Questões de Concurso Sobre tipologia textual em português

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Q2345779 Português
Os textos narrativos incluem ações e acontecimentos nos enredos; assinale a opção que mostra um acontecimento e não uma ação. 
Alternativas
Q2344960 Português
Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 01


O que acontece com as crianças


Mário Quintana


      Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo. Naturalmente, quase sem querer, numa espécie de método subliminar. Em meus tempos de criança, era aquela encantação.

      Lia-se continuamente e avidamente um mundaréu de história (e não estórias), principalmente as do Tico-tico. Mas lia-se corrido, isto é, frase após frase, do princípio ao fim.

      Ora, as crianças de hoje não se acostumam a ler corretamente, porque apenas olham as figuras dessas histórias em quadrinhos, cujo “texto” se limita a simples frases interjetivas e assim mesmo muita vez incorretas.

      No fundo, uma fraseologia de guinchos e uivos, uma subliteratura de homem das cavernas. Exagerei? Bem-feito! Mas se as crianças, coitadas, nunca adquiriram o hábito da leitura, como saberão um dia escrever?


Disponível em: https://www.pensador.com/cronicas_de_mario_quintana/3/. Acesso em: 9 out. 2023. Adaptado.
Considere o trecho “Lia-se continuamente e avidamente um mundaréu de história (e não estórias), principalmente as do Tico-tico.”
No trecho, foram usados os termos “história” e “estória”. Sobre o uso desses termos, é CORRETO afirmar:
Alternativas
Q2344626 Português
TEXTO I


EU SEI, MAS NÃO DEVIA


         Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

        A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

        A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. [...]

         A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar sempre a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


(COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. 2 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. P. 9-10. Fragmento.)
O texto “Eu sei, mas não devia” pertence ao gênero textual crônica. Marque a alternativa que apresenta as sequências tipológicas de base empregadas na construção desse texto:
Alternativas
Q2343143 Português
Não tire conclusões precipitadas






SALETTE, Maria; RUGGERI, Wilma. Para que minha vida se transforme: histórias selecionadas. 1 ed. Campinas: Verus, 2010.
Com referência aos elementos que compõem essa narrativa, qual é a afirmação cujo conteúdo está CORRETO?
Alternativas
Q2340292 Português
Texto CB1A1-I


           A governança pública é discutida em torno de determinados pressupostos sobre componentes estruturais como gestão, equidade, transparência, responsabilidade corporativa, accountability (prestação de contas) e legalidade do setor público. Esses elementos são considerados necessários ao desenvolvimento das sociedades, segundo os modelos idealizados por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), e pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

         Sob a ótica da ciência política, a governança pública está associada a uma mudança de gestão política, tendendo, cada vez mais, à autogestão nos campos social, econômico e político, como também a uma nova composição de formas de gestão. Complementarmente, a governança relaciona-se a fatores como tomada de decisões gerenciais, desempenho, controle, com direcionamento global para o órgão ou a entidade, e necessidade de prestação de contas para seus controladores.

          Nesse sentido, o conceito de accountability é pautado na relação de interesse do Estado e nas necessidades do cidadão. Assim, a accountability é plena quando as informações públicas de prestação de contas dos governantes, auditadas pelos órgãos de controles internos e externos, geram confiança a uma sociedade participativa das decisões públicas.

     O grau de accountability de uma burocracia deve ser explicado pelas dimensões do macroambiente da administração pública: a textura política e institucional da sociedade, os valores, os costumes tradicionais partilhados na cultura, a história, o desenvolvimento político na trajetória para tornar as burocracias responsáveis, a baixa contribuição dos diversos esforços de reformas da administração pública e a precariedade dos controles formais.


Blênio Cezar Severo Peixe et al. Governança pública e accountability: uma análise bibliométrica das publicações científicas nacionais e internacionais. 2018. Internet: <redalyc.org>  (com adaptações)

A respeito das ideias e da tipologia do texto CB1A1-I, julgue o item subsecutivo. 



No texto, predomina o tipo textual dissertativo, mas há sequências da tipologia injuntiva em cada parágrafo.

Alternativas
Q2339214 Português
TEXTO III


Bola-de-gude-azul

Clarissa Moura


           Rita me fitava com aqueles olhos azuis estrábicos e esbugalhados. Assim que entrou aqui em casa, foi a primeira coisa que vi, olhos-bola-de-gude, criança feia, careca. Todos os bebês são feios, acho que eu nasci feia também. Essa menina vem atrapalhando minha vida, desde que ainda estava dentro da minha mãe.

