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Q3999966 Arqueologia

TEXTO

 

ARQUEOLOGIA NA AMAZÔNIA GANHA FORÇA COM TECNOLOGIA E VERBAS

 

Por muito tempo, acreditou-se que a Amazônia não oferecia condições para o desenvolvimento de sociedades mais complexas. O calor, a umidade e a vegetação densa seriam obstáculos intransponíveis, diziam naturalistas europeus do século 19. Eles estavam errados – mas teria sido difícil acertarem com a tecnologia da época.

Civilizações antigas como os incas, os maias e os astecas usavam pedras para construir vias, casas e templos, alguns dos quais seguem de pé até hoje. Já os povos originários da Amazônia alteravam seu ambiente com movimentações de terra e o uso de madeira e palha, que se decompõem com o tempo. Por isso, era mais fácil para um desbravador antigo nas Américas encontrar um templo maia ou uma estrada inca do que vestígios de uma vila pré-colombiana no meio da Amazônia.

Isso vem mudando nos últimos anos, com uma mãozinha da tecnologia: o uso do LiDAR, um radar de pulsos de laser que consegue escanear com detalhes o solo abaixo da copa das árvores. A imagem criada pode revelar estruturas construídas pelo homem na floresta, como valas, estradas e vestígios de casas. No Brasil, o uso do LiDAR é bem recente – começou em 2024, no projeto Amazônia Revelada, que tem como meta escanear cada vez mais áreas da floresta em busca de sítios arqueológicos.

Antes, em 2015 uma pesquisa do tipo no Equador encontrou um conjunto de antigas cidades na floresta que abrigaram milhares de pessoas há cerca de 2.500 anos. Em 2019, um grupo de arqueólogos bolivianos e alemães também fez isso na Amazônia boliviana. Além do avanço tecnológico, há mais arqueólogos interessados em trabalhar na Amazônia e verbas disponíveis, como mostra a iniciativa Amazônia +10, uma aliança de fundações estaduais de fomento que apoia projetos de pesquisa de várias disciplinas na região da floresta.

Em 2022, na primeira chamada para pedidos de financiamento, os projetos de arqueologia representaram 0,65% do total de submissões e nenhum foi contemplado com verbas. Na segunda chamada, em 2024, projetos de arqueologia representaram 4,19% das submissões e receberam 18,95% da verba disponível, ou R$ 14,4 milhões.

Arqueólogos também relatam maior interesse dos povos indígenas em autorizar pesquisas em suas terras, motivados pela percepção de que o conhecimento documentado sobre seus ancestrais fortalece a defesa de seus territórios e modos de vida – sob a lei brasileira, sítios arqueológicos são protegidos como patrimônio cultural.

O projeto Amazônia Revelada escaneou na sua primeira fase com o LiDAR 1,6 mil km² de floresta, área equivalente à da cidade de São Paulo, e localizou diversos sítios arqueológicos, incluindo um conjunto no sul do Amazonas. Esses sítios são caracterizados por geoglifos, formados por valas ou montículos de grandes dimensões, e outros indícios confirmados no local, como a presença de terra preta, um solo rico em nutrientes criado por indígenas que viveram na floresta há milhares de anos.

Os voos da segunda fase do projeto, que cobrirá uma extensão muito maior, começam em abril de 2026. À frente da iniciativa está Eduardo Góes Neves, professor e diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Ele considera que o impacto do LiDAR na arqueologia é comparável ao da datação por carbono-14, desenvolvida na década de 1940. “Ele permite que enxerguemos sítios arqueológicos abaixo da copa das árvores. E por meio das imagens conseguimos ter acesso a locais muito difíceis de se chegar”, diz.

Neves avalia que o uso da tecnologia na Amazônia brasileira chegou mais tarde que na Bolívia ou no Equador devido, entre outros motivos, à imensidão da floresta no território do país “A logística é mais difícil, em Quito ou Santa Cruz de La Sierra você pega um aviãozinho e em meia hora está na Amazônia. No Brasil, a escala é muito maior”, diz. Ele enfatiza que o maior interesse por arqueologia na Amazônia também está associado à consolidação de programas de pós-graduação nos últimos 25 anos – “que geraram doutores que hoje são professores e estão orientando mais gente fazendo pesquisa”.

