Questões de Concurso Público UFGD 2025 para Produtor Cultural
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“[...] Além da democratização, ou seja, da intenção de oferecer oportunidades de acesso a bens e serviços culturais, alia-se à democracia cultural, isto é, à possibilidade de exercer as atividades e de participar de forma central das decisões de políticas culturais. As ideias mais extremas associam o direito cultural à desmercadorização do fazer cultural, isto é, sendo a cultura um direito, suas múltiplas formas de exercício deveriam ser apoiadas pelo poder público. Na verdade, as áreas da cultura se ligam a essas ideias de formas muito densas e variadas. [...]”.
(SILVA, Frederico A. Barbosa da. Direito e Políticas Culturais. Rio de Janeiro: Ipea, 2021. p. 152)
Com base na leitura do texto acima, é correto afirmar que:
“[...] Um imperativo para reconectar as bolhas humanas que somos, em nossa rede-trama-mundo contemporâneo tão esgarçada e corroída é, então, fortalecer um amplo movimento intercultural e interdisciplinar, estético e político, pedagógico e espiritual, que poderia ser sintetizado em dois verbos: sentipensar e reconectar(-se). [...]”.
(ARAÚJO, Diana Pereira. Mediação cultural na América Latina: utopias em curso. Buenos Aires e Foz do Iguaçu: CLACSO; UNILA, 2023. p. 24)
A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre conceitos da cultura, assinale a alternativa que define o que é interculturalidade.
“Só o tempo vai dizer o quanto nós sofremos
Pra você ver, uns morrendo, outros vivendo no proceder
Tem que ter para se viver
Se não tem, então tenta Matança, droga, violência afeta toda comunidade Batalha sangrenta
E os que sofrem racismo, preconceito vivem como podem
Mas na comunidade prevalece a humildade
Sempre levando a palavra de verdade
Através do rap, mostrando a nossa realidade
Periferia da cidade, aldeia
A vida mais parece uma teia [...]”
(Trecho da canção Tupã, 2009, do grupo Brô MC’s)
Considerando os versos da canção, do grupo de rap Brô MC’s, composto com residentes das aldeias Bororo e Jaguapiru em Mato Grosso do Sul, assinale a alternativa que relaciona apenas povos que tradicionalmente vivem em terras indígenas no estado.
“ [....] Nós, juventude, que damos mais força tanto para liderança, quanto para ñandesy [rezadora em guarani] e ñanderu [rezador em guarani], porque a juventude que leva mais e tem que aprender mais, porque a liderança, a ñandesy, o ñanderu já tá um pouco cansado. Por isso que nós, da juventude, temos que aprender tudo isso, rezar na língua, de aprender como é que ele faz, ouvir a história deles”, defende Michele Concianza, que, além de cineasta do povo Guarani Kaiowá, é filha de rezadora e vive na Terra Indígena Panambizinho, também no município de Dourados [...]”.
(SOARES, Mariana. De geração em geração, modo de vida guarani kaiowá resiste na Reserva de Dourados (MS). Site - Instituto Socioambiental. Disponível em: https:// www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/de-geracao-em-geracao-modo-de-vida-guarani-kaiowa-resiste- -na-reserva-de. Acesso em 3 de jan. 2025)
Com base na leitura do texto acima e considerando a importância das ações afirmativas, o que uma política pública cultural em Dourados e na região deveria contemplar?
“[...] Um apoio decidido ao conceito diversidade cultural, inclusive objetivamente no trabalho junto a Unesco e a um grande número de países. Naquele momento, o Brasil realizou um trabalho importantíssimo junto à Espanha, ao Canadá, a vários países africanos e a sul-americanos. Foi um trabalho forte para que a convenção da diversidade cultural fosse aprovada. Depois, o Ministério continuou a lutar para que os países a reconhecessem. No desdobramento desse ativismo internacional, promoveu-se todo um conjunto de atividades de intensificação cultural com a ONU, a Unesco, organismos sul-americanos e panamericanos. Esse trabalho de identificação de um protagonismo popular cultural até então encoberto, não propriamente visível, que precisava vir à tona. O programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura, bem como todas as suas variantes, começaram a dar conta desse mundo submergido, que é a produção cultural popular. [...]”.
