Leia o poema a seguir.enchemos a vida de filhos que nos en...

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Q3914360 Português
Leia o poema a seguir.
enchemos a vida de filhos que nos enchem a vida
um me enche de lembranças que me enchem de lágrimas
uma me enche de alegrias que enchem minhas noites de dias
outro me enche de esperanças e receios enquanto me incham os seios
(RUIZ, Alice. Dois em um. São Paulo: Iluminuras, 2018. p 127.)
Sobre o poema de Alice Ruiz, considere as afirmativas a seguir.
I. Apesar de ser um texto curto, com extensão inferior à de um soneto, o poema apresenta rimas como em “alegrias”/ “dias” e em “receios”/“seios”.
II. Há um jogo de palavras no poema, construído sob a repetição, nas estrofes, do verbo “encher” em suas flexões e com a inclusão de “incham” no penúltimo verso.
III. Apesar de evitar seguir métrica regular, há equilíbrio entre o primeiro verso de cada estrofe, uma redondilha menor, e o verso final de cada estrofe, mais breve do que os anteriores.
IV. O sujeito lírico feminino é mais evidente na terceira estrofe quando despontam termos como “uma” e “minhas”, embora a carga sentimental mais nítida esteja na segunda estrofe.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O confronto direto entre as afirmativas e o poema mostra que apenas I e II têm apoio textual: os versos “uma me enche de alegrias / que enchem minhas noites / de dias” e “outro me enche de esperanças / e receios / enquanto me incham / os seios” confirmam as rimas e o jogo com as formas de “encher” e “incham”. Já a III não se comprova pela métrica regular alegada, e a IV não se sustenta porque “uma” e “minhas” não identificam o eu lírico feminino.

Tema central: recursos formais e sentido do poema
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reúne exatamente as afirmativas sustentadas pelo texto. A I procede, pois há rimas claras nos pares “alegrias”/“dias” e “receios”/“seios”. A II também procede, porque o poema se constrói pela recorrência de “encher” em várias formas — “enchemos”, “enchem”, “enche”, “enchem” — e fecha com “incham”, produzindo um jogo sonoro e semântico ligado ao campo da maternidade. As outras duas assertivas extrapolam o que o texto permite afirmar.
B
Errada
Está errada porque exclui a II, que é diretamente comprovada pela repetição de “encher” ao longo do poema e pela inclusão de “incham” no penúltimo verso, e inclui a IV, que não se sustenta. Em IV, “uma” não identifica o eu lírico feminino, pois se refere à filha subentendida, e “minhas” apenas concorda com “noites”; a marca mais forte de feminilidade do eu lírico aparece em “me incham / os seios”, não nos termos indicados pela afirmativa.
C
Errada
Está errada porque depende de III e IV, e ambas falham. A III atribui ao poema uma organização métrica regular e específica, com “redondilha menor” no primeiro verso de cada estrofe e verso final mais breve, mas isso não se confirma de modo consistente no texto. A IV também falha ao localizar em “uma” e “minhas” a evidência do sujeito lírico feminino; esses elementos não caracterizam diretamente o eu lírico.
D
Errada
Está errada porque, embora I e II sejam verdadeiras, a III não é. O problema da III é técnico e textual: ela descreve uma regularidade métrica e estrutural que o poema não comprova. Paralelismo entre estrofes não autoriza concluir, por si só, que os primeiros versos sejam redondilhas menores nem que o último verso de cada estrofe seja sempre mais breve que os anteriores.
E
Errada
Está errada por dois motivos objetivos: exclui a I, que é verdadeira pelas rimas explícitas do poema, e inclui III e IV, que não se sustentam. A III erra ao impor uma leitura métrica regular não confirmada; a IV erra ao tomar “uma” e “minhas” como marcas do eu lírico feminino e ao isolar a segunda estrofe como a de carga sentimental mais nítida, quando a afetividade percorre todo o poema.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões: tomar paralelismo estrófico por métrica regular e confundir formas femininas ligadas a referentes internos do poema, como “uma”, com marca de gênero do eu lírico.
Dica para questões semelhantes
  • Em poema, confirme no próprio texto o que é recurso realmente visível: rima, repetição lexical, paralelismo, marcas de voz.
  • Desconfie de afirmativas muito técnicas e categóricas, como as que nomeiam métrica específica, se o texto não comprova isso com consistência.
  • Para identificar o eu lírico, separe marcas que se referem ao sujeito da enunciação das que apenas qualificam outros referentes do poema.

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