Questões de Concurso
Sobre teorias curriculares em pedagogia
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Vemos as escolas como um espelho da sociedade, especialmente o currículo oculto das escolas. A "sociedade" precisa de trabalhadores dóceis; as escolas através de suas relações sociais e de seu currículo oculto, garantem de alguma forma a produção dessa docilidade. Trabalhadores obedientes no mercado de trabalho são espelhados no "mercado de ideias" da escola.
Adaptado de APPLE, Michael. Educação e poder. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989, p. 83.
Com base no trecho, é correto afirmar que o currículo oculto é um conjunto de
Sobre o currículo oculto, analise as assertivas abaixo:
I. É a dimensão mensurável do currículo, que reforça o aprendizado cognitivo e sociocultural.
II. É o conjunto de aprendizagens ou efeitos de aprendizagens que se dão como resultados de certos elementos, relações e experiências presentes no ambiente escolar.
III. É o conhecimento adquirido dentro e fora da escola, com amigos, na mídia, na literatura e nas brincadeiras.
Quais estão corretas?
Com base no livro “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire, a teoria crítica do currículo, desenvolvida no Brasil na década de 1980, trouxe como pressupostos:
I. A necessidade de o currículo ter como ponto de partida a cultura dos grupos para os quais se dirige.
II. A importância de um currículo organizado com base na cultura e nos problemas vividos cotidianamente.
III. A ênfase na recepção de conteúdos para capacitar as camadas mais populares para sua inserção no mercado de trabalho formal.
Quais estão corretos?
Em uma escola de Ensino Médio, a direção decide investir em iniciativas que visam ao ensino da importância da pontualidade, da obediência à autoridade e respeito à hierarquia, não porque estes temas constem em planos de ensino, mas porque fazem parte da estrutura organizacional e da rotina da instituição.
Na perspectiva crítica das teorias do currículo, o fenômeno descrito pode ser identificado CORRETAMENTE como:
Acerca das teorias do currículo, analise as assertivas a seguir.
I- Ao pensar o currículo, a perspectiva pós-estruturalista compreende que, na relação teoria-realidade, a teoria não descobre a realidade, mas a produz em suas descrições.
II- No campo das teorias pós-críticas do currículo, são conceitos centrais “eficiência, objetivos, planejamento e organização”.
III- Na obra “Documentos de identidade”, de Tomaz Tadeu da Silva, a conclusão acerca do que fundamenta qualquer teoria do currículo está relacionada à pergunta: “Que conhecimento deve ser ensinado, isto é, o que eles ou elas devem saber?”.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
I. O ensino por competências restringe-se ao domínio de conteúdos conceituais, sem envolver habilidades práticas ou socioemocionais.
II. Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
III. A BNCC reconhece que a educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza.
Assinale a alternativa correta.
Essa proposta está alinhada à concepção crítica do currículo, pois:
I. O currículo constitui o espaço central mais estruturante da função da escola, razão pela qual apresenta como território amplamente normatizado e politizado.
II. O currículo deixou de ser objeto de interesse das políticas oficiais de avaliação, reduzindo a adoção de parâmetros nacionais e internacionais sobre o ensino.
III. O currículo passou a ser um território de disputa externa, ultrapassando os limites de atuação de cada mestre ou coletivo escolar.
Assinale a alternativa correta.
Texto para a questão
Gêneros discursivos, BNCC e ensino da escrita: entre diretrizes e práticas pedagógicas
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reafirma, no ensino de Língua Portuguesa, uma concepção de linguagem de base enunciativo-discursiva, na qual o texto, compreendido como prática social situada, ocupa lugar central no processo de ensino-aprendizagem. Tal orientação desloca o foco da língua entendida como sistema abstrato para a língua em uso, exigindo do professor uma atuação pedagógica que articule leitura, produção textual e reflexão linguística de modo integrado e contextualizado.
