Foram encontradas 52.054 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3849548 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
Considerando o texto como um todo, a ideia principal e a função comunicativa do relato se organizam para: 
Alternativas
Q3849547 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
Ao concluir que “falhou com elegância moderada” e que amanhã “sobe o nível”, o narrador:
Alternativas
Q3849546 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
Ao passar de “Eu devia digitalizar isso” para “Eu devia digitalizar minha personalidade”, o texto sugere: 
Alternativas
Q3849545 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
A sequência “O app não reconheceu. Eu também não.” reforça, sobretudo: 
Alternativas
Q3849544 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
Ao dizer que “a vida escuta e se sente desafiada”, o texto produz o efeito de: 
Alternativas
Q3818822 Legislação Estadual
Qual é o âmbito de aplicação da Lei Estadual nº 14.540/2014? 
Alternativas
Q3818821 Legislação Estadual
Em relação às placas sobre anabolizantes, conforme a Lei nº 12.542/2006, caso um clube esportivo se negue a afixá-las, a fiscalização poderá
Alternativas
Q3818820 Legislação Estadual
Uma academia de lutas marciais em Porto Alegre opera sem a presença de um Responsável Técnico. Com base na Lei Estadual nº 11.721/2002, essa conduta é considerada
Alternativas
Q3818819 Legislação Estadual
No contexto de concursos públicos estaduais, um candidato aprovado para o cargo de Professor de Educação Física não cumpriu a exigência estabelecida em lei no momento da posse. Com base na Lei Estadual nº 14.540/2014, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3818818 Legislação Estadual
A Lei Estadual nº 14.540/2014 estabelece uma exigência específica para a investidura em cargos públicos no Rio Grande do Sul que exijam profissão regulamentada. Qual é essa exigência?
Alternativas
Q3818817 Legislação Estadual
Sobre a formatação da placa de advertência exigida pela Lei Estadual nº 12.542/2006, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3818816 Legislação Estadual
Com base na Lei Estadual nº 11.721/2002, o estabelecimento que descumprir as normas de funcionamento está sujeito a penalidades. Assinale a alternativa que apresenta uma sanção prevista nessa Lei.
Alternativas
Q3818815 Legislação Estadual
Conforme a Lei Estadual nº 11.721/2002, o funcionamento de estabelecimentos que ministrem atividades de ginástica, musculação e esportes no Rio Grande do Sul fica condicionado à:
Alternativas
Q3818814 Educação Física
Um condomínio possui uma academia e permite que empresas de assessoria esportiva a utilizem para atender grupos de moradores. Diante da Resolução CREF2/RS nº 221/2024, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3818813 Educação Física
Sobre a responsabilidade técnica (RT) nas SEFs, assinale a alternativa INCORRETA considerando a Resolução CREF2/RS nº 238/2024.
Alternativas
Q3818812 Educação Física
Segundo a Resolução CREF2/RS nº 221/2024, se o condomínio contratar diretamente um profissional para ministrar aulas coletivas aos moradores, esse condomínio 
Alternativas
Q3818811 Pedagogia
Segundo a Resolução CNE/CES nº 6/2018, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Educação Física, a formação do graduado deve assegurar uma formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. Sobre a estrutura do curso, a referida Resolução estabelece que: 
Alternativas
Q3818810 Pedagogia
De acordo com a Nota Técnica MEC/SERES nº 392/2013, que esclarece a interação entre o Ministério da Educação (MEC) e os Conselhos Profissionais, assinale a alternativa correta sobre a competência de fiscalização. 
Alternativas
Q3818809 Educação Física
Sobre a fiscalização dos serviços virtuais, a Resolução CREF2/RS nº 229/2024 determina que: 
Alternativas
Q3818808 Educação Física
Considere uma Sala de Exercício Físico (SEF) que utiliza metodologias de treinamento de alta intensidade. Conforme os preceitos de segurança da Resolução CREF2/RS nº 238/2024, é dever da SEF: 
Alternativas
Respostas
2801: C
2802: D
2803: B
2804: E
2805: A
2806: B
2807: E
2808: A
2809: C
2810: C
2811: E
2812: D
2813: C
2814: A
2815: E
2816: A
2817: C
2818: D
2819: C
2820: B