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Considerando a situação hipotética apresentada, julgue o item subsequente, com base nos princípios fundamentais da administração pública federal.
O princípio da segurança jurídica submete-se de forma absoluta ao princípio da legalidade, de modo que a administração pública tem o dever e o direito de anular atos com vícios de origem a qualquer tempo.
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Gabarito comentado
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A Administração possui o poder-dever de anular seus próprios atos quando eivados de ilegalidade. Entretanto, essa prerrogativa não pode ser exercida indefinidamente, pois a legalidade deve ser harmonizada com outros princípios, especialmente a segurança jurídica e a proteção da confiança.
Nesse sentido, dispõe a Lei nº 9.784/1999:
“Art. 54, Lei 9.784/99. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé."
No caso apresentado, a gratificação constitui ato que produziu efeitos favoráveis aos servidores e foi concedida há seis anos. Assim, considerando a ausência de indicação de má-fé, incide, em princípio, o prazo decadencial de cinco anos previsto na legislação.
Portanto, não é correto afirmar que a segurança jurídica se submete de maneira absoluta à legalidade, tampouco que a Administração pode anular, a qualquer tempo, atos administrativos que apresentem vícios desde sua origem. A própria ordem jurídica estabelece limites temporais ao exercício da autotutela justamente em proteção à estabilidade das relações jurídicas.
GABARITO: ERRADO.
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Comentários
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O erro ai da questão está em: “submete-se de forma absoluta” e em “a qualquer tempo”.
De acordo com a Lei nº 9.784/1999, em regra, o prazo é de 5 anos para a Administração anular atos administrativos dos quais decorram efeitos favoráveis aos destinatários, salvo comprovada má-fé. E nesse caso já passaram 6 anos!
raríssimas exceções algo é absoluto no direito
Legalidade vs. Segurança Jurídica: o tempo importa!
Errou, mas passou de 5 anos e o beneficiário estava de boa-fé? O relógio bateu, consolidou a situação e a administração perde o direito de anular.
O direito, ou melhor, a possibilidade que a Administração tem de anular seus atos não é irrestrito.
Gabarito: Errado
A afirmação erra ao tratar a legalidade como se ela sempre prevalecesse, de forma absoluta, sobre a segurança jurídica.
No Direito Administrativo, a Administração realmente possui o poder-dever de anular seus próprios atos quando ilegais. É a lógica da autotutela, consagrada, entre outros pontos, pela Súmula 473 do STF.
Mas esse poder não é ilimitado no tempo.
Na esfera federal, o art. 54 da Lei nº 9.784/1999 estabelece que o direito da Administração de anular atos administrativos dos quais decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
Esse limite existe justamente para proteger a segurança jurídica, a estabilidade das relações e a confiança legítima dos administrados.
No caso apresentado, a gratificação vinha sendo paga havia seis anos. Se os servidores agiram de boa-fé, a Administração não pode simplesmente anular a concessão agora sob o argumento de que houve erro de interpretação da lei na origem.
Em outras palavras:
ilegalidade não significa anulabilidade eterna.
A legalidade continua sendo fundamental, mas deve conviver com outros princípios, especialmente a segurança jurídica.
Para fixar:
ato favorável + boa-fé + mais de 5 anos = atenção à decadência administrativa.
✅ Portanto, o item está errado: a segurança jurídica não se submete de forma absoluta à legalidade, e a Administração não pode anular atos favoráveis a qualquer tempo, ressalvadas hipóteses como a má-fé do beneficiário.
Caso percebam algum equívoco no comentário, fiquem à vontade para avisar para que eu possa corrigir. A ideia é contribuir com o aprendizado de todos. Bons estudos!
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