        Na verdade, tudo muda quando uma criatura vai pra dentro de uma fêmea. Percebi isso quando Nina, nossa cadela, pegou um bucho do cachorro vira-lata que minha mãe odeia. Ela achou ruim, reclamou. Brigava dia e noite com Nina, a cachorra fujona que saiu e voltou prenha de cinco cachorrinhos. Morreram todos. Coitada de Nina, ela ficou cansada, lenta, dorminhoca. Não fazia mais nada, só dormia. Minha mãe reclamou tanto, tanto, mais tanto, que pegou um bucho também.

           Mamãe colocou o nome da minha irmã de Rita de Cássia, a santa dela. Acho engraçado isso de dizer que a santa é sua. Pra mim, as coisas só são nossas quando a gente compra ou ganha. Do nada, a santa vira boneca que protege gente. Enquanto a barriga crescia, ela todo dia acendia uma vela, se alisava e rezava. Amenina, lá dentro, não sentia nada, não sabia de nada. Ganhou o nome da santinha que fica no quartinho ao lado da sala.

           Depois que minha mãe disse que eu ia ter uma irmãzinha, que ela ia ser minha melhor amiga e companheira, tudo mudou. Mamãe só vivia vomitando, com sono, não queria brincar comigo, triste e deitada. O médico disse que ela tinha que passar a gravidez toda acamada pra menina vingar. Toda noite que minha mãe rezava, eu rezava junto, pedindo pra aquela menina não nascer. Queria minha mãe só pra mim. Mas não adiantou.

          Meu pai, que quase não tinha tempo pra brincar comigo, passou a trabalhar mais. Eu só via ele nos fins de semana, e sempre cansado porque tinha mais uma boca pra alimentar. Minha filha, papai tem que trabalhar pra dar o melhor pra você e sua irmãzinha. Mas o melhor pra mim era ter meu pai e minha mãe somente pra mim. E, mesmo antes de nascer, a bola-de-gude-azul roubou meus pais.

         Eu queria ser filha única, como meu pai e minha mãe. Não tenho tios, e nem sinto falta. Família boa é família que tem tempo pra ficar junto e brincar feliz. Agora eu fico sozinha o tempo todo. Desde que Nina teve os cachorrinhos mortos, também não quer brincar comigo. Os bichinhos pareciam uns ratinhos, pretinhos, tamanhico de nada. Mamãe falou que eles não tinham como ficar vivos e que quase matou nossa cadela. Que ela teve sorte. Sorte mesmo seria se ela nunca tivesse pegado um bucho.

            Faz cinco dias que eu não consigo dormir, Rita está dormindo no quarto da minha mãe. Só vive pendurada nos peitos dela, mamando, mamando. Minha mãe chama ela de minha bezerrinha. Vai ser a bezerrinha mais forte de todas. Será que ela me acha fraca só porque eu não tô pendurada sugando o leite dela? Eu prefiro comer bolacha desmanchada no leite. Era tão bom quando minha mãe colocava minha comidinha, e a gente ficava vendo televisão e conversando. Ela sempre sentava em uma cadeira e ficava me vendo comer. É tão lindo te ver comendo Maria, você é a gulosa de mamãe. Eu ria, e ela alisava meus cachinhos.

             Hoje tive que apresentar um trabalho na escola. Segurei a cartolina e não consegui lembrar de nada. Comecei a gaguejar e a chorar. Todo mundo riu de mim. Burra, burra, chorona, chorona. A professora mandou todo mundo se calar. Eu empurrei o Carlinhos, o imbecil que puxou o coro, e chorei mais ainda. Fui levada pra diretoria, fizeram um bilhete pra meus pais, e amanhã eu só posso assistir aula se eles vierem me deixar. Me ferrei.

             Sinto medo da pisa que vou levar, do castigo que não vai acabar nunca. Eu não vou poder sair pra brincar com as meninas na rua, vou ter que ficar trancada dentro de casa fazendo o dever que não tem fim. A pirralha começa a berrar de novo, muito alto. Essa menina só chora. Se não fosse por ela, eu teria dormido bem e lembraria do nome de todos os répteis da cartolina. Ódio.

             Vou pro quarto, minha mãe tá dormindo pesado, roncando. Parece a Bela Adormecida que não vai acordar nunca mais. Rita chora, chora, chora, eu choro. Corro na cozinha, pego a faca de cortar pão, volto pro quarto, seguro a fralda na boca dela até abafar o choro, enfio a faca nos olhos-azuis-bola-de-gude dela e arranco. Pego as bolinhas agora vermelhas, se desmanchando na minha mão, e coloco na minha sacola de bolas-de-gude.

        Será que amanhã eu ainda vou estar de castigo?

