Questões de Concurso
Sobre currículo (teoria e prática) em pedagogia
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[...] A relação dos docentes com os saberes não se reduz a uma função de transmissão dos conhecimentos já constituídos. Sua prática integra diferentes saberes, com os quais o corpo docente mantém diferentes relações. Pode-se definir o saber docente como um saber plural [...].
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
De acordo com essa concepção, o trabalho docente se fundamenta na
[…] A criança se insere no mundo da escrita tal como ele é: aprende a ler palavras com base em textos reais que lhe foram lidos, que compreenderam e interpretaram, [...] não palavras isoladas, descontextualizadas, ou frases artificiais apenas para prática das relações fonema-grafema; e ao mesmo tempo vai ainda aprendendo a identificar os usos sociais e culturais da leitura e da escrita, vivenciando diferentes eventos de letramento e conhecendo vários tipos e gêneros textuais, vários suportes de escrita [...].
SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016. p. 350.
De acordo com essa concepção, promover o ensino na alfabetização implica
I- contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares, identificando estratégias para apresenta-los, representá-los, exemplificá-los, conectá-los e torná-los significativos, com base na realidade do lugar e do tempo nos quais as aprendizagens estão situadas.
II- decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem.
III- selecionar e aplicar metodologias e estratégias didáticas pedagógicas diversificadas, recorrendo a ritmos diferenciados e a conteúdos complementares. Se necessário, trabalhar com as necessidades de diferentes grupos de estudantes, suas famílias e cultura de origem, suas comunidades, seus grupos de socialização.
É CORRETO o que se afirma em:
I- a integração e continuidade dos processos de aprendizagens das crianças sejam fundamentais.
II- o estabelecimento de estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para os docentes, de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de fazer, em uma perspectiva de continuidade de seu percurso educativo.
III- as singularidades e as diferentes relações que elas estabelecem com os conhecimentos são supérfluas, assim como a natureza das mediações de cada etapa.
É CORRETO o que se afirma em:
Para resolver a situação, os estudantes deveriam utilizar diferentes linguagens, realizando as seguintes atividades:
Nessa situação, os estudantes precisariam expressar opiniões, argumentar com respeito, utilizar linguagem oral, escrita e visual, além de desenvolver consciência socioambiental e atitudes responsáveis no cotidiano escolar. Considerando as competências específicas de Linguagens para o Ensino Fundamental, embasadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a docente fez a organização da proposta na perspectiva integra da competência específica de:
I- O Projeto Político-Pedagógico, embora reconheça a importância da participação coletiva, pode ser inicialmente estruturado pela equipe gestora e posteriormente validado pela comunidade escolar, desde que preserve a coerência com as diretrizes legais e assegure a organização do trabalho pedagógico de forma eficiente.
II- O Projeto Político-Pedagógico surgiu após a Constituição Federal vigente, com vistas a oferecer autonomia às escolas na construção de sua própria identidade.
III- O Projeto Político-Pedagógico consiste em um documento técnico-administrativo elaborado prioritariamente pela equipe gestora da escola, cuja função é organizar normas e diretrizes institucionais, podendo ser aplicado de forma padronizada aquém das especificidades da comunidade escolar.
IV- Aarticulação entre currículo e projeto pedagógico incide nos processos de gestão e organização do trabalho docente, nas políticas que envolvem aspectos do trabalho coletivo e na avaliação.
V- O currículo escolar deve ser compreendido prioritariamente como um conjunto de conteúdos formais previamente definidos pelos sistemas de ensino, cuja principal função é secundarizar a relação com as práticas sociais, culturais e com a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico.
É CORRETO o que se afirma em:
I- As competências gerais da BNCC devem ser desenvolvidas de forma transversal, articulando conhecimentos, habilidades, atitudes e valores em todas as áreas do conhecimento, visando a formação integral dos estudantes.
PORQUE
II- A BNCC compreende que o processo educativo não se restringe à dimensão cognitiva, mas envolve também aspectos socioemocionais, éticos, culturais e sociais, necessários à constituição de sujeitos críticos, autônomos e participativos.
A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que:
I- A BNCC apresenta caráter normativo, porém sua aplicação prática e obrigatória restringe-se exclusivamente às redes públicas estaduais e municipais, sendo opcional para as escolas particulares.
II- A BNCC afirma um compromisso com a educação integral, compreendida como a jornada escolar de tempo integral, com permanência mínima do estudante de 7 (sete) horas diárias na escola.
