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"O estudo das relações sociais na Idade Média Central remete-nos diretamente a um dos mais polêmicos temas da historiografia contemporânea: o do feudalismo. Desde o século XIX, são numerosas as linhas interpretativas (...). De maneira ampla, ele gira em torno de um duplo significado do termo. No sentido estrito, ele refere-se aos vínculos feudovassálicos, isto é, como veremos, às relações político-militares entre membros da aristocracia. No sentido lato, designa um tipo de sociedade com formas próprias de organização econômica, política, social e cultural."
FRANCO JÚNIOR, Hilário, A Idade Média: nascimento do ocidente / Hilário Franco Júnior. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2001.
"A ascensão da sociedade de corte sem dúvida está ligada ao impulso da crescente centralização do poder do Estado, à crescente monopolização das duas fontes decisivas de poder para aqueles senhores em posição central: as taxas sociais, os "impostos" como nós chamamos, e o poderio militar e policial reunidos. Contudo, raramente se coloca uma pergunta fundamental nesse contexto que permaneça sem resposta: a questão da dinâmica de desenvolvimento da sociedade, de como e por que se forma, durante determinada fase do desenvolvimento do Estado, uma posição social que concentra nas mãos de um único homem uma abundância de poder extraordinária."
ELIAS, Norbert. A Sociedade de Corte: investigação sobre a sociologia da realeza e da aristocracia de corte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
Considerando os textos apresentados e o debate historiográfico sobre a transição da sociedade feudal à sociedade de corte, assinale a alternativa CORRETA:
Se o interesse dos historiadores pelos textos literários não é algo novo, entretanto, o que assistimos mudar desde a segunda metade do século XX – devido a uma renovação nos estudos literários que veio influenciar os estudos históricos – é essa relação entre os historiadores e os textos literários.”
SOUSA, P. Ângelo de M. O estudo da história antiga a partir de textos literários: uma proposta teórico-metodológica. Boletim de Estudos Clássicos, [S. l.], n. 60, p. 45-56, 2015. DOI: 10.14195/2183-7260_60_4. Disponível em: https:// impactum-journals.uc.pt/bec/article/view/60_4. Acesso em: 8 fev. 2026.
Com base no texto, analise as assertivas a seguir acerca das transformações epistemológicas da ciência histórica e da relação entre historiografia e literatura, assinalando V (verdadeiro) ou F (falso):
( ) A ampliação dos domínios da ciência histórica, a partir da segunda metade do século XX, implicou o reconhecimento das obras literárias como objetos legítimos na construção do conhecimento histórico.
( ) O texto sustenta que o interesse historiográfico por textos literários surgiu com a renovação teórica ocorrida na segunda metade do século XX.
( ) Na História Antiga, os textos literários assumem papel privilegiado, em parte devido à escassez de documentação quando comparada às épocas mais recentes.
( ) A mudança ocorrida na segunda metade do século XX refere-se menos à existência do interesse pelos textos literários e mais à forma como os historiadores passaram a se relacionar com eles.
( ) O texto afirma que, na História Antiga, a maioria das pesquisas concentra-se em evidências materiais, descartando estudos de representações textuais.
Assinale a alternativa que corresponde a sequência CORRETA.
Por um lado, temos de extrair dele a imagem que formamos do mundo aristocrático; por outro, inquirir como o ideal de Homero ganha forma nos poemas homéricos e como a sua estreita esfera de validade originária se alarga e se converte em força de formação de muito maior amplitude."
JAEGER, Werner Wilhelm, 1888-1961. Paideia: a formação do homem grego / Werner Wilhelm Jaeger ; [tradução Artur M. Parreira ; adaptação para a edição brasileira Mônica Stahel ; revisão de texto grego Gilson César Cardoso de Souza]. – 3. ed. – São Paulo : Martins Fontes, 1994.
Considerando A Ilíada e A Odisseia, tradicionalmente atribuídas a Homero, e os debates historiográficos acerca de seu valor para o estudo da Grécia arcaica, assinale alternativa CORRETA:
LE GOFF, Jacques. A História deve ser dividida em pedaços? (Tradução de Nícia Adan Bonatti). São Paulo: Editora UNESP, 2015. P. 12.
Com base na interpretação do texto sobre periodização e tempo histórico, analise as proposições a seguir:
I. Se a divisão do tempo histórico não é mero recorte cronológico, então a periodização constitui operação interpretativa vinculada a valores e perspectivas historiográficas.
II. Se a periodização é operação interpretativa, então os períodos não são dados naturais, mas construções que expressam determinadas concepções de mudança e continuidade.
III. Se os períodos são construções interpretativas, então toda narrativa histórica é arbitrária e desprovida de compromisso empírico.
IV. Se a sucessão temporal pode envolver rupturas e continuidades, então é possível articular diferentes ritmos temporais, inclusive aqueles associados à longa duração.