Clarissa Moura (1987, João Pessoa/Paraíba) é advogada, escritora, membro do Clube do Conto da Paraíba. Publica seus textos – crônicas e contos – no Medium https://clarissagmoura.medium.com/ e outras redes sociais. É coorganizadora do ebook Antologia Poética – Poemas dos Dez Melhores Poetas do Extremo Oriental das Américas, publicada pela Rubaiyat Edições em 2022. É uma das autoras da Antologia Prosas de Oficina vol. II, publicação da Editora Escaleras em 2022.


Fonte: https://revistaacrobata.com.br/ 
Com base na leitura do texto sugerido, acerca do foco narrativo utilizado pela narradora, é CORRETO afirmar que predomina:
Alternativas
Q2338177 Português

Leia o texto abaixo: 



Imagem associada para resolução da questão

Fonte: Autoria própria



Tendo em vista a função social do gênero acima apresentado, a tipologia textual prevalente é a: 

Alternativas
Q2338076 Português
Texto

Automóvel: Sociedade Anônima

(Paulo Mendes Campos)

    Se você quiser, compre um carro; é um conforto admirável. Mas não o faça sem conhecimento de causa, a fim de evitar desilusões futuras. Saiba que está praticando um gesto essencialmente econômico; não para a sua economia, mas para a economia coletiva. Isso quer dizer que, do ponto de vista comunitário, o automóvel que você adquire não é um ponto de chegada, uma conquista final em sua vida, mas, pelo contrário, um ponto de partida para os outros. Desde que o compre, o carro passa a interessar aos outros, muito mais que a você mesmo.

    Com o carro, você está ampliando seriamente a economia de milhares de pessoas. É uma espécie de indústria às avessas, na qual você monta um engenho não para obter lucros, mas para distribuir seu dinheiro para toda classe de pessoas: industriais europeus, biliardários do Texas, empresários brasileiros, comerciantes, operários especializados, proletários, vagabundos, etc.

    Já na compra do carro, você contribui para uma infinidade de setores produtivos, que podemos encolher ao máximo nos seguintes itens: a indústria automobilística propriamente dita, localizada no Brasil, mas sem qualquer inibição no que toca à remessa de lucros para o exterior; os vendedores de automóveis; a siderurgia; a petroquímica; as fábricas de pneus e as de artefatos de borracha; as fábricas de plásticos, couros, tintas, etc.; as fábricas de rolamentos e outras autopeças; as fábricas de relógios, rádios, etc.; as indústrias de petróleo [...] 

    Você já pode ir vendo a gravidade do seu gesto: ao comprar um carro, você entrou na órbita de toda essa gente, até ontem, você estava fora do alcance deles; hoje, seu transporte passou a ser, do ponto de vista econômico, simplesmente transcendental. Você é um homem economicamente importante – para os outros. Seu automóvel é de fato uma sociedade anônima, da qual todos lucram, menos você.

    Mas não fica só nisso; você estará ainda girando numa constelação menor, miúda mas nada desprezível: a dos recauchutadores, eletricistas, garagistas, lavadores, olheiros, guardas de trânsito, mecânicos de esquina. Você pode ainda querer um motorista ou participar de alguma das várias modalidades de seguros para automóveis. Em outros termos, você continua entrando pelo cano. No fim deste, há ainda uma outra classe: a dos ladrões, seja organizada em sindicatos, seja a espécie de francopuxadores. [...]
O texto é uma crônica que tem sua estrutura organizada, predominantemente, pela tipologia:
Alternativas
Q2337729 Português
Precisamos Ensinar Nossos Alunos a Falar


Por que não temos líderes no Brasil que nos motivem para um futuro promissor?


Por que não temos bons professores?


Por que nossos poucos cientistas não falam em público e não são mais úteis e conhecidos?


Porque dos 6 aos 22 anos, no nosso sistema estatal de educação, nós ensinamos a Ler, Escrever, Reler e Decorar.


Falar, Convencer, Inspirar, Debater e Rebater com propriedade, simplesmente não é ensinado nem diariamente treinado. Quem fala é sempre o Professor.


A neuropedagogia mostra que as sinapses utilizadas para falar são totalmente diferentes das sinapses para ouvir.


O fato de que você memorizou algo, nunca significa que saberá falar algo com propriedade.


Gastamos verdadeiras fortunas em aulas de inglês, aprendemos a ler e escrever, mas ninguém consegue falar.


Muito menos expor uma ideia nova para um investidor, fazer um discurso na ONU ou negociar um acordo favorável para o Brasil.


Ensinar a falar é tão demorado quanto ensinar a ler e escrever ou mais, mas nada fazemos.


