O poder constituinte decorrente é próprio das federações. Ne...
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Comentário de Gabarito – Constituições Estaduais e Poder Constituinte Decorrente
Interpretação do tema: A questão explora a autonomia dos Estados na elaboração de suas constituições (“poder constituinte decorrente”) e os limites impostos pela Constituição Federal, sobretudo quanto à obrigatoriedade de observância de princípios fundamentais, como a separação dos poderes e normas do processo legislativo federal.
Base normativa:
Constituição Federal:
Art. 25, caput: “Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição.”
Art. 2º: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”
Jurisprudência relevante: O STF reafirma que as regras fundamentais do processo legislativo federal, enquanto garantidoras da independência e harmonia dos poderes, são de absorção obrigatória pelos Estados (ADI 1594). Segundo o tribunal, a autonomia estadual não pode afrontar princípios constitucionais estruturantes.
Doutrina: José Afonso da Silva e Paulo Bonavides defendem que os Estados não podem divergir de princípios constitucionais federais essenciais, como separação dos poderes e processo legislativo.
Exemplo prático: Se uma Constituição estadual permitir que o Executivo vete projetos de iniciativa exclusiva do Legislativo, haverá afronta ao processo legislativo federal e à separação dos poderes.
Análise das alternativas:
Alternativa B (correta): As regras básicas do processo legislativo federal são de absorção compulsória quando relacionadas à independência e harmonia dos Poderes, pois garantem a integridade do modelo federativo e são limitadoras da autonomia estadual.
Alternativas incorretas:
A: O STF firmou entendimento de que não há extensão automática das imunidades penais do Presidente da República aos Governadores de Estado.
C: Ao contrário do proposto, o STF considera constitucional a limitação da escolha do Procurador-Geral do Estado aos membros da carreira.
D: Correto afirmar que Governadores não podem editar medidas provisórias, mas essa alternativa não trata do tema central da absorção dos princípios federais no âmbito estadual.
E: A vedação à recondução das Mesas Legislativas é matéria interna corporis do Congresso Nacional, não sendo de reprodução obrigatória nos estados (STF, ADI 3746).
Dica de prova: Questões desse tipo costumam induzir erro quando tratam de reprodução obrigatória de normas federais; observe sempre se a matéria está relacionada a princípios estruturantes da CF/88.
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Comentários
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Comentando a alternativa 'A' - errada, o Prof. Vítor Cruz - pontodosconcursos, ressalta:
O Presidente possui a chamada "imunidade penal relativa", ou seja, não está livre de ser punido por qualquer ato, mas se o o ato não for inerente aos exercícios de suas funções, só poderá ser responsabilizado por usa prática após o fim do mandato. Nós já vimos ainda que, nas infrações comuns, enquanto não sobrevier sentença condenatória, o Presidente da República não estará sujeito a prisão.
Não existe então. também, a possibilidade de prisão cautelar para o Presidente da República.
Segundo a jurisprudência do STF, é inadimissível a extensão da imunidade à prisão cautelar ao governador de Estado pela Constituição do Estado, bem como é inadimissível que a Constituição Estadual confira imunidade ao governador para que ele não seja responsabilizado por delitos estranhos à sua
função. Segundo as palavras do Supremo, os govenadores possuem, então, unicamente a prerogativa de foro de serem julgados perante o STJ, após licença da Assembléia Legislativa, devendo estes serem ali julgados ainda que por delitos penais estranhos às suas funções.
Somente a Constituição Federal pode conferir prerrogativas de foro ou imunidades e ela não o fez para os governadores.
Assim, os Estados-membros não podem reproduzir em suas próprias Constituições o conteúdo normativo dos preceitos inscritos no art. 86, §§ 3º e4º da CF, pois essas prerrogativas são unicamente compatíveis com a condição de Chefe de Estado - que somente o Presidente da Republica possui.
Gabarito: Errado.
A alternativa a) está errada, pois veja o seguinte artigo:
Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal,
nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
§ 1º - O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
§ 2º - Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do
processo.
§ 3º - Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da República não estará sujeito a prisão.
§ 4º - O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
NÃO FALA SOBRE extensão aos Governadores de Estado, conforme disse o enunciado. Por isso está errada.
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