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Q3802361 Administração Geral
Durante a distribuição interna em um hospital, o assistente de farmácia entrega ao setor de pediatria um lote de dipirona oral, com etiqueta parcialmente rasurada e sem identifi cação completa do responsável pelo fracionamento. Dias depois, ocorre um evento adverso leve em um paciente pediátrico. Considerando as Boas Práticas de Armazenagem e Distribuição de Medicamentos, o principal erro logístico que contribuiu para a falha foi: 
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Q3802360 Farmácia
Em um hospital público, a equipe de farmácia identifi ca que o número do lote impresso nas caixas de omeprazol 20 mg se difere do informado na nota fi scal eletrônica. Os medicamentos estão íntegros e o fornecedor é credenciado. Com base nas boas práticas de distribuição e de rastreabilidade, a conduta correta é: 
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Q3802359 Farmácia
Uma idosa apresenta receita em uma unidade, o assistente de farmácia dispensa o medicamento, ela questiona o motivo por que lhe foi entregue “maleato de enalapril” em vez do “Renitec”, conforme prescrito pelo seu médico. O profi ssional explica que se trata do mesmo princípio ativo, apenas sob denominação diferente. A afi rmativa correta para informação dada à paciente é baseada em:
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Q3802358 Farmácia
Durante uma inspeção a uma farmácia de uma unidade de saúde, a vigilância sanitária observa que um produto farmacêutico possui nome comercial, mesma composição do medicamento de referência, mas sem tarja amarela com o “G” e sem indicação de intercambialidade. Com base nas normas vigentes, esse produto é classifi cado como:
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Q3802357 Farmácia
Durante o atendimento em uma unidade de saúde, uma paciente solicita “um remédio para dor de cabeça”, apresentando uma receita de dipirona genérica. O atendente explica que no momento o produto disponível é um medicamento similar, com o mesmo princípio ativo e concentração. Com base nas defi nições legais, é correto afi rmar que: 
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Q3802356 Legislação dos Municípios do Estado do Mato Grosso
O art. 47 da Lei Complementar n.° 03, de 04 de dezembro de 1991, dispõe sobre o Estatuto e o Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos do Município, das autarquias e das fundações municipais de Barra do Garças. Nos termos desse artigo, o servidor perderá:
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Q3802355 Direito Sanitário
Acerca da importância dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e da legislação que o regulamenta, sabe-se que a Lei n.º 8.142/1990 complementa a Lei n.º 8.080/1990, reforçando a participação social e o fi nanciamento do sistema. Conforme a legislação vigente, corresponde a um princípio ou a uma diretriz do SUS:
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Q3802354 Matemática
A rainha Ana possui três tipos de joias: rubis, esmeraldas e safi ras, totalizando 36, 48 e 60 pedras, respectivamente. Ela deseja montar o maior número possível de coroas idênticas, de modo que todas as joias sejam utilizadas sem sobrar nenhuma, e cada coroa tenha o mesmo número de rubis, esmeraldas e safi ras. O número máximo de coroas que a rainha Ana pode montar é:
Alternativas
Q3802353 Matemática
Lívia, gerente de vendas, avalia o desempenho de seus pontos de venda com base em uma pontuação de 0 a 100. A Loja X obteve 90 pontos (peso 1), a Loja Y obteve 80 pontos (peso 1) e a Loja Z obteve 100 pontos (peso 2). A pontuação média ponderada da equipe de Lívia é: 
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Q3802352 Raciocínio Lógico
Jonas, um famoso agente secreto, precisa criar uma senha para seu cofre. A senha deve ter 3 dígitos distintos, escolhidos a partir de um conjunto de 5 números (1, 2, 3, 4, 5). O número total de senhas diferentes que Jonas pode formar é igual a:
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Q3802351 Matemática
Alice fez 20 biscoitos para vender na feira da escola. Ela decidiu cobrir 50% deles com cobertura de chocolate. O número de biscoitos que Alice cobriu é igual a:
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Q3802350 Português

Apaixonados por morcegos: conhecer é importante para conviver em harmonia


Pequenos mamíferos voadores são peças-chave para o equilíbrio ambiental 


    Você teria coragem de pegar um morcego com as próprias mãos? A resposta mais comum é um "não" decidido. Esses pequenos mamíferos alados carregam um pesado fardo cultural, pois são ligados a mitos, histórias de terror e doenças. Mas a realidade é bem diferente: sem eles, nossas florestas seriam mais frágeis, as plantações mais vulneráveis e até o preço do chocolate poderia disparar. Isso porque os morcegos são peças-chave para o equilíbrio ambiental, atuando em diferentes frentes dentro dos ecossistemas.

    Os morcegos frugívoros, por exemplo, são responsáveis por espalhar sementes e ajudar na recuperação de áreas degradadas, por isso são conhecidos como os "jardineiros da noite". Já as espécies nectarívoras são aliadas na polinização de flores que desabrocham apenas à noite, como as agaves, usadas na produção da tequila. 

    Há ainda os morcegos insetívoros, verdadeiros controladores naturais de pragas. Um único indivíduo pode devorar milhares de insetos em poucas horas, incluindo mosquitos transmissores de doenças como a dengue. "Eles são grandes aliados das lavouras e da saúde pública", explica a bióloga e pesquisadora Elizabete Captivo Lourenço, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), bolsista do programa Pós-Doutorado Sênior da FAPERJ. Segundo ela, ao reduzir populações de insetos, os morcegos ajudam também a diminuir o uso de pesticidas, protegendo o ambiente e as pessoas.

    Elizabete destaca ainda outro papel importante desses animais: o de bioindicadores. "Por serem extremamente sensíveis a mudanças ambientais, a presença ou ausência de certas espécies de morcegos é um reflexo direto da saúde dos ecossistemas", explica.

    Foi durante a graduação em Ciências Biológicas, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que ela teve o primeiro contato com esses animais. "Bastou um único morcego para eu me apaixonar. Desde então, venho descobrindo o quanto esse grupo é fascinante e essencial para o planeta."


Fonte: https://odia.ig.com.br/colunas/e-o-bicho/2025/11/7155346-apaixonados-pormorcegos-conhecer-e-importante-para-conviver-em-harmonia.html. Acesso em 02/11/2025

“Você teria coragem de pegar um morcego com as próprias mãos?” (1º parágrafo). A forma verbal destacada está flexionada no: 
Alternativas
Q3802349 Português

Apaixonados por morcegos: conhecer é importante para conviver em harmonia


Pequenos mamíferos voadores são peças-chave para o equilíbrio ambiental 


    Você teria coragem de pegar um morcego com as próprias mãos? A resposta mais comum é um "não" decidido. Esses pequenos mamíferos alados carregam um pesado fardo cultural, pois são ligados a mitos, histórias de terror e doenças. Mas a realidade é bem diferente: sem eles, nossas florestas seriam mais frágeis, as plantações mais vulneráveis e até o preço do chocolate poderia disparar. Isso porque os morcegos são peças-chave para o equilíbrio ambiental, atuando em diferentes frentes dentro dos ecossistemas.

    Os morcegos frugívoros, por exemplo, são responsáveis por espalhar sementes e ajudar na recuperação de áreas degradadas, por isso são conhecidos como os "jardineiros da noite". Já as espécies nectarívoras são aliadas na polinização de flores que desabrocham apenas à noite, como as agaves, usadas na produção da tequila. 

    Há ainda os morcegos insetívoros, verdadeiros controladores naturais de pragas. Um único indivíduo pode devorar milhares de insetos em poucas horas, incluindo mosquitos transmissores de doenças como a dengue. "Eles são grandes aliados das lavouras e da saúde pública", explica a bióloga e pesquisadora Elizabete Captivo Lourenço, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), bolsista do programa Pós-Doutorado Sênior da FAPERJ. Segundo ela, ao reduzir populações de insetos, os morcegos ajudam também a diminuir o uso de pesticidas, protegendo o ambiente e as pessoas.

    Elizabete destaca ainda outro papel importante desses animais: o de bioindicadores. "Por serem extremamente sensíveis a mudanças ambientais, a presença ou ausência de certas espécies de morcegos é um reflexo direto da saúde dos ecossistemas", explica.

    Foi durante a graduação em Ciências Biológicas, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que ela teve o primeiro contato com esses animais. "Bastou um único morcego para eu me apaixonar. Desde então, venho descobrindo o quanto esse grupo é fascinante e essencial para o planeta."


Fonte: https://odia.ig.com.br/colunas/e-o-bicho/2025/11/7155346-apaixonados-pormorcegos-conhecer-e-importante-para-conviver-em-harmonia.html. Acesso em 02/11/2025

Eles são grandes aliados das lavouras e da saúde pública" (3º parágrafo). No texto, o pronome em destaque faz referência aos:
Alternativas
Q3802348 Português

Apaixonados por morcegos: conhecer é importante para conviver em harmonia


Pequenos mamíferos voadores são peças-chave para o equilíbrio ambiental 


    Você teria coragem de pegar um morcego com as próprias mãos? A resposta mais comum é um "não" decidido. Esses pequenos mamíferos alados carregam um pesado fardo cultural, pois são ligados a mitos, histórias de terror e doenças. Mas a realidade é bem diferente: sem eles, nossas florestas seriam mais frágeis, as plantações mais vulneráveis e até o preço do chocolate poderia disparar. Isso porque os morcegos são peças-chave para o equilíbrio ambiental, atuando em diferentes frentes dentro dos ecossistemas.

    Os morcegos frugívoros, por exemplo, são responsáveis por espalhar sementes e ajudar na recuperação de áreas degradadas, por isso são conhecidos como os "jardineiros da noite". Já as espécies nectarívoras são aliadas na polinização de flores que desabrocham apenas à noite, como as agaves, usadas na produção da tequila. 

    Há ainda os morcegos insetívoros, verdadeiros controladores naturais de pragas. Um único indivíduo pode devorar milhares de insetos em poucas horas, incluindo mosquitos transmissores de doenças como a dengue. "Eles são grandes aliados das lavouras e da saúde pública", explica a bióloga e pesquisadora Elizabete Captivo Lourenço, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), bolsista do programa Pós-Doutorado Sênior da FAPERJ. Segundo ela, ao reduzir populações de insetos, os morcegos ajudam também a diminuir o uso de pesticidas, protegendo o ambiente e as pessoas.

    Elizabete destaca ainda outro papel importante desses animais: o de bioindicadores. "Por serem extremamente sensíveis a mudanças ambientais, a presença ou ausência de certas espécies de morcegos é um reflexo direto da saúde dos ecossistemas", explica.

    Foi durante a graduação em Ciências Biológicas, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que ela teve o primeiro contato com esses animais. "Bastou um único morcego para eu me apaixonar. Desde então, venho descobrindo o quanto esse grupo é fascinante e essencial para o planeta."


Fonte: https://odia.ig.com.br/colunas/e-o-bicho/2025/11/7155346-apaixonados-pormorcegos-conhecer-e-importante-para-conviver-em-harmonia.html. Acesso em 02/11/2025

A frase: “Bastou um único morcego para eu me apaixonar” (5º parágrafo) contribui para o texto ao:
Alternativas
Q3802347 Português

Apaixonados por morcegos: conhecer é importante para conviver em harmonia


Pequenos mamíferos voadores são peças-chave para o equilíbrio ambiental 


    Você teria coragem de pegar um morcego com as próprias mãos? A resposta mais comum é um "não" decidido. Esses pequenos mamíferos alados carregam um pesado fardo cultural, pois são ligados a mitos, histórias de terror e doenças. Mas a realidade é bem diferente: sem eles, nossas florestas seriam mais frágeis, as plantações mais vulneráveis e até o preço do chocolate poderia disparar. Isso porque os morcegos são peças-chave para o equilíbrio ambiental, atuando em diferentes frentes dentro dos ecossistemas.

    Os morcegos frugívoros, por exemplo, são responsáveis por espalhar sementes e ajudar na recuperação de áreas degradadas, por isso são conhecidos como os "jardineiros da noite". Já as espécies nectarívoras são aliadas na polinização de flores que desabrocham apenas à noite, como as agaves, usadas na produção da tequila. 

    Há ainda os morcegos insetívoros, verdadeiros controladores naturais de pragas. Um único indivíduo pode devorar milhares de insetos em poucas horas, incluindo mosquitos transmissores de doenças como a dengue. "Eles são grandes aliados das lavouras e da saúde pública", explica a bióloga e pesquisadora Elizabete Captivo Lourenço, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), bolsista do programa Pós-Doutorado Sênior da FAPERJ. Segundo ela, ao reduzir populações de insetos, os morcegos ajudam também a diminuir o uso de pesticidas, protegendo o ambiente e as pessoas.

    Elizabete destaca ainda outro papel importante desses animais: o de bioindicadores. "Por serem extremamente sensíveis a mudanças ambientais, a presença ou ausência de certas espécies de morcegos é um reflexo direto da saúde dos ecossistemas", explica.

    Foi durante a graduação em Ciências Biológicas, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que ela teve o primeiro contato com esses animais. "Bastou um único morcego para eu me apaixonar. Desde então, venho descobrindo o quanto esse grupo é fascinante e essencial para o planeta."


Fonte: https://odia.ig.com.br/colunas/e-o-bicho/2025/11/7155346-apaixonados-pormorcegos-conhecer-e-importante-para-conviver-em-harmonia.html. Acesso em 02/11/2025

No primeiro parágrafo, ao afirmar que os morcegos “carregam um pesado fardo cultural”, o texto sugere que:
Alternativas
Q3794729 Português
Na tirinha de Galhardo, os últimos dois quadros revelam a crítica central do texto, que se direciona à(ao):
Alternativas
Q3794728 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

No contexto do oitavo parágrafo, no fragmento “No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter SUBVERSIVO da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo”, uma palavra que melhor se opõe ao sentido expresso por “subversivo” é:
Alternativas
Q3794727 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

No trecho “Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, ENQUANTO, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros” (5º parágrafo), o termo destacado expressa o sentido de:
Alternativas
Q3794726 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

Ao anunciar, no primeiro parágrafo, que tentou criar uma frase de impacto logo no início do seu texto, a autora ironiza a seguinte característica dos leitores atuais:
Alternativas
Q3794725 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

Com base nas reflexões críticas e nos exemplos apresentados, o texto de Giovana Madalosso pode ser classificado como um(a): 
Alternativas
Respostas
4941: B
4942: D
4943: A
4944: C
4945: B
4946: A
4947: C
4948: A
4949: D
4950: B
4951: C
4952: B
4953: D
4954: C
4955: A
4956: D
4957: D
4958: A
4959: C
4960: B