(Entrevista com Gilberto Gil. In: COHN, Sergio et al. Produção cultural no Brasil volume I. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2010. p. 31)
A partir da leitura do texto e do conceito de diversidade cultural, assinale a alternativa correta.
“[...] Ignacy Sachs elencou alguns critérios de sustentabilidade, entre os quais a sustentabilidade cultural que, em seu ponto de vista, refere-se às mudanças no interior da continuidade (equilíbrio entre respeito à tradição e inovação) e à capacidade de autonomia para elaboração de um projeto nacional integrado e endógeno (em oposição à cópia de modelos do exterior) [...] A sustentabilidade cultural refere-se, nesse entendimento, ao respeito que deve ser dado às diferentes culturas e às suas contribuições para a construção de modelos de desenvolvimento apropriados às especificidades de cada ecossistema, cada cultura, cada local. [...]”.
(SILVA, Liliana Sousa e. Sustentabilidade na Cultura? Da diversidade cultural à sustentação financeira. In: II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS CULTURAIS, 2011, Rio de Janeiro, Casa de Rui Barbosa, 2011. p. 4)
Baseando-se na leitura do texto e nos conceitos das áreas de cultura, meio ambiente e sustentabilidade assinale a alternativa correta.
Registro da artista Yayoi Kusama na instalação Filled With the Brilliance of Life (2011), uma das obras da exposição Obsessão Infinita. Fonte: https://webjornalunesp.wordpress.com/2014/07/14/obsessao-infinita-de-yayoi-kusama-e-exposta-no-instituto-tomie-ohtake/. Acesso em: 30 dez. 2024.
“[...] Entendendo que apenas a descrição desta instalação seria insuficiente para produzir um território fértil para uma experiência estética, os educadores propuseram, a partir dos conceitos da artista, uma Obsessão Infinita sonora. Nesse ponto é importante marcar que no grupo de educadores, estava eu, uma educadora cega – profissional e pesquisadora no campo da acessibilidade. Um dos objetivos da proposta de acessibilidade, pela via sonora, foi que antes que ela fosse experimentada pelo público que visitaria o espaço cultural, ela seria utilizada como ferramenta de capacitação dos próprios educadores, entre os quais, eu, pessoa cega. [...]”.
(ALVES, Camila Araújo; MORAES, Márcia. Acessibilidade Estética em Espaços Culturais. In: Revista Psicologia: Ciência e Profissão, v. 38, n. 3, 584-594. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/pcp/a/kySF7BcdkSQ4dMpNV7cw6Hb/?lang=pt. Acesso em: 30 dez. 2024. P. 591)
Considerando a análise da imagem, do texto e as ações de acessibilidade no âmbito das iniciativas culturais, assinale qual tipo de acessibilidade foi trabalhada na proposta dos educadores.
“[...] O direito autoral, portanto, passa por uma crise de identidade. Quando falamos em identidade estamos nos reportando ao que somos. Pois bem. O que é o direito autoral? Um entrave à cultura? Ou um fomento à criação intelectual? Essa crise identitária precisa ser cuidadosamente analisada. Para inúmeros defensores da cultura digital, o direito autoral não passa de um grande empecilho à circulação de obras intelectuais na rede mundial de computadores. É algo nocivo, prejudicial, antipático. Um fardo medonho, uma “mala sem alça e sem rodinha”. Merece ser, cada vez mais, “flexibilizado”. Em nossa opinião, essa campanha bem orquestrada visa à fragilização do direito de autor. [...]”.
(MORAES, Rodrigo. O autor existe e não morreu! Cultura digital e a equivocada “coletivização da autoria”. In: SILVA, Rubens Ribeiro Gonçalves (org.). Direito autoral, propriedade intelectual e plágio. Salvador: EDUFBA, 2014. p. 58)
Qual é a crise problematizada pelo autor no texto acima?