Nesse quadro, o trabalho com gêneros discursivos assume papel estruturante, pois é por meio deles que os sujeitos participam das práticas sociais de linguagem. A BNCC organiza essas práticas a partir de campos de atuação, reconhecendo que cada gênero se constitui em condições específicas de produção, circulação e recepção. Assim, ensinar Língua Portuguesa implica criar situações didáticas em que o aluno compreenda não apenas a forma do texto, mas também seus propósitos comunicativos e efeitos de sentido.
Um exemplo dessa orientação pode ser observado no campo jornalístico-midiático, quando se propõe a produção de gêneros como notícia, reportagem ou artigo de opinião. Ao desenvolver uma atividade de produção de notícia, por exemplo, o professor precisa conduzir o aluno à análise do contexto de circulação, da seleção das informações relevantes, da organização composicional e das escolhas linguísticas adequadas ao gênero, superando práticas de escrita meramente reprodutivas.
De modo semelhante, no campo das práticas de estudo e pesquisa, a produção de gêneros como artigos de divulgação científica ou relatórios exige que o ensino da escrita contemple estratégias de planejamento, textualização e revisão. Nesse caso, o gênero funciona como mediador entre o conhecimento científico e o leitor, demandando do aluno a mobilização de estratégias de leitura e escrita que garantam clareza, coesão e adequação ao interlocutor.
Essas propostas evidenciam que a leitura e a produção textual não podem ser tratadas como atividades dissociadas. Ao contrário, compreender um gênero pressupõe analisar seus modos de dizer, seus valores discursivos e suas regularidades, o que implica práticas de leitura orientadas e reflexão sobre o funcionamento da língua em contextos reais de uso, conforme defendido pela BNCC.
Conclui-se, portanto, que o ensino de Língua Portuguesa, alinhado às diretrizes da BNCC, requer do professor uma postura teórico-metodológica consistente, capaz de articular gêneros discursivos, estratégias de leitura e práticas de escrita em projetos pedagógicos significativos. Somente assim será possível formar leitores e produtores de texto competentes, capazes de atuar criticamente nas diferentes esferas sociais.
Texto adaptado a partir de MARINS, Ida Maria Morales. Gêneros textuais/discursivos e a BNCC: uma leitura reflexiva da prática de escrita. In: VIII ENALIC – Edição Digital, p. 469–480, 2019.
Preenche CORRETAMENTE a lacuna:
Durante uma formação sobre a BNCC em Ciências da Natureza, o coordenador pediu que o grupo comentasse o documento.
O Professor I iniciou a discussão: — Quando leio a BNCC de Ciências, não vejo só uma lista neutra de conteúdos. É um texto que seleciona certos modos de explicar corpo, ambiente e matéria como legítimos na escola. Quando isso vira currículo, acabamos formando um certo tipo de estudante de Ciências, que aprende a se reconhecer dentro dessa maneira específica de organizar conceitos e modelos, enquanto outras formas de se perceber e de perceber o mundo vão ficando em segundo plano.
O Professor II acrescentou: — Concordo que o currículo produz esse tipo de sujeito, mas me preocupo também com a história dessas escolhas. A forma como a BNCC seleciona determinados temas, fala de tecnologia e quase não traz certos saberes do trabalho ou da comunidade está ligada a disputas sobre o que conta como conhecimento escolar. As explicações que aparecem ali foram sendo construídas ao longo do tempo por grupos, instituições e interesses, e tratá-las como naturais pode apagar essa trajetória e as desigualdades envolvidas.
Por fim, o Professor III comentou: — Eu entendo de forma mais direta. A BNCC de Ciências organiza o que os estudantes precisam aprender em cada ano: observar fenômenos, fazer experiências simples, registrar resultados e chegar às explicações mais gerais. Se seguimos essa sequência de conteúdos e habilidades, eles vão acumulando informações confiáveis e confirmam, nas atividades práticas, as explicações que a ciência apresenta. Para mim, o currículo é esse plano bem estruturado que orienta passo a passo o que ensinar em cada etapa.
A relação entre as falas dos professores e as concepções de currículo e de ciência é caracterizada como: