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Um dos meus passos e avanços mais substanciais parece-me ser este: aprendi a diferenciar a causa do agir da causa do agir de tal e tal modo, do agir numa particular direção, com um objetivo particular. A primeira espécie de causa é uma quantidade de energia represada, esperando ser utilizada de alguma forma, com algum fim; já a segunda espécie é algo insignificante comparado com essa energia, geralmente um simples acaso, segundo o qual aquela quantidade se “desencadeia” de uma maneira ou de outra: o fósforo em relação ao barril de pólvora. Entre esses pequenos acasos e fósforos, incluo todos os pretensos “fins” e também as ainda mais pretensas “vocações”: são relativamente fortuitos, arbitrários, quase indiferentes, em relação à enorme quantidade de energia que urge, como disse, para ser de alguma forma consumida.
(NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. A gaia ciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 235.)
Sobre a descrição nietzscheana das causas do agir, considere as afirmativas a seguir.
I. Há uma relação de forças que possibilita ao ser humano a ação.
II. O ser humano é livre porque sua ação é motivada por uma finalidade que ele estabelece.
III. O livre-arbítrio no ser humano é resultado da autonomia que este possui em relação ao passado.
IV. O processo que emerge na ação pode se desenvolver sem que haja a atuação da consciência.
Assinale a alternativa correta.
Antes os homens podiam ser divididos, simplesmente, em sábios e ignorantes, em mais ou menos sábios e mais ou menos ignorantes. Mas o especialista não pode ser inserido em nenhuma dessas duas categorias. Não é sábio, porque ignora formalmente tudo que não entra em sua especialidade; mas tampouco é um ignorante, porque é “um homem de ciência” e conhece muito bem sua partícula do universo. Teremos de dizer que é um sábio-ignorante, coisa extremamente grave, pois significa que se trata de um senhor que se comportará em todas as questões que ignora não como um ignorante, mas com toda a petulância de quem é um sábio em sua questão especial.
(ORTEGA Y GASSET, José. A rebelião das massas. Campinas: Vide Editorial, 2016. p. 190.)
Sobre o processo de especialização do conhecimento, assinale a alternativa correta.
Ele [o pensamento chinês] não criou um mundo de formas ideais, como arquétipos ou puras essências, a separá-lo da realidade e que podem informá-lo: todo real é apresentado como um processo, regulado e contínuo, derivado da única interação dos fatores em jogo (ao mesmo tempo opostos e complementares: os famosos yin e yang). A ordem não advém, pois, de um modelo, sobre o qual se possa fixar o olhar e que se aplique às coisas; mas está contida por inteiro no decurso do real. [...] O sábio chinês não concebeu qualquer atividade contemplativa que seja um puro conhecimento, que tenha o seu fim em si mesmo. [...] Para ele, o “mundo” não é um objeto de especulação, não existe de um lado o “conhecimento” e do outro a “ação”.
(JULLIEN, François. Tratado da eficácia. Lisboa: Instituto Piaget, sd. p. 31.)
Sobre a concepção chinesa de conhecimento do mundo, assinale a alternativa correta.
Cada vez mais quer me parecer que o filósofo, sendo por necessidade um homem do amanhã e do depois de amanhã, sempre se achou e teve de se achar em contradição com o seu hoje: seu inimigo sempre foi o ideal de hoje. Até agora todos esses extraordinários promovedores do homem, a que se denominam filósofos, e que raramente viram a si mesmos como amigos da sabedoria, antes como desagradáveis tolos e perigosos pontos de interrogação – encontraram sua tarefa, sua dura, indesejada, inescapável tarefa, mas afinal também a grandeza de sua tarefa, em ser a má consciência do seu tempo. Colocando a faca no peito das virtudes do tempo, para vivisseccioná-lo, delataram o seu próprio segredo: saber de uma nova grandeza do homem, de um caminho não trilhado para seu engrandecimento.
(NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 106.)
Sobre a concepção nietzscheana do papel do filósofo, assinale a alternativa correta.
Com base nos conhecimentos sobre as relações ecológicas, considere as afirmativas a seguir.
I. As colônias são grupos de organismos de mesma espécie, cujos indivíduos manifestam algum grau de cooperação, conservando, porém, relativa independência e mobilidade.
II. Do ponto de vista individual, a predação, um tipo de competição intraespecífica, é um importante mecanismo regulador da densidade populacional, tanto da presa quanto dos predadores.
III. O parasitoidismo designa a relação em que um organismo vive boa parte de sua vida dentro de um hospedeiro, parasitando-o, e, em determinado momento, o hospedeiro é morto e consumido, como na predação.
IV. Comensalismo é o tipo de relação em que uma das espécies associadas é beneficiada, enquanto a outra não tem benefício nem malefício, e o principal recurso buscado pelo comensal é o alimento.
Assinale a alternativa correta.
I. O maior reservatório de nitrogênio do planeta é o solo, onde esse elemento químico se encontra na forma de nitrito (N2).
II. O nitrogênio disponível no ar atmosférico é amplamente aproveitado pelas bactérias em seus processos de obtenção de energia.