Aprender a Falar em público com clareza, com consistência, repetindo os pontos chaves, convencendo o outro que suas ideias funcionam, responder as perguntas feitas, simplesmente não é ensinado.


Falar para uma plateia de 5.000 pessoas, o que muitos poucos brasileiros sabiam fazer, foi sorte minha.


Aprendi a falar e expor ideias na Harvard Business School onde há 100 anos nos treinam todo dia a solucionar problemas reais, a expor e convencer nossos colegas de nossas soluções, e refutar delicadamente opiniões contrárias.


Todo santo dia.


O professor somente falava nos últimos 10 minutos da aula.


Normalmente apontando o que havíamos esquecido de analisar, elogiando um aluno ou outro.


Por isso no nosso ensino não resolvemos nada, muito menos implantamos nossos grandes problemas nacionais porque ninguém explica direito, porque ninguém entende direito, e assim nada é solucionado.


Só ouvido.


Não temos os famosos debates de pontos de vistas diferentes na USP, Unicamp, Brasília, PUC como em Stanford, Oxford e Harvard.


Temos um sistema educacional voltado a Ouvir, como em todo regime antidemocrático.


Onde o aluno precisa repetir ou obedecer o que foi dito.


Extraído de: https://blog.kanitz.com.br/precisamos-ensinarnossos-alunos-a-falar/
O tipo textual predominante responsável pela composição do texto é o:
Alternativas
Q2337418 Português
Uma receita tradicional de bolo é exemplo clássico de texto 
Alternativas
Q2337413 Português

Leia fragmento textual a seguir.



A administração Clinton decidiu ontem, o que parecem ser os preparativos finais para uma eventual invasão do Haiti e, em meio da crescente oposição popular e da oposição republicana, enviar às costas desse paupérrimo país caribenho dois porta-aviões.



A seguir estão quatro conselhos para quem deseja redigir bem; assinale a opção que apresenta o conselho inaplicável a esse segmento por não mostrar o problema apontado. 

Alternativas
Q2337412 Português
Leia o texto injuntivo a seguir.
Um medicamento é um produto que age sobre a sua saúde. Respeite rigorosamente as ordens de seu médico e o modo de emprego instruído na receita. Siga os conselhos do farmacêutico. Não interrompa o tratamento por sua própria vontade.
Entre as opções abaixo, assinale a que não é marca desse tipo de texto. 
Alternativas
Q2337014 Português
Assinale a frase que mostra um traço de oralidade
Alternativas
Q2336989 Português

Leia o trecho a seguir. 


Quem organiza uma antologia escreve sempre um prefácio em que declara o critério adotado. Agora sei que os prefácios são inúteis, e entre apanhar e apanhar, antes apanhar sem prefácio.


(Manuel Bandeira) 



Sobre o conteúdo e a estruturação desse pequeno texto, assinale a afirmativa correta. 

Alternativas
Q2335940 Português
Observe o seguinte fragmento textual, de Bertrand Russell:
“Certa feita, em Los Angeles, levaram-me para uma visita a um bairro mexicano – “vagabundos ociosos”, disseram-me os cicerones americanos, mas para mim eles pareciam estar usufruindo mais de tudo aquilo que torna a vida uma dádiva, e não uma maldição, do que o destino reservara aos meus anfitriões laboriosos e cheios de ansiedade. Quando tentei, no entanto, explicar esse sentimento, fui encarado com total estranheza e incompreensão”.
Quanto aos modos de organização discursiva, o comentário correto sobre esse pequeno texto é que ele 
Alternativas
Q2335167 Português
Leia o fragmento textual a seguir.

Há muito mais coisas acontecendo todo o tempo dentro de nós do que estamos dispostos a expressar, e a civilização seria impossível se pudéssemos todos ler a mente uns dos outros. Fora qualquer outra coisa, existe a luxúria tropical brutalmente caótica da vida interior. Para citar Simmel: ‘Tudo aquilo que comunicamos a outro indivíduo por meio de palavras ou talvez de outra forma é apenas uma seleção daquele todo psicológico real cujo relato fidedigno implicaria o envio de todos sem exceção para o manicômio.

Sobre a classificação do modo de organização discursiva desse fragmento, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2335038 Português
Todos os fragmentos textuais a seguir são do tipo argumentativo. Assinale a opção em que o texto se apoia na construção de um estereótipo.
Alternativas
Q2332894 Português
Texto II
Redes sociais, perigos e
distorção da realidade

    Os jovens de hoje são filhos de uma sociedade do consumo – não só de bens materiais, mas também de informação. Este mundo tecnológico em que vivemos promove constantemente mudanças no jeito humano de se relacionar, e as redes sociais são fruto desse movimento. As pessoas nascidas neste milênio, em especial, são muito íntimas dos espaços virtuais de interação, os quais, para a maioria das pessoas, representam uma ponte com o “mundo real”.
   As redes sociais, no entanto, potencializam os equívocos na compreensão do que é a vida. “Por terem facilidade em manusear os dispositivos e lidar com suas funcionalidades, os adolescentes, e até mesmo as crianças, passam a acreditar que o mundo das telas é o mundo legal e seguro, enquanto que o que está fora das telas é chato”, diz a especialista em Psicologia do Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) do Grupo Positivo, Maísa Pannuti.
  Nesse sentido, para esses jovens, as redes sociais tornaram-se de fato uma nova realidade, caracterizada por uma sociedade de perfis. Conforme explica a psicóloga escolar, a hiperexposição é um dos retratos dessa distorção de percepções à qual os jovens estão submetidos: tudo o que é valorizado socialmente é exposto e aquilo que não é valorizado socialmente é escondido. Há, inclusive, uma falta de diferenciação entre o que é público e o que é privado.
   “Desse modo, surgem perfis que não correspondem à realidade. Afinal, a natureza das relações sociais é bastante diversa da natureza das relações que se estabelecem no mundo digital”. Nesse processo, todas as respostas virtuais – os likes, os compartilhamentos, os seguidores, etc. – acabam se tornando não apenas reais, mas cruciais. “Surge a ilusão de que o olhar do outro é o que garante a minha sobrevivência”, complementa.

(Disponível em: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-
publicitario/colegio-positivo/para-um-futuro-
positivo/noticia/2021/11/18/redes-sociais-perigos-e-distorcao-da-
realidade.ghtml. Acesso em 11/10/2023)

Texto I

Nizia Figueira, sua criada

(Mário de Andrade)


      Belazarte me contou:

     Pois eu acho que tem. Você já sabe que sou cristão... Essas coisas de felicidade e infelicidade não têm significado nenhum, si a gente se compara consigo mesmo. Infelicidade é fenômeno de relação, só mesmo a gente olhando pro vizinho é que diz o “atendite et videte”1 . Macaco, olhe o seu rabo! isso sim, me parece o cruzamento da filosofia cristã com a precisão de felicidade neste mundo duro. Inda é bom quando a gente inventa a ilusão da vaidade, e em vez de falar que é mais desinfeliz, fala que é mais feliz... Toquei em rabo, e estou lembrando o caso do elefante, você sabe? ... Pois não vê que um dia o elefante topou com uma penuginha de beijaflor caída numa folha, vai, amarrou a penuginha no rabo com uma corda grossa, e principiou todo passeando na serrapilheira2 da jungla3 . Uma elefanta mocetona4 que já estava carecendo de senhor pra cumprir seu destino, viu o bicho tão bonito, mexe pra cá, mexe pra lá, ondulando feito onda quieta, e engraçou. Falou assim: “Que elefante mais bonito, porca la miséria!” Pois ele virou pra ela encrespado e: “Dobre a língua, sabe! Elefante não senhora! sou beijaflor.” E foi-se. Eis aí um tipo que ao menos soube criar felicidade com uma ilusão sarapintada. É ridículo, é, mas que diabo! nem toda a gente consegue a grandeza de se tomar como referência de si mesmo. [...]


1 Expressão latina , do livro bíblico das Lamentações: “Olhai e vede” (Lm 1,12)

2 camada de folhas secas

3 bosque

4 moça robusta e formosa 




É possível estabelecer um diálogo entre os dois textos uma vez que:

Alternativas
Q2328801 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
Tendo em vista a crônica “Um sonho de simplicidade”, de Rubem Braga, com relação à tipologia textual, assinale a característica mais adequada. 
Alternativas
Q2328792 Português
Um sonho de simplicidade

    Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas?
    Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço.
    A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.
    Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo no Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca – foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos.
    Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas?
    Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas… Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa.
    Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número… Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver – sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.

(BRAGA, Rubem. Manchete. Correio da Manhã. O sonho. Rio de Janeiro. Em: 12/03/1953.)
Dentre os recursos coesivos aplicados na crônica está a retomada de elementos já mencionados. São considerados elementos destacados que são exemplos de tal estratégia, EXCETO:
Alternativas
Respostas
1081: B
1082: D
1083: A
1084: C
1085: E
1086: A
1087: E
1088: E
1089: E
1090: D
1091: D
1092: B
1093: D
1094: A
1095: D
1096: C
1097: E
1098: B
1099: C
1100: E