V. Se a longa duração relativiza o acontecimento singular, então a reflexão sobre rupturas perde relevância analítica.
SANTOS NETO, Antônio Fonseca. A História nas mãos. Entrevista publicada da Revista Revestrés. Edição 46. Agosto de 2020. Acesso em: 07 fev. 2026.
A partir da análise do texto, é possível identificar uma posição epistemológica que tensiona tanto o positivismo factualista, quanto determinadas vertentes da pós-modernidade. Considerando os debates historiográficos relativos ao estatuto do fato histórico, à renovação metodológica promovida pela Escola dos Annales e às formulações associadas à chamada Nova História, assinale a alternativa que melhor expressa a posição teórica presente no texto acima.
(...)
O olhar que o cinema devolve (ao espectador) atinge status transformador em um sentido hermenêutico. Entende-se que a imagem tem um potencial de perturbação de certezas instituídas que, no entanto, está em latência, precisa ser ativado. Como em uma experiência de intercâmbio que atravessa os tempos, o olho do cinema a partir do passado surge inquirindo o historiador e torna-se capaz de transformar o presente. Inevitavelmente dinâmica, essa relação de olhares cruzados pressupõe uma ação investigativa sempre em movimento, em vias de tornar-se.
SILVA, Jaison Castro. A tessitura insuspeita: cosmopolitismo, cinema nacional e trajetórias do olhar em Walter Hugo Khouri e Luis Sérgio Person (1960-1968). 2014. 812f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de Pós-Graduação em História, Fortaleza (CE), 2014.
Para o autor, as relações da história e do cinema:
Alberto Silva durante inauguração do Estádio Albertão, Albertão 50 anos — Foto: Reprodução. Ribeiro, A. (2023, 26 de agosto). Estádio Albertão – 50 anos [Imagem]. ge.globo.com. https://ge.globo.com/pi/albertao-50-anos/noticia/2023/08/26/albertao-50-anos-veja-linha-do-tempo-desde-a-fundacao-da-maior-praca-esportiva-do-piaui.ghtml
O governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) utilizou o futebol como instrumento de propaganda política reforçando a imagem de um governo moderno e progressista. Em 1971, ao assumir o governo no Piauí, Alberto Silva deu início a uma política de intervenções urbanas e grandes obras públicas que resultou na construção do Estádio Albertão inaugurado em 1973. Sobre este assunto, Cláudia Cristina Fontineles (2009) nos diz que: “O estádio Albertão tornou-se um desses espaços de evocação dos rastros do político que lhe emprestou o nome, seja como espaço físico, seja pela denominação recebida, que provoca o tempo presente, lembrando-o constantemente do homenageado e funcionando como arquivo dessa memória.”
FONTINELES, C. O Recinto do Elogio e da Crítica: maneiras de durar de Alberto Silva na memória e na história do Piauí. Teresina: EDUFPI, 2015. p.116.
Após a análise do trecho e da fotografia, responda:
Sobre esse assunto, assinale a alternativa CORRETA:
Analise a charge acima e em seguida assinale a alternativa CORRETA sobre o assunto:
"O século XIX foi um período de grandes transformações sociais e políticas, marcado pelo surgimento de movimentos sociais que reivindicavam direitos, justiça social e participação política em meio às mudanças trazidas pela Revolução Industrial e pelos processos revolucionários.”
HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções: 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 1988. p.45.
Os movimentos sociais do século XIX, como o anarquismo, as lutas operárias e a luta feminina surgem no contexto da industrialização e da consolidação do capitalismo. Estes movimentos apresentam contestações sociais que buscam direitos, igualdade e melhores condições de vida.
Sobre esse assunto, julgue as afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F) e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA:
( ) A luta feminina do século XIX surgiu como parte das transformações causadas pela industrialização e pelo liberalismo que ampliaram debates sobre direitos e cidadania, mas excluíam as mulheres.
( ) Os sindicatos surgem a partir da mobilização e das lutas operárias. Podemos chamar de sindicatos uma associação de trabalhadores assalariados que têm como objetivo defender ou melhorar as condições de trabalho e de salários dos seus associados, além de instituir e administrar assistência nas áreas da saúde, justiça, lazer, educação e outros.
( ) As ideias anarquistas surgidas no século XIX defendiam a abolição do Estado e das hierarquias políticas, mas consideravam necessária a existência da propriedade privada. A autogestão, a cooperação e a organização voluntária da sociedade seriam as formas de abolir as desigualdades sociais.
( ) O direito ao voto foi uma causa defendida pela luta feminina somente após 1950 quando as ideias feministas ganharam força na Inglaterra e em parte dos Estados Unidos.
ANÔNIMO. Barricade, rue de Charonne, Paris – Commune de Paris. Fotografi a em preto e branco, 18 mar. 1871. Acervo: Bibliothèque historique de la Ville de Paris / Museu Carnavalet. Disponível em: Wikimedia Commons. Acesso em: 04 fev. 2026.