III. A nitrificação é o processo da transformação da amônia em nitritos e estes em nitratos.
IV. As moléculas das plantas constituem a fonte de nitrogênio para os animais herbívoros que se alimentam delas.
Assinale a alternativa correta.
Com base nos conhecimentos sobre os primeiros tecidos a se diferenciar no embrião das plantas traqueófitas, relacione a coluna da esquerda com a da direita.
(I) Protoderme.
(II) Meristema fundamental.
(III) Procâmbio.
(IV) Meristemas secundários.
(A) Dá origem ao córtex.
(B) Podem voltar a se diferenciar e readquirir a capacidade de se dividir.
(C) Camada que reveste externamente o embrião.
(D) Origina os tecidos condutores da planta.
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
I. Na telófase, os cromossomos se descondensam e novas cariotecas se reorganizam ao redor de cada conjunto cromossômico, reconstituindo dois novos núcleos.
II. A prófase caracteriza-se pela condensação dos cromossomos, que se tornam progressivamente mais curtos e mais grossos.
III. A anáfase caracteriza-se pela ligação dos cromossomos às fibras do fuso acromático e de seu posicionamento na região equatorial da célula.
IV. Durante a metáfase, ocorre a separação das cromátides-irmãs, puxadas para os polos opostos da célula pelo encurtamento das fibras do fuso.
Assinale a alternativa correta.
Com base nos conhecimentos sobre dança contemporânea, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) Os pontos fortes dessa dança são a inovação e a liberdade, misturando os ritmos balé, jazz e hip-hop.
( ) Um gênero da dança que destaca os padrões clássicos e técnicos, como simetria, leveza, compasso, ritmo e harmonia, que teve seu auge na década de 1930.
( ) Traz o conceito de coreografia, misturando as artes visuais, o teatro e a música, com ênfase na técnica e no conceito, levando a uma postura ereta e verticalizada com perfeição.
( ) Sua concepção de dança se baseia em experimentações coreográficas, movimentos ilimitados, vestuário e espaços alternativos.
( ) Apresenta-se em um espaço teatral, um palco, utilizando a música clássica para exibir uma dança espetacular coreografada.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Experts say climate change is driving more extreme weather events like the rainfall in Jackson.
Com base no fragmento do texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o antônimo da palavra “driving”.
The documentary, made by the BBC and Red Bull Studios, includes footage of visa documents that Farah says were faked, bearing his photo and another child’s name.
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o tipo de aposto presente no fragmento do texto.
Olympic gold medalist Mo Farah says he was trafficked to the U.K. under a false name and forced into child labor, revealing stunning details about the painful path that culminated in him being awarded a knighthood.
Com base no fragmento do texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o sinônimo da palavra “stunning”.
I. Há, em comum, entre Inocência e Macabéa, o fato de ambas serem cobiçadas por vários homens: Inocência é desejada por Cirino, Manecão e Meyer; Macabéa é disputada por Olímpico, pelo narrador e por outros homens com quem ela trava contato no trabalho.
II. O espaço físico de Inocência é o sertão, mas o romance evidencia o trânsito de valores entre o ambiente urbano e o rural; A hora da estrela ressalta as experiências das protagonistas nos dois espaços – o nordestino e a cidade do Rio de Janeiro –, privilegiando as vitórias e as realizações neste lugar.
III. O narrador de Inocência está em terceira pessoa, sem desempenhar o papel de personagem do romance, embora se detenha, em algumas passagens, para emitir comentários; o narrador de A hora da estrela já se manifesta em primeira pessoa, comentando sobre o ato de narrar e sobre a protagonista.
IV. Mais de cem anos separam Inocência e A hora da estrela: o primeiro é associado ao romance sertanejo romântico, embora já contenha traços realistas, como a ausência de um herói típico do Romantismo; o segundo traz a subjetividade de Clarice Lispector pela figura do narrador, mas focaliza mais intensamente as questões sociais do que na trajetória anterior da autora.
Assinale a alternativa correta.
enchemos a vida de filhos que nos enchem a vida
um me enche de lembranças que me enchem de lágrimas
uma me enche de alegrias que enchem minhas noites de dias
outro me enche de esperanças e receios enquanto me incham os seios
(RUIZ, Alice. Dois em um. São Paulo: Iluminuras, 2018. p 127.)
Sobre o poema de Alice Ruiz, considere as afirmativas a seguir.
I. Apesar de ser um texto curto, com extensão inferior à de um soneto, o poema apresenta rimas como em “alegrias”/ “dias” e em “receios”/“seios”.
II. Há um jogo de palavras no poema, construído sob a repetição, nas estrofes, do verbo “encher” em suas flexões e com a inclusão de “incham” no penúltimo verso.
III. Apesar de evitar seguir métrica regular, há equilíbrio entre o primeiro verso de cada estrofe, uma redondilha menor, e o verso final de cada estrofe, mais breve do que os anteriores.
IV. O sujeito lírico feminino é mais evidente na terceira estrofe quando despontam termos como “uma” e “minhas”, embora a carga sentimental mais nítida esteja na segunda estrofe.
