode ser compensada por comissão técnica provisória quando o ente já possui Fundo de Saúde e relatórios regulares.
II – A composição paritária do Conselho de Saúde pode ser flexibilizada quando houver dificuldade de representação dos usuários na esfera local.
III – O Conselho de Saúde com composição paritária integra o conjunto de requisitos legais para recebimento regular de recursos.
IV – A inexistência de Fundo de Saúde pode ser suprida por unidade orçamentária específica da secretaria, desde que haja plano anual aprovado.
V – Os relatórios de gestão integram as exigências legais para viabilizar o controle e o recebimento de recursos na área da saúde.
Estão corretas as afirmativas:
I – Um sistema de informação em saúde envolve processos, tecnologias e pessoas articulados para coletar, processar, analisar e disseminar dados.
II – A utilidade do sistema para gestão, planejamento e tomada de decisão depende da qualidade, da completude e da consistência dos dados inseridos.
III – A informação produzida por esses sistemas pode subsidiar monitoramento, avaliação e formulação de políticas públicas de saúde.
IV – A alimentação dos sistemas pode ser fragmentada entre setores, porque a integração metodológica gera risco de perda de especificidade dos registros.
V – A principal função dos sistemas de informação em saúde é arquivar dados clínicos, enquanto o planejamento depende de relatórios externos aos sistemas.
Estão corretas as afirmativas:
Assinale a alternativa correta.
I – A Educação Permanente em Saúde é aprendizagem no trabalho, em que o aprender e o ensinar se incorporam ao cotidiano dos serviços.
II – A Educação Permanente em Saúde parte dos problemas enfrentados na realidade concreta e considera os saberes já construídos pelos trabalhadores.
III – A Educação Permanente em Saúde busca transformar práticas profissionais e a própria organização do trabalho em saúde.
IV – A Educação Permanente em Saúde se articula à integração ensino-serviço e à formação comprometida com as necessidades de saúde das pessoas e das populações.
V – A Educação Permanente em Saúde rompe com a lógica centrada apenas na oferta de cursos e desloca o foco para análise do processo de trabalho.
Estão corretas as afirmativas:
Assinale a alternativa correta.