Questões de Concurso
Sobre gestão democrática em pedagogia
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Uma forma de exercitar a gestão democrática é a participação dos diversos segmentos escolares e comunitários no planejamento, desenvolvimento e avaliação do Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola. Como um instrumento de intervenção na prática educacional que se realiza na escola, o PPP da escola configura-se como uma forma de planejamento. Nesse sentido, analise os seguintes aspectos que delineiam esta reflexão:
I. O planejamento hoje em dia é frequentemente visto de forma negativa, com certo descrédito, pois foram tão divulgados nos últimos trinta anos que, na prática, nos deixaram como legado uma sociedade onde, cada vez mais, cresce a parcela da população marginalizada das conquistas políticas, culturais e econômicas, e cuja educação, saúde, alimentação, transporte e segurança lhes são negados. Nesse sentido, os direitos são “acenados”, mas não são concedidos.
II. O planejamento tem sido historicamente apresentado como um instrumento de administração tecnicamente “neutro”, cuja utilização independe da postura, escolhas e ideologias de seus idealizadores. Ele tem sido historicamente, um instrumento que retrata a concepção dominante do mundo e da sociedade. Com isso, está a serviço e endereça suas ações para um determinado grupo ou setor da sociedade. Sendo o planejamento uma ação de intervenção voluntária, na realidade, ele se configura como um instrumento político e não há neutralidade em política, portanto, apesar do planejamento ser apresentado como um instrumento “neutro”, ele de fato não é.
III.O planejamento, como ação administrativa, tem sido elaborado de forma isolada das políticas e da gestão do processo educativo. Verificamos que o planejamento é uma ação contínua e flexível que, também no processo educativo, retrata políticas e delineia a gestão, num constante redimensionamento de caminhos e busca do alcance dos objetivos. É o planejamento que estabelece a finalidade, a missão de uma dada ação e, com isso, instrumentaliza o processo de gestão, delimitando a forma e o espaço de intervenção.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
A composição, funções, responsabilidades e funcionamento dos Conselhos Escolares devem ser estabelecidos pela própria escola, a partir de sua realidade concreta e garantindo a natureza essencialmente político-educativa do Conselho Escolar, que se expressa no “olhar” comprometido que desenvolve durante todo o processo educacional, com uma focalização privilegiada na aprendizagem. Sua atuação, desta forma, se volta para o planejamento, a aplicação e a avaliação das ações da escola. Com o objetivo de desenvolver um acompanhamento responsável, ético e propositivo do processo educativo na escola, e visando uma educação emancipadora, o Conselho Escolar deve estar atento a alguns aspectos extremamente relevantes desse processo, compreendendo que:
I. A aprendizagem é decorrente da construção coletiva do conhecimento e não se basta à transmissão de informações.
II. O projeto de educação que a escola vai desenvolver, dando sentido às suas ações, deve ser discutido, deliberado e seguido por todos.
III. O sentido de pluralidade nas relações sociais da escola, com respeito às diferenças existentes entre os sujeitos sociais, deve ser a marca do processo educativo.
IV. A unidade do trabalho escolar deve ser garantida utilizando-se o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola como instrumento para possibilitar a fragmentação das ações.
V. O sentido de qualidade na educação deve ser a transposição do conceito do mundo empresarial para a escola, isto é, na educação, esse sentido necessita estar referenciado no mercado e não no social.
Estão corretas apenas as afirmativas
“A escola, instituição epicentro da sociedade contemporânea, padece da violência canalizada para seu interior e daquela que ela mesma gera nas suas próprias práticas.” (JUSTO, José Sterza, Escola no Epicentro da Crise Social, POA: Ed. Mediação, 2005, p. 47)
No que se refere a práticas escolares que geram a violência e, no lugar de promover a disciplina, geram indisciplina, podemos apontar:
I – o não reconhecimento dos estudantes como sujeitos, portadores de conhecimentos, desejos, expectativas;
II – práticas dialogadas de construção da escola, seu espaço, seus tempos e conteúdos;
III – a verticalização do poder, onde poucos definem os objetivos, as estratégias e os conteúdos do ensino.
A indisciplina na escola existe desde sempre, todavia, aspectos como o medo e o respeito unilateral eram mais fortes há alguns anos atrás. Hoje, na sociedade atual, considerando as demandas por democracia e inclusão social, temos o desafio de construir a disciplina com outros valores, ditos democráticos. Seriam atitudes que contribuíram para promover a disciplina em uma sociedade democrática:
I – substituir a ideia de respeito unilateral (baseado apenas na hierarquia e no poder de punição) pela ideia de respeito mútuo (horizontal e com base no diálogo);
II – práticas coerentes com os discursos, o que vem a favorecer o desenvolvimento de valores éticos;
III – combate permanente à indisciplina, com métodos calados na punição exemplar.
Discutindo o trabalho em equipe na escola, e mais especificamente a participação dos responsáveis pelos estudantes na escola, Paro (2011) destaca mecanismos coletivos de participação. Seriam encaminhamentos que poderiam colaborar para que a participação da comunidade na escola fosse mais efetiva:
I – Acolher a todos que participam da escola, ouvindo e valorizando as ideias, inclusive as propostas feitas pelos responsáveis das camadas mais empobrecidas da população;
II – Fazer da participação coletiva e democrática uma prática ao tomar das decisões referentes ao projeto pedagógico da escola;
III – Utilizar as reuniões coletivas para expor problemas pontuais ou individuais dos estudantes.
Faz parte da gestão democrática do ensino público na educação básica:
I – a definição, pela direção da escola, das linhas gerais do projeto pedagógico;
II – a elaboração coletiva dos projetos pedagógicos das escolas;
III – a participação da comunidade escolar nos conselhos que colaboram na gestão da escola
A democratização, no âmbito da escola, não será alcançada sem que cada escola organize o seu próprio projeto educativo (...) nada impede que cada escola se organize em termos do modo como compreende a tarefa educativa em face das dificuldades específicas que enfrenta...
Nessa compreensão,
“A escola é um espaço de livre circulação de ideologias onde a classe dominante espalha suas concepções, ao mesmo tempo que permite a ação dos intelectuais orgânicos rumo ao desenvolvimento de práticas educacionais em busca da democratização.” (HORA, Dinair Leal da. Gestão democrática na escola; artes e ofícios da participação coletiva. Campinas, SP: Papirus, 1994, p.34)
Na prática de uma gestão participativa, a democratização da escola tem sido fundamental. Tal democratização pode ser
analisada sob três aspectos básicos de práticas educacionais, como a(o)
“A democracia não é, absolutamente, a ditadura da maioria. Pelo contrário, ela pressupõe a proteção das minorias e a não repressão de ideias que possam parecer afastar-se de padrões estabelecidos, que possam parecer absurdas (...).” (MORIN, E. Ética, cultura e educação. São Paulo: Cortez, 2001, p. 32)
Para que a avaliação seja mais democrática e inclusiva devemos então, tentar estabelecer com nossos alunos avaliações que
não os coloquem afastados com padrões de respostas que pareçam absurdas como nos afirma Morin. Para considerarmos
esse contexto de avaliação mais democrática, esta deve apresentar uma dimensão