Sobre a Comuna de Paris (1871), assinale a alternativa CORRETA:
HOBSBAWM, Eric. Nações e nacionalismo desde 1780: programa, mito, realidade. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
Durante a Idade Moderna, os Estados começaram a se configurar espacial e politicamente e esse processo só se consolidou no século XIX. Sobre o movimento nacionalista do século XIX, julgue os itens e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA.
I. Os envolvidos nos projetos nacionalistas do século XIX resgataram tradições e narrativas do passado para criar um sentimento de identificação entre as populações que eles queriam organizar em um Estado-nação.
II. Os movimentos nacionais europeus surgiram como projetos de pequenas elites intelectuais, antes de ganharem alcance junto aos movimentos de massa.
III. Com o objetivo de aumentar os seus territórios e suas riquezas, os países europeus utilizaram os nacionalismos para legitimar seu expansionismo territorial e comercial.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 21.
No trecho apresentado, Lilia Moritz Schwarcz discute a trajetória de Dom Pedro II a partir de uma narrativa marcada por imagens míticas, religiosas e simbólicas, que se entrelaçam com discursos políticos e ideológicos. Com base na interpretação do texto, é CORRETO afirmar que a autora:
CASTRO, Chico. A Coluna Prestes no Piauí: a república do vintém. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2008. p.225
Com base nesse episódio sobre a Coluna Prestes, é CORRETO afirmar que:
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
Com base nessa problemática, assinale a alternativa que melhor expressa o sentido do conceito:
Sinopse: Rio de Janeiro, início dos anos 1970. O país enfrenta o endurecimento da ditadura militar. Os Paiva — Rubens, Eunice e seus cinco filhos — vivem na frente da praia, numa casa de portas abertas para os amigos. Um dia, Rubens é levado por militares à paisana e desaparece. Eunice, cuja busca pela verdade sobre o destino de seu marido se estenderia por décadas, é obrigada a se reinventar e traçar um novo futuro para si e seus filhos. Baseado no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva.
Sinopse: Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Marcelo chega À capital pernambucana em plena semana de Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos. Inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio.
A leitura do Brasil republicano, articulada às mensagens das produções fílmicas, compreendidas como construções narrativas, estéticas e políticas sobre um passado autoritário mobilizado a partir das disputas do presente, permite compreender o cinema como:
Leia a letra da Cantiga Popular:
Autoria: Autor desconheido Domínio Público / Cultura Popular
Na cultura sertaneja nordestina, especialmente nas regiões marcadas historicamente pela pecuária extensiva, o boi assume centralidade não apenas econômica, mas também simbólica. O verso popular “O meu boi morreu, o que será de mim? Manda buscar outro, oh maninha, lá no Piauí”, quando interpretado à luz da formação histórica e cultural do Piauí, expressa principalmente:
REBOUÇAS, André. Cartas da África – Registro de correspondência, 1891–1893. Org. Hebe Mattos. São Paulo: Chão Editora, 2022. ; GHESTI, Letícia Geraldi. Os Ilustres Irmãos Rebouças. Curitiba: Solar do Rosário, 2022.
À luz da trajetória intelectual e política de André Rebouças e da historiografia sobre o abolicionismo e a crise do Império, sua posição diante da Monarquia e da República pode ser interpretada, de forma historicamente consistente, como:
MORI, Robert. Mundos em transformação: guerras e alianças entre os Jê e os luso-brasileiros nos sertões da América portuguesa – século XVIII. 2020. 247 f. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020.
Considerando essa dinâmica histórica, assinale a alternativa que melhor expressa a interpretação historiográfica contemporânea sobre a presença indígena no Piauí colonial:
Foto: Rede Pense Piauí. “Expedição visita patrimônio colonial e natural do Piauí”. Portal Cidade Verde. Disponível em: https://cidadeverde.com/noticias/300490/expedicao-visita-patrimonio-colonial-e-natural-do-piaui. Acesso em: 01 fev. 2026.
Dentre os diversos debates que marcam a construção historiográfica do Piauí, destacam-se as teses relativas ao processo de ocupação e colonização do território no período colonial. Tradicionalmente, a interpretação consolidada defende que a colonização teria se iniciado a partir do sul do atual estado, por meio da expansão dos currais de gado, tendo Oeiras como núcleo organizador e símbolo da centralização administrativa.
Em contraposição, outra vertente historiográfica sustenta a chamada “tese do Norte”, que enfatiza a ocupação por meio das zonas litorâneas e dos espaços ligados às atividades costeiras, atribuindo aos grupos parnaibanos papel fundamental nesse processo. Essa perspectiva desloca o foco da colonização para áreas tradicionalmente consideradas periféricas pela narrativa oficial.
Dessa forma, o uso do sítio histórico de Frecheiras, no debate historiográfico sobre a colonização do Piauí: