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Q3907433 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

O último relógio

 

Em uma pequena vila cercada por montanhas, existia uma torre com um relógio único, que não marcava horas, mas momentos importantes da vida de cada habitante. Ninguém sabia como ele funcionava, mas todos o respeitavam. Quando alguém nascia, uma engrenagem nova surgia. Quando morria, a engrenagem parava.

Certo dia, o ponteiro principal do relógio parou subitamente. A vila ficou em alvoroço. Nenhum momento parecia mais ser registrado. Maria, uma jovem curiosa, subiu até a torre para investigar. Lá dentro, encontrou um velho homem, o Guardião do Relógio, sentado entre engrenagens brilhantes.

– Por que o relógio parou? – perguntou Maria.

O Guardião sorriu, mas parecia cansado.

– Porque o mundo lá fora parou de viver momentos que importam. As pessoas se esqueceram de sentir, de sonhar.

Maria ficou em silêncio, mas algo nela despertou. Saiu da torre determinada. Começou a reunir as pessoas da vila para contar histórias, plantar flores, dançar na praça e rir juntas. Aos poucos, o relógio recomeçou a girar.

No dia em que Maria subiu novamente à torre, encontrou apenas uma nota deixada pelo Guardião: “Continue girando o mundo com o que importa.”

 

REIS, Guilherme. O último relógio. Gazeta Itapirense. Disponível em <https://www.gazetaitapirense.com.br/cronica-o-ultimo-relogio-por-guilherme-reis/>.

“Certo dia, o ponteiro principal do relógio parou subitamente.”


A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:

Alternativas
Q3907432 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

O último relógio

 

Em uma pequena vila cercada por montanhas, existia uma torre com um relógio único, que não marcava horas, mas momentos importantes da vida de cada habitante. Ninguém sabia como ele funcionava, mas todos o respeitavam. Quando alguém nascia, uma engrenagem nova surgia. Quando morria, a engrenagem parava.

Certo dia, o ponteiro principal do relógio parou subitamente. A vila ficou em alvoroço. Nenhum momento parecia mais ser registrado. Maria, uma jovem curiosa, subiu até a torre para investigar. Lá dentro, encontrou um velho homem, o Guardião do Relógio, sentado entre engrenagens brilhantes.

– Por que o relógio parou? – perguntou Maria.

O Guardião sorriu, mas parecia cansado.

– Porque o mundo lá fora parou de viver momentos que importam. As pessoas se esqueceram de sentir, de sonhar.

Maria ficou em silêncio, mas algo nela despertou. Saiu da torre determinada. Começou a reunir as pessoas da vila para contar histórias, plantar flores, dançar na praça e rir juntas. Aos poucos, o relógio recomeçou a girar.

No dia em que Maria subiu novamente à torre, encontrou apenas uma nota deixada pelo Guardião: “Continue girando o mundo com o que importa.”

 

REIS, Guilherme. O último relógio. Gazeta Itapirense. Disponível em <https://www.gazetaitapirense.com.br/cronica-o-ultimo-relogio-por-guilherme-reis/>.

De acordo com o texto “O último relógio”, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3907401 Português
“Eis o pequeno detalhe da questão _____ desconfio muito.”
Assinale a alternativa cuja expressão preenche corretamente a lacuna do enunciado acima.
Alternativas
Q3907400 Português
Assinale a alternativa cuja forma verbal destacada se encontra de acordo com as normas de concordância em Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3907399 Português

Imagem associada para resolução da questão



CAZO. Balanço do ano. Disponível em <https://blogdoaftm.com.br/charge-balanco-do-ano/>.



O humor presente na charge acima se deve, entre outros aspectos, ao:

Alternativas
Q3907398 Português
Assinale a alternativa cuja palavra destacada tem natureza adverbial e exprime o sentido de modo. 
Alternativas
Q3907397 Português
Assinale a alternativa cuja expressão preenche corretamente a lacuna a seguir, de acordo com as normas de ocorrência ou não de crase.
“O trabalho em equipe foi realizado _______.”
Alternativas
Q3907396 Português
“Tudo que envolve literatura sempre é uma viagem pessoal.” (Amílcar Bettega) Considere as seguintes formas reescritas do período acima:

(i) Tudo que envolve literatura é sempre uma viagem pessoal.
(ii) Tudo que envolve literatura é uma viagem pessoal sempre.
(iii) Tudo que sempre envolve literatura é uma viagem pessoal.

Em qual(is) forma(s) reescrita(s) o significado básico original da sentença foi alterado? 
Alternativas
Q3907395 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas de acordo com as normas vigentes em Língua Portuguesa. 
Alternativas
Q3907394 Português
Um velho adolescente


       Descobri recentemente, mais precisamente no sábado passado, que sou um velho adolescente. Isso porque me peguei grudado a tarde toda num livro da Thalita Rebouças. A visão da escritora me fez voar, imaginar situações, me perder em dilemas, num passeio raso d’água nos olhos, encarar alguns medos eternos, até sentir novamente as transformações.

     Thalita escreve para mulheres de um modo tão próximo e profundo, que conseguiu, por momentos, me transformar num velho adolescente menina. Foi um despertar, pouco antes, na minha retina cansada, de que guardava a adolescência como se fosse a estátua de Antínoo, dura, fria, calada, mas eternamente jovem.

      No livro, logo me identifiquei com a personagem, uma garota sem dotes de beleza, um tanto desleixada, dona dos cabelos ruins e peso acima do ideal. Outras semelhanças apareceram durante a narrativa: a menina ouve música para sentir vontade de chorar. Fiz isso recentemente, sem motivos aparentes, lágrima libertária, não de agonia, envolta numa música antiga (...), de um cantor que eu desprezava quando adolescente, o Biafra, naquela parte em que ele afirma existir um licor a mais no bombom. Homem não chora! Uma ova, chora sim, mesmo na maturidade. (...)

     Quase adulto, imaginava a maturidade tal e qual a quinta sinfonia de Beethoven, a reta final, da qual queria distância. No entanto, cá estou. Acho que Biafra me fez chorar por causa disso, o licor ainda vivo, perdido em meio ao bombom. Imagino Beethoven, mas escuto Biafra. “O que sai de mim vem do prazer, de querer sentir o que eu não posso ter...”, o que ele quis dizer com isso?   

        As folhas da árvore da minha adolescência ainda tremem, esparramam o orvalho no soprar do vento, restos daquela mesma chuva que me arrancou o sono, restando em mim o pensamento incerto: será que existe por aí outro adolescente velho quieto e atento, tal e qual a estátua de Antínoo, ouvindo, entrelaçado por pequenos tremores, a sinfonia de Beethoven? Fechei a última página, já sentindo saudades da menina do livro e à procura do resto de licor perdido dentro do bombom.


ALVEZ, André Luiz. Um velho adolescente. Correio do
Estado. Disponível em
<https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-eopiniao/leia-a-cronica-de-andre-luiz-alvez-br-um-velhoadolescente/326927/>. 

“uma garota sem dotes de beleza, um tanto desleixada


A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: 

Alternativas
Q3907393 Português
Um velho adolescente


       Descobri recentemente, mais precisamente no sábado passado, que sou um velho adolescente. Isso porque me peguei grudado a tarde toda num livro da Thalita Rebouças. A visão da escritora me fez voar, imaginar situações, me perder em dilemas, num passeio raso d’água nos olhos, encarar alguns medos eternos, até sentir novamente as transformações.

     Thalita escreve para mulheres de um modo tão próximo e profundo, que conseguiu, por momentos, me transformar num velho adolescente menina. Foi um despertar, pouco antes, na minha retina cansada, de que guardava a adolescência como se fosse a estátua de Antínoo, dura, fria, calada, mas eternamente jovem.

      No livro, logo me identifiquei com a personagem, uma garota sem dotes de beleza, um tanto desleixada, dona dos cabelos ruins e peso acima do ideal. Outras semelhanças apareceram durante a narrativa: a menina ouve música para sentir vontade de chorar. Fiz isso recentemente, sem motivos aparentes, lágrima libertária, não de agonia, envolta numa música antiga (...), de um cantor que eu desprezava quando adolescente, o Biafra, naquela parte em que ele afirma existir um licor a mais no bombom. Homem não chora! Uma ova, chora sim, mesmo na maturidade. (...)

     Quase adulto, imaginava a maturidade tal e qual a quinta sinfonia de Beethoven, a reta final, da qual queria distância. No entanto, cá estou. Acho que Biafra me fez chorar por causa disso, o licor ainda vivo, perdido em meio ao bombom. Imagino Beethoven, mas escuto Biafra. “O que sai de mim vem do prazer, de querer sentir o que eu não posso ter...”, o que ele quis dizer com isso?   

        As folhas da árvore da minha adolescência ainda tremem, esparramam o orvalho no soprar do vento, restos daquela mesma chuva que me arrancou o sono, restando em mim o pensamento incerto: será que existe por aí outro adolescente velho quieto e atento, tal e qual a estátua de Antínoo, ouvindo, entrelaçado por pequenos tremores, a sinfonia de Beethoven? Fechei a última página, já sentindo saudades da menina do livro e à procura do resto de licor perdido dentro do bombom.


ALVEZ, André Luiz. Um velho adolescente. Correio do
Estado. Disponível em
<https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-eopiniao/leia-a-cronica-de-andre-luiz-alvez-br-um-velhoadolescente/326927/>. 
“As folhas da árvore da minha adolescência ainda tremem, esparramam o orvalho no soprar do vento, restos daquela mesma chuva que me arrancou o sono”
No trecho acima, predominam construções em sentido:
Alternativas
Q3907392 Português
Um velho adolescente


       Descobri recentemente, mais precisamente no sábado passado, que sou um velho adolescente. Isso porque me peguei grudado a tarde toda num livro da Thalita Rebouças. A visão da escritora me fez voar, imaginar situações, me perder em dilemas, num passeio raso d’água nos olhos, encarar alguns medos eternos, até sentir novamente as transformações.

     Thalita escreve para mulheres de um modo tão próximo e profundo, que conseguiu, por momentos, me transformar num velho adolescente menina. Foi um despertar, pouco antes, na minha retina cansada, de que guardava a adolescência como se fosse a estátua de Antínoo, dura, fria, calada, mas eternamente jovem.

      No livro, logo me identifiquei com a personagem, uma garota sem dotes de beleza, um tanto desleixada, dona dos cabelos ruins e peso acima do ideal. Outras semelhanças apareceram durante a narrativa: a menina ouve música para sentir vontade de chorar. Fiz isso recentemente, sem motivos aparentes, lágrima libertária, não de agonia, envolta numa música antiga (...), de um cantor que eu desprezava quando adolescente, o Biafra, naquela parte em que ele afirma existir um licor a mais no bombom. Homem não chora! Uma ova, chora sim, mesmo na maturidade. (...)

     Quase adulto, imaginava a maturidade tal e qual a quinta sinfonia de Beethoven, a reta final, da qual queria distância. No entanto, cá estou. Acho que Biafra me fez chorar por causa disso, o licor ainda vivo, perdido em meio ao bombom. Imagino Beethoven, mas escuto Biafra. “O que sai de mim vem do prazer, de querer sentir o que eu não posso ter...”, o que ele quis dizer com isso?   

        As folhas da árvore da minha adolescência ainda tremem, esparramam o orvalho no soprar do vento, restos daquela mesma chuva que me arrancou o sono, restando em mim o pensamento incerto: será que existe por aí outro adolescente velho quieto e atento, tal e qual a estátua de Antínoo, ouvindo, entrelaçado por pequenos tremores, a sinfonia de Beethoven? Fechei a última página, já sentindo saudades da menina do livro e à procura do resto de licor perdido dentro do bombom.


ALVEZ, André Luiz. Um velho adolescente. Correio do
Estado. Disponível em
<https://correiodoestado.com.br/cidades/artigos-eopiniao/leia-a-cronica-de-andre-luiz-alvez-br-um-velhoadolescente/326927/>. 
O autor-narrador do texto “Um velho adolescente” pode ser caracterizado como alguém: 
Alternativas
Q3907285 Português

Q9.png (329×237)


CAZO. Desejos. Disponível em .Desejos. Disponível em <https://blogdoaftm.com.br/charge-desejos/>.



A charge acima apresenta uma crítica direta à(ao):

Alternativas
Q3907283 Português
“Um dos méritos da poesia, que muita gente não percebe, é que ela diz mais que a prosa, e em menos palavras do que a prosa.” (Voltaire)

A expressão destacada no pensamento acima apresenta a seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q3907282 Português
Estabeleça a relação entre a palavra destacada em cada expressão e o sentido expresso por ela. A seguir, assinale a sequência correta obtida.

(i) Estamos falando de astronomia.
(ii) Estava morrendo de rir.
(iii) Vim para cá de patinete.
(iv) Meus primos virão de uma bela fazenda.

(a) instrumento
(b) assunto
(c) origem (d) causa
Alternativas
Q3907281 Português
Assinale a alternativa cuja forma verbal destacada está flexionada corretamente.
Alternativas
Q3907280 Português
Assinale a alternativa cujo elemento destacado apresenta ambiguidade (dupla possibilidade de interpretação) no contexto em que está sendo empregado.
Alternativas
Q3907279 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Entrando pela cozinha


    Aromas, sabores, os sons dos talheres e das panelas misturados à prosa em alto volume das vozes femininas. A cozinha é parte tão viva da casa! Não sei se de todas. Por certo da casa da minha infância e adolescência, perseverando na casa dos meus pais hoje e na minha. A gente não come somente a comida. Come os afetos, os prazeres, os desejos. Quantas lembranças acordam o olfato com os cheiros daquele tempero de um certo prato que aquela pessoa preparava?

    Peço, agora, que você imagine os alimentos de sua infância, seus cheiros, sabores, texturas e aromas, imagens e vozes das pessoas que os faziam. Feche os olhos! Sim, eu agora fecho os meus para dar vazão à memória. Feche, por favor, também os seus!

    Salivei. As memórias da cozinha da mãe e das avós me despertam todos os sentidos. De um lado, pães de queijo, pamonhas, pudins e outras sobremesas do Centro-Oeste – a origem materna. De outro lado, caruru, vatapá, camarões e peixes no toque do dendê do Nordeste africano e o tempero sem igual da mãe de meu pai. Isso tudo se misturando à riqueza de legumes e verduras do Sudeste do país, onde habitávamos, e seus hábitos iam nos habitando. No alimento, a poética ancestral do cuidar entrelaçada aos sabores gastronômicos miscigenando minha família e o país.

    Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha. Construiu assim, a cozinha na frente da casa. Ele diz que é porque as pessoas gostam é de ficar na cozinha. Que quando era criança ficava era todo mundo lá. Então construiu a casa entrando pela cozinha, esse lugar que congrega as pessoas e suas histórias – temperos e contos à beira do fogão.

    Ao redor da mesa, vivi e vivo os maiores e melhores momentos de comunhão familiar. Também ao redor da mesa, alguns dissabores e conflitos. A riqueza da gastronomia familiar brasileira tecida em fios de cuidar é como rede em varanda que embala um cochilo sem pretensão. Das extravagâncias natalinas ao pão de cada dia. É belo esse lugar de onde vim por tão sagrado que é! É belo esse lugar de onde vim, por tão profano que é!


MOURA, Cristiana. Entrando pela cozinha. Crônica do dia. Disponível em .<https://www.cronicadodia.com.br/2014/06/entrandopela-cozinha-cristiana-moura.html>. 
“Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha.”

A palavra destacada no trecho acima tem o sentido de:
Alternativas
Q3907278 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Entrando pela cozinha


    Aromas, sabores, os sons dos talheres e das panelas misturados à prosa em alto volume das vozes femininas. A cozinha é parte tão viva da casa! Não sei se de todas. Por certo da casa da minha infância e adolescência, perseverando na casa dos meus pais hoje e na minha. A gente não come somente a comida. Come os afetos, os prazeres, os desejos. Quantas lembranças acordam o olfato com os cheiros daquele tempero de um certo prato que aquela pessoa preparava?

    Peço, agora, que você imagine os alimentos de sua infância, seus cheiros, sabores, texturas e aromas, imagens e vozes das pessoas que os faziam. Feche os olhos! Sim, eu agora fecho os meus para dar vazão à memória. Feche, por favor, também os seus!

    Salivei. As memórias da cozinha da mãe e das avós me despertam todos os sentidos. De um lado, pães de queijo, pamonhas, pudins e outras sobremesas do Centro-Oeste – a origem materna. De outro lado, caruru, vatapá, camarões e peixes no toque do dendê do Nordeste africano e o tempero sem igual da mãe de meu pai. Isso tudo se misturando à riqueza de legumes e verduras do Sudeste do país, onde habitávamos, e seus hábitos iam nos habitando. No alimento, a poética ancestral do cuidar entrelaçada aos sabores gastronômicos miscigenando minha família e o país.

    Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha. Construiu assim, a cozinha na frente da casa. Ele diz que é porque as pessoas gostam é de ficar na cozinha. Que quando era criança ficava era todo mundo lá. Então construiu a casa entrando pela cozinha, esse lugar que congrega as pessoas e suas histórias – temperos e contos à beira do fogão.

    Ao redor da mesa, vivi e vivo os maiores e melhores momentos de comunhão familiar. Também ao redor da mesa, alguns dissabores e conflitos. A riqueza da gastronomia familiar brasileira tecida em fios de cuidar é como rede em varanda que embala um cochilo sem pretensão. Das extravagâncias natalinas ao pão de cada dia. É belo esse lugar de onde vim por tão sagrado que é! É belo esse lugar de onde vim, por tão profano que é!


MOURA, Cristiana. Entrando pela cozinha. Crônica do dia. Disponível em .<https://www.cronicadodia.com.br/2014/06/entrandopela-cozinha-cristiana-moura.html>. 
“Por certo da casa da minha infância e adolescência, perseverando na casa dos meus pais hoje e na minha.”

A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:
Alternativas
Q3907277 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Entrando pela cozinha


    Aromas, sabores, os sons dos talheres e das panelas misturados à prosa em alto volume das vozes femininas. A cozinha é parte tão viva da casa! Não sei se de todas. Por certo da casa da minha infância e adolescência, perseverando na casa dos meus pais hoje e na minha. A gente não come somente a comida. Come os afetos, os prazeres, os desejos. Quantas lembranças acordam o olfato com os cheiros daquele tempero de um certo prato que aquela pessoa preparava?

    Peço, agora, que você imagine os alimentos de sua infância, seus cheiros, sabores, texturas e aromas, imagens e vozes das pessoas que os faziam. Feche os olhos! Sim, eu agora fecho os meus para dar vazão à memória. Feche, por favor, também os seus!

    Salivei. As memórias da cozinha da mãe e das avós me despertam todos os sentidos. De um lado, pães de queijo, pamonhas, pudins e outras sobremesas do Centro-Oeste – a origem materna. De outro lado, caruru, vatapá, camarões e peixes no toque do dendê do Nordeste africano e o tempero sem igual da mãe de meu pai. Isso tudo se misturando à riqueza de legumes e verduras do Sudeste do país, onde habitávamos, e seus hábitos iam nos habitando. No alimento, a poética ancestral do cuidar entrelaçada aos sabores gastronômicos miscigenando minha família e o país.

    Tive um professor cuja casa tem a entrada pela cozinha. Construiu assim, a cozinha na frente da casa. Ele diz que é porque as pessoas gostam é de ficar na cozinha. Que quando era criança ficava era todo mundo lá. Então construiu a casa entrando pela cozinha, esse lugar que congrega as pessoas e suas histórias – temperos e contos à beira do fogão.

    Ao redor da mesa, vivi e vivo os maiores e melhores momentos de comunhão familiar. Também ao redor da mesa, alguns dissabores e conflitos. A riqueza da gastronomia familiar brasileira tecida em fios de cuidar é como rede em varanda que embala um cochilo sem pretensão. Das extravagâncias natalinas ao pão de cada dia. É belo esse lugar de onde vim por tão sagrado que é! É belo esse lugar de onde vim, por tão profano que é!


MOURA, Cristiana. Entrando pela cozinha. Crônica do dia. Disponível em .<https://www.cronicadodia.com.br/2014/06/entrandopela-cozinha-cristiana-moura.html>. 
O texto “Entrando pela cozinha” é elaborado com base em:
Alternativas
Respostas
18041: A
18042: B
18043: E
18044: C
18045: C
18046: B
18047: A
18048: D
18049: B
18050: E
18051: A
18052: D
18053: D
18054: C
18055: E
18056: D
18057: C
18058: B
18059: A
18060: B