III- A BNCC estrutura as aprendizagens essenciais para Ensino Médio em quatro áreas do conhecimento: Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Excerto 1
“Muitos economistas e não poucos sociólogos e historiadores da educação têm uma forma especial de encarar as escolas. Veem a instituição de ensino como alguma coisa semelhante a uma caixa negra. Mede-se o input antes de os alunos ingressarem nas escolas, e depois se mede o output durante o curso ou quando, 'adultos', entram para a força de trabalho. O que realmente se passa dentro da caixa negra — o que se ensina, a experiência concreta de crianças e de professores — tem menos importância nessa visão que as considerações mais globais e macroeconômicas da taxa de retorno do investimento, ou, mais radicalmente, que a reprodução da divisão do trabalho” (APPLE, 1982, p.43)
Excerto 2
“Parece haver duas formas bastante distintas em que os educadores (e os psicólogos, sociólogos e economistas) investigaram o conhecimento escolar. Uma está centrada em torno da questão do desempenho acadêmico. A segunda está preocupada menos com questões de desempenho que com o papel das escolas como mecanismos de sociabilização.
No modelo de desempenho acadêmico, não se problematiza o conhecimento curricular. Pelo contrário, o conhecimento introduzido nas escolas é geralmente aceito como dado, como neutro, de maneira que se podem fazer comparações entre grupos sociais, escolas, crianças etc.” (APPLE, 1982, p.49)
Fonte: APPLE, Michael. Ideologia e currículo. (Carlos Eduardo Ferreira Carvalho trad.) São Paulo: Brasiliense, 1982.
Depreende-se dos excertos destacados que Michael Apple faz uma crítica às análises que reduzem a escolarização a uma perspectiva de “caixa negra” e o domínio da pesquisa sob o “modelo de desempenho acadêmico”. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA com relação à principal limitação conceitual e política da visão tradicional do conhecimento curricular, tal como caracterizada no excerto 1 segundo o modelo do input – output.
Considerando os princípios da educação para as relações étnico-raciais, assinale a alternativa que apresenta a estratégia pedagógica correta.
I.Na creche, as ações de cuidado ocupam maior centralidade pedagógica, enquanto na pré-escola as experiências educativas assumem progressivamente maior importância para a preparação escolar.
II.As brincadeiras possuem relevância no currículo da Educação Infantil por possibilitarem diferentes formas de expressão, interação, exploração e construção de conhecimentos.
III.As práticas de cuidado podem constituir experiências educativas quando promovem participação, interação e desenvolvimento progressivo da autonomia da criança.
IV.A organização do cotidiano deve considerar cuidado e educação de forma integrada, reconhecendo as especificidades das crianças e das experiências vivenciadas na instituição.
É correto o que se afirma em:
- Gestão da sala de aula: professores alegres resolvem interrupções com mais agilidade.
- Relacionamento: o entusiasmo do docente favorece a criação de vínculos de apoio com os jovens.
- Desafio intelectual: o prazer em ensinar está ligado ao uso de estratégias que fazem o aluno pensar criticamente.
Essas mudanças na forma de ensinar impactam diretamente a percepção do aluno sobre sua própria capacidade. Quando percebem um professor entusiasmado, os estudantes sentemse mais seguros para explorar conceitos complexos. Assim, o humor do professor molda a experiência de aprendizado muito antes da entrega das notas finais. “Nosso estudo mostra que as emoções de um professor não são meramente um subproduto do processo educacional, mas um contribuinte ativo para ele”, diz Marina Elena Pfeifer.
Semelhanças observadas em diferentes culturas
Um dos pontos mais relevantes do levantamento foi a constância dos resultados em nações com realidades muito distintas. Apesar das diferenças econômicas e linguísticas entre países como China e Colômbia, a forma como a emoção do professor afeta o aluno seguiu o mesmo padrão. Isso indica que a dinâmica emocional no ensino é uma característica humana fundamental, e não um traço cultural isolado.
Os pesquisadores afirmam que, mesmo com métodos pedagógicos variados, o efeito dominó da alegria ou da raiva foi uma constante em todas as escolas analisadas. Esse padrão sugere que as interações sociais básicas em sala de aula respondem aos mesmos princípios psicológicos em qualquer lugar do mundo. A descoberta reforça a ideia de que o bem-estar do docente é uma necessidade universal para a educação.
Essa similaridade entre os países permite que as conclusões do estudo sejam aplicadas de forma ampla em políticas educacionais globais. Os autores chamam essa característica de universalidade relativa das dinâmicas emocionais. Isso significa que, embora a forma de expressar sentimentos varie, o impacto deles sobre a qualidade da aula é previsível.
Dessa forma, o estudo oferece uma base sólida para que sistemas de ensino de diferentes regiões adotem estratégias comuns de suporte ao docente. Entender que o mecanismo é o mesmo ajuda a planejar treinamentos que foquem na regulação emocional como parte da competência profissional. A pesquisa mostra que, independente do idioma, a linguagem das emoções é decisiva para o aprendizado.
