Questões de Concurso
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Na Beija-Flor de Nilópolis, literatura e Carnaval têm um antigo carretel de linha para desenrolar. A escola levará para _____ Sapucaí o enredo Zeneida: O sopro do pó de louro, homenagem _____ pajé, escritora, poeta e ambientalista marajoara Zeneida Lima, aos 92 anos.
Será um reencontro quase 30 anos depois de uma primeira parceria que rendeu um troféu _____ escola [...]. Em 1998, o livro O mundo místico dos Caruanas da Ilha do Marajó, [...] inspirou o enredo Pará, o Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu. A Beija-Flor foi campeã daquele Carnaval. Agora, a escola retorna _____ esse universo colocando _____ própria autora no centro do desfile. [...]
(Disponível em: https://www.publishnews.com.br/materias/2026/08/18/literatura-brasileira-inspira-enredos-do-carnaval-2027. Acesso em 20 ago. 2026. Adaptado.)
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas no excerto:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.
[...]
A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.
Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.
[...]
(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)
A Terra seguir seu caminho é uma possibilidade de desafiar a centralidade que o ser humano se pretende. Faz com que essa centralidade seja posta em questão. [...] Então, se o pensamento dos seres humanos acerca da vida aqui no planeta ficou tão atomizado ao ponto de nós ameaçarmos as outras existências, a Terra pode nos deixar para trás e seguir o seu caminho.
A palavra "atomizado", no excerto, tem origem na palavra "átomo", sendo particípio do verbo "atomizar". Tendo isso em consideração e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir:
I. No pensamento de Krenak, o ser humano fragmentou tanto sua concepção de vida no planeta que se esqueceu ou destruiu a ideia de todo.
II. Nesse contexto, é possível substituir "atomizado" por "aperfeiçoado", mantendo a coesão e o sentido construído por Krenak, afinal, o pensamento dos seres humanos acerca da vida no planeta tem sido aperfeiçoado, ainda que seja em um aspecto negativo para a existência dessa vida.
III. Ao "atomizar" o pensamento que os seres humanos têm a respeito da vida no planeta, nós reduzimos algo complexo e diverso a uma dimensão mínima, o que faz com que desconsideremos outras formas de existência e nos vejamos como o centro dessa vida.
É correto o que se afirma em:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.
[...]
A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.
Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.
[...]
(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)
A vida é um organismo. A Terra é uma materialidade dessa vida. Nosso corpo, assim como o de uma formiga ou de uma borboleta, é a materialidade da vida.
No excerto, o trecho sublinhado corresponde
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.
[...]
A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.
Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.
[...]
(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)
Leia a resposta de Ailton Krenak à pergunta a seguir, feita durante entrevista ao Jornal da Universidade:
Todas essas atividades predatórias me lembram a imagem que falas sobre o progresso. O progresso como uma flecha. Poderia falar sobre isso?
Krenak: Esse grande ecossistema da nossa Mãe Terra não tem externalidade. Por isso eu citei o caso da mineração. Claro, têm muitas atividades que são consideradas importantes. A agricultura, por exemplo. Esta que começou nosso divórcio com a Terra, quando os humanos achavam que poderiam dominar tudo. Mas depois tem um outro período que chamamos de modernidade, que ajustou os termos desse divórcio, estabelecendo uma lógica, uma racionalidade que sugere que o tempo é uma prospecção, é uma flecha.
E nós, os humanos, vamos tomar essa flecha como uma medida de sucesso, de realização, de empreendimento, onde a vida passa a ser calculada e pode ser capturada pelo enunciado de que "tempo é dinheiro". [...]
Um contingente muito numeroso disso que chamamos de população do planeta, 7 bilhões e tanto de pessoas, vive rotinas alienadas ou alienantes, em que de manhã elas sequer olham onde estão. Não olham se o céu está nublado, se vai chover. Muitas, inclusive, nem olham o céu, porque vivem em condições urbanas e de condicionamento. Entram e saem de caixas.
[...]
A respeito da concordância verbal, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) O verbo "ter", em "têm muitas atividades que são consideradas importantes", foi usado no mesmo sentido do verbo "haver". Nesse caso, ele é impessoal e deveria estar no singular: "tem muitas atividades que são consideradas importantes".
(__) O verbo "viver", em "vive rotinas alienadas ou alienantes", está no singular equivocadamente porque deveria concordar com seu sujeito, "7 bilhões e tanto de pessoas".
(__) No trecho "em que de manhã elas sequer olham onde estão. Não olham se o céu está nublado, se vai chover", o sujeito é "elas", que se refere a "7 bilhões e tanto de pessoas". Nesse contexto, a concordância de todos os verbos que têm esse sujeito está correta.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.
[...]
A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.
Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.
[...]