Secretário-executivo da iniciativa Amazônia+10, Rafael Andery considera que o LiDAR “mudou o jogo” das pesquisas arqueológicas na Amazônia, já que a logística para fazer trabalhos de campo nos confins da floresta é complexa. “É muito caro custear uma pesquisa, especialmente se ela for feita longe dos grandes centros, das vias de transporte, das hidrovias. E muitas das descobertas que temos visto na Amazônia em termos de arqueologia são justamente em territórios menos acessíveis”, afirma.

Entre os projetos de arqueologia apoiados pela Amazônia+10, estão um para mapear a herança biocultural e desenvolver esforços de etnoconservação na região entre os rios Xingu e Tapajós, e outro para criar um inventário dos sítios arqueológicos de Roraima – estado muito pouco estudado “onde tudo quase é novidade”, diz Andery.

Na Amazônia boliviana, um projeto pioneiro conduzido por pesquisadores do Instituto Alemão de Arqueologia, da Universidade de Bonn e da Universidade de Exeter com o uso de LiDAR encontrou resquícios de centenas de povoados ocupados entre os séculos 6 e 15, que compunham uma estrutura urbana de baixa densidade populacional criada pelo povo casarabe, similar à dos maias.

Outro projeto da Universidade de Bonn, que teve a cooperação de três universidades brasileiras (UFAM, UFOPA e UFSC), estudou o modo de vida e os elementos arqueológicos de quatro povos amazônicos: os tacana, tsimane e mosetén na Bolívia e os waiwai no Brasil.

Carla Jaimes Betancourt, coordenadora do projeto e professora do departamento de Antropologia das Américas da Universidade de Bonn, considera que estudar vestígios de povoados antigos é especialmente relevante para a garantia de direitos dos indígenas contemporâneos.

Os quatro povos estudados na sua pesquisa foram consultados previamente e participaram como protagonistas do debate e conceituação de seus territórios e heranças culturais. No projeto Amazônia Revelada, de Eduardo Neves, os povos indígenas também foram consultados se autorizavam o sobrevoo e escaneamento de seus territórios.

Betancourt considera que esses três fatores estão por trás do interesse crescente por arqueologia na região da floresta: resistência dos povos indígenas a ameaças à Amazônia, formação recente de muitos arqueólogos dedicados ao tema e a tecnologia do LiDAR. Os achados recentes na Amazônia “têm a ver com a ideia de que o passado não está desconectado do presente, no qual os povos amazônicos lutam por seus territórios, ligados à sua história”, diz. “A arqueologia tem um papel importante para demonstrar que não são territórios vazios, que têm um passado muito profundo, um legado dos povos indígenas.”

 

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/arqueologia-na-amazônia-ganha-força-com-tecnologia-e-mais-verbas/a76280184>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.

Sobre o uso do LiDAR nas pesquisas arqueológicas na Amazônia, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3974296 Arqueologia
A arqueologia colaborativa constitui um modo de fazer arqueologia por meio da colaboração e do envolvimento de diferentes coletivos na pesquisa e na gestão do patrimônio cultural. Acerca da prática colaborativa de preservação do patrimônio, assinale a opção correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CONSULPAM Órgão: Prefeitura de Franco da Rocha - SP Provas: CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Assistente Social | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Atividade Física Preventiva | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Basquete | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Farmacêutico | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Dança | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Fisioterapeuta | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Natação | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Fonoaudiólogo | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Esportes com Raquetes | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Esporte para Pessoas com Deficiência | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Futsal | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Médico Veterinário | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Luta (Jiu-Jitsu/Judô/Taekwondo) | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Vôlei | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Handebol | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Xadrez e Dama | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Terapeuta Ocupacional | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Atletismo | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Técnico Desportivo - Ginástica (Artística/Rítmica e Estética de Grupo) | CONSULPAM - 2026 - Prefeitura de Franco da Rocha - SP - Dentista |
Q3944281 Arqueologia
Pesquisas arqueológicas realizadas em um sítio pré-histórico no leste da Inglaterra trouxeram novas evidências sobre a capacidade humana de produzir fogo. No local, arqueólogos identificaram uma combinação inédita de elementos, como sedimentos aquecidos, artefatos de pedra danificados pelo calor e fragmentos de um mineral utilizado para gerar faíscas, indicando a ocorrência repetida de fogueiras mantidas no mesmo ponto ao longo do tempo. Conforme essas evidências, a principal conclusão do estudo é:
Alternativas
Q3884514 Arqueologia
Na descrição dos principais fatos históricos ocorridos em Bertioga/SP encontramos o trecho abaixo

"2000 a.C.: Tribos primitivas vivem na região e deixam como testemunho de sua existência os _____, que são antigos depósitos situados na costa, em lagoas ou rios do litoral e formados de montes de conchas, restos de cozinha e de esqueletos, amontoados por tribos selvagens que habitaram o litoral."

Disponível em:http://www.bertioga.sp.gov.br/cidadao/historia

Qual das alternativas abaixo traz o termo que completa corretamente o texto?
Alternativas
Q3819843 Arqueologia
No território que compreende o atual município de Agudo, foram encontrados vestígios arqueológicos das tradições Humaitá, Vieira e: 
Alternativas
Q3987305 Arqueologia
No monitoramento de obras, achados fortuitos exigem resposta imediata, localizada e documentada, com comunicação formal à coordenação e à autoridade competente. Desse modo, diante de achados fortuitos, tecnicamente, está correto
Alternativas
Q3987304 Arqueologia
Na análise de EIA/RIMA e estudos correlatos, cabe ao arqueólogo verificar a coerência entre diagnóstico, prognóstico de impactos, medidas propostas, cronograma e recursos. Considerando essas atribuições técnicas, o arqueólogo deve
Alternativas
Q3987303 Arqueologia
Durante a execução de projeto de Arqueologia Preventiva em obras lineares, como rodovias ou gasodutos, a presença constante de equipes técnicas em áreas de influência direta e indireta exige estratégias de engajamento social e comunicação transparente com as comunidades afetadas. Essas ações devem garantir a legitimidade pública, a sustentabilidade das medidas de preservação e o fortalecimento dos vínculos entre o patrimônio arqueológico e a memória social dos grupos locais.
No contexto de execução de programas de Educação Patrimonial e Participação Comunitária, espera-se que as práticas adotadas sejam planejadas, acessíveis e dialógicas, indo além da simples divulgação de resultados técnicos. Considerando esse cenário, é/são prática(s) consistente(s) com os princípios atuais de gestão social do patrimônio arqueológico
Alternativas
Q3987297 Arqueologia
Durante a fase de planejamento e execução de medidas mitigadoras e compensatórias em um empreendimento de grande porte, o arqueólogo responsável precisa assegurar que as ações propostas sejam proporcionais à magnitude do impacto e que priorizem a preservação in situ dos sítios. Nos casos em que a intervenção seja inevitável, deve-se garantir resgate arqueológico controlado, curadoria adequada dos materiais e devolutivas públicas que assegurem o retorno social do conhecimento produzido. Nesse sentido, o modelo técnico e ético vigente na arqueologia preventiva exige 
Alternativas
Q3987296 Arqueologia
Em áreas com supressão vegetal e movimento de solo, um plano técnico robusto precisa apresentar: 
Alternativas
Q3987295 Arqueologia
Durante a elaboração de um plano de manejo arqueológico em uma unidade de conservação, o arqueólogo responsável deve propor medidas de proteção e zoneamento dos sítios identificados. Para isso, precisa definir critérios técnicos de categorização que justifiquem quais áreas demandam maior controle, monitoramento e ações de conservação. Considerando as boas práticas de gestão do patrimônio arqueológico, qual conjunto de parâmetros oferece base mais consistente para essa classificação técnica?
Alternativas
Q3987290 Arqueologia
Durante a execução de um projeto de arqueologia preventiva em uma obra de infraestrutura, o arqueólogo responsável identifica a presença de vestígios cerâmicos em área sob impacto de terraplanagem. Para redigir o parecer técnico que acompanhará o relatório e orientar o empreendedor quanto às medidas legais, é necessário fundamentar corretamente a proteção do patrimônio arqueológico. Nesse contexto, em relação ao embasamento do parecer técnico, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3987289 Arqueologia
A arqueologia subaquática recomenda planejamento e deve priorizar métodos não intrusivos e gestão de risco, construindo um plano incremental, de modo semelhante ao que se pratica em rotinas digitais: primeiro se mapeia, depois se inspeciona e, só então, se intervém. Nesse sentido, qual estratégia de partida é a mais adequada?
Alternativas
Q3987288 Arqueologia
Na arqueologia histórica, o ganho metodológico surge quando documentos, testemunhos e vestígios são tratados como linhas de evidência complementares, cada qual passando por crítica e ancoragem contextual. Em termos práticos, conforme deve ser elaborado o caderno de campo e o relatório, o que fortalece a consistência do argumento ao longo do projeto?
Alternativas
Q3987287 Arqueologia
Em projetos arqueológicos que combinam diagnóstico, investigação e devolutivas públicas, a interpretação de cultura material precisa dialogar com escalas distintas (unidade, sítio, paisagem) e com camadas analíticas que vão da função/tecnologia à significação social, evitando reduções a tipologias ou listas de atributos. Pensando nesse quadro, assinale a alternativa que sintetiza uma orientação interpretativa atualizada e operacional, adequada a relatórios, aulas e produtos de difusão digital.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FURG Órgão: FURG Prova: FURG - 2025 - FURG - Museólogo - Edital nº 17 |
Q3756906 Arqueologia
Como apontado em Oliveira et al. (2009), a louça decorada pode dar indicação sobre a hierarquia social, já que o tipo de decoração está ligado ao preço do produto. Os atributos de decoração podem ser divididos em quatro níveis crescente de preço. Assinala a alternativa que apresenta corretamente a ordem crescente desses quatro níveis.
Alternativas
Q3699787 Arqueologia
Os métodos para se inferir a idade de vestígios arqueológicos são baseados nos estudos de alterações químicas, físicas e/ou biológicas que acontecem nesses vestígios ao longo do tempo. Essas datações podem ser absolutas ou relativas. A diversidade dos materiais exige diferentes métodos que foram sendo criados a partir do desenvolvimento das pesquisas devido às necessidades de se entender os contextos arqueológicos. Com relação à datação por Carbono- 14, assinale a afirmativa que NÃO é verdadeira:
Alternativas
Q3699786 Arqueologia
A formação da estratigrafia arqueológica é um dos pontos fundamentais em relação à interpretação dos contextos arqueológicos. Parte dela condiz com os preceitos da estratigrafia geológica e sua formação é o resultado de quatro processos. Assinale a alternativa CORRETA quanto a esta afirmação:
Alternativas
Q3699783 Arqueologia
Os vestígios arqueológicos recebidos do campo são enviados para a área de limpeza e higienização do laboratório e cada tipo de vestígio tem o seu protocolo de limpeza. Escolha abaixo a opção que corresponde a um tipo de vestígio e o procedimento correto de sua higienização.
Alternativas
Q3699782 Arqueologia
É no laboratório onde se processa a análise dos vestígios encontrados e onde a pesquisa busca compreender, organizar e interpretar as partes que compuseram a totalidade daquilo que hoje está fragmentado. É onde se observa a transformação dos objetos em documentos como suporte de informação. O trabalho em laboratório é uma parte fundamental na pesquisa arqueológica e consta de diversas etapas na sua execução. Podem-se explicitar as seguintes fases do trabalho em laboratório:
Alternativas
Respostas
1: C
2: A
3: B
4: D
5: A
6: E
7: C
8: D
9: A
10: B
11: E
12: D
13: A
14: E
15: C
16: C
17: E
18: B
19: B
20: A