Ciclos emocionais na rotina escolar
Os pesquisadores identificaram que a sala de aula é propensa à criação de ciclos emocionais que se alimentam sozinhos. Esses ciclos podem levar a turma a uma trajetória de sucesso ou de dificuldades persistentes ao longo do ano letivo.
No chamado ciclo virtuoso, a alegria do professor resulta em um ensino mais eficaz e no progresso dos alunos. Esse sucesso escolar, por sua vez, aumenta a satisfação e o orgulho do docente, reforçando sua felicidade.
Já o ciclo vicioso pode prender professores frustrados em uma espiral negativa de desempenho. A raiva compromete a gestão da classe, o que gera maus resultados nos testes e aumenta a irritação do educador. Sem uma intervenção, o professor pode se sentir cada vez mais incapaz de atingir seus objetivos pedagógicos.
O estudo mostra que essas emoções não são apenas subprodutos, mas participantes ativos da rotina.
Como quebrar os ciclos
Para quebrar esses padrões negativos, é necessário ir além de novos materiais didáticos ou mudanças no currículo. O apoio à saúde mental e ao equilíbrio emocional do professor é apontado como a ferramenta principal para reverter esses ciclos.
Intervenções baseadas em atenção plena, conhecidas como mindfulness, são citadas como exemplos de práticas que ajudam o docente a regular seu humor.
Essas ações permitem que o professor recupere o controle sobre o ambiente da sala de aula antes que o desgaste emocional se torne permanente. O sucesso de um sistema de ensino depende, portanto, da capacidade de manter o educador motivado e saudável.
Quando o ciclo virtuoso é estabelecido, tanto o professor quanto os alunos saem beneficiados em sua trajetória escolar.
Implicações para a gestão escolar
O estudo conclui que apoiar o bem-estar dos professores deve ser uma prioridade estratégica para escolas e governos. Reduzir o estresse docente não é apenas uma questão de gentileza, mas uma medida essencial para garantir a eficácia do aprendizado. Escolas que investem em ambientes saudáveis para os educadores estão, na prática, investindo no rendimento acadêmico de seus estudantes.
A gestão escolar pode atuar em várias frentes para proteger os recursos emocionais de sua equipe:
- Redução de tarefas administrativas excessivas que geram esgotamento.
- Oferecimento de treinamentos focados em competências de regulação emocional.
- Criação de espaços de acolhimento para que professores lidem com situações desafiadoras.
- Implementação de programas de prevenção ao estresse ocupacional e burnout.
Compreender que o ensino é uma atividade emocional ajuda a reformular os desafios da educação moderna. O professor deixa de ser visto apenas como um transmissor de conteúdo e passa a ser reconhecido como o gestor do clima da sala de aula. Essa mudança de visão é fundamental para que a comunidade escolar colabore na construção de um ambiente mais produtivo.
“A principal implicação no mundo real é que apoiar o bemestar emocional de um professor não é apenas 'algo bom de se ter' — é crítico para o sucesso do aluno”, avalia Marina Elena Pfeifer, líder do estudo.
Por fim, a pesquisa destaca que as emoções são contribuintes ativos e não meros resultados do processo educativo. O humor de quem ensina define se o aluno terá curiosidade ou resistência diante de uma nova matéria. Investir no equilíbrio de quem está à frente da turma é, segundo o estudo, o caminho mais curto para formar alunos mais confiantes e interessados.
(Fonte: Portal G1. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/06/01/humor-doprofessor-impacta-desempenho-escolar-dos-alunos-estudo.ghtml (adaptado).
Fonte: Adaptado de RÊGO, Luciane Borges do; LIMA, Maria Vitória Ribas de Oliveira. Didática. Recife: Universidade de Pernambuco, 2010, p. 21.
Nesse sentido, assinale a alternativa correta acerca do Projeto Político-Pedagógico.
I. Segundo a metodologia da Resolução de Problemas, o professor deve propor atividades desafiadoras para que o estu dante elabore apenas uma maneira de resolução para comparar a estratégia com a de outros alunos e, assim, valide o seu raciocínio.
II. Em sua prática pedagógica, o professor deve usar a História da Matemática para mostrar aos alunos a linha do tempo da construção do conhecimento matemático ao longo da história da humanidade.
III. A Etnomatemática é um movimento que surgiu durante a década de 1970. Trata-se de um método de ensino e pesquisa baseado em críticas sociais sobre o ensino tradicional da Matemática.
IV. Segundo a BNCC, as ideias fundamentais associadas ao pensamento geométrico são construção, representação e inter dependência.
V. De acordo com a BNCC, o estudo de Álgebra nos anos finais do Ensino Fundamental deve compreender principalmente ideias de regularidade, generalização de padrões e estabelecer a variação entre duas grandezas.
Quantas afirmações são verdadeiras?