(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)
Alguns pensadores têm sugerido que o Homo Sapiens, essa variante que veio dar nessa humanidade que nós constituímos agora, eliminou os outros possíveis Homos, os outros parentes dele. Quer dizer, ele é um exterminador [risos]. Ele é. E bem-sucedido. Aquela ideia horrorosa do cinema de produzir um Exterminador do Futuro é uma metáfora sobre o homem. O ser humano é o exterminador do futuro em certo sentido.
No excerto, a palavra "bem-sucedido" foi escrita corretamente. Analise as sentenças a seguir:
I. A humanidade tem agido como uma sem-noção, não respeitando a pluralidade de existências que vivem na Terra.
II. Há muita má-fé quando uma pequena parcela da humanidade decide enriquecer às custas da destruição do planeta.
III. Quando olhamos para a humanidade, nota-se muito mal-grado em pensar a existência coletivamente, cuidando de toda a diversidade que compõe a Terra. Uma parcela luta, enquanto outra destrói sob o argumento do progresso.
Está correta a grafia da palavra destacada em:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Em novembro de 2020, Ailton Krenak concedeu entrevista ao Jornal da Universidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As questões a seguir têm como referência trechos dessa entrevista, os quais dialogam entre si.
[...]
A trajetória de Ailton Krenak foi sempre ecoante e fundamental na luta histórica dos povos indígenas e pela preservação da Terra. Fez barulho quando, em 1987, discursou na Assembleia Nacional Constituinte durante a elaboração da Constituição Brasileira de 1988. Durante o discurso, posicionou-se na tribuna, em frente àqueles que ameaçavam os direitos aos territórios geográficos e culturais das tradições indígenas. Pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo como um gesto de protesto contra os retrocessos e ataques aos seus diretos e de seus parentes.
Passados tantos anos, sua voz segue sendo urgente e ecoante. [...] Ailton Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak e onde, há exatos cinco anos, rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração denominada Fundão, controlada pela Samarco Mineração. O crime deixou o rio Doce "anulado", segundo Ailton. O rio que, para ele, é um avô, morreu. Foi morto por mais uma ação humana e corporativa de destruição. Hoje Ailton Krenak continua a viver na Terra próxima de onde a barragem foi rompida.
[...]
(https://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-t ras-e-seguir-o-seu-caminho/. Acesso em: 20 ago. 2026. Adaptado.)
Leia outro excerto da entrevista de Ailton Krenak concedida ao Jornal da Universidade:
Que humanidade somos hoje?
Somos uma humanidade complexa e diversa. Ela tem aquelas qualidades que nós gostaríamos às vezes que fossem presentes ao nosso redor: a complexidade e a pluralidade. Mas essa humanidade, exatamente por ter uma condição plural, não constitui uma comunidade. Poderia dizer que hoje estamos perplexos porque nós não conseguimos ter uma unidade de propósito e estamos passando por crises sucessivas. Crise ambiental, climática, econômica. É também uma crise de paradigma.
Após a leitura atenta do excerto e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) Para Krenak, a pluralidade que constitui a humanidade não é condição para que haja uma comunidade/uma unidade entre os elementos que a constituem.
(__) Um dos requisitos básicos para que a humanidade seja um todo diverso e coeso é termos o mesmo propósito. Isso nos permite inferir que não termos um propósito comum não apenas nos dispersa, como também desencadeia diversas crises.
(__) Ao afirmar que as crises ambiental, climática, econômica são também uma crise de paradigma, Krenak critica os modelos que parte da humanidade decidiu seguir; por exemplo, o modelo econômico.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Socorro Acioli na Tijuca e Itamar Vieira na Vila Isabel
Após homenagear Carolina Maria de Jesus (1914-1977) no Carnaval 2026, a Unidos da Tijuca continua de olho na estante. Desta vez, porém, criará as suas fantasias inspirada no romance A cabeça do santo (Companhia das Letras), publicado em 2014 e um dos romances brasileiros de maior circulação dos últimos anos.
No livro de Socorro Acioli, Samuel chega à pequena cidade cearense de Candeia depois de uma longa viagem para cumprir uma promessa feita à mãe. Sem ter onde ficar, encontra abrigo dentro da cabeça oca e abandonada de uma enorme estátua de Santo Antônio. É ali que descobre uma capacidade insólita: consegue ouvir as preces que mulheres apaixonadas dirigem ao santo casamenteiro.
A história nasceu a partir de uma imagem real, a cabeça de uma gigantesca estátua de Santo Antônio que até hoje permanece separada do corpo em Caridade, no sertão do Ceará. A própria Socorro visitou recentemente o barracão da escola na Cidade do Samba para conhecer alegorias, figurinos e protótipos do desfile, traduzido pelo carnavalesco Lucas Milato.