Assinale a alternativa correta.
Na escola, sem Bibiana ao meu lado para me ajudar, minha vida se tornou um tormento. Desde o início, minha mãe avisou à dona Lourdes, a nova professora, da minha mudez. Ela foi cuidadosa, no começo, e bastante generosa para me ensinar as tarefas. Àquela altura eu já sabia ler, graças muito mais aos esforços de minha irmã mais velha e minha mãe, do que da professora sem paciência que dava aula na casa de dona Firmina. Para mim era o suficiente. Diferente de Bibiana, que falava em ser professora, eu gostava mesmo era da roça, da cozinha, de fazer azeite e de despolpar o buriti. Não me atraía a matemática, muito menos as letras de dona Lourdes. Não me interessava por suas aulas em que contava a história do Brasil, em que falava da mistura entre índios, negros e brancos, de como éramos felizes, de como nosso país era abençoado. Não aprendi uma linha do Hino Nacional, não me serviria, porque eu mesma não posso cantar. Muitas crianças também não aprenderam, pude perceber, estavam com a cabeça na comida ou na diversão que estavam perdendo na beira do rio, para ouvir aquelas histórias fantasiosas e enfadonhas sobre os heróis bandeirantes, depois os militares, as heranças dos portugueses e outros assuntos que não nos diziam muita coisa.
(VIEIRA JÚNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. p. 97.)
Com base no trecho de Torto arado, assinale a alternativa correta.
Abriu a bolsa, tirou o lenço e enxugou os olhos. Através do vidro embaçado dos óculos, pressentiu que a fita chegava ao fim e desejou ardentemente que ela se prolongasse, agora não queria mais a claridade, espera, estava tão desalinhada, meus Céus, deixa me abotoar e este cabelo, onde foi parar o grampo? Apalpou depressa a lapela do casaco, desprendeu a camélia e guardou-a no fundo da bolsa. A lágrima contornou-lhe a boca, limpou a boca, como fui me comover desse jeito? Feito uma velha tonta, espera, eu estava querendo dizer que a nossa cidade, Senhor Diretor, que esta pobre cidade – que é que tem mesmo esta pobre cidade? Acabei falando em outras pessoas, em mim espera, vamos começar de novo, sim, a carta. Senhor Diretor: antes e acima de tudo. Antes e acima de tudo, Senhor Diretor. Senhor Diretor: Senhor Diretor:
(TELLES, Lygia Fagundes. O seminário dos ratos. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 32.)
Com base na leitura do conto “Senhor diretor”, de Lygia Fagundes Telles, e no trecho transcrito, assinale a alternativa correta.
– Deixe-me falar, deixe contar-lhe o que me enche o peito... Depois ficarei sossegada... Sou filha dos sertões; nunca morei em povoados, nunca li em livros, nem tive quem me ensinasse coisa alguma... Se eu o magoar, desculpe, será sem querer... Lembra-me que, há já um tempão, pararam aqui umas mulheres com uns homens e eu perguntei a papai por que é que ele não as mandava entrar cá para dentro, como é de costume com famílias... O pai me respondeu: – Não, Nocência, são mulheres perdidas, de vida alegre. Fiquei muito assombrada. – Mas, então, melhor, se são alegres hão de divertir-me. – Aquilo é gente airada, sem-vergonha, secundou ele. – Tive tanto dó delas que mecê não imagina. Depois fui espiar... caíam tontas no chão... pitavam e cantavam muito alto com modos tão feios, que me fizeram corar por elas! E são os homens que fazem ficar ansim as coitadas! ... Antes morrer...
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 2008, p.140.)
Sobre o romance Inocência, assinale a alternativa correta.
I. No fragmento “Quando passou ao lado do rio”, a noção de temporalidade está linguisticamente marcada no termo “quando”.
II. No trecho “Pensando que havia na água um novo pedaço de carne”, a ideia de causa está expressa na oração marcada pelo verbo no gerúndio.
III. No trecho “... soltou o que carregava para apanhar o outro”, o termo “o” é um pronome demonstrativo, na primeira ocorrência, e um artigo definido, na segunda.
IV. Na frase “O pedaço de carne caiu na água e se foi, assim como a sua imagem”, o termo “sua” refere-se ao cão.
Assinale a alternativa correta.
I. No primeiro parágrafo, no trecho “como Faixa de Gaza, Iraque, Haiti, Quênia e Eslovênia”, o termo “como” tem função de introduzir uma sequência comparativa.
II. No terceiro parágrafo, no fragmento “Trauma também pode trazer flash back”, há um exemplo de estrangeirismo.
III. No quarto parágrafo, no trecho “para que tais sintomas relatados sejam passageiros”, o termo “para que” introduz sentido de finalidade e equivale à expressão “a fim de que”.
IV. No último parágrafo, em “Se a gente ressignifica, faz um espetáculo ali, as pessoas olham de outra maneira”, a conjunção “se” indica uma ideia de condicionalidade.
Assinale a alternativa correta.