Leia o trecho do romance, a seguir. – Deixe-me falar, deixe...
– Deixe-me falar, deixe contar-lhe o que me enche o peito... Depois ficarei sossegada... Sou filha dos sertões; nunca morei em povoados, nunca li em livros, nem tive quem me ensinasse coisa alguma... Se eu o magoar, desculpe, será sem querer... Lembra-me que, há já um tempão, pararam aqui umas mulheres com uns homens e eu perguntei a papai por que é que ele não as mandava entrar cá para dentro, como é de costume com famílias... O pai me respondeu: – Não, Nocência, são mulheres perdidas, de vida alegre. Fiquei muito assombrada. – Mas, então, melhor, se são alegres hão de divertir-me. – Aquilo é gente airada, sem-vergonha, secundou ele. – Tive tanto dó delas que mecê não imagina. Depois fui espiar... caíam tontas no chão... pitavam e cantavam muito alto com modos tão feios, que me fizeram corar por elas! E são os homens que fazem ficar ansim as coitadas! ... Antes morrer...
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 2008, p.140.)
Sobre o romance Inocência, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Gabarito: E
Fundamento decisivo: O trecho traz Inocência como "filha dos sertões", sem formação livresca, e mostra sua reação de dó, pudor e reprovação diante das "mulheres perdidas"; esse conjunto de marcas sustenta a leitura de pureza preservada e leva ao gabarito E.
- Em questões de caracterização de personagem, decida pela reação efetivamente mostrada no trecho, não por interpretações ideológicas que o texto não sustenta.
- Se a alternativa começa correta, verifique se ela se invalida por uma generalização externa ao fragmento.
- Diferencie compaixão de identificação: sentir dó e reprovar a cena não é aderir ao comportamento observado.
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