Questões de Concurso
Sobre teorias curriculares em pedagogia
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Nas últimas décadas, as discussões a respeito de currículo ganharam relevância em virtude, principalmente, da centralidade que assumiu nas reformas que se processaram na educação, sendo utilizado como campo estratégico da disseminação do significado politico das mudanças decorrentes do contexto neoliberal, o que passou a demandar novos estudos e orientações para a escola.
NASCIMENTO, L. et al. Currículo Escolar: dimensões pedagógicas e políticas. São Luís — MA: Edufma, 2010, p. 9, com adaptações
No que concerne às teorias do currículo, julgue (C ou E) o item a seguir.
Nas últimas décadas, as discussões a respeito de currículo ganharam relevância em virtude, principalmente, da centralidade que assumiu nas reformas que se processaram na educação, sendo utilizado como campo estratégico da disseminação do significado politico das mudanças decorrentes do contexto neoliberal, o que passou a demandar novos estudos e orientações para a escola.
NASCIMENTO, L. et al. Currículo Escolar: dimensões pedagógicas e políticas. São Luís — MA: Edufma, 2010, p. 9, com adaptações
No que concerne às teorias do currículo, julgue (C ou E) o item a seguir.
Circe Bittencourt, na obra Ensino de História: fundamentos e métodos, afirma que, desde o fim da década de 1980, houve a produção de várias propostas curriculares de História para o Ensino Fundamental e Médio.
Para essa autora, tais propostas têm em comum algumas características, como
I. O currículo constitui o espaço central mais estruturante da função da escola, razão pela qual apresenta como território amplamente normatizado e politizado.
II. O currículo deixou de ser objeto de interesse das políticas oficiais de avaliação, reduzindo a adoção de parâmetros nacionais e internacionais sobre o ensino.
III. O currículo passou a ser um território de disputa externa, ultrapassando os limites de atuação de cada mestre ou coletivo escolar.
Assinale a alternativa correta.
Texto para a questão
Gêneros discursivos, BNCC e ensino da escrita: entre diretrizes e práticas pedagógicas
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reafirma, no ensino de Língua Portuguesa, uma concepção de linguagem de base enunciativo-discursiva, na qual o texto, compreendido como prática social situada, ocupa lugar central no processo de ensino-aprendizagem. Tal orientação desloca o foco da língua entendida como sistema abstrato para a língua em uso, exigindo do professor uma atuação pedagógica que articule leitura, produção textual e reflexão linguística de modo integrado e contextualizado.
Nesse quadro, o trabalho com gêneros discursivos assume papel estruturante, pois é por meio deles que os sujeitos participam das práticas sociais de linguagem. A BNCC organiza essas práticas a partir de campos de atuação, reconhecendo que cada gênero se constitui em condições específicas de produção, circulação e recepção. Assim, ensinar Língua Portuguesa implica criar situações didáticas em que o aluno compreenda não apenas a forma do texto, mas também seus propósitos comunicativos e efeitos de sentido.
Um exemplo dessa orientação pode ser observado no campo jornalístico-midiático, quando se propõe a produção de gêneros como notícia, reportagem ou artigo de opinião. Ao desenvolver uma atividade de produção de notícia, por exemplo, o professor precisa conduzir o aluno à análise do contexto de circulação, da seleção das informações relevantes, da organização composicional e das escolhas linguísticas adequadas ao gênero, superando práticas de escrita meramente reprodutivas.
De modo semelhante, no campo das práticas de estudo e pesquisa, a produção de gêneros como artigos de divulgação científica ou relatórios exige que o ensino da escrita contemple estratégias de planejamento, textualização e revisão. Nesse caso, o gênero funciona como mediador entre o conhecimento científico e o leitor, demandando do aluno a mobilização de estratégias de leitura e escrita que garantam clareza, coesão e adequação ao interlocutor.
Essas propostas evidenciam que a leitura e a produção textual não podem ser tratadas como atividades dissociadas. Ao contrário, compreender um gênero pressupõe analisar seus modos de dizer, seus valores discursivos e suas regularidades, o que implica práticas de leitura orientadas e reflexão sobre o funcionamento da língua em contextos reais de uso, conforme defendido pela BNCC.
Conclui-se, portanto, que o ensino de Língua Portuguesa, alinhado às diretrizes da BNCC, requer do professor uma postura teórico-metodológica consistente, capaz de articular gêneros discursivos, estratégias de leitura e práticas de escrita em projetos pedagógicos significativos. Somente assim será possível formar leitores e produtores de texto competentes, capazes de atuar criticamente nas diferentes esferas sociais.
Texto adaptado a partir de MARINS, Ida Maria Morales. Gêneros textuais/discursivos e a BNCC: uma leitura reflexiva da prática de escrita. In: VIII ENALIC – Edição Digital, p. 469–480, 2019.
SILVA, Tomaz Tadeu da. “Currículo e identidade social: territórios contestados”. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.). Alienígenas na sala de aula. Petrópolis: Vozes, 1995, p. 195.
A crítica apresentada no texto questiona uma reivindicação na análise do currículo escolar relacionada a
I. Uma das funções básicas do currículo escolar é possibilitar a relação do educando com as objetivações humanas, com objetos culturais relevantes, que despertam, que criam a sensibilidade humana.
II. O currículo é um processo mecânico e natural que se desdobra em si mesmo a partir de definições dadas a priori.
III. O currículo deve contribuir para o processo de desalienação dos sujeitos.
Quais estão corretas?
I. A função do currículo é apenas selecionar os conteúdos mais adequados para o desenvolvimento cognitivo dos alunos, independentemente do contexto social.
II. O currículo expressa relações entre o conhecimento oficial e os interesses dominantes na sociedade, revelando disputas de poder e de significação cultural.
III. A legitimidade de certos saberes no currículo está relacionada à forma como são socialmente valorizados e às ideologias que estruturam o campo educacional.
IV.A preocupação com os métodos e técnicas de ensino é suficiente para compreender as finalidades sociais do currículo.
Pode-se afirmar que:
O chamado “multiculturalismo” é um fenômeno que, claramente, tem sua origem nos países dominantes do Norte. O multiculturalismo, tal como a cultura contemporânea, é fundamentalmente ambíguo. Por um lado, o multiculturalismo é um movimento legítimo de reivindicação dos grupos culturais dominados no interior daqueles países para terem suas formas culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional. O multiculturalismo pode ser visto, entretanto, também como uma solução para os “problemas” que a presença de grupos raciais e étnicos coloca, no interior daqueles países, para a cultura nacional dominante. (SILVA, T. T. da. Documentos de Identidade: uma Introdução às Teorias de Currículo. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 1999, p. 85)
A partir dessas características é correto afirmar que:
A teoria pós-colonialista tem como objetivo analisar o complexo das relações de poder entre as diferentes nações que compõem a herança econômica, política e cultural da conquista colonial europeia tal como se configura no presente momento – chamado, é claro, de “pós-colonial”. Ela parte da ideia de que o mundo contemporâneo, no momento mesmo em que supostamente se torna globalizado, só pode ser adequadamente compreendido se considerados todas as consequências da chamada “aventura colonial europeia”. (SILVA, T. T. da. Documentos de Identidade: uma Introdução às Teorias de Currículo. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 1999, p.125)
Nessa perspectiva o autor, ao problematizar a teoria pós-colonialista, assevera que:
I. O passado que deve impulsionar a dinâmica do ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental é aquele que dialoga com o tempo atual.
II. A história não emerge como um dado ou um acidente que tudo explica: ela é a correlação de forças, de enfrentamentos e da batalha para a produção de sentidos e significados, que são constantemente reinterpretados por diferentes grupos sociais e suas demandas – o que, consequentemente, suscita outras questões e discussões.
III. A utilização de objetos materiais pode auxiliar o professor e os alunos a colocar em questão o significado das coisas do mundo, estimulando a produção do conhecimento histórico em âmbito escolar.
São corretas as afirmativas:

QUINO. 10 anos com Mafalda. Buenos Aires: Ediciones de la Flor, 1974.