E se a Tijuca vai ao Ceará, a Unidos de Vila Isabel seguirá rumo à Chapada Diamantina, na Bahia. A escola escolheu para o próximo Carnaval o enredo Torto arado − Sobre a terra há de viver sempre o mais forte , baseado no best-seller de Itamar Vieira Jr., publicado pela Todavia em 2019.
O livro acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia, filhas de trabalhadores de uma fazenda no sertão baiano, a partir de um acidente ocorrido ainda na infância. Ao contar a trajetória das duas e da comunidade de Água Negra, Itamar constrói uma narrativa inebriante sobre terra, ancestralidade, trabalho e desigualdade, na qual se destaca a presença do Jarê, religião de matriz africana tradicional da região.
É justamente essa dimensão que ganhará protagonismo no Carnaval, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal, o enredo vai abordar a luta quilombola sob a perspectiva encantada do Jarê, ainda inédito como tema central de um desfile na Marquês de Sapucaí.
Vencedor dos prêmios LeYa, Jabuti e Oceanos, Torto arado tornou-se um fenômeno raro na ficção brasileira contemporânea e ultrapassou a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. O romance abriu a chamada Trilogia da Terra, completada por Salvar o fogo (2023) e Coração sem medo (2025).
(Disponível em: https://www.publishnews.com.br/materias/2026/08/18/literatura-brasileir a-inspira-enredos-do-carnaval-2027. Acesso em 20 ago. 2026. Adaptado.)
I.A Unidos da Tijuca homenageou Carolina Maria de Jesus neste ano e, ano que vem, homenageará Socorro Acioli.
II.De acordo com o texto, a história de Acioli, A cabeça do santo , é a narrativa real a respeito da estátua de Santo Antônio, localizada no sertão do Ceará, enquanto Torto arado narra a história real de duas irmãs do sertão baiano. Portanto, são obras biográficas.
III.A escola Unidos de Vila Isabel, ancorada na perspectiva encantada do Jarê, levará a luta dos povos quilombolas para o sambódromo, no Carnaval de 2027.
É correto o que se afirma:
Socorro Acioli na Tijuca e Itamar Vieira na Vila Isabel
Após homenagear Carolina Maria de Jesus (1914-1977) no Carnaval 2026, a Unidos da Tijuca continua de olho na estante. Desta vez, porém, criará as suas fantasias inspirada no romance A cabeça do santo (Companhia das Letras), publicado em 2014 e um dos romances brasileiros de maior circulação dos últimos anos.
No livro de Socorro Acioli, Samuel chega à pequena cidade cearense de Candeia depois de uma longa viagem para cumprir uma promessa feita à mãe. Sem ter onde ficar, encontra abrigo dentro da cabeça oca e abandonada de uma enorme estátua de Santo Antônio. É ali que descobre uma capacidade insólita: consegue ouvir as preces que mulheres apaixonadas dirigem ao santo casamenteiro.
A história nasceu a partir de uma imagem real, a cabeça de uma gigantesca estátua de Santo Antônio que até hoje permanece separada do corpo em Caridade, no sertão do Ceará. A própria Socorro visitou recentemente o barracão da escola na Cidade do Samba para conhecer alegorias, figurinos e protótipos do desfile, traduzido pelo carnavalesco Lucas Milato.
E se a Tijuca vai ao Ceará, a Unidos de Vila Isabel seguirá rumo à Chapada Diamantina, na Bahia. A escola escolheu para o próximo Carnaval o enredo Torto arado − Sobre a terra há de viver sempre o mais forte , baseado no best-seller de Itamar Vieira Jr., publicado pela Todavia em 2019.
O livro acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia, filhas de trabalhadores de uma fazenda no sertão baiano, a partir de um acidente ocorrido ainda na infância. Ao contar a trajetória das duas e da comunidade de Água Negra, Itamar constrói uma narrativa inebriante sobre terra, ancestralidade, trabalho e desigualdade, na qual se destaca a presença do Jarê, religião de matriz africana tradicional da região.
É justamente essa dimensão que ganhará protagonismo no Carnaval, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal, o enredo vai abordar a luta quilombola sob a perspectiva encantada do Jarê, ainda inédito como tema central de um desfile na Marquês de Sapucaí.
Vencedor dos prêmios LeYa, Jabuti e Oceanos, Torto arado tornou-se um fenômeno raro na ficção brasileira contemporânea e ultrapassou a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. O romance abriu a chamada Trilogia da Terra, completada por Salvar o fogo (2023) e Coração sem medo (2025).
(Disponível em: https://www.publishnews.com.br/materias/2026/08/18/literatura-brasileir a-inspira-enredos-do-carnaval-2027. Acesso em 20 ago. 2026. Adaptado.)